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24 de janeiro de 2010

"A CULPA NÃO É MINHA!"


É o que mais escutamos quando presenciamos um acidente de trânsito, e dos dois lados sempre, ou seja, dificilmente alguém assume que fez besteira. Mas o que considero mais grave é a importância que dão à questão da culpa, esquecendo que tem muita gente boa lá no céu que não teve culpa nenhuma no acidente que a vitimou.

Outro dia mesmo expus meu ponto de vista para minha esposa logo após passarmos por um cruzamento do nosso bairro e ela ter comentado: - Ah, a preferencial é nossa, se o ônibus batesse na gente a culpa seria dele. Tudo bem, mas se o ônibus batesse na gente com uma certa velocidade, pode ser que não estivéssemos mais aqui para discutir a questão da culpa. Moramos num bairro predominantemente residencial aqui no Rio, as ruas tem pouco movimento e justamente por isso, os irresponsáveis motoristas da linha 422 descem a transversal à toda velocidade e chegam ao tal cruzamento em velocidade que talvez não consigam parar se vier um carro pela principal, isso quando não roletam o cruzamento mesmo e pegam alguém. Adianta nessa hora estar com a razão? Argumentos tipo "a preferencial é minha", "o sinal estava verde para mim" são legítimos, mas não desfazem acidentes. O tal cruzamento ostenta o aviso "cruzamento perigoso", como se houvesse cruzamento sem perigo algum, como sempre lembra o Bob. Odeio quebra-molas, mas porque nesse ponto, onde esse tipo de obstáculo seria de grande utilidade, não colocam um?

Esse tipo de situação é mais comum do que se pensa. Na garagem aqui do prédio existem sinaleiras que, em tese, deveriam coordenar o uso da rampa. Se está verde para quem vai descer, fica vermelho para quem vai subir. Na prática não é o que acontece, pois há 3 acionamentos, um na entrada da garagem, um no G2 e um no G3. Já presenciei situações de estar verde em cima e em baixo. Há espelhos convexos no G2, para auxiliar a visão da rampa, que é em curva.

Pois bem, outro dia eu subia a rampa e quase bato no carro de um vizinho, que freou forte quando saía do G2 para descer a rampa. Fui para o G3 e qual minha surpresa quando o tal vizinho veio tomar satisfações, resmungando que o carro estava com crianças, que eu quase causei um acidente. Ora, por algum motivo estava verde quando subi e ficou verde para ele também, pois com certeza acionei a sinaleira antes dele, dado o ponto onde nos encontramos. Mas não seria muito mais racional, sabendo que a sinaleira não é de todo confiável, chegar à rampa, parar, olhar no espelho convexo para ver se alguém vem de baixo ou do G3, e até dar uma buzinadinha? Fazendo isso, a chance de acidente ou sustos vai tender a zero, mas ao invés disso as pessoas preferem olhar o verde, meter a cara, e no caso de acidente (sem gravidade) encher o peito e dizer "a culpa é sua!"

28 comentários:

  1. é o que digo.. Depois q ta morto não adianta ter razão...

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  2. Materialismo demais... é o outro lado da falta de respeito que temos em diversas atitudes pra com a sociedade (pessoas certo?) em vivemos...

    Tive um chefe (excelente chefe inclusive) que sempre me dizia que no Brasil (e o ser humano em geral) tende, frente aos problemas, fazer primeiro a pergunta QUEM?, ao invés de PORQUÊ?... quando se fala em vidas, penso que a segunda é válida.

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  3. O comentário do Rodrigo Ciossani, de que no Brasil se pergunta "quem?" quando se deveria perguntar "por quê?" me lembrou do rumo dado às investigações dos acidentes aéreos da Gol (2006) e TAM (07), pelo menos da forma como foram mostrados pela imprensa. Desde a década de 1950, em qualquer país sério a investigação de um acidente aeronáutico foca nas causas do desastre, e não nos culpados. Quando o que se busca é um culpado, ninguém -- pilotos, companhia aérea, funcionários etc -- colabora como deveria e a investigação não chega a lugar nenhum. Descobrindo-se as causas, pode-se evitar que acidentes parecidos ocorram novamente.

    Voltando ao tema central, há uma situação muito comum em acidentes de trânsito, para a qual eu já havia sido alertado por um policial rodoviário e da qual fui vítima anos depois: quando há uma pessoa claramente culpada, que assume a culpa espontaneamente em seguida à colisão e, horas depois, tenta distorcer os fatos (inclusive ao fazer a ocorrência), para tentar se eximir da responsabilidade. Em caso de acidente, por mais bem-intencionada que possa parecer a outra parte, é imprescindível chamar a polícia e tirar fotos do local na hora (e, caso não haja vítimas, retirar os carros batidos do caminho -- coisa que muita gente parece não atinar de fazer). Ter um gravador de voz à mão também pode ser muito útil.

    A impressão que eu tenho é a de que a maioria das pessoas que dirigem não tem noção da responsabilidade (com a vida, o patrimônio e o bom-humor próprios e alheios) envolvida no ato de dirigir e são completamente despreparadas para assumir a responsabilidade por seus atos.

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  4. Concordo com os pontos de vista apresentados acima também.

    Para dirigir é preciso tomar cuidado para não cometer erros, mas tão importante que isso é prestar atenção em erros alheios.

    E os motoristas de ônibus, acham q dirigem um carro esporte? pq o conforto é sempre tosco ou pior. Eles só precisam fazer seu trabalho, transportar pessoas e não carga.

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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  6. Muito interessante este post.

    Acredito que o mais importante seja exercitar a direção defensiva, sempre buscando antever situações possivelmente perigosas e estar atento para colaborar com o fluxo e com os demais usuários da via.

    Tendo em mente que tudo é possível e que o cidadão à sua frente é capaz de qualquer coisa, por mais absurda que lhe pareça.

    Durante muitos anos dirigi procurando "ter razão".

    O que consegui com isto?
    Muito aborrecimento e muitos sustos totalmente dispensáveis (felizmente não houve acidentes, Deus sabe como).

    Claro, sou tão humano quanto qualquer outro e há dias em que o orgulho e os impulsos requerem muito autocontrole.

    Acredito que a questão da "culpa" ainda outro fator: quando ao volante, frequentemente pensamos ter razão - mesmo quando, à fria luz da razão, não temos.

    Não quero entrar em psicologismos, mas creio que esta visão seja pertinente ao assunto "culpa" e "responsabilidade".

    Abraços a todos,
    Fernando Silva

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  7. Cruvinel,
    tocou em um ponto importante, e emendou na movimentação de carros em garagens de edifícios, algo que me deixa estupefato. É comum ver imbecis que dirigem em garagens como se estivessem nas ruas, acelerando e trocando de marcha como doentes. Até mesmo pessoas que tem filhos fazem isso. Será que não raciocinam que uma criança pode aparecer, nesse ambiente de pouquissima visibilidade ?
    Normalmente são os mesmos vermes com filme preto nos vidros, que andam nas garagens sem abri-los.
    Uma temeridade.

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  8. Minha primeira lição à um novo motorista:
    Depois de amassado, não adinata mais nada!
    Melhor evitar!
    MH

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  9. Marcelo Augusto24/01/10 23:11

    O pessola prefere bater com razão do que não bater, é muita burrice.

    E são estes mesmo burros e tontos que dirigem com velocidade e atenção incompatíveis nas vias urbanas e estacionamentos, que na estrada alugam a esquerda a 120 e apontam o com o braço a plca de regulamentação.

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  10. Tem um versinho em inglês (de origem e autoria desconhecidas) que diz o seguinte:

    'This is the grave of Mike O'Day
    Who died maintaining his right of way
    His right was clear - his will was strong
    But he's just as dead as if he'd been wrong.'

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  11. Francisco V.G.25/01/10 09:49

    A questão das garagens em prédios é um assunto muito discutido em reuniões de projeto. Vocês não fazem idéia de como um projeto mau resolvido causa transtornos em várias frentes, sobretudo nas garagens e a famigerada distribuição de vagas. Como não conheço o prédio em que você mora seria precipitado fazer qualquer afirmação, mas, mesmo assim, pelo que você relatou, alguma coisa ficou de fora no meio do caminho.

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  12. Paulo Levi,
    Que máximo, esse versinho. Adorei!

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  13. JJ, Cruvinel e todos
    Esse comentário de pessoas trafegarem nas garagens em velocidade incompatível é o cúmulo do cúmulo da burrice. Além de apenas 0,01% ligar farol baixo, há agora a praga das peliculas escurecedoras, em que nem todos baixam o seu vidro para enxergar.
    Outra coisa é a atitude diante de um semáforo em amarelo piscante por defeito: "Oba! Não tem vermelho!", quando seria preciso diminuir muito e atravessar o cruzamento com todo cuidado. São atitudes como essa e a da garagem que explicam o estrondoso sucesso do Big Brother Brasil, em que o Pedro Bial chama os "heróis" (fim da picada), na realidade participantes, de "big brothers"...

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  14. Existe um cruzamento em Campinas/SP, entre a Rua Uruguaiana e uma via de acesso à Av. Aquidaban. Ali é, apesar de centro da cidade, uma região residencial, com crianças na rua e muitos idosos que ainda possuem casas por lá, resistindo à tentação da venda para a construção de edifícios... pois bem que lá descem ônibus à toda, cruzando esta Rua Uruguaiana, e quantas vezes eles já não pegaram carros cruzando (que precisam fazer isso vagarosamente, devido à valetas e buracos). Quando o motorista do carro olha, está livre, mas logo vira um ônibus e acelera muito, pegando o carro com o bico já na rua. Já aconteceram mortes lá por causa disso, e os ônibus continuam fazendo o mesmo. Lá era um lugar ideal para uma lombada (quebra-molas) ou melhor, para uma lombada eletrônica, mas não há, pq será né? Acho que é pq não arrecadaria dinheiro, afinal me parece que a única preocupação dos "amarelinhos" aqui na nossa cidade é multar por estacionamento irregular e por velocidade. Triste, sádico e verdadeiro.

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  15. Carlos Galto25/01/10 15:42

    Nesse post, além do motivo principal de "pode não adiantar estar com a razão", tocou em um assunto muito importante, a capacidade dos motoristas de ônibus cariocas...
    Onde o Cruvinel comenta do 422, provavelmente no Lins ou Grajaú, é bem complicado mesmo dada a enorme quantidade de cruzamentos em ruas residenciais, que os "profissionais" simplesmente ignoram...
    Eu mesmo já tive um problema em um desses cruzamentos, com sinal verde pra mim e o motorista do ônibus ME VENDO antes de avançar o sinal... Resultado, nem o ABS do Temproso segurou a batida, asfalto molhado que estava. E o mais legal foi ouvir do policial que preenchia o B.O. de que EU deveria ter mais cuidado pois o "ônibus é grande e o Tempra é pequeno"!!!

    Na minha garagem, um dia desses, dei uma bronca em uma amiga vizinha que me pediu que tirasse o seu carro da uma, realmente complicada, vaga. Um Clio hatch sem direção hidráulica e com película G5 em todos os vidros! Falei que além dela dirigir mal (tenho certa intimidade para falar assim), usar G5 nos vidros, ainda estaciona na vaga mais encardida da garagem!! A resposta dela era que não queria que os porteiros (que manobram muito bem por sinal) manobrassem o seu carro...

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  16. Carlos Galto,
    Há alguns anos vi no Jornal Nacional reportagem sobre um ônibus que avançou o sinal de uma linha férrea aí no Rio, foi colhido de leve pelo trem, mas foi deslocado e matou uma mulher que estava por perto. O repórter perguntou ao motorista se ele não viu que vinha um trem e ele respondeu: "Vi, sim, até buzinei, mas ele não parou". Isso ai.

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  17. Embora eu tenha um razoável conhecimento de Inglês, não acho educado um texto sem tradução.
    Daqui à pouco teremos citações em dialeto Cigano, Árabe, Francês....
    O que acham?
    MH

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  18. OK, Mário, voce venceu, batatas fritas...

    Traduzindo perde toda a rima, mas dá pra entender o que quer dizer.

    Versão minha :

    'Este é o túmulo de Mike O´Day
    Que morreu mantendo sua razão
    Seu direito era certo - sua vontade era forte
    Mas ele está tão morto como se estivesse errado'

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  19. Tudo bem, tudo o que foi dito até aqui realmente procede, porém, não se pode esquecer de 2 fatos básicos:
    1. Rua não é lugar de criança (para isso existe calçada).
    2. Garagem não é lugar de criança (é lugar de carro).

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  20. E as rotatórias... cara! se eu fosse nessa de meter o carro pq estou com a razão, eu bateria o carro todo dia em rotatórias! São Paulo - final da Pedro Bueno - rota que já até deixou de ser alternativa pra muitos... praticamente ninguém respeita a preferencial para quem está na rotatória... não precisa ser muito inteligente para saber que se a preferencial não for de quem já está na rotatória, este esquema não funcionaria. Isto é resultado da VENDA das CNHs... pq este ponto é destacado no curso do CFC (centro de formação de condutores), teoricamente os motoristas deveriam dirigir conforme as regras que eles aprenderam.

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  21. Eu demorei uns 6 anos de carteira de motorista para finalmente aprender a regra de preferência. Não é de quem vem pela direita, nem de quem não está na placa de pare, nem de quem está na luz verde. É de quem tem o carro mais detonado, mais velho, sem seguro, de quem não tem dinheiro pra pagar, de quem tem menos amor à vida, e de quem dirige pior. Quando eu aprendi isso, parei de bater o carro e milagrosamente pararam de bater no meu.

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  22. bussoranga,

    Concordo plenamente, lugar de criança não é na rua e de pedestre, na calçada, mas infelizmente as coisas não são assim e temos que fazer nossa parte, protegendo sempre os menores. Infelizmente muita gente com veículos grandes esquecem dessa máxima e causam acidentes, quase sempre, fatais.


    Chico Rulez!,

    Cara, concordo e discordo. Hoje em dia vejo desde o cara simples com a Brasília sem vidros e enferrujada até o executivo no seu elegante SUV ou a mãe descoordenada esperando o filho com sua Tucson causando problemas no trânsito, errando e ainda por cima mostrando o coitado do dedo do meio a torto e a direito. As pessoas hoje só pensam no próprio umbigo.

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  23. Anônimo,

    Não quis dizer isso. Ontem mesmo eu levei uma fechada desnecessária de uma reluzente E 350. Educação e respeito não tem relação direta com renda. Mas se passar um cara numa Brasília enferrujada a milhão na minha frente (que provavelmente não vai ter dinheiro pra pagar o conserto do meu carro), a preferência é indubitavelmente dele... hehehehe

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  24. Valeu XRacer!
    Obrigado pela atenção!
    Desculpem eu ser um simples brasileiro, que apesar de tudo ainda acredita em uma Nação...
    MH

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  25. Xracer,

    Obrigado por postar a tradução. Cheguei a pensar em fazer isso, mas não fiz. Falha minha.

    Peço desculpas ao Mário e a outras pessoas que possam ter se sentido incomodadas, e garanto que não foi essa a minha intenção.

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  26. Esses são dois dos problemas que mais me incomodam nesta terra brasilis atual: a mania de querer ter razão, ao invés de resolver as questões; e o fato de cada um viver olhando para o próprio umbigo.

    Eu costumo sempre dizer que, no trânsito, a preferencial é de quem tem menos juízo... Em 1997, uma bobeada minha de madrugada me custou uma bela batida na lateral. Me distraí por um instante e não percebi um carro que avançou o sinal vermelho e fui abalroado na lateral. Por sorte não houve feridos, mas o estrago em ambos os carros foi enorme.

    Hoje, sinal verde ou via preferencial para mim é mero formalismo, em especial à noite. Sempre passo pelos cruzamentos com um "olho no gato e o outro no peixe". Já me salvei de vários quase-acidentes dirigindo assim. Essa de buzinar para não bater é um tremendo absurdo!

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  27. Em relação ao amarelo piscante,

    no apagão recente, nenhum cruzamento pelos quais passei os imbecis motorizados diminuíam a velocidade.

    Ao contrário, nas avenidas principais passavam em alta velocidade.

    Nesse tipo de situação só tento pensar: "Vá com Deus. E fique por lá"

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