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21 de fevereiro de 2009

Antiengenharia de tráfego II

No final do mês passado falei sobre o absurdo que é o acesso para a BR-381 Fernão Dias a partir da BR 116 Presidente Dutra, só possível pela pista lateral desta. Se não se pegar seu acesso, ainda na marginal do Tietê, só retornando 8 km adiante da entrada para a BR-381, na saída para o aeroporto internacional, em Guarulhos. Ou seja, tem-se que rodar 16 km, pois há a volta.

Hoje tive o desprazer de vivenciar outro erro da engenharia de tráfego, que torna o dirigir em São Paulo cada vez pior e desgastante.

Praticamente todos sabem que para pegar a BR-116 Régis Bittencourt, uma das maneiras é usar a Av. Prof. Francisco Morato, saindo da marginal do Pinheiros. A longa via chega a Taboão da Serra, já outro município, onde começa a BR-116.

Mas as nossas "capacidades" resolveram fazer uma mudança de traçado tal que, permanecendo-se na Francisco Morato, vai-se para outra rua e não para a rodovia. Escolheram o anti-natural, portanto.

Depois de retornar e perder tempo, a descoberta: uma tímida placa no lado direito indica uma saída igualmente tímida à direita com os dizeres "Régis Bittencourt". Meu Deus, tinha haver uma sinzalição clara, um pórtico! Afinal, trata-se de uma BR, uma rodovia federal que leva ao Sul do país! Fora que é preciso fazer um desvio para pegar a importante rodovia, enquanto a Prof. Francisco Morato morre numa rua, a João Batista de Oliveira.

A turma enlouqueceu mesmo. Não dá.

14 comentários:

  1. Bob,
    Atribuo a essa falha às sub-prefeituras desta cidade. Noto que há regiões bem sinalizadas e outras com enormes deficiências, onde ausência de placas é bastante comum.
    Em termos de jurisdição, o acesso a rodovias é responsabilidade da cidade.
    Assim, sem uma coordenação específica que cuide de todos os acessos, orientando as sub-prefeituras como agir, sai essa meleca toda.
    Inacreditável e inconcebível, apenas tratei de entender um pouco a razão de tudo isso.

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  2. Marlos Dantas22/02/09 01:02

    Bob,
    Sei lá, mas, eu ando meio pessimista quanto à melhoria do “padrão” brasileiro de agir em determinados aspectos. Quando as coisas parecem ruins o suficiente, eles conseguem piorar e o trânsito/engenharia de tráfego são campos férteis para a implementação de idéias ruins, como foi exemplificado pela sua experiência neste post.
    Como eu havia comentado noutra oportunidade, ainda nos tempos da “Do banco do motorista” no BCWS, as lombadas (aqui quebra-molas) infestam, principalmente, a Baixada Fluminense, no RJ. Depois da saída do antigo prefeito da cidade onde resido (cujo slogan para a reeleição era “Nunca ninguém fez tanto em tão pouco tempo”, talvez se referindo à proliferação dos quebra-molas em tão pouco tempo, pois este senhor os considerava “obras de melhoria da segurança no trânsito”) e a reeleição de um antigo ex-prefeito, mais coerente em suas ações, me levaram a (tentar) enxergar uma luz no fim do túnel.
    Ontem, ao transitar por rua adjacente a uma das principais avenidas do Centro de Caxias/RJ, com 5 pessoas e compras de supermercado no carro, me surpreendi ao não encontrar uma lombada para qual eu já me preparava para arrastar o fundo do carro. O detalhe é que a tal lombada ficava na subida de uma ladeirinha, que é de mão única (subindo), ou seja, obrigava o motorista a reduzir drasticamente (pois era muito alta), perdendo todo o “embalo” para subir a ladeira. Nunca entendi o objetivo daquela lombada... A retirada do obstáculo me deixou alegre e um pouco esperançoso com a correção de alguns erros por aqui.
    Só espero que não tenham tirado a lombada para fazer uma mais alta no lugar!

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  3. Carlos,
    A sua explicação está correta. A raiz do problema é a falta de cultura combinada com falta de interesse pelo assunto por parte de prefeituras e sub-prefeituras. As pessoas que cuidam de trânsito não estão nem aí, essa é que é a verdade. Quer absurdo maior do que a numeração de faixas crescente da esquerda para a direita, com se aqui fosse mão inglesa?

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  4. Marlos,
    O problema das lombadas é muito mais estarem fora das dimensões regulamentares do propriamente sua aplicação desmedida. A tipo II, a mais alta, só pode ter 10 cm de altura numa largura de 3 metros. É uma ondulação na acepção da palavra (aliás, ondulação transversal é o nome correto da lombada), não os obstáculos, as montanhas que se vê com frequência.

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  5. E outro grande problemas das lombadas é a sua sinalização (ou falta dela): na Rua Loefgren (São Paulo), sei que há 3 lombadas. Mas, passando por lá numa noite chuvosa, simplesmente não consegui vê-las ou, melhor explicando, foram facilmente confundidas com um sem-número de remendos no asfalto. Por que a legislação não prevê a instalação de refletores catadioptrícos (acho que é isso...) junto às lombadas?

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  6. Leon,
    Seria uma solução, mas para o período noturno apenas. De dia, com chuva, poderia não ser avistada do mesmo jeito. O que tem que ser feita e depois mantida é a pintura zebrada amarela regulamentar. Mas você não vai querer que essa turma de vagabundos e incompetentes se preocupe com isso, vai?

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  7. Acredito que já houve vários interessados em arrumar esse troço aí e, seu interesse morreu na burrocracia da máquina administrativa.
    Já vimos que um mandatário do executivo pode causar várias mudanças positivas, em se articulando corretamente. Não estou elogiando o Kassab, mas vejam o que ele conseguiu com o projeto cidade limpa. Será que ele visse a oportunidade que representa, até para interesses eleitorais, a melhora viária, com bons projetos de acesso, sinalização eficiente, bom uso dos marronzinhos, etc. Acredito os ganhos poderiam ser enormes.

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  8. Carlos,
    A raiz do problema é que ninguém se preocupa com isso. Cidade limpa é uma coisa, engenharia de tráfego, que faça jus ao nome, é outra.

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  9. Vou dar um exemplo prático de engenharia de tráfego.
    Ainda nos anos 1990, vi no exterior duas sinalizações que me pareceram muito bem-boladas.
    Uma, na Flórida, EUA, que consistia de placas com o nome das ruas sobre os cruzamentos, não apenas nas calçadas. De longe se podia ver que rua era a próxima.
    Outra, em Milão, Itália, placa indicativa com o nome de determinado aeroporto com o pictograma de um avião subindo, em vez de simplesmente a palavra 'Aeroporto', como se via aqui em São Paulo, onde temos dois aeroportos.
    Escrevi ao então presidente da CET, eng. Gilberto Lehfeld, sugerindo que fosse o mesmo na cidade, o que ele prontamente mandou executar e até hoje pode ser visto em muitas ruas.
    Não há mistério: é vontade de querer fazer e usar o bom senso.

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  10. Jonas Torres22/02/09 14:33

    Eu procuro resolver alguns problemas usando o SAC da prefeitura, principalmente para corrigir lombadas sem conformidada à resolução do Contran, ou buracos. Não custa nada tentar, pois agir de ofício não é com eles:

    http://sac.prefeitura.sp.gov.br

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  11. Boa idéia, Jonas. Farei isso também.

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  12. Marlos Dantas22/02/09 15:56

    Bob, Jonas,
    Entrei em contato com a prefeitura da minha cidade a respeito das lombadas. Comentei sobre os malefícios aos veículos e a fluidez do trânsito, além de citar o consumo de combustível e as emissões, pois com o aquecimento global em voga, todo político quer ser ecologicamente correto. Minha petição foi muito bem recebida e me responderam cordialmente. Porém, me foi explicado que as lombadas, além de serem instaladas pelas mentes doentias da administração anterior sem o menor critério, foram feitas a pedido de estabelecimentos comerciais, associação de moradores, igrejas, etc. Portanto, no governo anterior, se eu tivesse um comércio e quisesse que os motoristas observassem mais meu estabelecimento ao passar em frente, “pediria” uma lombada! Na rua sem saída em que entrei, conforme citei noutra oportunidade, os moradores solicitaram uma lombada na esquina, em vez de sinalização! O pior é que atenderam (ainda mais quando as eleições estavam próximas) a estes pedidos malucos de pessoas que não entendem nada de trânsito e/ou querem tirar algum tipo de proveito da situação. Também me foi dito que algumas lombadas seriam retiradas e outras regularizadas.
    O problema é que grande parte da população gosta das lombadas achando que elas desencorajam os vândalos a fazerem rachas ou transitarem em alta velocidade. Caso as lombadas “sem motivo” sejam realmente retiradas, muitos moradores vão censurar o prefeito...

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  13. Engenharia de trânsito no Brasil é piada.

    Muito mais eficiente do que radares de velocidade e de avanço de sinal seria uma sincronização em forma de "onda verde" que funcionasse apenas quando o motorista andasse dentro do limite. Se andar mais rápido vai acabar dando de cara com um sinal vermelho mais à frente. Com o tempo todos perceberão que a velocidade não é recompensada com ganho de tempo e voltariam a andar dentro dos limites legais.

    No entanto o que se vê aqui é justamente o contrário, uma dessincronização total que estimula a infração mais grave e imbecil de todas que é o avanço de sinal.

    Na Av. das Américas entre a Barra e o Recreio (Rio de Janeiro) é impressionante como na enorme maioria das vezes você é obrigado a parar em TODOS ou quase todos os sinais, independente da velocidade impressa pelo carro. É uma estupidez! Depois de parar três vezes desnecessariamente o motorista se irrita e avança algum deles, sendo então "premiado" com sinais verdes mais à frente.

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  14. Outro grande exemplo de enJenharia de trânsito brasileira no Rio são os painéis de sinalização eletrônica.

    Os únicos que funcionam são os da Ponte Rio-Niterói instalados na Av. Brasil e na Rod. Niterói-Manilha. São efetivamente atualizados em tempo real e chegam ao luxo de prever (com impressionante precisão) o tempo de travessia da Ponte em momentos de tráfego mais intenso.

    Em compensação os da Linha Amarela (que também é de administração privada e cobra do carioca o maldito pedágio INTRA-municipal) são completamente inúteis. Sinalizam as retenções apenas quando elas já não existem mais, é de fato impressionante como a informação deles é totalmente desprezível.

    O município em si conta com mais meia dúzia de painéis que estão desligados. Semana passada houve um acidente com um caminhão no túnel Rebouças que parou a cidade inteira. Estes painéis que poderiam ser muito úteis para apontar rotas alternativas não serviram para nada.

    De notar também que a alguns anos houve um acidente em que um caminhão ficou pendurado na Ponte e a sua retirada demorou muitas horas, provocando reflexos que também pararam o RJ por algumas horas. Os governos impuseram multas enormes para a Ponte S/A pois esta não dispôs instantaneamente de equipamento adequado para a operação.

    Enquanto isso, o túnel Rebouças permite a circulação de veículos de mais de 5 toneladas mas não possuía nenhum reboque capaz de tracionar com essa massa. No mundinho utópico seria muito interessante ver a prefeitura pagando uma "multa" à população na forma de descontos compulsórios do IPTU... Hahahaha...

    Mas é claro que isso jamais vai acontecer. Painéis informativos de grande utilidade apodrecem desligados, mas os malditos pardais caça-níqueis estão sempre com manutenção em dia funcionando a todo vapor!!

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