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20 de fevereiro de 2009

Mais montadora

Tem muita gente que pensa que é purismo ou implicância minha criticar quem fala ou escreve 'montadora' para descrever fábrica (de automóveis). Não é.

A pior coisa que pode acontecer a uma pessoa, a um povo, é não conseguir verbalizar corretamente os pensamentos. Isso vai produzindo um estado de confusão tal que torna a vida mais difícil.

Dia desses deu na televisão que uma árvore havia despencado num bairro de São Paulo. Como assim, despencou? -- pensei. Teria se soltado de algum lugar? Nada disso, caiu, tombou sobre um veiculo ao não resistir a força do vento.

Tem outra: inventou-se no Brasil, não faz muito tempo, uma condição meteorológica, o tempo "abafado". Invariavelmente, nessa época do ano, as "moças do tempo" nos dão essa preciosa informação. O que será que isso significa? Pouco quente, quente, muito quente, quentíssimo? Fica para imaginação de cada um.

Ou quando uma jornalista da CBN ou Eldorado descreveu o dirigível da Goodyear como "uma espécie de avião com um balão em cima".

Nesses três exemplos a informação veio distorcida, e isso faz mal, leva a pessoa a imaginar algo que não corresponde à realidade. Como dizer que "caiu um avião", pois aviões não caem, se acidentam.

Mesma coisa resgate, a troca de uma pessoa ou um título financeiro por dinheiro. Agora virou salvamento, "equipe de resgate", em vez de 'salvamento', rescue em inglês. O outro resgate, o verdadeiro, no caso de libertar pessoas, é ransom na língua de Shakespeare.

Nos aviões da Força Aérea vai escrito no ponto onde se abre a capota ou uma porta, com uma seta indicativa: Salvamento. Nesta Força existe o SAR, Serviço de Busca e Salvamento (Search and Rescue). Não é busca e resgate.

No Rio costumo ver alguns carros do corpo de bombeiros com a palavra salvamento em vez de resgate.

Por isso a minha cruzada contra 'montadora': as pessoas precisam entender que se trata de fábricas de automóveis, com toda a sua complexidade.

Aos poucos vou conseguindo. As revistas Carro e AutoData já abandonaram o impróprio termo, bem como o site Carro Online. Mas falta muito mais.
BS
(Ampliado pelo autor em 21/02/09)

7 comentários:

  1. Marlos Dantas20/02/09 21:33

    Bob,
    Essa definição de dirigível foi sofrível...
    O noticiário tratando da crise envolvendo os fabricantes de automóveis foi o “fômite” que faltava para espalhar o “vírus montadora”.
    Ultimamente o telejornalismo (principalmente) está se voltando mais ao sensacionalismo do que à qualidade com que a notícia é transmitida. Outro problema é esse modismo que vem assolando os telejornais, principalmente os globais, em que os apresentadores ficam de brincadeiras ou fazendo piadinhas. Simplesmente lamentável, pois, o noticiário deve ser apresentado com seriedade e postura adequada. Um dia desses, num telejornal vespertino da emissora global, o âncora fez uma piadinha estranha (para não dizer de duplo sentido) com a apresentadora após a transmissão de uma reportagem sobre a captura de uma cobra.
    Outra pérola foi quando um apresentador sensacionalista aqui do RJ acusou um tal “Seu Domonas” de levar um menino à perda de uma orelha. Quando na verdade, o menino havia sofrido uma infecção (otite) por bactérias do gênero Pseudomonas, nome que gerou a confusão e a notícia equivocada.
    Esses tablóides vendidos aqui por R$ 0,50 também são “excelentes” fontes de sensacionalismo e linguagem chula.

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  2. Bob,

    Tudo perfeitamente natural. Como nestes tempos politicamente corretos o vilão é o carro, que deve ser sacrificado em praça publica, quem o faz deve ser igualmente desconstruido. Logo se chamamos corretamente de fabricante, estamos emprestando o merito, se chamamos de montadora apenas dizemos que só é capaz de montar, não faz ou fabrica nada, apenas monta, como se fosse algo menor e desprezivel, compreendes, Ilustre Amigo?

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  3. Pois é Bob,
    Sinal dos tempos...
    O problema maior é de cultura, ou melhor, de falta absoluta dela.
    Em canais de televisão de maior responsabilidade os locutores chegam a entrar em contato com embaixadas para descobrir como um determinado nome deve ser pronunciado corretamente, mas em geral vale tudo. O pessoal da imprensa “geral” de hoje em dia é de baixíssima extração, uma verdadeira ralé cultural, que se peneirada sobra pouquíssimo para contar a história. Pior que estes lorpas é que são os “formadores de opinião”! Sei disto, pois volta e meia sou procurado por estes "jornalistas bossa nova" para entrevistas, falar de aspectos históricos, Segunda Guerra Mundial, Ferdinand Porsche, etc. com que não sabe nem quem foi JK é um sufoco.
    Para piorar um pouco a coisa, estamos perante uma reforma ortográfica que joga uma pá de cal sobre o vernáculo, cujo assassinato iniciou a ser perpetrado com a queda dos acentos diferenciais. Tudo pelo interesse da indústria gráfica que quer simplificar a vida com os livros que, agora, passam a ser vendáveis a um maior número de países.
    Voltando ao tema do “besteirol” que assola a mídia que tal começar um “dicionário de imbecilidades mais usuais”?
    Ao lado das suas execradas “montadoras” que tal colocar “amperagem” (ao invés de corrente), “voltagem” (ao invés de tensão). Sem esquecer-se do assunto que é um “best seller” de sempre dos “centímetros cúbicos”, da “cubagem” e por ai vai...
    Talvez pudesse ser estabelecido neste fórum algo parecido com o famoso “Dicionário do Tucanês”, só que dirigido a “filologia de termos ligados aos AUTO Entusiastas”. Acho que dá samba...
    Cordiais saudações
    Alexander Gromow

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  4. Gromow,
    Não é que é uma boa ideia tal dicionário? Vou pensar nisso.

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  5. Essa descrição de dirigível é horrível! Quem não conhece o aparelho, continuará sem entender nada de dirigíveis...

    Mas tenho observado que são justamente os telejornais que mais "assassinam" o português ultimamente. É aquela história, ninguém mais parece se preocupar em saber fazer as coisas corretamente. Aí, dá no que deu, um português cada vez mais desleixado.

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  6. Quando um jornalista diz algo sem sentido, do tipo "o caminhão capotou na pista", ( sendo que caminhões tombam, é raro os mesmos capotarem) digo que o mesmo é concorrente ao Premio Giuliano Marcos de Jornalismo Policial, é que o repórter, atual apresentador [veja o vídeo e entenda o porquê": http://www.youtube.com/watch?v=ChLeoA1BG4E] disse a seguinte pérola; A vítima recebeu dois tiros FATAIS na cabeça, correu até essa lixeira onde caiu desfalecida". Teve um caso em que o motorista veio chutado e não percebeu que tinham construído uma rotatória, bateu em um poste e o caminhão acho VW ou Ford Cargo terminou de cabeça para baixo, isso sim é um legítimo capotamento. Mas às vezes, dizer a verdade é falar algo sem sal, e como ninguém liga se vai ter infarto ou não, carrega-se no mesmo.

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  7. Montadora ou fábrica?
    Porque se preocupar com denominação, sendo que o próprio fabricante ou montadora se denominam os dois?

    Vejam vocês nessa publicação da fiat.

    http://www.fiat.com.br/mundo-fiat/novidades-fiat_5270.jsp

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