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21 de junho de 2009

Mr. SAAB



Com 80 anos de idade completados em março passado, e no posto de mais antigo funcionário da Saab, Erik Carlsson nasceu na mesma cidade que o carro que lhe trouxe fama, Trollhattan, na Suécia. Seu apelido é um dos melhores que um piloto de rali pode ter: Carlsson på taket(Carlsson no teto), surgido após suas inúmeras capotagens, e inspirado por uma história infantil da maior escritora sueca, Astrid Lindgren, Karlsson på taket, sobre um menino que morava no telhado de um edifício.
Nascido em 5 de março de 1929, trabalhou sempre ligado à fábrica, sendo um relações-públicas eficiente, o que lhe trouxe mais um apelido, Mr. Saab.
Sua história está registrada em livro, com um título longo: Mr. Saab. The Tale of Erik Carlsson "on the roof" The First Superstar in the World of Rallying.

A capa do livro, com Carlsson no teto. O típico bom humor sueco.

Em 1962 casou-se com a irmã mais nova de Stirling Moss, Patricia, que faleceu recentemente, em outubro passado. Ela aprendeu a dirigir com o irmão, aos 11 anos, e veio a ser esposa de Carlsson quando ambos já competiam por equipes de fábrica. Com toda essa influência e ajuda, além de um grande talento, Pat se tornou uma bem-sucedida piloto de ralis, vencendo o Campeonato Europeu Feminino cinco vezes, a Copa das Damas do Rally de Monte Carlo oito vezes, e marcando a primeira vitória de um Mini Cooper, no Tulip Rally de 1962. Sua carreira merece um texto a parte.

Monte Carlo, 1964, Pat e Erik competindo pela Saab.

Erik foi o primeiro a tornar conhecida a frenagem com o pé esquerdo, proveniente da necessidade de não deixar os giros caírem nos Saab 92, de motor 2-tempos e pouca potência em baixa rotação. Diz-se mesmo que ele é o criador dessa técnica.
No RAC Rally, Inglaterra.

Sua característica de capotar por diversas vezes gerava situações engraçadas. No Safari Rally, ele chegou a capotar intencionalmente para escapar de uma grande poça de lama. Quando os jornalistas duvidaram de estória, Carlsson não teve dúvidas: levou todos ao lugar do ocorrido e repetiu a manobra! Um piloto de Ford Cortina oficial de fábrica tentou a mesma coisa e danificou seriamente o carro.
Um outro caso ocorreu na Inglaterra, improvável no mundo profissionalíssmo das competições atuais. Precisando de uma peça para seu Saab 96 e não a tendo disponível, entrou com seu navegador em um estacionamento onde avistaram um carro igual, novinho, mas de uso particular, e começaram a desmontar o carro quando o dono chegou. A situação foi explicada, e o dono recebeu um carro novo da fábrica, e ainda trocava cartões de Natal com Erik depois de muitos anos.
Houve um período em que quanto mais danos ao carro, mais pontos perdidos e penalidades eram sofridas pelos pilotos. Claro que houveram trocas de peças entre o carro de Erik e um dos carros de apoio. Certa vez, foi feito um serviço rápido, colocando uma porta e para-lama do carro de apoio, sem nenhum amassado e limpo, no carro de Carlsson, todo sujo. Não se poderia deixar desse jeito. Não havendo água disponível, lavaram o carro com gasolina, para surpresa de quem estava na premiação, pois é um pouco estranho ter tempo de lavar um carro após a corrida.
Hoje, Erik Carlsson ainda participa de eventos da Saab, seja em encontros de concessionários, de competidores de rali, ou até mesmo em exposições de carros antigos.
Maravilhoso ver como se pode permanecer na ativa com essa idade.
Não muito feliz, porém, relaxado.
East African Rally, 1962. A marca característica.
Carreira:
1955 - 1° no rali Rikspokalen com Saab 92
1957 - 1° no rali dos 1000 lagos, Saab 93
1959 - 1° no rali da Suécia e Alemanha, Saab 93
1960, 1961, 1962 - 1° no RAC rali (Grã-Bretanha), Saab 96
1960 - 2° no rali da Acrópole (Grécia), Saab 96
1961 - 1° no Acrópole e 4° no Monte Carlo, Saab 95
1962, 1963 - 1°no Monte Carlo, Saab 96.
1962 - 7° no rali da África Leste, Saab 96
1963 - 2° no rali Liége-Sofia-Liége, Saab 96
1964 - 1° no rali de San Remo, Saab 96 Sport
1964 - 2° no rali Liége-Sofia-Liége, Saab 96
1964 - 2° no rali da África Leste, Saab 96
1965 - 2° no rali da Austrália, Saab 96 Sport
1965 - 2°no Acrópole, Saab 96 Sport
1967 - 1°no rali Tcheco, Saab 96 V4
1969 - 3° na Baja 1000, Saab 96 V4
1970 - 5° na Baja 1000 , Saab 96 V4
JJ

9 comentários:

  1. JJ

    Há quem diga que ele é o pai do scandinavian flick. Como ninguém sabe ao certo, prefiro creditar a ele.

    FB

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  2. Muito bom!!
    Capotar é oque ha!

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  3. JJ,
    O Saab de motor 2-tempos tinha roda-livre, como o DKW. Quando passou para o V-4 quatro-tempos, a roda-livre, que ficava no câmbio, foi mantida. A lógica deve ter sido "se está lá, para que tirar?". A roda-livre, mais do que servir para economizar combustível, era para prevenir travamento súbito das rodas motrizes dianteiras no caso de engrimpamento de pistão, a ameaça constante dos motores 2-tempos. Na Vemag montaram em todos os dinamômetros roda-livre na árvore que ia do motor ao freio hidráulico para não danificá-lo caso um pistão prendesse.

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  4. Paulo Keller21/06/09 21:17

    "O típico bom humor sueco"?

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  5. Mais uma pequena aula de história de automobilismo.
    Capotar de propósito não é pra qualquer um.

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  6. bem legal a historia ! parabéns

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  7. Sensacional a matéria, pena que atualmente não existam mais tantas pessoas nesse meio com tanta paixão no que fazem.

    Quem tiver interesse, tem um Saab 96 à venda aqui numa concessionária de antigos. Já vi ele rodando pela cidade, tá caracterizado para rallye 60's, inclusive tá escrito Erik Carlsson na porta. O carro tá lindo. Via ele sempre perto de cara, mas pelo jeito o dono resolveu vender.

    Como é um modelo raro e tem muita gente daqui com cultura para saber valorizar o Saab 96 2 tempos da forma que ele merece, se alguém se interessar pelo modelo é só avisar que descubro o tel da garagem.

    Abraços

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  8. Muito interessante ver pessoas assim, tão ligadas a uma marca e ainda participativas.

    Uma curiosidade: Porque o motor V4 é tão incomum? Qual as vantagens e desvantagens dessa formação de cilindros?

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