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29 de outubro de 2010

ALSÁCIA, TERRA DE ÓTIMAS MÁQUINAS


Estamos desmontando umas máquinas velhas de fiação de lã. É sempre uma pena ver isso, máquinas que já prestaram bom trabalho terem que parar e serem encostadas. Mas assim é a vida, os velhos devem abrir espaço aos novos, e a beleza da vida está justamente nisso.

E lá estava eu xeretando a desmontagem quando observei direito uma das plaquetas: Société Alsacienne de Construtions Mécaniques, Mulhouse (France) – 1950, como está na foto. Sempre escutei e falei dessas máquinas como “As Alsacienes”, e nunca havia me ligado que elas provinham da mesma região, a Alsácia, hoje francesa, dos lendários Bugatti. Aí fui ligando os fatos, aí me toquei das conexões:

Mulhouse é onde fica o museu que mais contém exemplares da Bugatti. É o museu formado pela coleção dos finados irmãos Schlumpf, dois malucos milionários – cuja origem da grana foi a indústria da fiação de lã. Então, oras, estas máquinas de fiação vieram da mesma cidade onde está o museu, sul da Alsácia.


O museu formou-se porque os malucos (normalmente quando o maluco é rico não é chamado de maluco, mas sim excêntrico, mas chamo de maluco mesmo) faliram e se mandaram para a Suíça. Nessas, os operários descobriram a coleção de mais de uma centena de Bugatti num barracão trancado. Inclusive descobriram uma espécie de mausoléu da mãe dos malucos, com fotos, estátuas, flores, altar, etc, onde os doidinhos veneravam a mãe de um jeito esquisito.

A coleção não parava nos Bugatti. Tinha mais uma tantada de Rolls-Royce e outras preciosidades, a maioria comprada logo após a 2ª Guerra, dos ricos que quebraram com ela.

Um sujeito compulsivo já é problema. Quando juntamos dois irmãos compulsivos, e com grana sem fim para sustentar a compulsão, aí a maluquice extrapola. Então, o que aconteceu é que os colecionadores de Bugatti ficaram loucos da vida, porque esses dois veneradores de mãe iam comprando tudo quanto é Bugatti e os escondendo. Os colecionadores chiaram, mas não adiantou nada, e esses carros só foram acessados pelo público quando os irmãos fugiram e o governo interveio, entrando num acordo financeiro com os operários para transformarem essa parte da massa falida num museu.

E aí me lembro da viagem que minha mãe até hoje conta, quando logo após a 2ª Guerra ela foi com meus avós à Europa numa viagem de recreio e trabalho, e quando na certa meu avô deve ter ido à Alsácia para comprar estas máquinas para a sua fiação.

Foi uma época em que as damas ainda eram realmente damas, quando uma dama não gostava de andar de Mercedes porque achava os Mercedes “muito duros”, e que só Cadillac, Rolls-Royce e poucos outros é que eram satisfatoriamente macios e silenciosos.

E hoje tem mulheres que acham que andar de jipão incrementado é coisa de madame. Mal sabem elas, mal sabem elas...

Elas deveriam começar por ler "A Comédia Humana", de Balzac, para saberem como é que uma madame verdadeira anda, como caminha macio, parecendo estar num jardim florido, em contraste como as falsas madames andam, como se estivessem carregadas de dinamite para tomar um ninho de metralhadora.

Pois então, falsas madames, se não têm o costume de ler romances, ao menos troquem os jipões pretos por um belo de um sedã e, s’il vous plait, não passem mais por cima de mim!!!

AK

13 comentários:

  1. AK,
    Esse museu em Mullouse é uma Meca pra autoentusiastas de qualquer gênero. Comparar carros concorrentes, lado a lado, muitos com desgastes originais de uso, consome horas e horas memoráveis.

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  2. Segue um link de um post no BRoba com algumas fotos que fiz quando o visitei pra quem interessar:
    http://broba.blogspot.com/2010/03/la-cite-de-lautomobile-mais-que-um.html

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  3. Visitei esse museu duas vezes, a primeira em 1985 e a segunda em 1999, e realmente é uma coisa fantástica. Não só pelos automóveis expostos, como também pelo ambiente da velha tecelagem e por toda a mística que envolve essa história maluca.

    Guardadas as devidas proporções, é interessante comparar os destinos que tiveram a coleção Schlumpf e o acervo do extinto Museu da Tecnologia da Ulbra. No caso da primeira, uma parceria entre governo e iniciativa privada assegurou a sua continuidade. Já no caso do museu gaúcho... bom, deixa pra lá.

    Para quem se interessar pelo paralelo entre essas duas situações, gostaria de sugerir a leitura do seguinte post no meu blog: http://adverdriving.blogspot.com/2010/05/museu-da-ulbra-um-caso-de-assassinato.html

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  4. Opa, o AK é rico.

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  5. Rodrigo e Paulo,

    Esse é um museu que me interessa, mesmo. Um dia ainda vou. Legal que tenham ido. Vou ver as fotos e o blog.

    Engano seu, Anônimo.

    Não sou rico, mas sou enjoado. Ou seja, tenho bom gosto e, principalmente, boa educação.

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  6. AK,
    Hoje são mais de 400 carros em exposição... fora motores e máquinas que contam a trajetória de Ettore Bugatti. Assim que puder vá, na Europa eu diria que é o melhor museu sobre automóvel.

    Outro que recomendo é o de Sinsheim na Alemanha, mas por lá irá encontrar carros, tanques de guerra, aviões, fórmulas, helicópteros e trens. É possível ainda sentar ao cockpit de um Concorde ou do Tupolev.

    Posso dizer que a economia da bolsa de estudos valeu a pena...rs

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  7. Caraca, que história de maluco mesmo! Esse museu deve ser o primor para entusiastas, imagine ver mais de 400 modelos da época romântica do automóvel...

    Alguém saberia dizer que raio de Bugatti é aquele quadradão, da 6a. foto? Nunca havia visto o dito cujo antes...

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  8. Road Runner, o carro é um Type 32, também conhecido como tanque.

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  9. Eu conhecia de longa data a historia do museu e da coleção Schlumpf, e um dos meus grandes sonhos era visitá-la. Em 2007 surgiu a chance e fui lá. Realmente o lugar tem uma aura mistica, e ver esses carros todos juntos é impressionante, principalmente pra quem conhece a historia deles.
    Na epoca do fechamento do museu da Ulbra (que vistei e considerava muito bonito e bem montado, um exemplo para o Brasil) também fiz o paralelo entre o que aconteceu com a Coleção Schlumpf e o destino do museu gaucho. A notar que uma das Royale do acervo do Museu de Mulhouse foi vendida pra fazer frente aos investimentos necessarios a istalação do museu. Que, em compensação, ganhou da VW uma Bugatti Veyron para embelezar o acervo.
    Apesar de ter ficado babando frente aos carros do museu, ao mar de Bugattis, a coleção de carros de F1, as belissimas instalações e a mistica que paira no ar, o estado de conservaçaõ e restauração da maioria dos carros me decepcionou. Excetuando-se as 2 Royales originais, a Royale Esders (replica "original"- usando pelas originais), uma das Bugatti Atalante e um ou outro exemplar de Rolls e de marcas de prestigio dessa epoca, que estão em perfeitas condições, a maioria das restauraçoes é de qualidade abaixo da esperada.
    Mas, o "conjunto da obra" é fantastico, e vale a visita.

    Anexo o link de um comentario da minha visita ao museu, postado no Blog do Saloma.
    http://www.interney.net/blogs/saloma/2009/12/07/museu_da_bugatti/

    Antonio

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  10. Arnaldo Keller, essas máquinas, por menos que tenham valor de mercado, serão possivelmente preciosidades mecânicas. Se puder fale um pouco mais sobre elas (para que serviam exatamente?) e sobre o destino que terão. Muito obrigado.

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  11. Eurico Jr.31/10/10 10:18

    Os irmãos Schlumpf eram realmente dois malucos de marca maior. Estabeleceram essa coleção no maior segredo, juntamente com uma equipe de restauro própria. Compravam compulsivamente, não perguntavam preço.

    De um colecionador americano de Bugatti, arremataram a coleção inteira numa tacada só. Compravam todos os lotes de peças existentes no mercado, carros batidos, abandonados, sucateados, etc.

    Foi por isso que faliram. E a peãozada ficou maluca quando descobriu, ameaçaram tocar fogo nos carros.

    Parece que a viúva de um deles conseguiu ressarcimento na justiça francesa, devolveram-lhe uma parte do acervo.

    Em tempo: os carros exibidos são apenas a ponta do iceberg. Existem ainda DEZENAS de carros adquiridos pelos irmãos aguardando restauro

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  12. Paulo Levi,

    Obrigado pela informação! O carro realmente lembra um tanque...

    Abraço,

    RR

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  13. Os irmãos eram a sexta fortuna da França, mas eram tão loucos que começaram a largar o negocio de tecelagem e utilizar os galpões para guardar e restaurar carros. Todos os postes de iluminação eram do estilo belle epoque da Paris Antiga. Diante de tanta loucura. HOuve uma greve dos funcionarios que durou 3 anos e inclusive atearam fogo em algumas preciosidades. A historia é maravilhosa. Recomendo a visita e principalmente assistir a exibição dos filmes antigos no museu. é indescritivel !!!!!

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