28 de fevereiro de 2010

ACURA ZDX - O LIMITE DA INVENÇÃO DE NOVOS SEGMENTOS?

Posso estar sendo impreciso em minha afirmação, mas há cerca de 36 anos nascia o primeiro SUV, o Jeep Cherokee (SJ). Não desejo entrar em controvérsias a respeito, o objetivo não é esse. Muitos defendem o Jeep Cherokee de 1984, o XJ, como o SUV que definiu o segmento como ele é até os dias de hoje, eu inclusive, portanto são 26 anos, 10 a menos.
Uma rápida retrospectiva desde os primeiros SUVs nos permite entender que novos segmentos de mercado foram surgindo da visão de criar novas necessidades e desejos para o consumidor, como forma de expandir mercados. Faça-o sonhar em chegar com facilidade até um sítio, cujo único acesso é por estradas de terra, que se tornam intransitáveis quando chove ou quando neva. Mesmo que ele nunca sonhasse em ter o tal sítio, nem seu pai ou sogro, um SUV 4x4, muito mais barato que aquele pedaço de terra, o permitia olhar o mundo sob nova perspectiva e, caso ele fosse até o tal sítio, o faria sem sujar os pés de lama, por ter empurrado o carro. Posteriormente, as fábricas se empenharam em desenvolver sistemas para os SUVs que o sucederam, de forma a aprimorar seu uso e facilidade de uso, dirigibilidade aceitável, estabilidade, distanciá-lo do jipe etc.
Depois vieram os crossovers. Sua proposta, vejam, passamos a falar de proposta, pois ela começou a ditar o que os fabricantes queriam atender para chegar ao que o consumidor pensa em exigir, era um 4x4 menos radical,  de dirigibilidade mais próxima da de um carro normal.
Seguiram-se os SUVs de luxo, o solitário Range Rover ganhou competidores, Mercedes-Benz ML, BMW X5, Cayenne, Touareg, Q7, Lincoln Navigator (este ainda derivado de picape), até aí encaro como um caminho natural e totalmente lógico da evolução dos segmentos, as propostas bastante claras de cada fabricante, cada um buscando seu novo espaço e mais expansão.
Até aparecer o BMW X6. Muito controverso em sua proposta, não questiono a qualidade de sua engenharia, nem de sua manufatura, mas um SUV hatch? Que aposta estranha! Quanto menos clara é a proposta, mais ensaiados, refinados, cheios de novos termos marketeiros vêm os discursos de lançamento. Quem nunca ouviu de nossos pais aquela frase "se você demora muito a se explicar, é por que fez m...".
O SUV troca uma letra, vira SAV -- deixa de ser sport utility vehicle e passa a sport activity vehicle -- mas não é só isso. Havia até então uma lógica para cada proposta, um carro que te leva a todo lugar, é mais alto para não raspar nos facões da estrada de terra encharcada, tem espaço para toda a família, portanto o formato não é sedã, mas perua, tem sete lugares, perua estendida. E destes SAVs? A linha do teto desce, para dar um ar de cupê a seu SUV, um '"look" mais esportivo, patas larguíssimas para maior segurança e fazer um pouco de curva associadas a uma suspensão primorosa para conter o balanço do alto CG, oras? Você cria um monstro de mais de duas toneladas, o CG nas alturas, para depois engenheirar soluções a toda essa encrenca? Ah, 400 cv e 250 km/h, discos poderosíssimos para parar isso tudo. Não faria mais sentido voltar a um sedã e abaixar-lhe o teto? Por que fizeram isso com um SUV?

Um enorme teto de vidro, oras, isto é proposta de automóvel?
Aí vem a Honda e ataca com o Acura ZDX... Os japoneses, realmente viram-se dispostos a seguir a receita BMW, confirmando que isto pode ser uma tendência... Tomara que não. O carro pesa duas toneladas, portanto, cupê de sedã não é. Aí, fazem um enorme teto de vidro, para um visual panorâmico. O teto baixo não chega a incomodar os ocupantes do banco de trás porque há uma enorme caixa de SUV da cintura para baixo, que lhe dá espaço suficiente.
Notem que teto de vidro, exibido na foto acima, e cabine, podem estar em qualquer veículo, portanto serem atrativos no ZDX é uma questão completamente efêmera, que talvez nem seja o principal atrativo numa eventual decisão de compra por este modelo.
Grade cromada enorme, que não chega a estragar o visual dianteiro
Onde vou é um ponto já muito conhecido de itens de consumo de massa, muitas pessoas que lidam com marketing do produto, já amargaram experiências causadas pela frenética busca de criar novos segmentos e nichos, através de novas propostas, que pensadas a fundo, acabam provando-se totalmente ilógicas. Pois é, transferindo para o mercado automobilístico, já estamos chegando ao mesmo limite, o de saturação, que começa a tornar bem mais arriscadas as novas propostas, que muitos dirão, pra quê???

Em seu discurso de lançamento, contam a história de uma jovem de 29 anos que o desenhou quando tinha 25, ainda estudante do Art Center College of Design de Pasadena, CA -- caramba quanta ousadia! Lembro de um amigo, que trabalha na Toyota, que certa vez me confidenciou que teve de escrever uma verdadeira bíblia de marketing, viajar quatro ou cinco vezes ao Japão, para tratar de convencer um comitê ultraconservador, da necessidade de segunda luz de teto na Fielder.

Estivesse esse amigo na Honda, talvez a bíblia de marketing diminuísse de tamanho, fosse ele mulher, cinco páginas no PowerPoint, graduado na Faculdade Art Center of Design e num momento tão favorável da Honda de ousar, pronto! Se ele desenhasse esse carro, eu, como amigo, o enchia de porrada!

CZ

25 comentários:

  1. Segundo essas suas caracteristicas o primeiro SUV do mundo foi o niva em 1976

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  2. São belos carros o ZDX e o X6. Fora do convencional, o que me agrada. Espero que o ZDX apareça por aqui. Tô cansado de ver os sedans fraquinhos de nosso mercado serem vendidos como o supra-sumo. Nacionais e importados.

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  3. CZ, gostei demais da sua conclusão: "o enchia de porrada!"
    Dou total razão ao conservadorismo gerencial da Toyota, pois funciona mesmo, basta verificar os níveis de confiabilidade e vendas. Não gosto dos carros deles, mas como meios de transporte são muito eficientes e confiaveis.
    Toyota Fielder: ótimo carro, mas que a incompetência do departamento de marketing da Toyota do .br o matou.
    O mundo seria muito melhor com menos SUVs e crossovers e mais station-wagons.

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  4. SUV, SAV, Crossover, maldito marketing.

    E o pior é que o porte e as formas do X6 me agradam muito.
    A primeira vez que vi um, era branco alpino. Parece um hatch que tomou fermento.
    Mas na prática uma 5er Touring me faria o mesmo serviço pesando pelo menos 300kg a menos.

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  5. Bussoranga,
    O motivo de não termos a Fielder na nova geração de Corolla é outro, foi até esclarecido oficialmente pela Toyota local.
    A Fielder brasileira, aproveitava um carro existente na Europa, com a frente do Corolla americano/brasileiro.
    O novo Corolla tem chassi largo (nosso e americano e europeu) e estreito (japonês, por questões de espaços limitados no Japão) e a wagon só a tinham com chassi estreito para o mercado asiático.
    Não havendo mercado para a Wagon com chassi largo... dançamos.

    CZ

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  6. confesso que depois de duas taças grandes de carmenere, ao ler este post fiquei meio confuso...
    Mas concordo com o Joel, o porte e as linhas da X6 me agradam, um amigo tem uma e o comportamento dela na Rio-Santos, digamos que foi impressionante, estes engenheiros da BMW sabem engenheirar viu... rs*

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  7. CZ,
    A Toyota teve competência para fazer a Fielder de chassi largo e outra Fielder de chassi estreito, ambos na geração anterior.
    Então, porque não faz de novo? Será que ela acredita que americanos e europeus juntos não seriam um mercado mais que suficiente?
    Se for o caso, então porque ela o fez na geração anterior???

    Fabio,
    BMW sabe engenheirar sim, mas hoje acho que a Audi anda batendo bonito na BMW! AWD faz milagres, principalmente para andar na chuva (algo que nunca foi o forte da BMW).

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  8. Suv,sav,crossover...
    Maldito markenting...
    Me digas pra que um carro desses ???
    Qual é a sua proposta?
    Andar na lama?Não obrigado sujaria o meu teto de vidro,que alias num capotamento deve ser uma maravilha.
    Carro esporte?Nãoo,carro esporte de 2 tol???
    Um carro pra familia?Pra isso que existem os sedans...

    Esses carros foram feitos unico e exclusivamente para demonstrar status.Como disse uma amigo que não me recordo o nome,no post sobre os preços dos carros nacionais

    "Status é vc gastar o $$$ que vc não tem, para comprar algo de que vc não precisa só para mostrar a alguém de quem vc não gosta,o q vc ñ é..."

    Mas nesses casos eles tem $$$,so isto que muda.

    Por isso eu vou ter meu Charger com um Blower gigante,bebendo mais que o capeta e arrombando a camada de ozonio,e foda-se o resto...

    Mopar or no car...

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  9. É interessante tentar criar novos produtos e explorar novos nichos (como a onda dos retrôs com o New Bettle, 500 e PT Cruiser) desde que estes tenham alguma funcionalidade cativem pela emoção, ainda que com alguma racionalidade.

    Não há problema de criar um carro de 4,50 pra duas pessoas quando este lida com funcionalidade e um objetivo claro. A Lamborghini Gallardo foi criada como uma "Murcielago em miniatura". E encolher aquele touro enfurecido para um bezerro raivoso ainda faz sentido. Estes foram criados para serem pilotados, e não dirigidos. São carros para acelerar, fazer curvas e frear como carros de competição. E nisso há emoção, há entusiasmo.

    Mas querer transformar um jipe/picape/suv/wharever em um carro de alto desempenho é algo incompreensivel. É como querer criar uma vassoura multi funcional que, por último, também serve para varrer.

    O dinheiro disperdiçado na produção dum carro desses poderia ser investido em pesquisa para aperfeiçoar tecnologias já contidas em carros em produção.

    É o problema de querer aumentar a gama, vender mais e bater no peito pra falar que "é maior do que fulana de tal".

    A Koenigsegg não parece se importar com isso. Nem a Lotus.

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  10. SUV, SAV... whatever...
    É negócio! se tem gente pra comprar... as empresas vão produzir.

    Eu não tenho dinheiro pra colocar num carro deste... As SUV no Brasil é pura ostentação... isto é óbvio!

    Agora um negócio é fato, não dá pra andar em SP com uma Lambo, mas com um SUV deste dá pra andar diariamente.

    Quem tem uma casa em Juquehy por exemplo... já entrou lá? o pavimento é muito pior que rua de terra... com qual esportivo vc entraria ali? nenhum! mas se vc tem um SAV deste... além de vc contar com um baita motor debaixo do capô pra curtir o carro na Rio-Santos... vc não passará nervoso qd entrar nas ruas da praia...

    Sinceramente, eu adoro carros, mas nós não temos ruas para andar com um esportivo por aqui... se a pessoa tem q optar entre um ou outro... uma opção desta no Brasil é bom negócio, ainda mais com estas enchentes.

    No Brasil, super esportivo é brinquedo de magnata, que pode colocar o carro na pista de corrida ou faz como aquele pessoal que desce a Ferrari da plataforma no início da Bandeirantes, dá uma volta e guarda de novo...

    É triste, mas é verdade!

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  11. De fato, esse negócio de crossover gera muita confusão, sem nenhuma vantagem prática exclusiva nesse segmento...
    Tenho uma dúvida... A Veraneio, carro admiro muito, geralmente é tratada como perua, porém, com aquela altura toda, jeitão de utilitário (voltado ao lazer, portanto, “esportivo”), não seria ela o “embrião” nacional dos crossovers?

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  12. CZ,

    Acho mesmo que o "produto automóvel" está chegando - ou já chegou - à saturação de formatos e usos.

    Para manter a roda do consumismo girando e as pessoas trocando carros perfeitamente bons por outros mais novos, inventa-se toda sorte de novidades "criativosas".

    Veículos supostamente ultraversáteis, mas que na prática serão compradas basicamente por estilo e "status" e cujos donos não vão querer usar nem 10% das capacidades.

    Ah, utilitários/ SUVs/ SAVs são úteis em enchentes? Você vai mesmo desembolsar R$ 400 mil num super-ultra-mega carro e arriscar inundar seu estofamento alemão com os coliformes fecais do Tietê?

    Talvez, se você for um "sheik" árabe ou um ganhador da Mega-Sena.

    Estamos na era da imagem acima de tudo, dane-se o conteúdo.

    Uma hora esta história vai cansar e vamos ter uma era "de volta às raízes", com carros mais simples e focados em propósito.

    Assim espero.

    Abraços,
    Fernando Silva

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  13. Fernando, vc entendeu... falei de maneira geral em relação à altura do carro e o que temos que enfrentar... um carro mais alto teoricamente vencerá uma situação de enchente com mais facilidade, caso não se possa escolher em ir ou não ir. Marginal parada e o rio transborda... pegou a idéia? E olha que isso não é tão difícil de acontecer heim... pelo que temos acompanhado em SP. Como dizia o Kassab... " Um verdadeiro dilúvio..." kkkkkk... É rir pra não chorar.
    Como eu já disse, eu gostaria de falar que não compraria um carro desse, como se eu tivesse esta opção.
    Abraços

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  14. Bussoranga,
    Não posso responder em nome da Toyota, mas meu entender é que eles tentaram Fielder em duas larguras, na geração anterior, mantiveram aquela que encontrou mercado que justificasse investir numa sucessora e abandonaram a outra.
    Processo natural, mais ainda numa empresa tão criteriosa com projetos, como a Toyota, cancelar os projetos que não deram resultado nem promessa dele no futuro.

    CZ

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  15. Se é pra ter um "jipe" alto e caro eu apelaria e comprava umnBowler Nemesis.
    Não faz sentido um carro alto com rodas de 20" e pneus perfil 40.

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  16. Para mim, Crossovers e SAVs são tudo a mesma coisa, mudou somente o desenho da carroceria de um para o outro e o pessoal resolveu dizer que era um novo segmento. Particularmente, se eu precisar algum dia andar com frequência por estradas não pavimentadas, preferiria infinitamente uma perua normal com preparo para rali, aos moldes do Weekend Adventure, mas sem aqueles adereços plásticos medonhos... E com tração 4x4, por favor, assim dificilmente ficaria enroscado pelo caminho.

    Eu não gosto nem um pouco de tetos de vidro. Pode ser bacana para países onde o sol é mais brando do que aqui no Brasil, mas aqui, torra o peão até no inverno!

    Concordo com o Bussoranga, gostei do final do post, bem imprevisível.

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  17. Acho que esses carros exploram a sensação do SUV. Olhar o trânsito do alto, a falsa impressão de poder...

    É a primeira coisa que as pessoas em geral falam quando dirigem um SUV ou pick up.

    Mas conviver com todos os contras de um carro mais pesado e alto e sem os recursos de um off road?

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  18. Marcelo R.01/03/10 12:46

    Paulo Mopar, fui eu quem citou isso (tirei do Clube do Marea)...rsrs

    Enquanto houverem pessoas dispostas a pagar por esse tipo de "coisa", as fábricas continuarão produzindo-as e lucrando muito...

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  19. Marcelo R.
    Infelizmente essa é a nova realidade do mundo automotivo...
    Mas felizmente eu sou da velha guarda(apesar de ter 16 anos hauhauahu)carro pra mim tem que ter uma finalidade,e alma coisa que esses carros não tem ...

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  20. Fabio,

    Concordo que a altura extra do solo é útil, sim, dadas as nossas condições de uso.

    Aliás, sinto falta de pneus de perfil mais alto e pára-choques sem pintura em carros "normais" (i.e. "não-aventureiros").

    Eduardo,

    Sim, crossovers exploram a sensação de poder dos SUVs, supostamente com menos "contras" em relação a peso, qualidade de rodagem e estabilidade.

    Ótimo para quem compra carro para chamar atenção e forçar passagem no trânsito.

    Mas minha impressão é que os "crossovers" estão cada vez mais pesados e muitos deles não têm um rodar assim tão agradável, não.

    O "compacto" BMW X1 pesa quase 1700Kg e não são poucos os modelos que batem nas 2t.

    Logo, qual é mesmo a vantagem de ter um?

    Esta minha impressão está correta o equivocada?

    Abraços,
    Fernando Silva

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  21. Os SUV's tem plataforma propria e os Crossovers são derivados dos carros de passeio.
    Qualquer SAV e afins são crossovers com nome diferente.

    Simples assim.

    A Pajero é um SUV e foi lançada em 1982.
    Antes da Cherokee XJ.

    Ao Bussoranga
    As BMW X1,X5 e X6 são AWD...e são sensacionais de estabilidade.
    Batem uma Q7 fácil...

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  22. Dirigi uma X5 4.8 uma vez... situação de trânsito... quase bati! tamanho o torque da bichona! achei que podia sair acelerando numa esquina, não conhecia o carro e não me atentei que eu não estava dirigindo meu Golzinho (na época... kkkk) tive que puxar o volante bruscamente e o monstro respondeu sem balançar.
    Qt à X6, um amigo me impressionou com este carro na estrada.

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  23. Eu acho - filosofia de Botequim pé sujo aqui do RJ - que a busca frenética pelo mais rápido, mais forte, maior (e que, por imposição da "mudernidade", tornam-se obsoletos mais rapidamente) está criando estes monstros de 2 toneladas. O mundo, daqui a pouco não vai suportar tanto desperdício.

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  24. Anônimo,

    Muito bem observado. Somos levados a pensar que "mais" e "maior" são sinônimos de "melhor".

    Abraços,
    Fernando Silva

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