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19 de maio de 2011

A MÁQUINA QUASE HUMANA

O automóvel está enraizado nas nossas vidas e no nosso futuro, é inegável e irreversível. Por maiores que sejam as evoluções técnicas e visuais, estarão sempre no nosso dia a dia. Desde os tempos de sua invenção, a base do automóvel não mudou muito. Um chassis ou monobloco para servir de estrutura, bancos para os passageiros se acomodarem e comandar o carro, rodas e pneus para se movimentar e um motor para propulsão.

O fundador da Jaguar, Sir William Lyons (1901-1985) certa vez disse algo a ser refletir. "O automóvel é o mais próximo de algo vivo que podemos criar", e com as tecnologias de hoje, esta afirmação está cada vez mais verdadeira.

Se pensarmos em um robô realista, como o ASIMO da Honda, fora a aparência e disposição dos seus componentes, ele não é muito diferente de um braço mecânico de uma linha de montagem junto com um computador que processa informações de equilíbrio (sem desmerecer o trabalho da Honda, pois este tipo de controle é extremamente complexo e avançado). Há movimentos de braços e pernas robóticas que se assemelham aos nossos, mas não passa disso.
 
Um carro, pensando nos tempos do Lyons, possui uma estrutura que é seu esqueleto. O chassi sustenta todos os componentes, protege seus sistemas internos e permite os movimentos dos membros, no caso os braços de suspensão e toda parte de amortecimento.
As rótulas da suspensão atuam exatamente como nossas articulações, fora o fato de que no corpo humano, o movimento podemos dizer que é "ativo", com os músculos e tendões movimentando os membros, enquanto que no carro, o movimento é passivo, com as entradas de força do piso. Mas ainda assim os amortecedores e molas atuam de forma similar.

O interior protegido dentro do esqueleto comanda todo o organismo, por meio das ações do motorista e atualmente pela eletrônica embarcada. É o cérebro do carro, que pensa e reage rapidamente para todas as situações.


O motor é o que mais representa a afirmação de Lyons, pois funciona como um próprio ser vivo. Ar é admitido, filtrado e direcionado para o motor poder respirar, é necessário para a sobrevivência da chama interna juntamente com o combustível que supre o motor de energia. química a ser convertida em energia mecânica. O alimento do motor flui por dutos específicos ao longo do carro, como se fossem veias e artérias. Esta combinação faz o conjunto "pulsar", com um perfeito sistema de válvulas de controle, cada vez mais rápido dependendo da demanda de energia. Esta energia é liberada para os membros responsáveis pelos movimentos, sempre vigiados pelo centro nervoso.

Até mesmo o design dos automóveis lembra formas humanas, perfeitamente demonstrado pelas expressões da dianteira dos carros, com modelos mais "nervosos", outros mais "amigáveis".

Acredito que Sir William também não deixou de lado a mais importante das características quando disse a frase do começo do texto, a alma que todos carregam consigo. Seus Jaguares tinham isso guardado no fundo de seu ser, e lhes dava também o carater, ou personalidade, outro aspecto diferenciado entre os automóveis, mas que infelizmente está ficando mais e mais escondido no meio da massificação e interesses comerciais. Quem sabe ele ainda não está certo e veremos de volta esta marca distinta que define os seres?


Sir William Lyons e o Jaguar E-Type


MB

15 comentários:

  1. Ronaldo Nazário19/05/11 16:04

    Máquina quase humana... humpf...

    Então eu quero o bingolinho dele!!!!!

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  2. Esse aí fez uso de DORGAS PESADAS..

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  3. Didi Mocó19/05/11 16:41

    Assim como são as pessoas, também são as criaturas...

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  4. Eu não diria que o carro é quase humano, embora realmente, no sentido de organismo, ele é como um animal.

    Talvez isso explique tamanha paixão de nós homens pelos automóveis, pois isso remete à relação entre o homem e seu "animal de montaria" (cavalo, etc), algo que existe desde a pré-história.

    Outra sensação que o automóvel pode proporcionar é o de estar "vestindo" , ou "incorporando" uma máquina. Como os japoneses com seus filmes sobre pilotar robôs gigantes (mechas), ao dirigir um automóvel também nós estamos assumindo as dimensões corporais da máquina como sendo as nossas, naquele momento.

    Claro que nada disso faz sentido para aquelas pessoas para as quais o carro é apenas um "meio de condução".

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  5. Acho que automóvel, junto com a motocicleta, são as máquinas que transmitem mais sensações ao seu operador. Nunca pilotei um avião ou um helicóptero, mas mesmo assim acho que o automóvel se comunica mais com a gente.

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  6. eu sempre falo pra minha mulher que o carro é a extensão do meu corpo, principalmente em manobras mais apertadas

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  7. A analogia pode até ser válida, mas na minha humilde opinião, qualquer máquina feita por humanos está ANOS-LUZ distante da complexidade que é o corpo humano.

    Renan Veronezzi

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  8. Existem comparações engraçadas que são feitas entre humanos e automóveis... tipo "to cortando giro", "ba, ontem passei de giro", "aquele ali colou o platinado", "hoje vou trocar o óleo", "to só na meia luz hoje", "to batendo pino só de pensar nessa prova"... extensamente usadas por mim no dia-a-dia. ehehe

    abraço

    GiovanniF

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  9. Eita já que vamos comparar carros com gente ..

    Ontem falei pra patroa: vire esse escape pra cá que meu cardã tá no ponto...RS

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  10. Johnconnor(old rocker)20/05/11 11:48

    Além de quase humanos eu diria mais,diria que veiculos tem até sexos distintos.Quem ao ver esse XKE da foto ainda tem alguma duvida de que é uma femea? Observem as curvas,as linhas perfeitamente proporcionadas,a disposição para a diversão.Dá quase pra ouvir ela dizendo"e ai garotão,quer dar uma volta comigo?vou cuidar bem de vc".
    Mais uma dose,é claro q eu tô a fim..........shuashuashuashuashuashuashua

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  11. Zé da Silva20/05/11 14:32

    Um post tão inteligente quanto interessante, uma lástima que "alguns " comentários fossem de um péssimo gosto !

    ResponderExcluir
  12. Zé da Silva20/05/11 14:32

    Um post tão inteligente quanto interessante, uma lástima que "alguns " comentários fossem de um péssimo gosto !

    ResponderExcluir
  13. Milton,

    O pessoal comenta aqui no AE a falta no mercado de um hatch nervoso, tipo Corsa GSI, Ka XR, Gol GTi.

    Segue abaixo um texto extraído da Revista 4R.

    o Gol que fazia bater forte os corações nos anos 1980 era o GT, versão esportiva lançada em 1984, com motor 1.8 de 99 cv, refrigerado a água, do então recém-lançado Santana. Quando ganhou pára-choques envolventes e lanternas maiores, em 1987, ano em que o Gol assumiu a liderança de mercado que mantém até hoje, o esportivo passou a se chamar GTS. Mas foi no Salão do Automóvel de 1988 que o Gol alcançaria a maturidade esportiva. Mesmo sem tirar o GTS de linha, o Gol GTi, primeiro nacional equipado com injeção eletrônica – a Bosch LE-Jetronic –, roubou a cena.

    Dois processadores controlavam a distribuição do combustível nos cilindros, conforme as condições do ambiente e o modo de dirigir do motorista, e o momento certo para a vela produzir a centelha. Dos 99 cv e 14,9 mkgf do GTS, o Gol passou a produzir 120 cv e 18,35 mkgf com o motor AP-2000 do GTi, o mesmo do Santana, mas já sem carburador.

    Fonte: Revista Quatro Rodas
    http://quatrorodas.abril.com.br/classicos/brasileiros/conteudo_296476.shtml

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  14. Explêndido! Achava que só eu possuia tal visão... Belo post!

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