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2 de novembro de 2011

MIRROR LAKE CLASSIC 2011 - PARTE 2

Allard J2

No sábado passado publicamos a  parte 1, onde fiz uma descrição geral desse evento anual, em Lakeland , Flórida. Agora, mais  fotos dos carros que não mostrei semana passada.

Não foi possível fotografar tudo, portanto procurei captar os mais significativos e os que nunca havia visto a não ser em fotos. Espero ter atendido os desejos da maioria.

Começando pelo Allard da foto de abertura, esse tinha motor Ford, mas existem os com mecânica Cadillac também. Apesar de não serem extremamente raros, como eram carros feitos para corridas e por isso mesmo bastante abusados, encontrar qualquer um no estado desse significa presenciar um trabalho de restauração extenso.

O grande Zora Arkus-Duntov foi um criadores desse carro, e ambos estão bem explicados aqui nesse maravilhoso texto.



Nosso amigo Milton Belli já andou em um desses com motor Cadillac, e descreveu muito bem aqui. É uma tremenda máquina, na prática o pai dos Cobras.






Modelos abundantes nos Estados Unidos, Mustangs e Camaros, muito bem apresentados, vários originais e outros com uma boa quantidade com alterações, nem sempre satisfatórias.

Esses mais estranhos ou com a orginalidade muito afetada eu não fotografo, exceto se houver alguma novidade interessante.
 





Ford Bronco Roadster, na prática um bugue com chassis, apenas bem conservado, mas nunca  restaurado. Fabricado em 1966. Tem minha idade, e  está bem  melhor que eu !



Este Chrysler New Yorker de 1952 é fantástico. Motor Hemi de 331 polegadas cúbicas/5,42 L com 182 cv, e a primeira caixa automática com conversor de torque. Hoje tem um dono, mas já foi carro de museu, em  Sarasota.


Um lindo Bel Air 1955, para muitos o mais belo dos Tri-Fives da Chevrolet, nessa combinação de cores, espetacular.




As picapes e furgões GMC estavam em peso, se não tanto pela quantidade, muito mais pela qualidade. Um melhor que o outro.

Esta azul é uma Suburban picape de 1958, a marron e branca uma Suburban  de 1961, e o furgão sem janelas o mais interessante, com tração nas quatro rodas, um sistema da Napco (Northwestern Auto Parts Company), empresa que existe desde 1918.








Esta companhia criou kits de instalação para diversas marcas e modelos após o final da Segunda Guerra Mundial, época em que os contratos militares escassearam e a sobrevivência ficou em risco.

O conjunto era montado nas concessionárias e quase dobrava o preço do carro. Uma grande parte dos componentes era de orgem GM, para facilitar a manutenção.

Para saber mais, veja esse site .

Os Jaguares  estavam representados por alguns XK120, um XK150 cupê e modelos mais modernos.





Porém, o melhor de todos é o E-Type, onde se gasta mais tempo de apreciação.

Não me canso de fotografar a obra prima do senhor Lyons sempre que tenho a oportunidade. É um relaxamento para as retinas olhar esses carros.

O branco conversível é um modelo de 1962, seis clindros de 3,8 litros, com algumas alterações seguindo os modelos de competição, como os pneus quase slick.




Vejam a foto logo abaixo. O motor é tão bonito que eu deixaria o capô em casa.


O alojamento da bateria de um outro exemplar não estava enferrujado como aquele que foi da família Parker, como o Rex contou nesse divertido texto.


Esse abaixo, ano 1966,  tinha uma cor verde muito escura, mas não é o British Racing Green. Um belo exemplar daquele que é considerado o carro mais bonito da história.



O Mk2 cinza chamava a atenção, estava perfeito. Nunca tive grande atração por esse modelo, nem sei explicar por que, mas uma coisa é certa. Esses para-choques não são desse carro, mas sim de algum caminhão.

Sir William Lyons podia qualquer coisa. Ele nos trouxe o E-Type, então, é praticamente um deus na terra automobilística. Perdoado por essa pequena falha parachoquística. Se eu tivesse um, removeria as peças de gosto duvidoso.



O Bantam Boulevard Delivery é um simpático furgão mirim, com apenas setenta e dois produzidos e cinco ainda existentes. Este é de 1938, antes de a Bantam ficar conhecida por iniciar o trabalho no  projeto do que viria a ser o Jeep.



Na área dos carros de corrida, problemas. Não se consegue ficar indiferente  diante de coisas como um XKE com carroceria polida, nem os Triumphs TR6 e Spitfire GT6, motor de seis cilindros e dois litros, nem um XK120.

Eu rodopiava fotografando um carro, depois outro, depois voltava ao primeiro. Parecia criança em loja de brinquedo. Acho que preciso crescer.
Alumínio polido. Há algo mais belo?




Vejam que para-lamas!
Esse TR6 tem até Hot Wheels igualzinho, só mudando a cor!

Spitfire 2 litros

Um XK 120 que desde 1952 participa de corridas.

Um Chevrolet Lumina da Nascar que foi pilotado pelo Intimidator, Dale Earnhardt, o único piloto que se recusava a usar o Hans (head and neck support), aquele biscoitão em volta do pescoço que já se tornou obrigatório em muitas categorias.

Dale faleceu na pista, justamente com o pescoço quebrado, em um acidente bobo e nada violento, ocorrido na última volta da 500 Milhas de  Daytona de 2001. Vendo o filme, não dá para acreditar que possa ter ferido, muito menos provocado o óbito desse mito americano.


Um Datsun 240Z da equipe oficial de fábrica, a BRE, Brock Racing Enterprises reluzia no gramado. Peter Brock, um dos pioneiros da construção de hot rods, embarcou na representação da marca que viria a se tornar a Nissan com esse carro, após ser preterido pela Toyota, que contratou Carroll Shelby para comandar o investimento desta no campeonato  da SCCA, o Sports Car Club of America.

Há mais informações sobre ele em alguns lugares interessantes, como esse site de um clube da marca, e nesse texto do MAO, além desse outro.



Um carro único era o MG  David V. Uhlien Special, um carro fabricado em casa, que, só pelos escapamentos,  já vale ter vindo ao mundo no distante 1953. O motor é do MG TD, com 1.250 cm³, mas com um cabeçote construído para esse carro, com câmaras hemisféricas e duas árvores de comando. Saltava de 43 cv para cerca de 91.





Até mesmo um Arnolt Bristol 2 litre de 1952 podia ser apreciado de perto. Vejam esse texto para entender sua história.



Este não era de corridas, mas uma reprodução de carro de arrancada. Plymouth Savoy Super Stock de 1964. Com obviamente um motor Hemi no cofre, de 489 polegadas cúbicas/8,01 L) e quase 660 cv medidos em dinamômetro. Autêntico enrugador de asfalto. Lindo.





Um Oldsmobile Starfire 1961 conversível, distraindo os mais saudosos. Vejam os três senhores nessa foto. Hipnotizados!



Dois Porsches 356A Speedster. Bela barata. Um desenho que não cansa.



Galaxies brasileiros nunca foram conversíveis, ao menos os feitos pela Ford, dentro de casa. Mas os americanos tiveram esse privilégio. Este é o pouco comum 7-Litre, curiosa grafia britânica num carro americano. O normal seria escrever "liter".




Outro que só conhecia de revistas: Bricklin SV-1 de 1974. Menos de 3.000 unidades foram produzidas em dois anos de vida da fábrica do americano Malcolm Bricklin, que foi estabelecida no Canadá.

Esse asa-de-gaivota tem desenho típico dos anos 70, onde era mais importante a forma de cunha do que as concordâncias entre volumes e superfícies. Tem um V-8 da American Motors, 360 polegadas cúbicas/5,9 L, e uma decoração interna dos coloridos anos setenta.

Para 1975, o motor era o Ford 351W/5,75 L, mas os problemas de qualquer empresa pequena acabaram por terminar a viabilidade da produção.

A primazia desse carro foram as portas de acionamento eletro-hidráulico, motor elétrico acionando pistões e braços em vez da operação manual.

Tinha problemas de qualidade e era difícil encontrar um exemplar em que não entrasse água pela borracha de vedação. Além disso, conseguir componentes de fornecedores, ou mesmo das fábricas grandes, como os motores e câmbios, sempre foi assunto complexo para os pequenos construtores.
Tem seus fãs e clube bem organizado, com um site bastante informativo.









Nos carros à venda, um curioso Cadillac Allanté de 1990, por US$ 4.900 ou melhor oferta. Uma barbada das grandes.

E pensar que esse valor não pagaria hoje nem o frete aéreo desde a Itália, onde a carroceria era montada pela Pininfarina. Vinham apenas 56 carrocerias em cada vôo de 747 cargueiro, configurado especificamente para essa operação.

É um belo carro,  e deixou a marca de mais uma das deliciosas maluquices da GM. Com ele, o cliente pagava o status de ter um europeu com mecânica americana, como vários clássicos haviam sido, desde Jensen Interceptor até Facel Vega.

Cerca de 21 mil unidades foram produzidas em sete anos, menos da metade do previsto. Com toda essa complicação e custo, ainda era mais barato que um Mercedes SL. Inacreditáveis experiências do General.



É incrível,  mas  o Falcon seis-cilindros abaixo estava mais caro que o Allanté. O preço era US$ 6.500. Mundano e simples ao extremo, tem a função histórica de servir como ponto de partida para o Mustang.




Alguns Ford Model A, inclusive um caminhão, provavam que nada é tão antigo que não possa ser bem mantido, principalmente no país de origem, onde peças novas são feitas por vários fabricantes, já que a frota é bastante grande.




Observei esse Modelo T em marcha-lenta por quase um minuto, e ela era tão estável quanto de carros modernos com injeção eletrônica. Projetos simples e combustível de qualidade somados, garantindo a longa vida.


Um Packard 1929 imponente de ponta a ponta, abaixo dele um Plymouth P-6 de 1938, e depois, um LaSalle Opera Coupe do mesmo ano.




O Studebaker Avanti, esse aqui de 1963, foi a última tentativa da marca em sobreviver. Gosto bastante, pelo desenho inusitado.


Cadillac Eldorado Biarritz 1960, um dos maiores símbolos da era de ouro das "barcas", carros para puro prazer de dirigir tranquilamente em longas viagens. Uma poesia sobre rodas. Notem a cobertura de proteção da parte superior do painel, acessório bastante comum nos EUA, não apenas em carros antigos. Este tem desenhos inspiradores.




Dois belos Chevelles SS 396. O bege é 67, o azul, 69. Difícil escolher um deles!



Alguns BMW se faziam presentes. Todos fantásticos, mas o 2002 branquinho, sem para-choque dianteiro era meu preferido. Sempre gostei de spoilers dianteiros do tipo parede.





Para terminar, um Oldsmobile Dynamic 88 1960, todo azul e cromados, um dos mais incríveis representantes dessa marca que fez tantos carros memoráveis.



Sobre os prêmios, para quem se interessar a lista completa está aqui.

Encontro recomendável cem por cento, provando que a Flórida não é apenas parques e compras. Ainda bem.

JJ

13 comentários:

  1. Ufa! que festa.
    Estou roendo o cotovelo.
    Os dois.

    He he.

    O melhor ficou pro fim "provando que a Flórida não é apenas parques e compras. Ainda bem"

    Concordo.

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  2. Sou leitor assíduo do seu Blog. Um abraço, Sérgio Pugliese. Corretor especializado em Imóveis na Vila Mascote.

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  3. Augusto Filho02/11/11 14:43

    Tem um espaço aqui na garagem que cabe aquela M3 vermelha...

    Belo encontro, belo texto!

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  4. De todos qual o mais belo? O 356A ou o Avantis?

    Bem, acho que a simplicidade do Porsche vermelho.

    Também vi um Ford Model A bem ao fundo, aquele que deve ser um Special Coupe. Talvez seja esse, mas é difícil escolher.

    Senti falta das picapes Ford e Studebaker. E interessante que nessas exposições, nunca vejo os saudosos Divco.

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  5. tenho impressão de que o falcon tem um valor histórico por conta das versões preparadas na autrália.

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  6. JJ

    Baita post para o dia de finados, hein!

    Eu fico com a dupla rubro-negra e Camaros. Também tem lugar em minha garagem para o E-Type branco e o Galaxie conversível, este para passear na orla, do Leme ao Leblon.

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  7. Fiquei curioso apra ver o Du Pont 1929, premiado como o "Best". Diz a lenda que ainda existe um no Brasil, mais exatamente no RJ...

    Joao Simonetti.

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  8. JJ, obrigado por tornar meu dia melhor! Esses dois posts com as fotos e algumas curiosidades sobre os diversos modelos me fizeram sonhar acordado aqui na frente do PC!
    SENSACIONAL!

    Um grande abraço!!

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  9. CCN1410,

    também nunca vi um Divco, infelizmente.
    Desde que descobri esses veículos comerciais através da miniatura Ht Wheels eles ficam rondando meus pensamentos.

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  10. O mais legal nesses eventos é que temos carros para todos os gostos, desdes os mais comuns lá e até mesmo aqui, como raridades que nunca havíamos presenciado.
    Se pudesse, faria a cobertura desses encontros e exposições para todo sempre.

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  11. Juvenal Jorge,

    Fique a vontade, hehe e traga essas novidades sempre que puder.

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  12. Querido JJ,

    Adoro ver sua empolgação nesses eventos , e quando eles geram ótimos posts , como esses dois , fico muito orgulhosa de ter um maridão assim. Que bom que posso acompanhá-lo nesses passeios e aprender tanto com vc. Parabéns pelos posts !

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  13. JJ
    Muito boa a cobertura do evento ...
    Adoraria ver ao vivo!
    Entre tantos gostei do Datzun 240Z.
    Tenho, desde crianca, uma miniatura da Corgi Toys muito parecido com esse das fotos.
    Abs

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