27 de abril de 2011

JUROS, OUTRO PONTO DE VISTA

O esclarecedor artigo do André Dantas sobre juros compostos tratou o assunto sob um ponto de vista mais sombrio, onde dinheiro emprestado a juros seria sinônimo de dinheiro mal empregado. No que tenho que concordar em se tratando de valores altos, prazos longos e taxas de juros abusivas. Resolvi então olhar por outro prisma, abordar outra situação e apresentar aqui meu ponto de vista.

Entendo que a utilização de uma taxa de 10% ao mês nos primeiros cálculos do artigo dele foi com o objetivo de facilitar a compreensão, já que sempre que extrapolamos um exemplo, a compreensão acaba ficando mais fácil. Utilizarei em meus cálculos 2,5% ao mês, já que para financiamento de veículos as taxas não costumam ser acima de 3% ao mês, e podemos encontrar taxas abaixo de 2% ao mês pesquisando bem.


Isto posto, vamos à situação mais comum da utilização do financiamento, a troca do carro mais antigo por um mais novo. Vou tomar como base um Siena 2007, com preço médio em torno de R$ 20 mil. Rodando em média 15 mil km/ano, o carro do exemplo estaria beirando os 60 mil km rodados hoje.

O mesmo modelo, 0-km, custa por volta de R$ 30 mil reais, fazendo com que a diferença entre eles fique na faixa de R$ 10 mil reais. Tomando esse dinheiro emprestado para pagamento em 36 meses, a uma taxa de 2,5% ao mês, temos uma prestação mensal de R$ 430, em um total de R$ 15.480,00 no final do período, juros já inclusos.

O que se paga de juros então são R$ 5 mil, numa conta arredondada, e esses juros são pagos durante os 3 anos do financiamento, algo como R$ 150 por mês numa conta linear. Ora, se levarmos em conta que o carro 2007, com 60 mil km rodados, provavelmente precisará de um jogo de pneus novos, troca de correia dentada, uma boa revisão de freios e outras coisinhas mais, chutaria, com boas chances de fazer o gol, que pagaríamos R$ 5 mil de juros e economizaríamos uns R$ 2,5 mil de manutenção. O 0-km vai rodar pelo menos 3 anos só com manutenção básica.

Além do prazer de andar de carro novo, pode ser que você lucre com alguma melhoria implementada no modelo atual, quem sabe um motor mais possante, um painel atualizado, umas rodas mais bonitas. O Mille é um exemplo de carro que veio melhorando com o tempo.

Fiz uma conta rápida, as variáveis são muitas e o resultado pode ser diferente do apresentado dependendo da ocasião. Concordo que comprar um carro novo sem entrada, financiando totalmente os R$ 30 mil do exemplo a prazos que chegam a até 70 meses, não é bom negócio. Mas penso que, mesmo com as taxas praticadas em nosso país, que estão longe de serem baixas, financiar uma parte do bem que desejamos ou precisamos pode ser a solução para adquiri-lo logo. E graças à facilidade de aquisição via financiamento, podemos observar que os usados hoje estão com preços mais coerentes, minimizando uma distorção típica de nosso país, onde os usados sempre foram por demais valorizados, na contramão do resto do mundo.


Eu mesmo acabei de fazer um carnezinho e comprar o carro de 7 lugares que andava precisando. Melhor pagar uns jurinhos, de forma consciente, e botar a filhota na cadeirinha dela do que ficar levando ela no colo enquanto junto grana, certo?

AC

33 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Eu sou a favor de comprar um semi-novo de um afobado que comprou o carro e não está aguentando pagar. Consegue-se um bom desconto! Já fiz isso 2 vezes e não me arrependi.

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  3. Caro Alexandre, todos os economista são unânimes em dizer para fugir dos juros do Brasil. São um assalto.Abraços,

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. AC,

    Você só vai conseguir esses R$ 20.000,00 da entrada se vender seu hipotético Siena 2007 para um particular. Vai na concessionária e vê quanto eles pagariam neste carro... Vou te dar um exemplo: tenho um primo que ficou encantado pelo Jac J3 e possui um Corsa Classic 2005. Ele foi na concessionária, fez o test-drive no chinezinho e, na hora da negociação só ofeceram R$ 12.000,00 no carro dele, que está em excelente estado. Como ainda faltam alguma parcelas do financiamento do Corsa, ele não fez negócio pois não ia sobrar muita coisa para a entrada e o valor das prestações ficaria alto e o prazo longo (60 meses)...

    Seu exemplo só vale se a pessoa tiver um valor alto, para dar uma entrada de 60% ou mais do valor do carro pretendido, e o financiamento não passar de 36 meses. Hoje, o que eu acho que a maioria deve fazer, é dar a entrada minima exigida, isso quando tem algum prá dar de entrada, e financiar o restante em 60 meses.

    Eu vivi na pele o que o André Dantas exemplificou no post dele, e não pretendo mais passar por isso, não. Pretendo comprar outro carro, sim. Mas, só quando conseguir o dinheiro para comprá-lo á vista.

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  6. Precisa de um carro de 7 lugares pra levar uma criança no cadeirão?

    []s

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  7. Foi mais ou menos esse o meu pensamento na troca de carro.

    Eu tinha um palio Young 1.02001. O Carrinho era bom, mas já começava a dar alguma manutenção (estava com 133 mil km...). Sem falar que era meio gastão, não passando dos 8km por litro na cidade...

    troquei num 206 1.6 2004 com 80 mil km. Dei o palio e financiei 10 mil, em 24x 529. Vai dar uns 2600 de juros.

    Parando pra pensar, qualquer manutenção a mais e eu quase chegaria a esses dois mil, e eu queria "subir na vida": Tava cansado de carro 1.0, não muito completo. O 206 é completão.

    Passado um tempinho do brique, penso que talvez até poderia ter pego um carro 1.0 mais novinho, pois o 206 apresentou probleminhas ( nada de grave e todos resolvidos pela revenda)... mas ai me fraguei que posso ter que sair gastando em manutenção.

    Então, dá pra financiar carro? sim, mas não em qualquer lugar... por exemplo, se fosse pegar um zero, 1.0 completo, em suma eu entregaria meu palio e pagaria as prestações, sendo que estas dariam o valor do carro a vista... ou seja, meu palio entraria pra pagar os juros...

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  8. Excelente post Alexandre,

    Sou também da opinião que é possível racionalizar a compra do carro e assumir prestações com juros, pesando o desejo, os sonhos e ilusões, principalmente quando há outros da família que procuramos satisfazer. Essa conta sai até barata.
    Valeu!

    Abraço
    Marco Aurélio

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  9. É isso mesmo AC, minha filha fez o mesmo, saiu de uma Parati 98 com 190k e pegou uma Montana 07 com 28K km. Financiou em 48x e fez um bom negocio. Mas o AD não deixa de estar certo por se tratar de outra situação. Ótimo post. Grato

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  10. "Melhor pagar uns jurinhos, de forma consciente"
    O ponto todo é essa palavra, "consciente"!
    Juros e financimentos podem sim ser uma boa alternativa, desde que bem pesado de acordo com suas possibilidades. Compra consciente é bom negócio, assim como o combinado não sai caro.
    O fogo é comprar no impulso porque ganhou "tanque cheio, insulfim e tapetinho".

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  11. Eu não dou "bola" pra estas contas de jeito nenhum. Salvo quando se compra um bem que irá lhe gerar renda, como uma máquina industrial, ou um caminhão, por exemplo, financiamento pra mim é um atraso de vida.
    Já que o carro será trocado de qualquer jeito, não seria mais inteligente entrar num consórcio e fugir das taxas de juros?...

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  12. outro bom artigo sobre o assunto!

    http://mises.org.br/Article.aspx?id=961

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  13. Tô com o Galo Cego...
    Outra, se você já tem o carro, melhor ir juntando o dinheiro enquanto não precisa trocar. E outra: Seguindo o plano de manutenção do fabricante, o custo da manutenção é baixo.
    Achei suas contas simples demais, talvez pra tentar ocultar o fato de que financiamento, só em raros casos é que realmente é uma vantagem?

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  14. Nunca pensei que fosse dar razão a alguuém que se autodenomina "Dono do Cocô", porém, o comentarista está absolutamente certo.... Tabém sou da opinião de "furar o zóio" ou "chutar as canelas" de alguém que comprou um carro "0KM" e não aguentou pagar as prestações. É só pegar o "carnê" (geralmente tão frosso quanto um travesseiro ou um feixe de molas) e pedir para msimularem o valaor para quitação antecipada. Geralmente, o valor do desconto para pronto pagamento é bom. O deságio na compra daquele financiou mais o deságio pela quitação antecipada, geralmente, o valor paga uma no de seguro/transferência e às vezes IPVA do carro adquirido. Afinal, é assim que as lojas tradicionais e muitas concessionárias sobrevivem... ou não? Lembrem-se: a alegria de uns é a tristeza de outros...

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  15. Super Vegeta!27/04/11 15:14

    Ah ah ah...Dr. Gori, suas ponderações são bem engraçadas!
    Mas cuidado...!...Suas ambições perante a fraqueza alheia podem despertar a fúria de Kenji e seus amigos "dominantes", rendendo-lhe uma saraivada de "spectreflashs" multicoloridos!!
    Ps.: Desculpem o surto repentino, mas eu não resisti...

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  16. Prefiro muito mais comprar um carro médio completo com alguns anos de uso do que um popular 0km, claro que vc vai ter algum gasto com manutenção, mas nada que supere o prazer de dirigir um carro de verdade, pois carro pra mim é muito mais do que me levar do ponto A ao ponto B... E quanto a financiar carro eu acho uma furada, se eu não tem dinheiro pra comprar a vista, simplesmente não compro, espero um pouco...

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  17. O problema de comprar um carro seminovo hj é que os juros estão bem mais altos que os do 0km, foram que no 0km as vezes consegue-se taxas promocionais nos bancos das montadoras. O banco GM mesmo sempre tem taxa especial para alguns modelos.

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  18. Bruno, a questão aqui são os juros ao se financiar um valor, e não sobre o velho e batido papo "0km mais simples x usado mais completo".

    Afinal de contas, se o cara não tem 30 mil pra dar num carro zero, também não tem 30 mil pra dar num usado.

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  19. Caro Super Vegeta!... nada como o bom humor para levar nossas vidas em frente com mais alegria... com mais entusiasmo... Na sua "crítica" ao meu comentário, só faltou citar o KARAS... e a "luta" para conquitar o planeta TERRA!!! (quem é dessa época acho que consegue imaginar os gestos estranhos dessa dupla... kkkkkkkkk). Abraços!! スペクトルマン

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  20. super Vegeta!27/04/11 18:42

    Ha ha ha...sim, faltou o Karas!!!
    Rapaz, como eu adorava aquela série...aqueles monstros medonhos e suas roupas de borracha que derretiam com o calor do estúdio...isto pra não falar dos jipinhos que eles usavam ( já que o blog é sobre carros...)
    "Às ordens" pra você, caro Dr.!
    E um grande abraço também...

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  21. Thales SR a questão é que justamente sobre EDUCAÇÃO FINANCEIRA... Eu evito ao máximo fazer dívidas, se eu não tiver condições de pagar R$ 30 mil dinheiros à vista num carro seja novo ou usado, simplesmente não compro, pq eu acho que o dinheiro tá tão díficl pra ganhar, mas na hora de gastar... E tem outra, qdo vc tem dinheiro na mão vc pode arrumar um bom desconto, principalmente qdo se compra um seminovo de um particular que tá endividado... Ah e eu prefiro mesmo um bom carro com alguns anos de uso do que um "pelado fedendo a cola e plástico", fazer o que se tem gente que gosta de cheirinho de carro novo...

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  22. Galo,

    os consórcios tem taxa de administração, muitas vezes acima de 15% do valor do bem. E nenhuma garantia de levar o carro logo. É um pouco jogo de sorte, se tira logo, paga em parcelas com pouco acréscimo. Se vai demorar para tirar o carro, melhor juntar e ganhar juros no lugar de pagar a taxa.

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  23. Bruno,

    justamente porque hoje está mais fácil comprar o zero é que existem os usados de categoria superior a bons preços. O cara que tem 50 mil não vai pagar isso em um Civic 2007 (salvo carro de conhecido), porque com uma parcelinha mensal compra um zerado. É relativamente pouco grana e facilitada para você deixar de comprar um carro de 4 anos (e sabe-se lá quantos buracos no caminho) e comprar um novinho. Já um 2009 com 20 mil rodados pelos mesmos 50 mil já fica interessante.

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  24. Marcelo R,

    sabe onde os juros, apesar de altos, não são percebidos ? Nas motos. Uma 125/150 pode ser comprada em 48 parcelas de menos de 200 pratas. Paga quase duas motos no final, mas na prática significa o cara pegar a grana da passagem e financiar a moto mesmo com juros altos, e ficar livre de um buzão cheio e demorado.

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  25. Anônimo das 9:45,

    sim, com esposa, mais dois filhos e sogra. Andamos em 6 com alguma frequência.

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  26. O Mille é um exemplo de carro que veio melhorando com o tempo(???)

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  27. Para ilustrar o raciocínio do proprietário das fezes e do Dr. Gori, vulgo macaca loira (rsrs), cito que minha esposa comprou há semanas um semivelho (2002) cujo número de prestações a vencer multiplicado pelo valor da prestação dá o preço do carro na tabela FIPE. Ou seja, todos os juros foram pagos pelo antigo proprietário. Ela só pagou um valor a mais (lucro da loja) + IPVA do ano e transferências (do carro e do financiamento) que deu uns 3 mil reais, bem menos do que os juros de um caro novo.

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  28. Alexandre,

    Dois anos de diferença podem pesar, mas nem sempre... Perquisando bem pode-se encontrar carros com 5 anos de uso muito integros. Eu ainda acho um New Civic um carro ainda caro no mercado de usados, apesar que já vi alguns por 38~40 mil de particulares, acho que isso depende mais do gosto de cada um. Não sei da onde eu aprendi a ser tão mão de vaca... Acho que deve ter sido observando o meu pai... ele trabalhou tanto pra conquistar o que tem. Eu dou muito valor a isso...

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  29. Diego Maciel Debesaitys28/04/11 00:41

    Embora eu não goste de financiamentos, acho que eles podem ser utilizados sim, racionalmente. Acabei de comprar um Celta dando cerca de 20% de entrada e o resto em 36x com taxa de 1,18% a.m. Vou pagar um pouco de juros, mas melhor que ficar sem carro!

    AC,
    O que está achando da Zafira? Aqui em casa tivemos duas, uma 2001 8v e outra CD 2002 8v, as duas com câmbio manual. Gostávamos muito delas: nada melhor que lotar ela com a família/amigos e sair para viajar, embora tenha a suspensão um pouco dura.
    Em maio do ano passado vendemos a Zafira 2002 e até fechamos negócio numa igual a tua da foto: Expression prata 2010, mas deu problema na negociação e a cancelamos. No fim, compramos um Corolla GLi Automático. Outro bom carro, mas temos saudades do espaço da Zafira...

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  30. AC,

    Não é só nas motos, não. Vai nas Casas Bahia, por exemplo, e você verá o mesmo absurdo para se comprar um fogão, uma geladeira, etc, etc...

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  31. R$2.500 por ano de manutenção em um Siena 1.0 2007 com 60 mil km tirado zero??? Cálculo hiper inflacionado! Meu Marea 2001, que tem manutenção obviamente mais cara, não gasta isso.

    A diferença entre o Siena 1.0 2007 de R$20 mil e um Siena pé-de-boi zero de R$30 mil não é de R$10 mil reais. è preciso colocar nessa conta gastos com IPVA, licenciamento e emplacamento - fora gastos quase obrigatórios como protetor de cárter, tapetes de borracha e um toca-CDs. Só nessses gastos extras já há dinheiro para 4 sapatos novos e para a revisão de 60 mil km do 2007.
    Outro ponto a ser observado: se ambos os Siena tiverem opcionais desejáveis como direção e ar, aí que adistância de preço entre os dois aumenta mesmo...

    Tudo isso pra observar: quando alguém quer trocar de carro, tendo necessidade ou não, tendo dinheiro ou não, sempre irá arrumar um motivo "racional e lógico" para fazer o melhor negócio do mundo - mesmo que envolva alguns anos e um carnê a 2% ao mês...

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  32. Dependendo do uso que se faz do carro, vale sim pagar um certo valor de juros e comprar um carro novo parcialmente financiado. Em geral, lá pelos 60.000 km é que começam a aparecer os gastos mais caros de manutenção (pneus, freios, suspensão, embreagem e por aí vai...)

    Porém, no meu caso, financiamento acima de 24 meses é de lascar, não tenho paciência de ficar pagando o carnezinho por muito tempo, nem que tenha conseguido juros camaradas...

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  33. Anônimo (27/04/11 20:09), macaca loira doeu... foi direto na "canela" pra não dizer coisa pior.... De qualquer maneira, "semi-velho" foi ótima... Quanto ao conteúdo do seu comentário, é isso aí.... Não há nada de desonesto adquirir o carro de alguém que deu o passo maior que a perna. Como vc disse, muita vez, o vendedor já pagou os juros e agora o carro em si começaa a ser pago parceladamente e, em prestações justas... A vida é feita de oportunidades. Aproveitemos. Abraços.

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