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14 de setembro de 2010

TAMPA BAY MUSEUM - PARTE FINAL


No post Tampa Bay Museum – Parte 1 contamos a história dos primórdios dos carros com motor dianteiro e tração dianteira viabilizados pelo desenvolvimento de juntas de velocidade constante (homocinéticas). Destacamos dois modelos representativos e bem interessantes, o Ruxton 1939 e o Tracta A 1929, que provou sua confiabilidade nas pistas.

Mas a coleção desse museu ainda tem outros carros muito interessantes com tração e motor dianteiros.

Um dos carros que eu mais gostei é o francês Tracta Type E de 1930. O que me atraiu nesse modelo é carroceria baixa, a baixa altura do solo e a combinação do longo capô com as rodas grandes. A baixa altura da carroceria foi possível graças à tração dianteira, que elimina a necessidade de cardã. O motor desse Tracta é um 6-cilindros em linha de 2,7 litros com 66 cv feito pela Continental. O capô não é tão longo apenas pelo design. A caixa de câmbio, de três marchas, fica à frente do motor.

A linda carroceria foi feita pelo coachbuilder (encarroçador) francês Henry Le Moine. As informações sobre a quantidade de unidades feitas do Tracta E são desencontradas, mas acredita-se que tenham sido construídas não mais que 10 unidades. Trata-se de um belo e raro exemplar.

Tracta Type E 1930 "rebaixado"

Outro francês de tração dianteira é o Derby 1933. Há pouquíssimas informações sobre a Derby e sobre esse modelo. No início dos anos 1920 a Derby começou a fazer carros compactos e leves utilizando motores de motos, em "V", como os cyclecars (carros-moto) da Morgan e da BSA. Esse lindo modelo 1933 utiliza um V-8 de 2,0 litros.

Derby V-8 1933

Morgan todo mundo conhece, mas a também inglesa BSA talvez seja mais conhecida pelos motoentusiastas. A Birmingham Small Arms, como o nome diz, fabricava armas. E além de armas também produziu bicicletas, motos, triciclos, carros, ônibus, carrocerias de aço, motores e mais uma grande variedades de componentes. Foi dona da Daimler antes dela ser vendida para a Jaguar e também da Triumph. No final da década de 1950 a BSA era o maior fabricante de motos do mundo. A história da BSA é riquíssima e daria um belo post daqueles que só o MAO sabe fazer.

Voltando ao museu, há dois modelos BSA expostos, um carro de três rodas, o BSA Three Wheeler, e o mais convencional BSA Scout, ambos com tração dianteira.

O Three Wheeler de 1930 competia diretamente com o Morgan e inclusive chegou a vender mais que este. Para eliminar a corrente entre o motor dianteiro e a tração traseira o BSA usava tração dianteira. Porém, para diminuir custos, não usava juntas homocinéticas. O motor usado era um V-2 1-litro refrigerado a ar projetado pela Hotchkiss e fabricado pela BSA sob licença. O Three Wheeler foi fabricado de 1929 a 1936.

BSA Three Wheeler de tração dianteira

O BSA Scout, que apareceu em 1935 e durou até 1939, utiliza a mesma configuração do Three Wheeler, porém além das 4 rodas também tem um motor V-4 de 1,2 litro refrigerado a água. Lembra muito os MG TA da época, estes com a tradicional tração traseira.

BSA Scout com motor V-4

Outra marca inglesa que fabricou modelos com tração dianteira é a não muito conhecida Alvis. O bonito Alvis F.D. 12/75 exposto é de 1928 e usa motor 4-cilindros de 1,5-litro sobrealimentado por compressor Roots. Sua carroceria e chassi são feitos de alumínio e o capô sem pintura dá um toque adicional de esportividade. Apesar da sua boa performance e do sucesso desse modelo em competições da época, depois dele a Alvis abandonou a tração dianteira considerando que os clientes ainda não estavam dispostos a arriscar nessa novidade.

Alvis F.D. 15/75 1928

O museu ainda tem outros representantes importantes com configuração de motor e tração dianteiros como os Citroën Traction Avant 7CV e 11CV e dois modelos do 2CV, um convencional e o curioso Sahara, com dois motores, um na frente e um na traseira. Mas o que realmente me chamou a atenção foi o cofre do maravilhoso Citroën SM.

Lançado depois que Citroën comprou a Maserati em 1968, o SM combinou a tecnologia de suspensão da Citroën com o coração esportivo da Maserati. Com motor V-6 Maserati de 2,7 litros (que depois passou a 3,0 litros, como usado no Maserati Merak) e tração dianteira, o SM é na minha opinião o Citroën mais legal de todos os tempos – merece um post só pra ele. Na foto pode-se ver uma verdadeira parafernalha para controlar a suspensão hidroativa e o inovador sistema de direção. Pode-se também notar o transeixo à frente do motor, como no Tracta E do início desse post.

Cofre do motor do Citroën SM

O dono do museu, que é francês, tem uma empresa que fabrica máquinas de embalagens e adora tecnologia. Por isso sua coleção é muito seleta. Abaixo estão outros carros interessantes com suas principais particularidades. Talvez cada um deles merecesse um post exclusivo.

Voisin C7 1927
Usa motor Knight 4-cilindros de 1,55 litro que apesar de ser 4-tempos usa janelas como nos dois tempos, só que no topo dos cilindros – aqui o André Dantas poderia nos ajudar. A carroceria é chamada Lumineuse que significa aberto para luz. Típico nos modelos Voisin, a carroceria era mais estreita na parte superior: “é necessário menos espaço para a cabeça do que para os braços”, dizia o próprio Voisin. Mas pelo que eu sei do Voisin, não é difícil de imaginar que ele usava esse artifício para reduzir o peso da capota e assim diminuir a altura do centro de gravidade. Para melhor distribuição de peso há três (elegantes) caixas usadas como porta-malas, uma de cada lado e outra na traseira, além de todos ocupantes ficarem entre-eixos.



Panhard Dynamic 1938
Usa motor 6-cilindros de 2,8 litros com janelas superiores – como no Voisin acima e construção monobloco – o maior carro com essa construção na época de seu lançamento - , suspensão independente na dianteira e circuito duplo de freio. O estilo art déco com cobertura nas rodas dianteiras e grade nos faróis era avançado para época. O para-brisa plano é complementado por dois vidros nas colunas A, como no Tatra T-87. Possui três limpadores de para-brisa e as portas dianteiras são invertidas. Mas o ponto mais interessante desse modelo é a coluna de direção central. Com certeza um carro à frente do seu tempo.



Allard P1 1948
Inglês, usa chassi Ford com carroceria de alumínio e madeira, motor Ford 3,6-litros V-8.



Salmson S4E 1950
Usa motor 4-cilindros de 2,3 litros, caixa de câmbio Cotal pré-seletivo com acionamento eletro-mecânico e suspensão dianteira independente. A Salmson fabricava cyclecars ao estilo dos Morgan e motores aeronáuticos.


Delahaye 235 1952
Os Delahaye com carrocerias feitas por encarroçadores de luxo, como Figoni & Falaschi, estão entre os carros mais bonitos de todos os tempos. O modelo 235 do museu tem a carroceria de aço e alumínio feita pelo encarroçador Henri Chapron. Apenas 83 unidades do 235 foram produzidas com carrocerias feitas também por Letournent ET Marchand, Antem, Farnay, De Villars e Saoutchick. O 235 do museu tem um motor 6-cilindros de 3,5 litros, com caixa Cotal de acionamento eletromagnético e tração traseira. O dono original do carro solicitou que a sua carroceria viesse sem os vidros laterais traseiros.


Talbot-Lago 1953
Com carroceria também Talbot – assim como Delahaye os Talbot são mais conhecidos com outras carrocerias - , o modelo do museu é equipado com um motor protótipo de 2,7 litros com câmaras hemisféricas. As linhas dessa carroceria são tipo pontoon, três volumes, com para-lamas integrados à carroceria, porém salientes.


Jensen 541 1953
Carroceria feita com plástico reforçado com fibra de vidro – portas em alumínio -, motor Austin 6-cilindros em linha de 4,0 litros e caixa de quatro marchas com overdrive Laycock de Normanville – opcional acoplado na saída da caixa. Onde deveria estar a grade dianteira existe uma cobertura tipo flape que pode ser aberta ou fechada de acordo com a temperatura externa, que quando fechada ajuda no rápido aquecimento do motor no rigoroso inverno europeu. A unidade do museu é o protótipo feito para o Salão do Automóvel de Londres de 1953. Foi produzido de 1954 a 1959.


Maserati Sebring
Um representante italiano na coleção do museu, o Sebring Series II foi desenhado por Alfredo Vignale. Usa um motor de 6 cilindros em linha de 4,0 litros e injeção direta Lucas com caixa ZF de cinco marchas.



DeLorean DMC-12 1982
Está no museu por razões óbvias, carroceria em aço inoxidável e motor traseiro. A carroceria, desenhada por Giorgetto Giugiaro, é fixada em um chassi derivado do Lotus Esprit (com duplo Y) feito de plástico reforçado com fibra de vidro, que teve as mãos do próprio Colin Chapman. Originalmente o DMC-12 deveria utilizar um motor Wankel feito pela Citroën, mas os modelos de produção são equipados com motor PRV (Peugeot-Renault-Volvo) V-6 de 2,85 litros.


E por último deixei outro carro maravilhoso, o Peugeot Darl’Mat 1937. Não vou escrever nada sobre ele, pois vou deixar isso para um futuro post específico.



Veja também os posts anteriores:

Tampa Bay Museum - Parte 1 - Motor e tração dianteiros
Tampa Bay Museum - Parte 2 - Motor e tração traseiros, Tatra

PK

6 comentários:

  1. PK,

    Que museu fantástico!

    Grandes fotos, para variar...

    MAO

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  2. Rogerio Amancio15/09/10 17:01

    caranba que museu fantastico!
    adoreiiiiiiiiiiiiiii.

    ResponderExcluir
  3. Mais um na já imensa lista de lugares para conhecer.
    Preciso arrumar uma boquinha no governo. Parece que por lá a grana rola fácil...

    ResponderExcluir
  4. Mais um na já imensa lista de lugares para conhecer.
    Preciso arrumar uma boquinha no governo. Parece que por lá a grana rola fácil...

    ResponderExcluir
  5. PK,
    Nunca tinha pensado em ir a Tampa - até ler os seus posts sobre esse museu.

    A propósito, o proprietário do museu está de parabéns por investir seu dinheiro na conservação e exposição dessas obras primas.

    ResponderExcluir
  6. O Jensen é meu número !!!
    quwro um meu amigo.

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