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17 de maio de 2011

UM CARRINHO DE 5 REAIS




Há alguns dias, comprei uma miniatura da marca Hot Wheels do Pontiac GTO 1964. Difícil de encontrar, bem pintado, pesado, lindo. Um golpe de sorte realmente. Começou então, a fase de pesquisa sobre o carro, e a admiração pelo modelinho, com a certeza de que esse é mesmo de um carro especial.

O GTO é um carro com história importantíssima. Mais que isso, ele fez história, ao ser facilmente citado como o primeiro dos carros musculosos, aqueles que eram definidos por serem os menores de uma linha de produtos, com o motor mais potente disponível.

Apesar de existirem controvérsias, pois houveram antes outros carros com essa fórmula,  o GTO está na história do automóvel como sendo o muscle car  mais conhecido como sendo “o primeiro”, muito provavelmente pela grande divulgação que ocorreu, tanto pela GM, quanto pelas pessoas que tiveram o privilégio de nele andar.

Nasceu de um Pontiac Tempest com um pacote de opções para usar o mais potente motor da linha GM que poderia nele ser montado, o V-8 com 389 polegadas cúbicas, ou 6,4 litros. Gerava 329 cv a 4.800 rpm, alimentado por um carburador de quatro corpos, que todos conhecemos por quadrijet, mais conhecido dos americanos como four-barrel ou, abreviadamente, 4-bbl.

Um motor perfeito para ser tocado em um carro de tamanho contido para o País e época, com câmbio de 3 marchas de comando manual. O torque era de 59,2 mkgf a 3.200 rpm. A hélice do radiador era maior, de 18 polegadas de diâmetro e sete pás, para grande fluxo de ar. Embreagem reforçada para transmitir maior torque por mais tempo, ou seja, maior durabilidade.




Com esse motor, ia de 0 a 100 km/h em 7,7 segundos, chegando ao final do quarto de milha, 402,25 metros, em 15,8 segundos a 149 km/h.

Havia a opção de motor alimentado com 3 carburadores duplos, chamado de Tri-Power. Trazia 353 cv a 100 rpm a mais, porém, com o mesmo torque do motor de 24 cv a menos. Era montado junto com uma transmissão M21 de 4 marchas manuais, alavanca no assoalho. Com esse pacote, acelerava a 100 km/h em 6,6 segundos. E fazia o quarto de milha em 14,8 a 153 km/h.

Hoje não são números que assustem qualquer pessoa que conheça algo sobre carros, mas lembremos que o “outro” GTO, o Ferrari 250, fazia as mesmas provas em 6,1 e 13,5 segundos custando quase 6 vezes mais. E o chefe indígena usava pneus diagonais. Nada de radiais.



As suspensões tinham alterações para um comportamento mais firme, controlando melhor os movimentos da carroceria, em relação ao Tempest de que derivava, melhor para estradas do que para ruas. A principal delas eram amortecedores com válvulas mais restritivas, para conter os movimentos. A dianteira era o já usual subchassis transversal com braços inferiores em forma de “A”, muito similar a nossos Opalas, C-10 e todos seus derivados, como a D-20.

Mas a traseira, ao contrário da maioria dos carros americanos da época, não tinha feixe de molas elípticas. Era obviamente um eixo rígido, mas com molas helicoidais, e quatro braços de localização. A tração era superior aos carros com feixes de mola, não ocorrendo os saltos ou quicadas do eixo com facilidade.



Escapamentos duplos nada silenciosos, consumo alto com a redução final normal de 3,90 : 1, só melhorando se fosse o 3,08. O diferencial era de escorregamento limitado.

A Pontiac vendeu 32.450 carros nesse ano, contra a previsão de 5.000.

Ao olhar bem para a miniatura, e buscando fotos dos GTO 64 e posteriores,  fico pensando: por que raios os faróis foram “empilhados” já no ano seguinte, se eram tão melhores antes?

Contra absurdos de estilo nada podemos fazer, a não ser reclamar não comprando o carro. Mas em 1965, quando saiu o GTO com os pares de faróis um acima do outro, o público ainda estava extasiado pelo desempenho do carro, e pelo preço acessível. Perdoável aceitar algo visualmente inferior quando a situação geral era essa. Custava, arredondando, US$ 2.800. Um Corvette estava por volta de US$ 4.300.



Desde o lançamento como modelo 1964, vinha em duas portas hard top e conversível, além do sports coupe, que tinha coluna B (central) fixa. Pequena e sutil diferença esta, de ter ou não a coluna B. Provavelmente jamais entenderei os motivos que levaram empresas a fazer carros completamente iguais, apenas diferenciados em ter ou não a coluna B, e o quadro dos vidros na porta. Para durabilidade da máquina de vidro, das borrachas e para evitar ruídos com o passar do tempo, sempre é melhor o vidro correndo dentro de um quadro, mas sem ele, claro que o carro fica mais bonito e com aparência mais leve.

Para quem até hoje chama os carros americanos da década de 60 de banheiras ou barcas, lembremos que o GTO era ridiculamente leve para o que conhecemos hoje. Pesava 3.000 lbs ou 1362 kg, O Ferrari GTO, com toda a tecnologia de uma fábrica de carros de corrida, muito alumínio e apenas 2 lugares, pesava 1.100 kg. Diferença considerável, típica de carro de rua contra de pista. Mas se olharmos hoje, um Vectra hatch, que é bem menor, tem 1.283 kg, o que mostra que de barca o GTO nada tinha.

Esses fatos, mais o estilo dessa época, faz desses carros americanos dos anos 60 os meus absolutos preferidos de todos os tempos. Motores V-8 enormes e sonoros, carrocerias bonitas, grandes, largas. Simplicidade mecânica. Tudo isso junto é muito tocante para o meu gosto, muito mais que qualquer carro moderno, econômico, não poluidor, prático e ágil, daqueles que se dirige sem pensar.

Não era o caso desses carros, onde era necessário incorporá-los à alma para a correta apreciação. Sem contar que não há nada hoje, com o som de um V-8 carburado.


Sim, o GTO e os outros dessa época precisam ser pensados, controlados, manejados de uma forma mais cuidadosa que um pequeno carro, mas o prazer de condução de um carro desses é enorme. Até mesmo um Dodge nacional, com motor original, que não apresenta desempenho nem próximo de um GTO, é bastante agradável.

Me lembro de um Charger R/T 1973 que dirigi certa vez. Era um carro à venda, com muitos problemas de aparência como corrosão e amassados por toda carroceria, falta de alguns componentes de acabamento, mas que tinha um conjunto mecânico bastante sólido. Com cambio de 4 marchas de alavanca no assoalho, suspensão com amortecedores novos, todas as buchas novas, pivôs de direção sem folgas, freios também em ótimas condições. Uma volta de menos de 10 minutos foi suficiente para que nunca mais ele saísse de minha memória.

Até mesmo um velho Chevelle 1966 com motor 6 em linha, muito parecido com o de nosso Opala, é algo memorável. Estava em condição apenas razoável quando andei nele, mas é inesquecível.

Não há como aparecer algo mais particular que esses grandes carros americanos dos anos 60, por isso existe um grande número de pessoas que são absolutas entusiastas apenas desse tipo de carro. Muito compreeensível para quem já deu uma volta em um deles.

O GM Heritage Center, que já foi apresentado em um post há uns meses, tem alguns modelos de GTO, e esse vídeo aqui é bastante interessante, pois mostra dois modelos, um de 1964, o meu preferido, e um de 1969, quando o estilo da dianteira já era diferente e, a meu ver, pior e mais distante da intenção inicial de simplicidade dos muscle cars.

Muitas criações humanas são muito próximas da perfeição para serem alteradas tão brevemente. O Pontiac GTO de 1964 é uma dessas obras, simples, bonito e único.

Continuou sendo interessante com o passar do tempo, mas o 64 é o melhor, o primeiro.




JJ



18 comentários:

  1. Meu sonho essa pequena barca, qualquer hora trago um pra mim... sem minha mulher saber é claro!!

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  2. Felipe,
    que nada, leve ela passear e compre o carro "in loco".
    Fica mais familiar e com aval da patroa.
    Boa sorte. Quando trouxer, nos avise para o Paulo Keller fotografar. Ele é fissurado por um GTO.

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  3. JJ,
    Muito legal o post. Talvez sejamos da mesma geracao, sou de 66 e ainda guardo com muito carinho minha colecao de Matchbox (atual HotWheel). Eram dificeis de se achar e acredito que caros (meu pai me deu so alguns e em datas especiais como Aniversario e Natal.. A maioria comprado na Sears no bairro do Paraiso em SP. Hj la funciona o shp Paulista.
    Essa peq colecao foi decisiva para alimentar minha paixao por carros..
    Mantenho , com orgulho Iso Grifo , Ford Cortina , Ferari 250 Lusso , Ford GT40 , Porsche 910, entre outros..
    Acho que o autoentusiasmo de muito de nos comecou assim !

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  4. Que falta faz esta fórmula nos dias de hoje!
    Não consigo pensar em nenhum carro compacto com motor grande e preço razoável!

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  5. Soares,
    sou do mesmo ano, 1966, e também frequentava a Sears com meus pais. Era passeio de sábado a noite. Tenho alguns poucos carrinhos de quando era criança. Não tive muitos, e a maioria foi destruída pelo irmão mais novo.
    Mundo pequeno, amigo.

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  6. Corsário,
    o último carro de preço razoável com motor grande foi o Opala SL 6 cilindros. Lá por 1990, acho eu.

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  7. Excelente post.
    Sobre os carros "reais" com motor "grande", só posso dizer que me arrependo(muuuito) de ter me desfeito do meu Galaxie 1980 ano passado...

    Meus Opalas e caravans (infelizmente) eram 4cc , mas mesmo assim me faziam sorrir mais que os Golfs seguintes...

    Pelo menos ainda tenho uns 6 cilindros por aqui hehehe.


    Agora, sobre a miniatura, por coincidência também a comprei ontem e a que está aí na foto é a versão "t-hunt" (que é rara, vem uma por caixa de 72 unidades, isso durante UM MÊS especícifo, já que são 12 diferentes T-hunts por ano. Edit, agora em 2011 são 15) , mas tem esta mesma miniatura (pelos mesmos R$5,00) na versão "t-hunt-Super ou T-hunt$), que entre diferenças de pintura e tais, vem com pneus em borracha rodas bem mais proporcionais. Pena que é muito rara, coisa de 1 unidade a cada 10 caixas mais ou menos. Consegui encontrar hehehe.

    Links das duas versões (devidamente inflacionadas e NÂO sou o vendedor, só para ilustra, ok?)

    http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-180604589-hot-wheels-2011-t-hunt-64-pontiac-gto-rodas-borracha-_JM

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  8. Edit: 4cil e não 4cc. (maldita pressa me fez embarcar no erro).

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  9. JJ, deu sorte de achar um Treasure Hunt. Muito difícil achar em loja esses com a tarja verde do lado. Mais facil no mercado paralelo, na internet, encontros de carros antigos e miniaturas.

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  10. O nome GTO foi uma apropriação indébita feita pelo John Z.DeLorean. Não demorou muito para os consumidores americanos criarem um apelido carinhoso a partir dessas iniciais: "Goat" (bode).

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  11. Daniel San17/05/11 19:15

    Não é à toa que o John DeLorean ficou injuriado quando o Lee Iacocca foi escolhido para a capa da Time pelo lançamento do Mustang e DeLorean lhe perguntou:"Por que você,e não eu,que fiz o GTO?" Cá entre nós,ele tinha lá suas razões...

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  12. Johnconnor(old rocker)17/05/11 22:10

    Lindo t-hunt J.J. parabéns
    Eu tive muita sorte e consegui achar 3 super t-hunt desse GTO.Vendi um por R$50,00 no ML,fiquei com um e dei o outro pra minha filha que já é colecionadora desde cedo.Além do GTO ela também me "garfou" um ecto-1,um ford Torino Talladega(também super TH)e um Maverick Grabber.Agora estou no aguardo da brasilia que vai sair no segundo semestre,só que vou ter que esconder dela ou achar dois.Quanto ao GTO real,grande carro,percursor de um estilo.Na época de seu lançamento as más linguas diziam que a sigla GTO significava "Gás,Tires e Oil(gasolina,pneus e óleo)"que seriam as três coisas que um proprietário do modelo gastaria em quantidade ,quando na verdade a sigla GTO significa Gran Turismo Omologato.Façam mais matérias sobre Hot Wheels,adorei.

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  13. Mais uma bela obra do eterno John Z. Delorean. R.I.P


    ps: podiam fazer um post sobre esse polêmico mas com certeza AUTOENTUSIASTA John Delorean. E claro suas obras, principalmente o DMC 12, um dos carros mais bonitos que já ví!

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  14. JJ,

    Acho que se bobear nos trombamos algumas vezes na seção de brinquedos da Sears nesses sábados à noite...A gente ia muito na loja do paraíso e também da Água Branca, bons tempos...
    Saudades dos Matchbox, dos autoramas montados pra gente brincar enquanto nossos pais compravam coisas pra casa e mandavam equipar seus carros no Centro Automotivo, foi lá que o meu mandou colocar um jogo de rodas Mangels cromadas iguais às Rallye de Dodge com pneus diagonais mais largos, além dos TKR cara-preta...
    E bem lembrado sobre os Dodges nacionais, apesar de não terem a usina de força de um GTO eram (e continuam a ser) bem divertidos quando estão em ordem com sistemas de direção, suspensão e freios...O resto fica por conta da peça rara atrás do volante, rsrsrs !
    Abração da Turma do Sul !!!!

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  15. Prof. Pasquale Genérico19/05/11 22:07

    Belo post, mas por favor JJ. corrija o 3º paragráfo, pois não existe "houveram", e sim "houve", sem flexionar.

    Abs

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  16. Matchbox eram bem mais leais e mais bem acabados do que HotWeels. ainda tenho em casa uma caixinha com os meus arranhados carrinhos... Mas esse Pontiac aí tá muito bem feito heim?

    Alex-BH

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  17. Cantinho receitas da bisa,
    imagino o que você considere NÃO brega.
    Deve ser uma tristeza.....

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