20 de outubro de 2010

CONFORTO DE FERRARI


Aproveitando o post do MAO sobre o interior de Ferrari, me lembro de uma experiência com um 599 Fiorano que foi uma grande surpresa.



Tive a oportunidade de andar em um exemplar, o cinza metálico da foto, muito bonito diga-se de passagem, pelas ruas de São Paulo alguns anos atrás. Como o MAO bem disse, o interior destes carros é um luxo que não se vê todo dia. Os bancos esportivos têm acabamento impecável, de fazer inveja a qualquer Rolls-Royce.

Nem precisamos falar de como o carro acelera forte, graças ao V-12 de mais de 610 cv e câmbio sequencial com trocas mais rápidas que o pensamento. Esta nem foi a grande surpresa, mesmo porque na cidade não dá para aproveitar nada disso, pois em segunda marcha já estamos fora do limite de velocidade de qualquer via pública brasileira.

Em compensação, o que mais me chamou a atenção foi o conforto. Sabemos que o espírito do F40, rústico e preciso como uma agulha, não está mais presente nos carros do legado do Comendador. O mercado não aceita mais isto. O luxo e conforto sobressaem nos pedidos dos clientes. Sim, muitos vão dizer que a Ferrari morreu, que agora só faz carros para exibicionistas com preços completamente fora da realidade. Concordo em parte com isso, mas não é o assunto que quero tratar.

Tecnologicamente, ainda estão entre os melhores e não há como discutir isso. O que me mostrou que a Ferrari, por mais caracterizada como fabricante de opulências desnecessárias, foi passando com o Fiorano por uma rua de paralelepípedos.

Imaginamos que um carro deste porte (1.690 kg) com suspensão firme e pneus enormes fosse ser um total desconforto até nas nossas melhores vias. Engano. Com o manettino na configuração Race, os amortecedores eletrônicos deixam o carro firme o suficiente para ser um dos mais rápidos carros de linha do mundo (7:47 em Nürburgring - Sport Auto), mas confortável o suficiente para passar pelos paralelepípedos com o mesmo conforto de um sedã.

A eletrônica é a grande responsável por este feito, que me deixou completamente espantado, pois ao ver a rua em que estávamos indo, pensei que o carro fosse de desfazer em pedaços de acabamento interno espalhados pelo chão, como todo bom supercarro italiano. Os amortecedores, com tecnologia magnetoreológica, como já foi explicado pelo André neste post, calcula em fração de segundo a situação em que o carro está, interpolando leituras de velocidade, deslocamento de suspensão, acelerador, posição de volante, para sabe que o carro não está em condição que precisa de suspensão firme, mas sim de conforto. Acelerando um pouco mais, ele mesmo "entende" que é hora de aumentar a carga dos amortecedores, pois é desempenho que é necessário.

Simplesmente genial.

MB

7 comentários:

  1. Mister Fórmula Finesse20/10/10 15:28

    Milton, prova inequívoca de coisa bem feita, coisa feita para durar, coisa que custa no Brasil um PIB.....

    A coluna dos ricaços deve ser bem tratada; Learjet, Augustas e todo um sortimento de coisas "macias" e caras têm que encontrar sua contrapartida automotiva também...mesmo que em carros muito fortes.

    legal que tenha dirigido essa grandiosa GT!

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  2. Eurico Jr.20/10/10 15:31

    O caso é que o velho Enzo sempre nutriu um olímpico e indisfarçado desprezo pelo carros de rua, um "mal necessário" para financiar a sua amada escuderia. Tratava clientes e concessionários a pontapés, jamais admitia os graves defeitos dos carros. Naquela época, os preços eram ainda mais fora da realidade, pois a qualidade do produto deixava muito a desejar. Sob essa ótica, os Ferrari de hoje são incomparavelmente melhores.

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  3. As atuais Ferraris são carros superlativos em quase tudo.
    O que estraga são os clientes.
    O carro não tem nada de errado.

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  4. MB,
    aí está um Ferrari muito legal mesmo, com motor no lugar certo para andar na rua.
    Mas ainda prefiro (sem nunca ter dirigido, claro ) o F-40. Ferrari para meu conhecimento, continua sendo carro de corrida ou quase, não carros isolados do ambiente e cheios de eletrônica.
    Deve ter sido uma experiência magnífica.

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  5. Interessante saber que um Ferrari moderno não se comporta como "cavalo chucro" nessa obscenidade que são as ruas no Brasil.

    Porém, concordo com o Juvenal, Ferrari tem que ser meio bruta, indócil até. Aliás, não somente Ferrari, qualquer esportivo de alto desempenho. Para dar aquela sensação prazerosa de ter que domar a fera, senão... babau!

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  6. A quem se interessar, no Discovery passou um programa espetacular sobre a fábrica da Ferrari, enfocando justamente a fabricação da 599.
    Dá pra entender o porquê da quase-perfeição.

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  7. Em breve seu site ira receber muito mais visitas nesse "post" do que antes.
    Mais não é essa a Ferrari que bateu a em São Paulo, pois o post é de 2010 e o modelo do acidente é de 2013.

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