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6 de maio de 2010

UMA SOBREVIDA


Um certo tempo atrás, falei sobre minhas ideias a respeito do Veyron e como eu o considero uma obra-prima da engenharia automobilística. Foram tantas as restrições de projeto para dificultar a vida dos engenheiros que, mesmo com orçamento quase ilimitado da VW, não seria uma tarefa fácil.
No final, o que surgiu de anos de trabalho e milhões de dólares investidos foi o carro mais superlativo de todos os tempos. O mais caro, mais rápido, mais complicado e mais marcante. Mas, como eu mesmo disse quando fiz o outro post, acreditava que o Veyron seria o último dos supercarros do mercado. Pelo rumo das coisas no mundo, não parecia ser mais interessante um fabricante investir tanto dinheiro em um produto com tantas complicações.
As normas se segurança, de emissões de poluentes e de consumo de combustível tendem cada vez mais a crucificar os carros de alto desempenho, e ainda mais com a ajudinha das crises econômicas mundo afora, um carro deste tipo não parecia mais ser viável.
Mas, acho que ainda há uma esperança, pelo menos por algum tempo. Diversos fabricantes estão trabalhando em novos projetos ou já lançaram carros mais potentes, caros e até então, fora dos padrões que o mundo está se dirigindo.
A Pagani está desenvolvendo o C9, substituto do Zonda. O C9, pelas notícias da mídia (leia-se fofoca e boatos) terá um motor Mercedes V-12, mas de menor cilindrada, antes o 7,3-litros e agora supostamente o 6-litros do SL65 Black Serie,s mas com mais de 700 cv.
Pagani C9
A Lamborghini está finalizando o substituto do Murciélago, até então conhecido como Jota, e que deve usar um V-12 de aproximadamente 750 cv, com muitos detalhes já feitos no Reventón, também caríssimo e muito potente.
Lamborghini  'Jota'
Até a Aston Martin, que andou passando de mãos nos últimos anos por conta de problemas financeiros, já mostrou ao mundo o One-77 V-12, também com mais de 700 cv e estimados um milhão de libras.esterlinas. Parece ser algo razoável no mercado atual? Quem sabe...
Aston Martin One-77
Nenhum destes carros parece ser coerente com a onda ambiental de redução de consumo e poluentes, com a ampliação das exigências de controles de emissões cada vez mais rígidos e, não podemos negar, necessários. As crises econômicas que quase levaram até a GM à falência não perdoariam um erro estratégico como esse, a exemplo da VW, que perde muito dinheiro com cada Veyron vendido, sem falar na grande era dos carros híbridos e elétricos que foi anunciada para a virada da década em 2011,que não comportaria veículos deste tipo.
A Porsche, por sua vez, está partindo para a ideia do supercarro do futuro, com o conceito 918 Spyder, que combina um motor V-8 de 500 cv e motores elétricos para reduzir o consumo e poluição. Acredito ser uma tendência a ser seguida por muitos.
Porsche 918 Spyder
Mas então, por que eles estão sendo feitos? Por que o Veyron parece que não vai ser o último dos grandes carros dos sonhos? Há entusiastas na indústria sobrevivendo e fazendo o possível para que carros como estes sejam feitos para povoar os sonhos de muitos aficcionados. Pude ver o Veyron e o One-77 de perto ano passado, e só de olhar para eles já é possível sentir que há salvação.
Como o MAO mostrou uma vez em um brilhante comercial da Porsche, estamos precisando novamente de inspiração, de coisas não racionais e não práticas, de mais sonhos. Acho que, felizmente por algum tempo, o último a sair ainda não vai apagar a luz.
MB

20 comentários:

  1. Alan Lopez06/05/10 03:16

    Ferdinand Porsche disse que "O último carro a ser construído será um esportivo" , é o que embala os sonhos .

    PS : Estava lendo sobre os custos estratosféricos da manutenção do Bugatti Veyron , e dizia que os pneus devem ser trocados a cada 4 mil KM , e a cada quatro trocas de pneus devem ser trocados também o jogo de rodas , será que as rodas duram tão pouco? .

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  2. Caro Milton.

    Sou da opinião que as normas de segurança, controlo de emissões poluentes, crises económicas etc etc não afectam em quase nada a produção destes super carros. O seu mercado é tão restrito que a poluição causada por uns meros 77 Aston Martins de 700 cv cada é mínima. Além disso este tipo de carros passa mais tempo na garagem que na estrada. A crise económica é outra falácia. Quem compra este tipo de carros nunca, ou raramente, está em crise.

    Estes carros encaixam na perfeição nos padrões do Mundo moderno. Um Mundo de desigualdades entre nações ricas e pobres, um Mundo onde co-existem fartura (Zondas) e escassez (viatura alguma).

    Estes super carros nunca foram racionais (penso eu) e não existem motivos para passarem a ser.

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  3. Alan, não é questão das rodas não aguentarem. A troca destes itens com tão pouca km é mera margem de segurança do fabricante. Imagine o stress que uma roda deste tamanho não sofre em top speed, e a Bugatti faz o cálculo sempre com uma putza margem de segurança, imaginando que, por exemplo, o carro ande 1000km em top speed. Ai eles recomendam a troca pra evitar problemas. Coisa completamente normal, só que neste carro, como tudo é maior (top speed, peso, aceleração, torque, etc), eles adiantam a manutenção preventiva.

    Luis, concordo com seu ponto. Mas com toda a onda ecológica e pressão sobre os fabricantes, vender um carro destes "não pega bem" frente aos ecochatos. Se os carros fossem todos racionais, teríamos somente caixotes sem graça da mesma cor.

    abs,

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  4. Mister Fórmula Finesse06/05/10 08:46

    Brilhante post Milton e excelente análise do Luis, ambos estão certos.

    A frase do Alan também resume todo o universo lúdico e a magia que gira em torno dos verdadeiros carros esportivos.

    Eu até acho de certo modo normal essas escaladas de potência visto que muitas SUV's estão equipadas com motores que querem rivalizar com o calor e a energia gerados pelo big bang (?!?!?!?)...ou seja, 500 cavalos estão se tornando algo corriqueiro para levar abastadas donas de casa ao shopping e para enfrentar as filas nas frentes dos colégios.

    Então, os verdadeiros senhores da estrada precisam reafirmar sua autoridade com motores cada vez mais impressionantes e competentes na tarefa de energizar carrocerias cada vez mais pesadas apesar da utilização de materiais - ainda - mais exóticos em alguns super dotados; a segurança também cobra o seu preço.

    Na verdade, se olharmos as tabelas de muitos utilitários, sedans top e pequenos "GT's" (mesmo que não o sejam), veremos que o crescimento de potência na faixa mais elitizada está apenas obedecendo ao mesmo ritmo de escala, nada de anormal na verdade. Se a gente voltasse no tempo há talvez 15 anos, essas cifras de potência nos fariam perder a respiração ao analisar os mega esportivos de hoje e os prometidos para breve, mas garanto que o espanto mesmo seria em relação aos carros ditos "normais" que hoje podemos ver quase que facilmente nas grandes cidades.

    Essa nova geração de motores também é mais limpa que seus gloriosos antepassados, e eles têm que ser assim...

    JLV disse em 1985 que o Lamborghini Countach daquele ano - exposto em um salão internacional - seria o último de uma casta fadada ao desaparecimento, o mundo não teria mais lugar para tantos excessos.

    Graças ao Deus que ao menos uma vez, o mestre estava enganado!

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  5. Leandro Silveira06/05/10 09:29

    superesportivos nunca irão morrer, pq, ou s~ção feitos por entusiastas d vdd (os pagani, mclaren, spyker da vida)q ñ se importam mto com nº d vendas; ou são feitos por gdes grupos (ferrari é da fiat, lamborghini e bugatti da vw, mercedes, etc...) onde a tecnologia empregada é um laboratório prá produtos mais baratos num futuro próximo, como td a tecnologia embarcada dos carros d hj em dia q até pouco tempo atrás eram exclusividade d carros caríssimos...

    sem contar o bem q faz a imagem da marca, né...

    ainda bem!!!

    msm q, prá nós, o q nos resta é só observar...

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  6. Caramba, Alan! Não sabia das rodas e pneus. Pelo jeito, ao lado de um Veron, qualquer Ferrari é econômica de manter como um Uno Mille...

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  7. Acompanho este blogo desde o início de 2009 e faço agora o meu primeiro comentário. Antes parabenizo a todos pelo bom nível geral de posts e comentários.

    Nunca acredito nessas afirmações categóricas, como "não serão mais produzidos super carros" ou coisas parecidas, o mundo em que vivemos é um pouco mais complexo do que essas simplificações.
    Sempre haverá gente com dinheiro para comprar qualquer coisa que custe muito caro, então acho que crises econômicas afetam esses mercados, é claro, mas não o suficiente para liquidá-los. Ano passado,em uma viagem a trabalho, dei de cara com um celular sendo vendido numa loja de departamentos por meros 12 mil Euros! Inacreditável, mas se está lá no display de exposição, deve ter algum desvairado do outro lado pronto para rasgar esse dinheiro.
    O que eu acho que pode afetar mesmo a produção desses carros é a questão da imagem das marcas (velocidade, poluição, etc), a campanha ecológica/politicamente correta está violenta, mas muita gente já percebe que está passando do ponto em alguns assuntos específicos, ou seja, também sofre alguns danos de imagem. Surgiu agora a expressão "terradania", uma analogia de cidadania, quem não fica constrangido em ouvir uma coisa dessas?
    Acredito que a tendência é que as coisas se equilibrem em todos os sentidos(economia, ecologia) e nossos queridos super carros continuem a existir, menos poluentes e mais caros ainda, e nós vamos continuar a sonhar, quem sabe um dia...

    Sergio SP

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  8. Boa Luis.

    Supercarros são irracionais.

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  9. que bom que continuarão existindo carros novos com garantia e que eu nunca vou comprar (por causa do valor é claro).

    Por enquanto... fico com opalas, dodges e afins.

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  10. Supercarros são bacanas. Todo ecochato no fundo gostaria de ter um ehehehe.

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  11. Na cobertura do Salão de Genebra de 1982 (salvo engano; escrevo de memória) para a saudosa Motor 3, José Luiz Vieira dizia que os supercarros da época - a Ferrari 512 Berlinetta Boxer e a Lamborghini Countach - estavam em vias de extinção e que, como os grandes clássicos da década de 1930, jamais poderiam ser recriados, pois os custos de projeto e certificação nos principais mercados seriam proibitivos.
    Desde então, aqueles carros não apenas foram repetidos (pela Testarossa e pela Diablo, respectivamente): foram, isto sim, olimpicamente sobrepujados por algumas das máquinas mencionadas pelo Belli.
    Moral da estória?
    Nas sábias palavras de Soichiro Honda, o supérfluo é algo tão necessário que jamais poderá faltar.

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  12. Mister Fórmula Finesse,
    Não percebi que você havia tocado no assunto. Desculpe minha desatenção.

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  13. Alaor Espósito06/05/10 22:15

    Miltão
    em quanto existir homens com dinheiro no bolso,sempre vai se vender carros cada vez mais potentes,velozes,exóticos,caros etc.
    Que as mulheres não saibam quanto realmente eles custam...

    Abç.

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  14. Mister Fórmula Finesse07/05/10 09:41

    Alexandre: nem esquenta, na verdade você enriqueceu com mais detalhes a informação que eu tinha na cabeça.

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  15. não sabia onde escrever isso... e sei lá se alguém vai ler mas...

    Por favor, façam um teste do novo Uno! com as belíssimas modificações no fire, agora deve ser o motor mais elástico do mercado(de 1000cc a 1400cc).

    Giovannif

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  16. O qq é este Aston Martin??? Pelamor! É delirante este carro!
    Se eu visse este carro ao vivo, acho que na sequência eu correria pro bar... rs*... tomar uma dose... baixar o nível de ansiedade... e ficar falando sobre os detalhes deste carro...
    Na minha opinião é o verdadeiro carro dos sonhos!

    Qt ao Veyron... sinceramente... acho o McLaren F1 mais interessante... vejam se vcs me entendem...
    http://www.youtube.com/watch?v=JdVZU96gkDM

    Milton, q belo post... uma viagem para qualquer autoentusiasta! Só faltou algo sobre o Carrera GT...hehehe

    Abs

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  17. Fabio, esse Aston é impressionante. Todo detalhado em fibra de carbono, o capô aberto é pura pornografia automotiva.

    O Carrera GT não é mais fabricado, e a faixa de preço é inferior aos citados, talvez similar só com o Lamborghini.

    Obrigado pelos elogios. Abs

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  18. Definitivamente, o mundo está ficando cada dia mais chato... quem disse que carro tem de ser racional?

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  19. Saudades dos tempos em que os carros eram carros mesmo e não essas porcarias cheias de assistências eletrônicas, abs, ebd, esp, bolsa de ar etc. Hoje fazem carro pra quem não sabe e não gosta de dirigir. Quer segurança total e conforto? Fica em casa, deitado na cama.

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  20. Olá MIlton Belli

    tudo certo

    como vc está amigo ?

    abraço, Fernando Gennaro

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