15 de janeiro de 2009

Panamera: MAO decide


Esta semana a turma que faz este blog discutiu bastante o Panamera. Acho que nestas conversas eu finalmente decidi minha opinião sobre ele.

Minha opinião sobre o Panamera é a mesma que tenho sobre o Cayenne: preferia que não existisse.

Não há dúvida que o Panamera, assim como o Cayenne, será um carro ótimo. Provavelmente será o melhor carro do seu tipo, como o é o Cayenne. E aí está a raiz do problema. Existem literalmente dúzias de peruas 4x4, altas, caras, com V8s superpotentes à venda hoje em dia. Mercedes, BMWs, Range Rovers, e até baratas Jeep SRT8 e Chevrolets SS.

Existem também um monte de sedãs esportivos: Maseratis, Mercedes, BMWs.

Mas só existe um Porsche 911. Não há mais nada como ele. Isto é que costumava fazer um Porsche especial: uma fórmula única e inimitável. Se a particular forma de cupê 2+2 com motor contraposto traseiro lhe toca como faz a mim, só existe um lugar onde consegui-lo: no subúrbio de Stuttgart chamado Zuffenhausen.

Não sou tão tradicionalista a ponto de achar que empresa morreu, ou que não significa mais nada, mas gostaria que ambos os carros nunca tivessem existido. Antes deles, se uma pessoa lhe dizia que tinha um Porsche, você sabia que era um tipo especial e diferente de pessoa que entendia uma longa e bonita tradição. Ao contrário do Ferrari, que sempre contou com jogadores de futebol deslumbrados entre seus donos, a Porsche apetecia a quem gostava de dirigir, e só a eles. Agora, "eu tenho um Porsche" não significa mais nada. Só que o cara tem algum dinheiro.

E o que me deixa mais triste, no caso do Panamera, é que a ideia é ótima. Não existe motivo para que um carro esporte não possa ter 4 lugares, 4 portas e portamalas. E não existe motivo para que um Porsche não possa ter 4 lugares, 4 portas e portamalas. Mas a ótima ideia pegou o caminho errado.

E por que? Vejam bem, a Porsche teve um bruta trabalhão para fazer a experiência de dirigir o Panamera ser digna de Porsche (ou seja, fosse como um 911). Teve um trabalho danado também para que o carro tivesse aparência de Porsche (ou seja, parecido a um 911). Então por que cargas d'água ela não fez ele SER um Porsche de uma vez????

Bastava colocar um motor contraposto lá atrás, ou mesmo em posição central-traseira. Caramba, era só alongar um 911, pelamordedeus!!!

Conseguiria um carro original e único como o 911, que agradaria os puristas e os não-entusiastas (que nem sabem onde fica o motor de qquer forma) duma vez só.

O Panamera me entristece não pelo que é, mas por tudo de grande que poderia ter sido.

MAO

6 comentários:

  1. Marcelo Augusto15/01/09 17:32

    Duas coisas a lamentar: não haver 3 lugares no banco traseiro. De resto, acho uma escolha acertada, depois de um utilitário-"esporte". Na terra dos carrões vai ser sucesso na certa. A segunda coisa a lamentar é não existir mais a série The Sopranos, explico: se o Cayenne era carro de madame, e viamos toda hora a mulher do chefão guiando o seu, certamente a nova máquina iria pintar por lá.

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  2. Marlos Dantas15/01/09 19:31

    Meu temor é que a Porsche se torne uma empresa que simbolize status social, tal como hoje é a Ferrari. Como eu já disse noutra oportunidade, um Ferrari (não importa o modelo, mas geralmente o "mais caro") é o primeiro carro que vem à mente de um novo-rico carente de qualquer "entusiasmo automotivo" (leia-se jogadores de futebol, pagodeiros, playboys, rappers e afins); servindo o carro, muita das vezes, como chamariz de mulher.
    Depois do lançamento do Cayenne, o mesmo passou a fazer parte do cotidiano dos rappers americanos juntamente com Hummer, Escalade e Navigator, todos com rodas de 1000 polegadas, interior em cores berrantes, grafites toscos, "discoteca interna" e outras coisas do tipo que combinam perfeitamente com aquelas calças largas (e geralmente amarelas), correntes de ouro com pingente de cifrão, bonés no topo da cabeça e outros acessórios típicos da classe. Acho que não há final mais trágico para um Porsche...
    Talvez seja impressão minha, mas, os carros da Porsche (inclusive o 911) vêm aparecendo com mais freqüência em filminhos (toscos) americanos de comédia romântica ou de adolescentes. A banalização de um mito...
    Os Ferrari e, agora, os Porsches estão para os incautos endinheirados tal como o Golf e A3 estão para os pseudo-playboys “filhinhos-de-papai” no Brasil.
    MOD

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  3. Só li os primeiros dois paragrafos e não preciso ler mais.
    Acho que Cayenne, Panamera, 944, 928,e 914precisariam não existir.

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  4. Só 911....é PORSCHE (de preferência as 930....

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  5. Os outros modelos são "projetos para o lucro" e desempenham muito bem esta função.

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