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9 de maio de 2011

BRAÇOS RETESADOS AO DIRIGIR: EVITAR

Foto: california.inetgiant.com


Vê-se comumente nos comerciais de tevê e no dia a dia no trafego: motoristas com os braços muito esticados, sentados longe demais do volante. Nota-se essa hábito principalmente entre os mais jovens. Contrariam, assim, um dos pressupostos para se dirigir não só bem, mas sobretudo com segurança.

Não dá para precisar muito bem quando começou esse hábito, mas imagino que tenha sido no começo dos anos 1960 e advindo, por incrível que pareça, da Fórmula 1. Fotos e filmes de carros de corrida monopostos dos anos 1920 e 1930 mostram o piloto sentado bem próximo ao volante e com os braços muito flexionados. O motivo era a direção geralmente pesada, comprovado pelo grande diâmetro dos volantes de direção. Dessa época até os anos 1960 os carros tinham configuração de motor dianteiro e tração traseira, com exceção do Auto Union P-Wagen de motor central-traseiro.
Tazio Nuvolari com um Maserati de grand prix (gptotal.com.br)


Quando Charles Cooper e seu filho John começaram a fabricar na Inglaterra monopostos de Fórmula 3 de 500 cm³ com motor central-traseiro, abriu-se novo caminho para carros de corrida. A partir dos anos 1950 ocorreu uma revolução nos carros de competição que chegou até mesmo ao templo sagrado de Indianápolis. Com o volante mais leve os projetistas puderam afastar o piloto e também deixá-lo com as costas mais inclinadas, com a vantagem de reduzir o arrasto aerodinâmico.

 Duas eras, motor dianteiro e motor central-traseiro (fotos arquivo pessoal Rex Parker)

 Hoje todo carro de corrida, exceto os da categoria Turismo e alguns grã-turismos, entre esses o inglês Ginetta G40 e G50 desenhado pelo brasileiro Marcos Lameirão, têm motor central-traseiro.

A posição chegou ao dia a dia dos motoristas e virou sinônimo de bom piloto/bom motorista dirigir afastado do volante, braços retesados, o que é totalmente impróprio.

O motivo de ser impróprio é, com os braços esticados, ser preciso usar os músculos deltóides  da costas mais que os dos braços e antebraços, produzindo fadiga desnecessariamente e dificultando o girar suave e preciso do volante. Nos carros sem assistência de direção é preciso tirar as costas do encosto para poder virar o volante.

Outro problema de braços esticados como o do motorista a foto de abertura é o cansaço, pois preciso esforço para mantê-los assim. Observe como os fios de uma rede de transmissão de energia eletrica mostram uma curva, que é chamada catenária. É assim porque para manter os fios retos seria necessária uma estrutrura de torres descomunal, inviável. Com os braços é igual.

Fios de alta tensão formam catenárias (alagoastempo.com.br)


Olhe para o desenho abaixo, que indica o quanto os braços devem estar flexionados.


Bom exemplo de posição correta de dirigir (honda.com)

Esse é o limite e cabe se aproximar do volante e deixar os braços um pouco mais flexionados. Quando o carro for equipado com bolsas infláveis, a distância entre o volante e o rosto deve ser entre 25 e 30 centímetros. Leve isso em conta ao determinar a sua posição de dirigir. Muito perto da bolsa pode provocar ferimentos no rosto, enquanto muito afastado torna sua ação inócua.

Pequenos detalhes como este, ao dirigir, fazem toda diferença.

BS

28 comentários:

  1. Bob,
    excelente tema, e basta vermos pilotos de rali e de fórmula, hoje, além de Nascar, para perceber o quanto é errado dirigir com braços esticados.
    Quanto ao air-bag, lembro que o antebraço nunca deve estar cruzado sobre o volante, sob risco de, em caso de acionamento, o próprio braço ser esmagado e/ou bater no rosto.

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  2. E não é só o problema do cansaço que afeta os motoristas.

    Experimente sentar na posição com os braços esticados e tende fazer uma volta grande no volante. Em determinado ponto, os braços travam-se mutuamente e fica impossível realizar a manobra.

    Com os braços flexionados corretamente, dá pra fazer uma manobra ainda mais acentuada no volante sem tirar as mãos do lugar. Os braços não travam.

    Quando sento ao volante e vou regular o carro para mim, sempre confiro se, com as costas apoiadas no encosto do banco, meus pulsos articulam exatamente no topo do volante.
    É a medida correta do ajuste para a flexão dos meus braços.

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  3. Só que também é necessário evitar o oposto. Muitos motoristas (na maioria mulheres) dirijem com o volante colado no peito, literalmente, e assim perdem agilidade.

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  4. Lembro-me de há muitos anos ter lido na Quatro Rodas uma dica de como ajustar a posição de dirigir.

    Para regular a distância correta do banco, a ponta do seu pé (não os dedos, mas a ponta abaixo deles) tinha que conseguir pressionar a embreagem até o final com a parte inferior da coxa encostando no assento, ou seja, esticando moderadamente a perna você deveria poder apertar a embreagem até o fim.

    Já a medida do encosto era que, com as costas totalmente apoiadas no banco, ao colocar ambas as mãos juntas no topo do volante, os braços deveriam ficar levemente arqueados, com o cotovelo formando um ângulo próximo, porém inferior a 180°.

    Sempre segui esta medida e considero que a posição em que dirijo é bem confortável, sem contorcionismos para apertar a embreagem e nem braços esticados.

    No meu carro atual, que é automático, substituí a "medida" da embreagem por apertar o acelerador até o fim de seu curso com a perna moderadamente esticada.

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  5. Excelente Bob!

    "Filmes" como velozes e furiosos atrapalham ainda mais...a mão esquerda - braço esticado - no topo do volante e a direita na alavanca de câmbio o tempo todo; muito "furioso" (sic, sic)...

    Eu uso uma dica de Altonnen (não sei se a grafia é exata) dos rally: pé direito acionando toda a embreagem para ter uma posição mais adequada para dirigir, acho que funciona até bastante bem.

    Mas o trabalho de acomodação fica muito facilitado com colunas de direção ajustáveis em distância também, algo que - infelizmente - ainda é meio raro nos carros médios brasileiros.

    O Focus é bastante bom nesse quesito, já o Celta por exemplo, te joga na cara que ergonomia é matéria batida na construção de carros modestos ...ao menos na GMB.

    Mister Fórmula Finesse

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  6. Anônimo,

    O Celta parece que foi feito com um único objetivo: ser o mais barato possível, dentro do mínimos dos mínimos exigido pela legislação pra poder se vender um carro.

    Mas a vinda dos chineses vai acabar com essa festa da GMB, pois eles desde a versão mais simples já incorporam itens que aqui são vendidos a peso de outro pelas "nacionais" e que eu considero com básicos nos dias de hoje: Direção hidráulica, ar-condicionado, ABS e air-bags. Itens que, se colocados num carro "nacional", podem aumentar seu preço em quase 10 mil reais.

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  7. Aqui em Belo Horizonte, os boyzinhos adoram colocar o encosto do banco ainda mais atrás, deixando o braço esticado e as costas curvadas.

    Chega a ser ridículo.

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  8. Rodrigo Barreto09/05/11 17:23

    O Celta é tão ruim, mas tão ruim que o slogan de lançamento dele era: "O melhor carro que VOCÊ já fez!" Ou seja: Nem a GM quis assumir a paternidade dele!

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  9. Alessio Marinho09/05/11 17:33

    Lembro dos Fiat Tipo que meu pai teve. Em estrada meus braços doíam de tanto que ficavam retesados, pois o volante era muito afastado. Usava o banco na última posição do assento, para acomodar as pernas.
    Essa mesma época também tinhamos um Opala 4p, cujo efeito era o inverso: braços e pernas flexionados, estes últimos de forma desconfortável.
    Depois dessa maratona toda, primeira coisa que avalio num carro é a posição e o conforto ao guiar.

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  10. Algumas posições, apesar de corretas ou ideais, sao proibitivas em alguns carros. Para quem tem 1,80m não consegue dirigir a meio curso do trilho do banco nos Ford (Fiesta e EcoSport). Fiz uma viagem SP-Belizonte e meu joelho virou uma pelota de capotão. Mas nem com Kamasutra...

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  11. "Quando sento ao volante e vou regular o carro para mim, sempre confiro se, com as costas apoiadas no encosto do banco, meus pulsos articulam exatamente no topo do volante.
    É a medida correta do ajuste para a flexão dos meus braços."

    Corretíssimo!

    Tbm faço isso.

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  12. Caio Cavalcante09/05/11 18:23

    Bob,

    Aproveitando o tema, você poderia escrever sobre a diferença típica entre posições de bancos e comandos em carros de nacionalidades distintas? O comentário do Alessio sobre a posição à italiana do Tipo me deu essa idéia.

    Grande abraço

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  13. Lembro quando o mineiro aí de cima fez um vídeo só pra rebater o do Bob, em posição de dirigir e uso da seta. Volta pro NA!

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  14. Marcelo Junji09/05/11 19:43

    Sempre que alguém senta no meu carro, fazem cara de espanto.Só porque eu dirijo com o banco mais na vertical.
    Se meu carro tivesse regulagem de distância do volante, aí sim eu dirigiria na posição "normal" deles.

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  15. Anônimo 09/05/11 19:32

    Mas o Alexandre High Torque é assim msm.

    A verdade dele sempre tem q imperar.

    Deve ser porisso q foi chutado do Clube do Palio, Preparados e etc.

    Coisas de kem sabe tudo...

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  16. Esse jeito de dirigir que o ADG High Torque comentou é bem comum: direção regulada no máximo pra dentro do painel e encosto do banco inclinado uns 40 graus pra trás... e o braço esquerdo e o pescoção esticados pra frente... Bom, e também tem os que botam o braço pra fora e nas esquinas fica virando o volante com a palma da mão aberta (estilo "lixa-assoalho" do Karatê Kid)

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  17. Pisca,

    e ele está certo.

    Pelo jeito a carapuça serviu e doeu, hein?

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  18. terroristadefolga

    O meu comentário foi c/ relação ao fato dele ter feito um video p/ rebater o Bob.

    Pelo jeito vc faltou às aulas de interpretação de texto, hein?

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  19. nas ruas eu vejo o 8 ou 80: o "boy" todo esticado dirigindo, com o banco quase deitado e "velhinha" dirigindo com o queixo em cima do volante e o banco mais próximo possível. é engraçado, pelo menos.

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  20. Bob, meu método para definir a distância que fico do volante é por as mãos na posição 3 e 15 e simular um giro de 180º no volante. Se os braços conseguirem se cruzar naturalmente, estou confortável na parte de cima do corpo. Se eu conseguir apertar a embreagem até o final sem esticar completamente a perna, encontrei minha posição ideal de dirigir.
    Abraço!

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  21. Victor Lebre09/05/11 21:32

    Você, Bob Sharp, e os demais são brilhantes. Adoro ler este blog.

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  22. Clésio Luiz09/05/11 23:23

    Eu tenho a impressão que algumas mulheres dirigem muito próximo do volante por 2 motivos:


    - Como tem estatura mais baixa, elas tem dificuldade em alcançar a embreagem;

    - Algumas insistem em tentar ver onde a frente do carro está. Geralmente dá para notar isso no modo como esticam a cabeça na hora de estacionar, como se adiantasse alguma coisa.

    Uma coisa que eu acho interessante é que a maioria das pessoas de quem eu pego o carro dirigem com o banco mais para trás (apesar de o encosto estar em posição adequada), mesmo tendo estatura igual ou menor que a minha. As vezes tenho a impressão de ter as pernas mais curtas que os outros. Mas na verdade os outros acham normal espremer a coxa esquerda contra o assento para pressionar a embreagem.

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  23. E o que fazer com os bancos dos carros que não proporcionam uma acomodação adequada?! Não há ajuste que resolva.
    Tenho notado esse problema principalmente com alguns carros da GM como a Meriva e o Astra.

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  24. O banco ajustado na posicao correta tambem deixa todos os comandos ao alcance e sem esforco.E pela quantidade de pessoas q dirigem com os bracos e pernas esticados, isso pode responder o porque acontecem tantos acidentes por "perder o controle da direcao". Instalados na posicao incorreta, e mais dificil responder a algum imprevisto

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  25. No novo Ka não dá pra se ficar na posição correta...

    Ou se deixa os braços flexionados e as pernas, consequentemente, ficam tão flexionadas nos comandos que chega a gerar dor muscular depois de algum tempo...

    Ou se deixa as pernas confortáveis e os braços mais retesados.

    Entre a primeira e a segunda opção, preferi a segunda, pois não perdi tanto em dirigibilidade e ganhei em conforto.

    Da outra forma, dirigir mais de 30 min direto se tornava um martírio.

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  26. O Brasil anda mesmo na contra mão. Aqui há motoristas que reclinam o banco totalmente e dirigem desencostados. Um perigo no caso de acidente, o mergulho por baixo do cinto é quase certo.

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  27. E impressão minha ou é o Mano Menezes aí na foto de cima?

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  28. kkkkk... tive a mesma impressão... Deve ser o fdp mesmo... kkkkk

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