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31 de julho de 2011

CADILLAC DTS: ANDEI NO ÚLTIMO ÍCONE DE LUXO DA GM

Painel bastante simples para um topo de linha

Ao planejar minha viagem de férias aos EUA, queria alugar um carro diferente dos "budget", diferente dos pony cars V-6 pelados, tinha de ser algo entusiástico. Puxei a opção dos premiums, as alternativas para seis dias começaram a se estreitar, locação de BMW Série 3 ou Mercedes Classe E custavam mais de duas vezes a do Cadillac DTS e não havia disponível, enquanto o Caddy estava lá, prontinho, me esperando.

Nunca havia dirigido um carro dessa marca antes. Talvez a primeira vez que entendi o que seja um Cadillac foi o impacto visual que um modelo Eldorado 1955 me causou rodando na Rodovia dos Bandeirantes, uns 6 metros de comprimento, capota baixada, belo clássico, e era a metade da década de 80.









Classe, sim, mas bonito?


Porta-malas não é gigante, mas é adequado para a proposta do DTS
O Brasil da época não permitia importação de veículos, "carros do estrangeiro" por aqui vieram ou antes das restrições, portanto não eram modelos novos, ou seguiam desembarcando via meios diplomáticos, em volumes a conta-gotas. Os cônsules, embaixadores e colegas do meio, em geral, traziam basicamente modelos de luxo, Mercedes, BMW ou esportivos Porsche. Cadillacs, Pontiacs e Buicks havia, mas em menor número.

Portanto, foi aí que se associou aos importados uma aura de exclusividade, modelos raros, caros, comprar seminovo de um cônsul, ou mesmo zero-km, no jeitinho, era um must. Evidente que os modelos nacionais não eram páreo, estavam alguns ou vários patamares abaixo. Entre os raros, Cadillac era mais raro ainda.

Havia lido recentemente o livro do Bob Lutz “Car Guys vs. Bean Counters”, onde ele relata os muitos erros que cometeram com as várias marcas da GM ao longo de décadas, Cadillac entre elas. Somando com a experiência de dirigi-lo por mais de 3.000 km, deu-me ânimo de postar algo a respeito.

Vamos ao que me intrigou primeiro:

Por que o preço de aquisição “MRSP” (preço de fábrica sugerudo de varejo, em inglês) do DTS, cerca de 47 mil dólares, mesmo patamar de seus concorrentes diretos - alemães BMW Serie 5, Mercedes Classe E e Audi A6, japoneses Lexus GS, Infinity M37, a lista é longa - todos oferecendo cerca de 300 cv, automáticos com seis marchas ou mais, e a locação do DTS estava essa barganha, menos da metade, se custava o mesmo?

O DTS tem configuração tração dianteira, 5,27 m de comprimento e nasceu sucessor do DeVille (DeVille Touring Sedan) dividindo o topo da gama Cadillac com o ligeiramente menor STS (de tração traseira), é a 12ª geração do sedã grande da marca. O primeiro sedã DeVille nasceu em 1956 e, nesses mais de 55 anos de história do modelo, natural que tenha sofrido uma série de transformações ao longo do tempo e que reserve pouco ou nada em comum com as primeiras gerações a não ser o nome. O DTS atual nasceu em 2005, mas os baixos volumes de venda acompanham o modelo há bem mais tempo, nem sombra dos anos de glória, onde ele mais sua variante cupê somavam vendas de mais de 200 mil unidades anuais, somente no mercado americano.

Será que o DTS tem algo de errado? Evidentemente, não. Análises são muitas vezes fundamentadas no relativo, no comparativo com seus pares, afinal disputam classes similares de compradores. Não achei o DTS bonito; classudo sim. Motor V-8 de 4,6 litros com 280 cv/40,8 mkgf vai muito bem, bancos, interior, acabamento compatíveis com sua classe. Não estava dotado de alguns opcionais interessantes, que agora sumiram da lista de opcionais. Isso mesmo, cortaram da lista o "Lane Departure Warning",  o "Adaptive Cruise Control", o "Magnetic Riding Control". Para mim que não aprecio nada disso, tudo bem, mas o mercado já oferece e o Caddy "desofereceu"', entenderam? O diferenciador do DTS, lá atrás, era avanço tecnológico. Perderam o ritmo.

Dinamicamente não atraente, nada de "sporty handling", mas com bastante silêncio e conforto, toquei a viagem adiante.

No livro do Bob Lutz ele cita também que GM e Ford apostaram em volumes para suas marcas de luxo, jogando vendas a frotas e locadoras, isso deu respiro, momentâneo, mas afundou o preço de novos e usados. Seguramente a Hertz pagou barganha também, daí a locação convidativa.


GPS duplo! Inexplicável, o do painel não navegava


Outra coisa inexplicável era o GPS duplo! E um não era reserva do outro, foram centenas de quilômetros me perguntando por que, devolvi o carro sem entender, quer dizer, acho que entendi, mas não compreendi. O segundo GPS era o da Hertz, mas por que não deixar o usuário com somente o do painel? Este se recusava a planejar rota, havia de me cadastrar no serviço pago, mas para que mesmo? Será que um carro premium não merece algo melhor e mais funcional? Não era só pelo ridículo de ter um GPS funcional e o outro ilustrando sua rota com mapinhas, mas cadê a arte de encantar o consumidor com tecnologia, que funciona, que seja simples de usar, que já está disponível no carro, que não atrapalha o espaço interno com sua redundância? Bem, o GPS redundante não era culpa da GM, absolutamente. Sigamos.





V-8 Northstar 280 cv, mas há V-6 mais potentes na concorrência


Primeiros quilômetros de familiarização, logo de cara as Interstates, velocidade controlada e constante, apreciaria outros sistemas do carro, rádio satélite, som Bose Premium, enfim, legal, reparei no computador de bordo, consumo de combustível médio, instantâneo, pouca coisa, mas, pera aí, instantâneo? Lá fui eu, que nem moleque, acelerador full, 1,3 km/l, uau! Delirante, antichatos anticarbono, nada mau! O câmbio não tinha opção manual e tração dianteira não permite drifting. Nem com controle de tração desligado dá para brincar um pouco, o upshift vem logo em seguida e sem controle do motorista, perdi-me no propósito da locação, o DTS é nada entusiástico, mas legal. Nova York a Detroit em pouco menos de dez horas, só consegui andar rápido sem multa durante a noite. Cruzar a 100~120 mph (160~192 km/h) não dava muita confiança, tampouco era estressante. O motor ronronava, média de consumo batendo em 6,4 km/l, V-8 andando daquele jeito, nada mau, quando maneirei o pé, melhorou para quase 10 km/l.


1,3 km/l e aceleração entusiastica no ruído do V-8 somente


Cruzeiro a 100~120 mph só é possível à noite, sem vigilância


Voltemos ao case Caddy. O DTS parou de ser produzido este ano, sem sucessor à vista, abandonaram os poucos consumidores por um tempo. Novamente, isto é impensável num fabricante como Mercedes, BMW, Lexus. A GM quebrou há dois anos e tem outras prioridades no seu renascimento, questionam o futuro da marca Cadillac, pendurada no entusiástico CTS, menor, na pouco vendida SRX e nas picapes e SUVs gigantes. Entendam que há 30 anos optaram por um concorrente ao Classe E com o DTS, abandonando a ideia de brigar com Classe S e similares. Hoje jogaram a toalha e tampouco brigarão com Classe E, o que restará? Todos os modelos Cadillac somados, atingem patamar de 100 mil/ano, Audi, BMW e Mercedes passam de 1,2 milhão anuais, seus carros-chefe batem fácil em 200~400 mil por ano. O Cadillac se segura nos EUA e China, futuro nada fácil, portanto.

A GM vive ainda momentos conturbados, tem tido resultados positivos nessa meio retomada do mercado americano, o que é alentador. Seu futuro talvez tenha mais incertezas que muitos de seus concorrentes;  mas seguirei torcendo por uma retomada vitoriosa do outrora ícone de luxo americano Cadillac.

MAS

(Texto atualizado em 31/7 às 18h00)

27 comentários:

  1. Achei que a GM só estivesse PIORANDO os carros no Brasil.. pelo visto então, a tendência é mundial: Entregar menos por mais, e viver da imagem da marca nos áureos tempos até onde der.

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  2. Eurico Neves Jr.31/07/11 10:57

    MAS,

    Creio que o carro da foto seja um Cadillac DTS, não um STS.

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  3. MAS, esses últimos Cadillacs são imposíveis para fazer qualquer coisa como drift ou burn out, pois possuem tração dianteira e V8!Só o CTS que continua tração traseira...

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  4. Disgusting! Morte às banheiras americanas. Que carro horrível, nem os americanos gordos com sua mania de cup holders conseguem preferir isso aí à um sensato sedã alemão. Esse interior padrão Azera não dá pra concorrer nessa classe. A única coisa que se salva é o Bose, apesar de que por esse preço um Bang&Olufsen não viria mal.

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  5. Coisinha feia este modelo aí...já foi tarde.

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  6. Putz, este painelzinho de instrumentos "do Celta", foi de amargar! Uma coisa que sempre chama minha atenção em um carro é um belo painel, como foram os do Alfa-Romeo 2300 Ti-4, e do Ford Del-Rey Guia.

    Mr.Car

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  7. Não é esse que andaram uma vez no TopGear e ficavam só falando que ele era um Saab disfarçado?

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  8. Eduardo

    Por que a ranhetice? "Morte às banheiras"...?

    A escola americana sempre fez carros excelentes.

    O que você prefere? As beberronas latas de sardinha "frex" brasileiras vendidas a preço de ouro para a classe "mérdia" otária?

    Coisa de petralha invejoso dos EUA...

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  9. As fotos são de um Cadillac DTS!

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  10. Anônimo,
    O STS tem tração traseira, opcional nas quatro.

    MAS

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  11. Realmente, as fotos são de um Cadillac DTS. Uma olhadinha no Google Images confirma, traseira bem diferente e painel idem.
    O DTS é 30cm maior que o STS e era o carro usado como limousine do ex-presidente Bush. Por isso o painel basicão (chofer não precisa "curtir" o carro) e as linhas nada diferenciadas. Carro de rico conservador, basicamente.

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  12. Afinal MAS, você estava falando de um STS ou DTS? Porque a foto é de um DTS e o texto fala claramente do STS, tanto que você coloca Serie 5, A6 e Classe E como concorrentes.
    http://en.wikipedia.org/wiki/Cadillac_DTS
    http://en.wikipedia.org/wiki/Cadillac_sts

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  13. Esse Cadillac é o DTS, outrora Deville. Tração dianteira, motor Northstar V8 transversal e espaço para até seis pessoas (se equipado com banco inteiriço).

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  14. Uniblab,
    Na verdade, se eu morasse nos EUA e quisesse um sedã grande nessa faixa de preço, compraria algo assim:

    http://models.audiusa.com/a6-sedan

    Sobre "A escola americana sempre fez carros excelentes":

    Por que você não importa um Crown Victoria? Ou quem sabe um lindo PT Cruiser Touring Cabrio? Se quiser algo diferenciado pode optar também pelo Pontiac Aztek.

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  15. Eduardo

    Eu disse que "a escola americana sempre fez carros excelentes", não que "sempre fez SÓ carros excelentes".

    Sua não-resposta só demonstra semi-analfabetismo de sua parte.

    Brasileiro terceiro-mundista merece lata de sardinha "frex" a peso de ouro mesmo...

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  16. Pedro de Albuquerque31/07/11 20:22

    Pior é que eu gosto de caixa automática assim, de 4 marchas, moda antiga. O convesor foi feito pra isso, possibilitar menos marchas. E a delícia do ronco constante, encorpado, cheio. Tomara que nunca retirem essa alternatica. Quer mil marchas, e gastar menos combustível? Procurem outro carro, oras, não forecem a indústria a estragar o pouco de bom que ainda resta.

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  17. Sou fanático pela grande maioria dos carros antigos da GM, eram carros para AUTOentusiastas, vejam o preço desses modelos antigos no mercado principalmente o da D20 isso traduz o que estou dizendo. Não me conformo com o destino que a GM esta tomando. Como uma empresa que fazia carro tão bem desaprendeu tanto?

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  18. Bom texto, mas nem precisava escrever tanto: só de ver as fotos, em especial do painel, dá para ver como a GM perdeu o rumo! rs
    Só fiquei com uma dúvida em relação à essa coisa da fiscalização à noite... A fiscalização lá é somente presencial com guardas, não tem radares, ou dava para esticar mais por ter menos carros?

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  19. Bera Silva31/07/11 21:35

    Infelizmente a GM morreu e esqueceram de enterrar.
    Como disseram acima, esse painel de instrumentos num Caddilac está horrível. É um painel funcional, mas não serve pro Caddy. O carro como um todo está mais para um Chevrolet Caprice do século XXI, claro, sem desmerecer o estofamento e a tapeçaria, nem os mil e um controles eletrônicos de conforto.
    Pra divisão que já fez a primeira partida elétrica, o V8, o DeVille, o Eldorado 59, hoje é de amargar.

    Sinais do Fim dos Tempos!

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  20. Putz, não é que este carro é parecido com o Logan...

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  21. O Cadillac DTS é o carro preferido de Warren Buffet, um dos homens mais ricos do mundo.

    McQueen

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  22. Corsário,
    Sim a fiscalização é feitas com guardas muito bem equipados, à noite se retiram, aí dá pra andar forte, ainda...

    Abs,
    MAS

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  23. Super Vegeta!01/08/11 08:42

    O Eduardo e o Uniblab vão sair na porrada...legal!

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  24. Quase aluguei uma barca dessas em uma viagem, mas acabei pegando um Dodge Magnum 3.5. De todo modo, o DTS é o último Cadillac ainda nos moldes "anos 80". Tanto CTS quanto STS tem tração traseira e são muito mais "autoentusiásticos", em especial as versões quentes R com compressor.

    Não concordo com uma coisa: para mim, CTS briga com BMW 3 e Mercedes C, enquanto o STS briga com Mercedes E e BMW 5. O CTS até consegue brigar bem com os alemães, ao passo que o STS ainda não chegou lá. E o DTS? Um nicho à parte: saudosistas, radicais xenófobos que só compram carros "Made in America", locadoras, fabricantes de limusine ou ainda quem tem o conforto d eum motorista. Nada aver com Mercedes S, portanto. Aliás, isso também se observa ao olhar a lista de preços: o DTS é o sedan cadillac mais comprido, mas não o mais caro.

    Por fim, fala-se que a Cadillac deve apresentar nos próximos anos um cupê e/ou sedan para o topo do mercado. Agurademos, pois; afinal, o CTS mostrou que a Cadillac está indo para a direção certa.

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  25. A lei americana que obriga os carros a serem mais econômicos vai matar e sepultar de vez a marca.

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  26. ao Kantynho...

    Não jogue a culpa na lei americana. Jogue a culpa na incompetência da GM em criar motores mais econômicos sem sacrifício da potência. Se as outras montadoras conseguem, porque a GM não?

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  27. É, meu caro, painel simples é uma tradição estadunidense.
    Esses dias "ganhei carona" num Chrysler 300C e fiquei decepcionado por ser o seu interior quase tão despojado quanto o do meu humilde Fiesta...

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