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27 de maio de 2009

ANALFABETOS FUNCIONAIS

Voltava hoje de moto para casa, quando parei em um sinal e fui abordado por uma moça numa Honda Biz, que me perguntou como chegar a uma praça próxima. Estávamos numa avenida onde um riacho separa as pistas de sentidos contrários. Falei para ela que pegasse a pista do outro lado, e estávamos justamente num ponto onde havia como passar para o outro lado, só que era contramão. A manobra era perfeitamente possível naquele momento, já que não vinha carro nenhum, mas ela me perguntou onde era o retorno. Disse que era bem mais à frente, o sinal abriu, lá foi ela com sua moto entre os carros, eu atrás, já que iria mesmo pra aqueles lados.

No primeiro cruzamento que dava mão para ela passar para o outro lado, ela não teve dúvida, entrou e fez o retorno. Só que ali, bem visíveis, tinham duas placas penduradas, proibindo virar à esqueda e/ou fazer o retorno. Fiquei pensando, será que ela desrespeitou as placas convicta do que fazia? Então porque ela não fez o retorno lá atrás, onde estava fácil de fazer?

No caso da tal motociclista, penso que seja um caso de analfabetismo funcional. Se ela vê as letras P-A-R-E, ela lê pare. Mas muitas vezes não processa e não para, ainda que uma placa PARE não contenha uma frase completa. Olha as placas com símbolos mundialmente conhecidos, mas processa como se fosse um simples desenho. É amplamente divulgado que o analfabetismo funcional é um problema real de nosso país, muita gente lê, mas não entende o que lê. Atualmente, boa parte dos compradores de motos até 150 cm³ tem baixa escolaridade, e provavelmente tem dificuldade em processar as informações que recebem o tempo todo do trânsito em sua volta. No meu entendimento, é a única explicação para um motociclista passar sem parar em um cruzamento onde a via transversal à sua é a preferencial e na via em que ele trafega uma placa PARE está colocada logo antes do cruzamento.

Ou será que é somente uma perigosa mistura de desrespeito às leis de trânsito com absoluta falta de noção do perigo?

17 comentários:

  1. Xará,

    Acho que isso tem a ver com o processo de seleção natural descrito por Charles Darwin.

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  2. Sei não. Li que 'seleção natural é um processo pelo qual características hereditárias que contribuem para a sobrevivência e reprodução se tornam mais comuns numa população, enquanto que características prejudiciais tornam-se mais raras'. Parece exatamente o contrário, hehehe.

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  3. Sigmund Freud27/05/09 23:24

    dificil julgar, a moça poderia estar sobre estresse, como você falou que o retorno éra mais a frente, talvez éla nem tenha visto a placa,
    claro que tudo isso é muito perigoso, ainda mais para alguem que se sujeita a andar de moto, eu sou um que adoro motos, mas não me arrisco a ter uma, acho que o nosso trânsito do dia-a-dia não permite

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  4. Acredito ser uma associação entre o analfabetismo funcional hoje enraizado na sociedade e a falta de clareza da sinalização. Quanto ao analfabetismo funcional, tenho um conhecido que já foi reprovado nada mais que 6x na prova teórica do exame para habilitação. Resultado da nova política educacional adotada pelos governos, afinal, agora ninguém repete se não conseguir desempenho mínimo. Solução porca para a falta de vagas na rede. Agora, em meio a tanta poluição visual, geralmente sob grande fluxo, não conseguimos nos ater à sinalização de trânsito. Preste atenção principalmente em grandes centros, nem o posicionamento dos semáforos é padronizado, quanto mais seu funcionamento. Algumas vezes as placas estão sujas com a fuligem do trânsito, e perdem o status chamativo de suas cores. Nem o posicionamento das placas é padronizado, prende-se as placas onde pode, em postes, escondidas sob fios, no meio de propagandas etc... Perde-se o ponto de referência visual, perde-se o princípo básico da existência delas. O condutor deve sempre vê-las e não sair à procura delas. Ainda mais em tempos de massificação das motocicletas e da irresponsabilidade dos seus condutores. Experimente fazer um caminho desconhecido para você para ver o modus operandi da sinalização. Uma passagem do seu texto me chamou muito a atenção, a referência à baixa escolaridade e consequentemente também à classe menos abastada da população sobre rodas. Já tinha percebido que grande parte das atrocidades contra a legislação são cometidas por condutores de carros mais "velhos" aqueles que se compra por aproximadamente R$ 1.000,00 coisas que já deveriam ter sido tiradas de circulação há tempos. A coisa funciona como se estar ao volante desses meios de condução e/ou ser pobre seja desculpa para infringir qualquer lei, passaporte a fazer o que bem entende. Ultimamente tenho criado um ódio mortal por motoqueiros, suas irresponsabilidades, inconseqüência, barbeiragens e etc. Uma total falta de conduta na condução, que atrapalha até a fluidez do trânsito. E se fazem de vítimas quando acontece um acidente. Acredito que como estamos na terra dos impostos, o IPVA dessas armas sobre rodas, deveria ser no mínimo quadruplicado. O seguro, deveria ser pelo menos 4x o de um automóvel, afinal, 90% das vítimas de trânsito que oneram o sistema público de saúde são eles. É um meio de transporte altamente poluente, uma moto polui mais que um carro!! Fora o barulho insuportável dos escapamentos.

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  5. Acho que é falta de educação mesmo e um pouco de burrice.

    abs

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  6. Sinceramente, não acredito em analfabetismo mas em falta de educação, pura e simples. Veja o número de pessoas que atravessam uma faixa dupla, contínua para entrar naquele comércio/prédio do outro lado da rua só para não ter que andar até o retorno mais a frente e pegar a rua no sentido contrário.
    Antes, as pessoas só faziam isso quando dava, hoje, virou uma regra. As pessoas param para atravessar uma faixa contínua. Buzinar é irrelevante dado que o cara já nem sabe mais o que está fazendo de errado.
    Educação e Fiscalização. Seguramente, isso resolve quase que a totalidade dos problemas do trânsito. Mas enquanto neste país escola continuar sendo tratada como um lugar para largar os filhos enquanto a mãe trabalha e multas de trânsito servirem para caçar aqueles que andam acima da velocidade, continuará sendo esse lixo.

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  7. Mister Fórmula Finesse28/05/09 11:08

    Têm um monte de guria nova com essas pequenas CUB'S que não estão preparadas para o trânsito, seus corpos - quase que invariavelmente perfeitos - sobre as motonetas não são salvo conduto adequado para "perdão" das manobras mais absurdas.

    E algumas, aproveitando o pouco peso e o bom torque das Biz 125, acabam avançando com um ímpeto (apesar da pouca habilidade) um tanto temerário em meio ao trânsito.

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  8. ai os docinhos de moto.......
    ah! essas ai por mim podem fazer barbeiragens a vontade....

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  9. Delmiro,

    pretendo fotografar alguns sinais de trânsito que encontro pelo caminho e postar aqui. São vários encobertos por vegetação. No caso das placas citadas, estavam bem visíveis, mas na confusão do trânsito, podem passar despercebidas, ainda mais por quem tem alguma deficiência em processar a informação que recebe.

    Quanto a sentir raiva dos motoqueiros, eu compartilho do mesmo sentimento, mesmo pilotando moto quase que diariamente. Levo fechadas, buzinam alucinadamente atrás de mim, avançam sinais o tempo todo. Adoro quando fazem mega blitzes e apreendem mais da metade das motos paradas, por irregularidades na documentação.

    Moto paga o dobro do seguro obrigatório, e seguro de um modo geral é caro, no caso das 125/150, as seguradoras recusam. Resultado, ninguém faz seguro.

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  10. sentir raiva de motoqueiro é sacanagem pessoal, os únicos motoqueiros que eu realmente respeito são os motoboys, afinal andar nesse trânsito o dia todo em cima de uma moto, e sempre na correria não é fácil, eu sempre arredo o carro para o canto para facilitar a passagem dos motoboys, pensem nisso

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  11. Nossa, que comentário mais equivocado esse acima.

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  12. Reconheço que o dia a dia de quem trabalha no transito é estressante, mas isso não é motivo para alguns motoboys aloprarem tanto. Desse jeito, vamos acabar achando normal o fato de um motorista de ônibus ter atropelado uma criança de 4 anos que estava na calçada, provavelmente porque guiava um coletivo pesado feito um alucinado.

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  13. Alexandre,
    eu já desisti de tentar conduzir uma moto atualmente. São hoje raras as ocasiões que me permito fazer isso. Quanto a fotografar os sinais de trânsito, acredito que você terá um sem fim de opções. Elas viraram mania nacional. Mais um exemplo da total incompetência dos órgãos governamentais de tratar o trânsito, simplesmente não existe nenhuma padronização nacional como citei.

    Quanto a quem comentou sobre os motoboys, eu acredito que colocar a vida tanto própria quando alheia em risco, burlar leis de trânsito entre outros não é desculpa. Todos devem saber exatamente sobre seus limites. E els não se valorizam. Trabalham com um instrumento teóricamente ágil, mas não tem o mínimo amor à vida. Depois aparecem totalmente estrupiados na sala de emergência de um hospital, sempre com o mesmo discurso, até parecem que recebem um folheto sobre o que dizer quando iniciam suas atividades.

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  14. eu não falei em burlar a lei, lei é lei para todos, mas devemos respeitar os motoboys, pois todos nós dependemos dos serviços prestados por eles, e são pessoas que em sua maioria não tem outra opção de trabalho, e seria muito mesquinho da nossa parte pensar só em nós mesmos e querer que os outros se danem

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  15. Os dois juntos!

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  16. Respondendo as duas primeiras respostas desse tópico, a do Ogro do Cerrado e a do Cruvi:

    Vejam um filme chamado IDIOCRACY.

    O filme é uma comédia americana besta e é bem idiota como todas as comédias americanas bestas. Mas o início do filme ilustra de forma brilhante uma das razões para a imbecilização do mundo...

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  17. Preocupante saber que existem pessoas que não reagem corretamente às placas de trânsito. É certo que no Brasil existem sinalizações mal posicionadas, exagero nos limites de velocidade etc. mas, em geral, são importantes para a segurança de todos.

    Agora, o que sempre achei desnecessário, é o fato de existir sempre no canteiro central das avenidas as placas que ilustram este post no início. Se é proibida a conversão à esquerda, o que dizer então de retornar? Para retornar, o veículo precisará, antes de tudo, efetuar a conversão à esquerda. Ou seja, tudo aquilo que depender de virar à esquerda, é proibido naquele ponto.

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