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24 de janeiro de 2009

Papai Noel existe?


Li os posts anteriores e reparei em alguns comentários, um dizendo que temos carros "esporte" que andam menos que os "normais", outro lembrando dos esportivos da década de 80 e, ainda, o magnífico post do MAO sobre o Chevette.

De fato, hoje só temos esportivos de adesivo (O que é um Punto Sporting?) ou então algumas versões de alto desempenho, mas caríssimas, casos do Golf turbo e do Civic Si, entre outros.

Já tivemos uns esportivinhos legais e o que mais me chamava a atenção era que, naquela época, a engenharia da fábrica metia a mão. A grande maioria das versões esportivas tinham, no mínimo, motor com comando e carburação mais fortes, câmbio com escalonamento mais próximo, com 5a. "real", quando o padrão da época era 4+E, rodas maiores e pneus mais largos e de perfil mais baixo, suspensões mais firmes e freios mais fortes. Pena que sempre, sem exceções, esses carros eram os topos de linha e também custavam bem mais que os outros, o que forçava o entusiasta a partir para o Gol CL mexido em vez de pegar logo um GT/GTS.

Verdade também que mesmo esses pseudoesportivos de hoje são mais rápidos do que boa parte dos esportivos anos 80, graças a motores mais eficientes. Um Palio R, mesmo usando motor igual ao do Idea e caixa com mesmo escalonamento do resto da linha, com certeza anda mais que um Uno R de 20 anos atrás.

Por isso é que sempre peço para Papai Noel o "carro entusiasta". Na minha concepção, claro. Que seria o seguinte: a gente escolhe um carro e monta ele mais entusiasmante, usando basicamente peças de prateleira. GM 1,4 Econo.flex (mais de 100 cv com álcool) num Celta Life 2-portas, caixa com primeira bem longa e as outras o mais próximas possível, rodas 14, 185/60, discos de freio de algum irmão maior e um acertinho decente de suspensão. Clio hatch 2-portas com 1,6 16V, caixa escalonada para desempenho, rodas de aço 14, painel com conta-giros (o básico não tem). Se desse, um mapa de injeção um pouco mais "agressivo". Dá para escrever um monte só imaginando possíveis combinações. Na minha cabeça, tudo barato e fácil do fabricante fazer. Carros de 30 mil reais que muitos entusiastas gostariam de ter. Pelo menos eu. Viu, Papai Noel?

13 comentários:

  1. A eletrônica acessível e o kit cartão de crédito + internet + FedEx facilitam muito isso.

    Hoje em dia é "fácil" você trazer peças de performance decentes lá de fora e depois montar e acertar tudo por aqui.

    Mas algumas coisas continuam difíceis. Adaptar câmbios, por exemplo. Em algumas marcas existem opções de caixas prontas ou relações que você pode salpicar e fazer uma caixa-salada, mas em outras você fica amarrado em uma ou duas opções inadequadas.

    Hoje em dia no mercado brasileiro não temos nenhum "driver's car". Temos coisas que se aproximam bastante disso principalmente na Ford. Embora eles não venham prontos, com poucos acertos e peças se transforma eles em máquinas muito decentes. Triste é te cobrarem 60k num carro que ainda vai pedir mais pelo menos 10k pra ficar realmente "bom"...

    Por isso o entusiasta de verdade tem que partir pra bicheiras mais antigas e baratas... Aí ao invés de pagar 60k paga uns 25k e adiciona 5k de revisão nos 10k de preparação hehehe. Sem esquecer de que estamos no Brasil, então aquele kit de suspensão legal que custa 5.000 e dura "pra sempre" na Europa aqui vai sofrer pra aguentar 3-4 anos...

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  2. Marlos Dantas24/01/09 20:24

    O Vectra GT me pareceu que seria esportivo, mas, decepcionou e ficou só no pseudo. A GM poderia ter feito mais por ele, inclusive para justificar o apelo esportivo criado pela divulgação e pela aparência e nome do carro.
    Talvez para não aumentar o valor final do carro, que não é exatamente baixo, eles poderiam adotar o mesmo motor (velho conhecido, porém, com suas devidas qualidades) levemente "mexido" para dar um pouco mais de emoção ao carro.
    O mesmo vale para o Astra GSi...

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  3. Villa,

    se a gente consegue fazer, imagina como seria fácil para o fabricante fazer até melhor.

    Não vamos muito longe, pega o Ka (o que saiu de linha, claro). O XR não precisava existir. Podia ter o Black, bem recheado de 'gadgets' e mais luxuosinho, pra quem quer carro de nicho, com um RoCam 1,6 careta e caixa longa. E o Action, com uma caixa 'close ratio', motor com uma pimentinha a toa a mais (comandinho ligeiramente mais esperto e corte um pouco mais alto), só pra respirar melhor em alta, rodas de aço 14' mesmo e bons pneus. Com isso, ele poderia custar exatamente o que ele sempre custou (relativamente barato), seria absolutamente confiável, e andaria mais que o XR feito até hoje, sem sombra de dúvidas.

    Um pouquinho disso em cada fabricante, e a gente ia fazer questão de querer andar em cada um deles pra escolher o preferido.

    Quer ver outro exemplo ? Um Uno com motor e caixa de Palio Fire (1-litro de 75 cv no lugar do de 65 cv, caixa com 3a., 4a.e 5a. mais curtas, mas com diferecial bem mais longo), um pouquinho mais baixo, aro 14, 185/60, freios maiores e pronto. Carro de 24 paus zero, e tenho certeza que surpreenderia.

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  4. Não entendi porque o esportivo teria que ter a primeira longa e as marchas subsequentes mais proximas.
    Poderia me explicar? Penso que todas deveriam ser curtas e proximas.

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  5. Caio, de um modo geral a 1a. marcha é calculada pensando em carro cheio mais bagagem tendo que subir rampas íngremes. Isso limita muito o pulo, porque a primeira acaba rápido, e, em muitos casos fica um buraco pra segunda. Caso típico eram os Palios 1-litro com motor Fiasa. Se você saísse manso e passasse segunda, o carro mancava legal. Aí você esgoelava a primeira, ia a uns 35 km/h, e mesmo assim, quando passava a 2a. o giro caia pra pouco mais de 3000 rpm. Se a primeira dele fosse a uns 45 km/h, quando passase pra 2a. o giro cairia pra uns 4000 rpm, e isso faz uma diferença danada.
    Claro que, se o carro já tem uma 1a. normal, não precisa alongar ela. Mas o que vemos hoje em dia é um festival de 1a. curta. O Clio que uso no dia a dia sai em segunda com certa facilidade, com uma 1a. mais longa com certeza ficaria mais agradável (e rápido).
    Se tiver oportunidade, guie um Escort CHT 1,6 litro. 1a. com relação 3,15:1, uma delícia. Você vai entender melhor o que falo.

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  6. Marcelo Augusto25/01/09 04:14

    Única coisa que não concordo é colocar escalonamento fechado em carro esporte em motivo, ou encher os carros com 6 marchas também sem motivo. Isso atrapalha até curtir a elasticidade do motor, perde-se um prazer. Lembro que uma vez o Bob falando de câmbio lembrou dos Porsches do passado que com 4 marchas reais dava conta do recado, hoje dobrou-se a potência e melhoou a relação peso/potência e lá vem 6 marchas. Cinco marchas reais tá bom pra qualquer carro.

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  7. Marcelo, concordo contigo. Acho que os Porsches de 4 marchas eram os primeiros turbo. Motor grande ou turbo não pede caixa 'close'. Acabam colocando 6 marchas em Viper só pra ter uma 6a. 0,50:1.

    Mas como eu estava falando de carros pequenos (de 1 a 1,6 litro na maioria dos casos), uma caixa mais fechada ajuda.

    O melhor exemplo que tive foi um peguinha com um amigo que tinha um XR3 1,8 igual o meu, só que o dele tinha trocado caixa e eu saquei que a rotação dele ficava algo mais baixa de 2a. pra cima. Com certeza deram uma caixa de Verona pra ele.

    Ele foi juntinho de 1a. Me lembro como se fosse ontem, eu passando a 3a. e ele ainda esticando o finalzinho da 2a. do meu lado e botando o nariz na frente. Quando resolveu passar 3a. eu já estava de 3a. enchendo, e comecei a abrir com vontade.

    Isso sem contar numa hipotética subida de serra. Quer situação mais chata que, na 2a. o carro enche, na 3a. o carro brocha ? Combinação de motor fraco e caixa aberta, VW a ar é um bom exemplo.

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  8. Caio Ferrari25/01/09 14:32

    Alexandre, acho que entendo o que você diz. Tenho um Mille Flex (o qual sou louco para colocar um Fire 1.4) e a segunda tem praticamente o dobro da relação da primeira, o que dá 3250RPM se esticar a primeira até o corte. Parece que rola um "buraco mesmo", o câmbio dele poderia ter uma segunda mais curta (já procurei alguma engrenagem na linha Fiat para trocar e não achei) ou uma primeira mais longa. Seria mais agradável, realmente. Só tenho medo de uma primeira mais longa tirar dos carros de motores pequenos a já pouca puxada que eles tem e tirar o restinho de prazer que dá sentindo o banco colando nas costas.
    Em tempo: Fiz um test drive um Gol 1.6 novo, e diariamente ando de Mille Flex. Não sei se foi por causa do câmbio priorizando o conforto, mas não senti aquela puxada que eu esperava de um carro com motor 60% maior que o meu. Nada de banco colando nas costas, só um carro que simplesmente, anda bem.

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  9. Caio, é difícil mesmo mexer nessa relação 1a - 2a da Fiat. Sei que existe uma primeira um pouco mais longa que a do Mille, usada em carros com motor maior. Já ajudaria. O que daria pra fazer era usar 3a, 4a e 5a. de Palio, e alongar ainda mais o diferencial.

    Quanto a empurrada, é relativa. Você devia reparar no ponteiro do velocimetro. De repente o Gol empurrou as costas igual, só que quando 'acabou' a 1a. ele estava a 50 km/h, contra menos de 40 km/h do Mille. É o efeito prático da 1a mais longa, menos empurrada porém mais velocidade, e depois uma segunda mais cheia.

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  10. Fábio Pinho25/01/09 20:42

    Resumindo os comentários do post, o que falta é as fábricas produzirem esportivos mais acessíveis, com um pouco mais de "pimenta" no comportamento dinâmico, e estudarem corretamente a relação de marchas.

    Mas relações erradas vêm de longa data. Exemplo? O câmbio de quatro marchas dos Opala/Caravan 6 cilindros: ao invés de manterem a relação da 2a. e 3a. marchas idênticas ao câmbio de três velocidades, encurtaram a 2a. e 3a. e adicionaram uma 4a. direta, igual à 3a. do câmbio anterior. Poderiam ter mantido o câmbio anterior e adicionado uma 4a. mais longa, pois no meu Caravan 6 cil. o motor dispõe de 30 mkgf de torque a míseros 2000 rpm. Além disso, com 4 marchas e o diferencial mais longo disponível (relação de 2,73:1), o ponteiro do conta giros chega no vermelho (4500 rpm) mesmo em 4a., mas ainda há fôlego para ir até os 4700 rpm. Isso no plano e com o motor original a álcool. Ou seja, o câmbio amarra o desempenho sem necessidade prática. Não que seja necessário andar ainda mais rápido (o bicho chega a 205 km/h no velocímetro no limite de 4500 rpm), mas gasta-se combustível sem necessidade nas viagens em estrada. Onde já se viu um motorzão 6 cil. berrando a 2750 rpm a 120 km/h no velocímetro?!

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  11. Fabio, acho que de um modo geral, os americanos eram assim (O opala herdou mecânica americana). Dodge, Maverick V8, todos eles se viravam bem com 3 marchas, logo, ou usava a 4a overdrive, ou usava uma primeira mais curta e um diferencial bem longo, tipo 2,5:1. Me explica pra que um Dodge tem 1a 2,6:1 e 4a 1:1 ? Síndrome do quarto de milha, só pode ser.

    Acho que esse básico apimentado que eu queria que existisse é que devia ser chamado de 'tunado'.

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  12. Concordo plenamente. A receita do Celta é tão fácil que não dá pra entender a sua ausência nas ruas. Eu tenho um, modelo 2005, Super, duas portas, 1,4L. Esse modelo só existiu a gasolina e tinha 85cv, ou seja, 20cv à menos que o atual Econo.flex do Corsa/Meriva. E já anda bem, mesmo assim, fico imaginando com esses 20 cavalinhos à mais, um diferencial de 3,74:1(o meu é 3,94:1) e o acerto de suspensão... simplesmente copiar a fórmula do saudoso Corsa GSi. Pronto. Eis aí um carrinho para uma boa diversão. Mas, ao que parece, as cabeças pensantes da GMB apenas se preocupam com as tais formiguinhas carregando pedaços de papel. Ridículo.

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  13. Carlos Galto27/01/09 16:44

    Um Passat Pointer 1.8 carburado e com um elo a menos nas molas já me faria deveras feliz!!!

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