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28 de setembro de 2011

MONTADORA: O ERRO SE ALASTRA

Nada a ver com montadora

Já falei bastante a respeito disso aqui no AE, mas nem por isso deixo de ficar impressionado como o termo 'montadora', usado no lugar fábrica ou fabricante de automóveis, se dissemina por toda parte. É na imprensa e nas informações dos fabricantes, até mesmo na Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Em compensação, em todo o texto do polêmico Decreto n° 7.567, que trata do IPI que atingiu os carros importados, não existe 'montadora'. Tampouco nas resoluções do Contran. Realmente é intrigante por que esse hábito enraizou-se no Brasil. Já vi até escreverem "na fábrica da montadora".

Nos dias pós-promulgação do decreto nunca vi tanto a palavra toda a imprensa. Verdadeira inflação de 'montadora'.

No próprio decreto, quando fala do mínimo de seis de 11 atividadea  da indústria para fazer jus ao restabelecimento do IPI normal, sem o acréscimo de 30 pontos porcentuais, são citados claramente:

"Montagem, revisão final e ensaios compatíveis; estampagem; soldagem; tratamento anti-corrosivo e pintura; injeção de plástico; fabricação de motores; fabricação de transmissões; montagem de sistemas de direção, de suspensão, elétrico e de freios, de eixos, de motor, da caixa de câmbio e de transmissão; montagem de chassis e de carrocerias; montagem final de cabines ou de carrocerias, com instalação de itens, inclusive acústicos e térmicos, de forração e de acabamento; e produção de carrocerias preponderantemente através de peças avulsas estampadas ou formatadas regionalmente, em pelo menos 80% da sua produção."

Nota-se claramente que a montagem é parte do processo de fabricação, que o redator do decreto teve o cuidado (e o conhecimento) de separar uma coisa da outra. É mais do que evidente que não se trata absolutamente de atividade de montadora, que só monta veículos recebidos completamente desmontados, cuja sigla universal é CKD (completely knocked down).

Mais intrigante para mim ainda é 'montadora' ser usado apenas para designar fábrica de automóvel, pois quando se trata de qualquer outro produto é fábrica mesmo.

Claro que a língua é dinâmica, ela evolui, sentidos das palavras mudam com o tempo. Por exemplo, ouve-se muito "pra caramba", quando caramba é uma palavra que exprime exclamação, surpresa, mas que substituiu uma conhecida palavra chula que começa por 'c'. A expressão é usada sem parcimônia nas conversas e nos meios de comunicação.

Mas o problema de 'montadora' está em informar de maneira errada o leitor, que vai entendendo cada vez mais que automóveis são apenas montados e não fabricados. O efeito é particularmente mais grave nos leitores mais jovens, até adolescentes. Muitos podem começar a estranhar por que "garantia de fábrica" e não "garantia de montadora".

O AE, a revista Carro (da qual sou editor técnico) e o site Best Cars estamos fazendo a nossa parte. Montadora é palavra que não entra, salvo casos concretos, como a GM da Venezuela.

Que outros adotem esse procedimento em nome da precisão de informação.

BS 

34 comentários:

  1. Se bem que a VW, GM, Ford, etc, estão mais para indústrias do que simples fábricas. Hoje elas atuam até no sistema financeiro com bancos e seguradoras.

    Olhe no Huais e verão que indústria é um termo mais adequado à essas empresas.

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  2. Aléssio Marinho28/09/11 16:32

    Sei bem o que é isso. Imagine a minha decepção ao ler na 4 Rodas de setembro o termo "peito de aço".

    Mas afastando do tema do post, curioso como algumas peças ganham apelido: aqui calço é fixo, farol selado virou silibrim, roda é jante (no nordeste) e outros por ai.
    Daria um post interessante.

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  3. Assino embaixo.
    Aliás outro termo idiota que vem se banalizando é "completo", algumas fabricantes como Hyundai já dividem seu catálogo em "completo", "completo + teto solar e xenon" e "completo + teto solar + xenon + rodas 19" por exemplos... Ou mesmo expressões absurdas como "já é bem completo"... Affff...

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  4. marcelo vieira (jmvieira)28/09/11 17:42

    poderiamos atrubuir o nome montadora pra aqueles onde a tecnologia ou as peças vem de fora, como no regime de ckd da fabrica da lifan no uruguai, e usar o termo fabricantes pra aqueles que concebem e fazem o carro, exemplos que me vieram em mente agora foram as extintas gurgel e troller.

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  5. marcelo vieira (jmvieira)28/09/11 17:48

    alesio marinho, me lembrei do silibri aqui e ri... que veio do termo sealed beam, falou rapido virou "silibiam" e por fim silibri... falando dos carros completos li numa materia sobre o cobalt chamarem o carro de sedan "compacto medio", seria um sapato tamanho 40 que se apertar dá num pé 44? êta êta...

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  6. jackie chan28/09/11 18:05

    Falando em termos errados, ainda bem que "presidenta" não caiu tanto no gosto popular, e é usado quase que somente por puxa-sacos de plantão da presidente Dilma Rousseff.

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  7. Luiz Dranger28/09/11 18:13

    É Bob,
    Mas realmente tanto faz e tanto fez, pois qualquer pessoa sabe o que é uma indústria. Nossa língua tem vícios diversos e se for fazer uma pesquisa, aparecerão centenas !!!
    Gostei do comentário do Corsário Viajante, pela palavra "completo". Isso sim é muito mais sério pois engana o consumidor, afinal não há uma definição de automóvel completo. Só talvez em kits Revell para montar miniaturas rs....
    Abr, Luiz

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  8. Este comentário foi removido pelo autor.

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  9. O Jalopnik Brasil também está livre desse mal.

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  10. Jmvieira,
    Esta de "compacto médio" é inacreditável... Até onde vão para criar rótulos para enganar as pessoas?

    Luiz Dranger,
    Acho que o carro é "completo" quando tem todos os itens possíveis para aquele modelo. Vc pode ter tanto um Mille quanto um série 7 completos, a diferença é que o Mille completo não tem nem AB2...

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  11. Nunca é demais martelar nesse assunto Bob, acho que todo auto entusiasta deve se incomodar cada vez que le ou ouve o termo montadora. Vc ja tentou contactar algum ombudsman de um jornal sério como a folha sobre o uso indevido desse termo?

    E é engraçado que justo a hyundai/CAOA, que apenas monta o Tucson aqui em CKD, adora falar que ele é fabricado aqui. E por sinal, como comentou o Corsario, é a mesma que deturpa o termo "completo", chegando a ter também o "completissimo"!

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  12. Desculpem minha falta de conhecimento, e acabou que não entendi muito bem a discussão, mas eu uso o termo montadora sempre quando sei quais são os carros que são montados aqui, e fabricantes os que fabricam aqui obviamente. Afinal, o termo não é o lógico da termologia das palavras ?

    Agora sobre o uso "safado" ou errado é utilizado largamente pela imprensa. E para variar e não deixar de lembrar, os chineses e coreanos são mestres na mentira e enganação.

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  13. Há expressões ou palavras que são usadas para substituir um monte delas, esse é o caso do termo "completo". Isso veio da época que os carros no Brasil começaram a popularizar ar-condicionado, direção assistida e conjunto de vidros/travas/espelhos de acionamento elétrico. Sai muito mais fácil usar completo no lugar, ou completo mais alguma coisa. Até o Sasa Mutema entendi isso, mas alguns não.

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  14. Completando o que o Anônimo de 19h30 disse, acho incrível o pessoal chamar de "trio elétrico" o conjunto de vidros, travas e alarme. Simplesmente trocaram o retrovisor elétrico por alarme nesse caso e ficou por isso mesmo.

    E pro Antônio Filho, eu diria que seira muito seletivo de sua parte. Mesmo um carro como o Cruze por exemplo tem etapas de produção que vão além da simples montagem. Seja pintura, teste de rodagem, geometria de suspensão, tudo isso são etapas (ainda que finais) da fabricação de um carro, por isso eu evitaria o termo. Até porque a Chervolet não seria uma montadora só porque um carro é montado em CKD. É uma fabricante. Mas aí sou só eu sendo chato ;]

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  15. Leonardo
    Aplausos para o Jalopnik Brasil!

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  16. Jackie Chan
    Então seria gerenta, estudanta, atendenta...fim da picada. Ô, raça...

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  17. Se o povo soubesse o que é realmente um carro completo...

    Vamos falar o que é completo de verdade ?

    Bora lá: Direção hidráulica ou elétrica com ajuste de altura e profundidade com velocidade ajustavel com controle multifunção, ar digital, trio elétrico, computador embarcado, GPS e DVD, sensor de estacionamento, ABS e disco de freios ventilados nas 4 rodas, EBD, ESP, rodas de liga leve no minimo 15", minimo 4 Airbag, teto solar ou panorâmico elétrico, apoio do braço, acabamento do interior espumado, espelhos retrovisores elétricos com autolimpante e fotocromático, e com cinto de segurança retrátil de 3 pontos com regulagem para todos os passageiros, injeção direta de combustível...

    Isso foi o que eu lembrei que é comum nos carros europeus básicos (golf SFi 1.2), DE FÁBRICA !!!!

    Opcional então, que seria o "completo" chega a causar tonteira de tanta coisa.

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  18. Luiz Dränger
    Como, tanto faz? Gostaria de ler numa revista americana "auto assembler" em vez de "automaker"? Então mudemos o acrônimo Anfavea para Anmovea e Fiat para Miat...

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  19. É, Corsário Viajante, ainda mais infelizes conseguem ser os anúncios de venda de carros usados:
    "completo menos vidros elétricos e direção hidráulica...".
    Isso para não mencionar os modelos 2012 sendo vendidos em janeiro de 2011.
    Rafthehay, por falar em trio elétrico, passamos por uma época de "vacas magras" em que as, então, montadoras (sim!) eliminaram o tal retrovisor elétrico, o que fatalmente levou a centenas de anúncios nos classficados do Zero Hora a expressão "duo elétrico". Lastimável. Felizmente tenho notado que a onda já passou.

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  20. Montadora é um termo equivocado mesmo. Desse jeito dá a impressão que elas apenas montam, não produzem a maioria dos componentes do veículo.

    Outro erro grosseiro e muito comum atualmente é ficarem chamando o motor do carro de "BLOCO"... Ora, se não querem chamar de motor, então o termo mais apropriado seria "propulsor"... Dói a vista ler pérolas do tipo "o desempenho é muito bom graças ao novo bloco 1.6 de 16V"...

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  21. Alexandre - BH -29/09/11 02:09

    Pior é ver jornalista tarimbado reproduzindo press-release (ou comunicado de imprensa, como queiram) de ‘montadora’ que troca grade e emblema de algum carro e o classifica como ‘novo’ ou ‘geração dois, três, quatro, cinco’... A Fiat Strada vai receber mais um botox. Vejamos se não será chamada de ‘Nova Strada’.

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  22. Eu entendo que COMPLETO seja a referência para AQUELE MODELO.
    Por exemplo, eu tenho um Fiesta Street Sedan 2003 que equipa ar, direção, vidroes, tampa da mala e travas elétricas e rodas de alumínio. Bancos de couro instalados na concessionária. E NÃO É COMPLETO pois não tem o air-bag do condutor. É o único equipamento apcional que ele poderia ter, então seria COMPLETO.
    Quanto aos termos MONTADORA e FABRICANTE, desculpe mas é tão óbvio que é inaceitável... Como o Bob disse, se até os próprios FABRICANTES se chamam de MONTADORES, como poderíamos pedir que a imprensa ou os consumidores façam diferente??

    Carlos Galto

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  23. Avante, Bob, o sofredor!
    Continue com sua cruzada ( ops. termo incorreto! a utilização deste termo pode gerar desconforto perante alguns membros da sociedade)...continue com sua luta em prol da integridade da nossa língua portuguesa!

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  24. Ao Alessio Marinho:

    A palavra Jante é usada normalmente em Portugal para falar do que chamamos de Roda no Brasil e tem origem no francês Jante, que significa Aro.

    A região Nordeste ainda carrega influências do tempo da invasão francesa.

    Caso real que aconteceu numa transportadora com matriz em SP e filial no NE. Já faz muito tempo, a internet ainda era raridade e as comunicações eram principalmente por fax:

    Um funcionário da manutenção e estoque em SP recebeu da filial um fax pedindo para enviar 10 jantes. Leu, achou que estava escrito errado e foi perguntar para o chefe:

    - Como faço para enviar 10 marmitex para nossa filial em PE?

    Como não conhecia o termo "jante", achou que estavam pedindo 10 "jantas".

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  25. Ao Alessio Marinho:

    A palavra Jante é usada normalmente em Portugal para falar do que chamamos de Roda no Brasil e tem origem no francês Jante, que significa Aro.

    A região Nordeste ainda carrega influências do tempo da invasão francesa.

    Caso real que aconteceu numa transportadora com matriz em SP e filial no NE. Já faz muito tempo, a internet ainda era raridade e as comunicações eram principalmente por fax:

    Um funcionário da manutenção e estoque em SP recebeu da filial um fax pedindo para enviar 10 jantes. Leu, achou que estava escrito errado e foi perguntar para o chefe:

    - Como faço para enviar 10 marmitex para nossa filial em PE?

    Como não conhecia o termo "jante", achou que estavam pedindo 10 "jantas".

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  26. Miguel sapateiro!29/09/11 11:07

    PS...
    Esta foi ótima.... ah ah ah ah
    Conta aquela piada do Joãzinho no banheiro, agora...
    Ah ah ah
    Você é demais, cara, sou teu fã!

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  27. Aléssio Marinho29/09/11 16:24

    PS;

    Quando morei no NE, estranhei bastante ouvir Jante.
    Mas pior mesmo foi ouvir de um eletricista que o carro "tá com problema na lanternagem!"
    Pensei: Uai, eletricista que manja de lanternagem é a primeira vez que vejo, mas ele se referia as lanternas do carro.
    Lá lanterneiro é chapista...

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  28. Luiz Dranger30/09/11 16:58

    É Bob,
    Provavelmente você não vai ler em nenhuma revista americana. O que eu quis dizer é que trata-se de um vício popular da nossa língua. Quando houver educação séria, isso será resolvido, provavelmente nunca.
    Abração

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  29. Bob,

    "Caramba" é lindo perto do mais que repetido "caraca", muito comum para os cariocas, ao menos é essa a impressão que se tem ao assistir a tal emissora de televisão...

    Sabe... Estou começando a concordar com a opinião do velhinho carcomido, estabelecendo prioridades, vícios de linguagem realmente não chegam a ser um problema diante da realidade brasileira.

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  30. Necessidade de falar mal dos cariocas..
    Amigo Fabio Toledo, o Bob mesmo é carioca, cuidado com a generalização.

    Abraços

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  31. Necessidade nenhuma Luiz, tenho muitos amigos cariocas e não só o Bob, como qualquer carioca pode confirmar a frequência com que este termo chulo é proferido nas terras fluminenses. Inclusive na Rede Globo, como eu já havia dito antes, falam em qualquer horário, como se o termo nada tivesse a ver com o "palavrão" que o originou. Na minha opinião, PÉSSIMO! Se filho meu começar com algum costume tosco desse, "vai ter a boca lavada com sabão!"

    Sds

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  32. Sim, isso é um fato.
    Mas me refiro à necessidade de citar o Rio. Eu sou carioca, e sei que isso é uma realidade.
    Agora, quase que semanalmente vou a São Paulo a trabalho, e garanto a você que lá o termo não é menos citado não.

    Abraços

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  33. Luiz,

    Desculpe-me se o comentário não o agradou, minha intenção não foi incitar esta rixa estúpida.

    Sds

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  34. Gustavo Cristofolini08/06/12 13:23

    Entendo que o termo montadora seja utilizado em razão de se fabricar diversar peças separadamente e então montá-las, formando um automóvel.

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