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26 de abril de 2011

O AVÔ DAS CAIXAS AUTOMATIZADAS




Lembrando o assunto dos câmbios automatizados, vale contar um pouco dos primórdios da tecnologia das trocas de marchas sem a total interferência do motorista.

Como foi comentado aqui sobre as caixas automatizadas do Idea e do Meriva, o sistema basicamente é uma caixa convencional com o acionamento das hastes de comando da troca de marcha feito por meios indiretos ao motorista.


Propaganda da Arsmstrong Siddeley com caixa Wilson, 1928



Nos anos 1930 em especial, um sistema chamado de pré-seletor fazia a função do automatizado. O princípio era similar, mas mecanicamente diferente. A caixa era composta de engrenamentos do tipo epicicloidal (satélites e planetárias) como em uma caixa automática convencional. O sistema de seleção das marchas era feito por meio de um seletor comandado pelo motorista, que deixava a próxima marcha selecionada, mas esta só entrava em ação após um outro comando do motorista.


Delahaye 135MS F&F equipado com caixa Cotal

Alguns dos mais famosos carros a utilizar este sistema foram os Delahaye, Cord, Talbot, Maybach e Armstrong Siddeley. No caso do Delahaye, por exemplo, um dos mais requintados fabricantes europeus dos anos 1930, a pré-seleção era feita por uma pequena alavanca ao lado do volante, como se fosse uma miniatura de alavanca de troca. Após a marcha selecionada, o motorista pisava e soltava um pedal que dava o comando para a marcha ser acionada.

Sistema de atuadores de seleção da caixa Wilson

A vantagem deste sistema é que não era preciso habilidade para operar as pesadas e manhosas alavancas de troca de marcha. O motorista apenas movia com o dedo o seletor e pisava no pedal. Justamente esse era o slogan dos carros equipados com este tipo de câmbio, a suavidade e facilidade de uso.

Existiram muitos modelos destas caixas, entre as mais reconhecidas temos a Cotal dos Delahaye e a Wilson. Em diversos modelos, a embreagem era utilizada para iniciar o movimento e parar o carro, e em outros casos, era de acionamento independente do motorista.



O conjunto de seleção consiste em um sistema hidráulico de atuadores que libera e bloqueia o funcionamento de conjuntos de engrenamentos. A caixa era robusta e as trocas era rápidas, o que levou ao uso nas competições, como exemplares de Auto Union D, Talbot-Lago T26C e Bugatti 51.

Auto Union D

Interior do Bugatti T51

Este tipo de sistema não era barato, tampouco de fácil manutenção, o que o levou ao desuso em prol das caixas manuais e automáticas convencionais. Um charme que marcou época e foi a inspiração para desenvolvimentos futuros.



Vídeo de um Ford Vedette com câmbio pré-seletor

Fotos: superars.net, wikipedia, divulgação

MB

11 comentários:

  1. É interessante ver hoje como muitas tecnologias que existiram no passado pararam no tempo e foram reaproveitadas somente agora. O mesmo aconteceu com o carro elétrico, que só hoje estão voltando a serem fabricados.

    Ouvi dizer que esse o Câmbio dos Cords é bem robusto, mas a parte elétrica (relés) precisam ser atualizados para unidades modernas nos carros dos colecionadores.

    autoopinioes.blogspot.com

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  2. Alias esse tipo de caixa, de origem Cord foi aplicada nos 50 Tucker produzidos, já que a caixa automática de conversores de torque que Preston tinha idealizado inicialmente não se viabilizou. No blog Mahar Press tem até um vídeo demonstrando a utilização desse Câmbio num Tucker 48.

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  3. As ideias sempre existiram, mas faltava avanços na metalurgia e na eletrônica.

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  4. uma duvida:as marchas eram sincronizadas?nao arranhava?

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  5. Pô, Milton, tatanagem... O seu post foi como mostrar o doce para a criança e depois guardar... Fiquei curioso para saber maiores detalhes dessas caixas pré-seletivas. Tem algum lugar onde possa encontrar maiores detalhes do mecanismo? Ou tem como "rolar" um post mais detalhado sobre o assunto?

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  6. Esqueci de comentar: coisa linda o ronco desse Ford Vedette, hein?

    Sou somente eu quem tem (muitos) parafusos a menos na cachola, ou mais alguém acha bacana o ruído característico das transmissões antigas?

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  7. Roberto Dallabarba26/04/11 22:46

    Esse sistema de transmissão parece um semi automático de hoje.
    Aquele Delahaye, é uma obra de arte. Embora se assemelhe a um Peugeot 202, é bem mais estiloso.
    Post muito interessante, mas achei que faltou um esquema mais detalalhado do sistema.
    Abs

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  8. Em breve um post mais técnico sobre o assunto, este foi mais pelo lado da curiosidade e "puxando o gancho" do assunto de transmissões.
    abs.

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  9. Ary, não arranhava pelo tipo do sistema de seleção de marcha.
    abs

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  10. Esse sistema ainda é usado no dia de hoje nos ônibus rodoviários da Scania, aonde ele é chamado de "confort Shift". Funciona dessa mesma forma: O motorista pré-seleciona a marcha, mas o cambio só efetua a troca quando o condutor pisa na embreagem. Já prestei atenção no funcionamento e achei muito interessante. Inclusive esse sistema é motivo de muitos elogios por parte dos motoristas.
    Abraço

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  11. Ary
    Complementando o Milton: como foi dito, a caixa Wilson/Cotal usava conjuntos de engrenagens epicicloidais("planetarias"),como as automaticas de hoje.O"engrenamento" de cada relação é comandada apenas pela frenagem da coroa do conjunto planetario selecionado,através de uma cinta perimetral, por sua vez acionada por atuador hidraulico.Não rem como "arranhar". O sistema de pré-seleção (um conjunto de eletrovalvulas)permite q. apenas um atuador seja ativado por vez, evitando assim o "encavalamento", q. seria apenasmente desastroso.
    Dá para perceber que o conceito das automaticas atuais estava todo ali-o que se fez em sequência foi aplicar o desenvolvimento dos materiais e da tecnologia(conversores de torque , eletroeletrônica,etc

    Milton
    O assunto é fascinante,espero q. volte à mesa ASAP
    Abs

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