12 de dezembro de 2008

O FERRARI "POPULAR"



A Itália tem imposto maior para carros acima de dois litros, e os fabricantes sempre se aproveitaram disso. Exatamente como a VW no Brasil, por exemplo, com o Gol/Parati Turbo, que aqui muitos acharam "muito caro para um Gol 1-litro", ao invés de pensar "Gol GTI com descontão", que seria o lógico.

Sempre me lembrava do carro acima quando me falavam algo desse tipo. Sim, meninos e meninas, até a Ferrari, quando ainda era um fabricante de automóveis (hoje se convenceu que produz objetos sagrados e intocáveis por ninguém a não ser milionários que não conhecem nada de carro), fez sua versão "Tax-break special".

E que carro... Lançado junto com o mais famoso 308, o 208 GTB/GTS tinha a cilindrada do V8 reduzida para 1991 cm³, por meio de um curso menor, de 71 mm (era 81 mm no 308), taxa de compressão aumentada para 9:1 e, sendo uma versão exclusiva para a Itália, a injeção substituída por um glorioso quarteto de Webers 34 DCNF. Produzia 155 cv a 6.800 rpm.

Mas em meados de 1982 a coisa ficou muito, muito melhor. Aparecia o 208 GTB Turbo. Substituindo os Webers (may them rest in peace) por injeção eletrônica e pendurando um singelo turbocompressor KKK, que soprava 0,6 bar em cilindros com taxa de compressão reduzida para 7:1, a Ferrari conseguiu mais potência que a versão de 3 litros do mesmo carro: 220 cv a 7.000 rpm (215 no 308). E. logicamente, era mais barato na Itália do que o seu irmão “maior”. Aparecia também a característica visual que sempre diferencia os GTB turbinados: a tomada NACA inferior, bem à frente da abertura das rodas traseiras.



Em 1986, a Ferrari reformulava o 308 transformando-o em 328, e as mesmas alterações estéticas eram estendidas para a versão de 2 litros. Agora chamado apenas de GTB ou GTS Turbo, sem a designação 208, ganhava intercooler (da Behr alemã) e mais pressão debitada pelo turbocompressor (agora uma unidade japonesa IHI). Chegava a impressionantes 254 cv a 6.400 rpm e a uma velocidade final de 249 km/h. Foi produzido de 1986 a 1989, junto com o 328.

Até hoje, quando penso qual Ferrari gostaria ter, minha mente vai direto para o 208 GTB Turbo. Para um cara esquisito como eu, nada melhor que um obscuro, raríssimo e desconhecido modelo vendido apenas na Itália, e no meio dos esquisitos anos 80...


MAO

8 comentários:

  1. Paulo Keller12/12/08 13:41

    MAO, o esquisito, não sabia dessa história. Muito boa.
    PK

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  2. O problema desses Turbo antigos é que eles eram muito mal acertados... Esse primeiro modelo, sem intercooler por exemplo... Só tinha os 220hp na primeira acelerada, depois a temperatura da admissão sobe tanto que o carro vai rendendo cada vez menos!

    Gostei da história e do seu texto, mas permita-me discordar... Esse não é um carro que eu teria! Pra ter uma Ferrari que não anda muito (comparada com os tempos modernos) acho que existem outros modelos com mais história e mais "alma"!

    Um abraço,
    Villa

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  3. É a carroceria que também foi usada na poderosa 288 GTO

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  4. Villa

    Como disse, sou meio esquisito mesmo...

    MAO

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  5. Minha Ferrari V8 antiga favorita é a 308GT4, aquela que muitos nem consideram uma Ferrari ("dino")...

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  6. Juliano,

    Não é considerar ou desconsiderar... Dino, tanto a 206/246 como a 308, são uma marca separada.

    É como chamar Chevrolet de Cadillac, VW de Audi, etc...

    Acho engraçadíssimo que é impossível hoje ver uma delas sem cavalinhos aplicados. Se tivesse uma, não se acharia nome Ferrari em lugar algum, como saia de Maranello...

    MAO

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  7. Verdade, é quase impossível achar uma Dino sem o Cavallino à bordo, clandestinamente....

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  8. Eu diria que foi um modelo obscuro e subestimado. Mas desde que conheci um pouco mais sobre mecânica, sonhei em sentir no pé e nas mãos esse pequeno V8 turbinado subindo enlouquecidamente de giros (já que naturalmente, um motor de mesma litragem atingirá maiores giros se tiver mais cilindros, com aumento de potência, à custa de um torque inferior). Nem precisava ser lindo, assim...

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