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15 de março de 2012

O 427



Era de noite e voltávamos do Guarujá; bem no comecinho da década de 70. Eu molecote e meu tio guiando. Sempre guiou bem pacas; veloz e seguro. Ele foi o meu primeiro professor de guiada esportiva. Já meu pai foi o professor da guiada sóbria, dessas de levar a família tranqüila no carro. Cada um na sua e eu na dos dois. O carro: um Corvette 427, preto, 1969, que chamávamos só de 427, devido ao fabuloso V-8 de 427 polegadas cúbicas, ou seja, 6.997 cm³, sete litros. Já escrevi sobre ele aqui, porém ele teve mais boas passagens conosco.

A elas, então.

Voltávamos do Guarujá, início dos anos 70, noite, Corvettão preto bufando. E como andava aquele carro! Parecia ter uma força sem fim.

O caro leitor pode não se impressionar tanto com um carro que tenha 435 cv, já que hoje há vários deles levando suavemente dondocas ao shopping, porém, naquele tempo o que mais tinha era Fusca 1300, DKW, Gordini, Corcel I, uma ou outra banheira americana, e os primeiros Opala, sendo o mais forte o "fortíssimo" 3800 com 125 cv, fora o Galaxie, com "fenomenais" 167 cv que carregavam uns 1.600 kg de lata espessa.

Então, imagine só um esguio esportivo de plástico reforçado com fibra de vidro pondo só 1.400 kg nas costas dos 435 cv? Ele tinha um desempenho estratosfericamente superior ao que rodava por aí. Era o mesmo que apear de um pangaré e pular no lombo de um puro-sangue inglês. Andava pra burro. Fazia o 0 a 100 km/h em 5,6 segundos e a máxima rondava os 250 km/h. 

Os raros Porsches da época, na arrancada, não lhe davam trabalho algum; coitados dos Porschinhos. Ou saíam da frente ou passávamos por cima. Jaguar E-type, também raros, nem tentavam. O Corvette era um gigante, só comparável aos raríssimos Lamborghini Miura, na arrancada.

De final ele já não era lá essas coisas. Para alta velocidade os Corvettes ainda não tinham o refinamento dos europeus, como depois veio a ter, então acima dos 220 km/h ele dava uma flutuadinha, o que fazia nosso coração dar uma subida e incomodar o gogó, ao menos o meu, um molecote então, e eu adorava a loucura que esse carro dava, esse nó no gogó. Uma força descomunal. Domá-la, era uma arte. Um dia eu o faria também, eu pensava.

Não me lembro, absolutamente, de meu tio ter colocado alguém em risco, nem nós nem outrem. Já disse: ele guiava, e guia, pacas. Sempre teve carro forte. Na verdade, o dele tinha que ser o mais forte. Se tomasse uma lenha na arrancada, mandava preparar ainda mais o motor. O Lobo do Canindé foi um dos que mexeram no carro, isso mesmo, o Camillo Christófaro, o da carretera nº 18, carretera que me lembro ter visto na sua oficina, um carro todo lanhado, carroceria lanhada, pneus lanhados, esfregados, sinais esfumaçados de lambidas de fogo pelo que ia por perto das saídas dos escapes, escapes diretos, lataria consertada na marreta, freios sujos, tudo parecendo ter sido usado acima do limite, tudo pintado de qualquer jeito, uma máquina que, pra mim, então, assustava como estar perto de um dinossauro descansando de uma luta, mas só descansando, olhos semicerrados, pois dava para sentir seu enorme coração selvagem pulsando.

 

Depois disso, pouco depois, em 1970, vi a nº 18 batendo o recorde de velocidade no quilômetro lançado com média de 236,7 km/h. De velocidade instantênea bateu 268 km/h. Foi na inauguração do trecho da USP da Marginal do Pinheiros. Eu estava lá com meus amigos, junto à ponte da USP, e ela passou feito doida, e o estrondo que ela provocou ao passar como uma mancha amarelada por baixo da ponte provocou um longo eco, como de bomba pesada, que levou a todos a um estado catárquico gostoso pracaramba.

E, lembrando desse dia, só pra contar aos mais novos como era a coisa, e aos mais vividos relembrar, lembro perfeitamente de um maluco cabeludo – cabelos lisos e escuros que iam quase à cintura, barba, magrão – no seu Fusca branco mexido. Tampa do capô do motor semi-aberta, pra refrigerar. E pois o maluco teve a manha de – claro que sem capacete, que isso era coisa pra bichinha – colocar duas moças espremidas junto com ele nos bancos da frente. Cinto de segurança?

E lá vieram os três, o Fusca a milhão, andava pacas, deveria ter um motor cheio dos Weber, comando Engle, essas coisas boas, taxa alta, cabeçotes, essas coisas boas que só quem andou num Fusca dos demônios sabe o quão gostoso pode ser esse carrinho valente e apaixonante, que fazíamos ele ser tudo o que se poderia imaginar, desde um jipe a um carro de corrida; e lá vieram os três malucos, o cabeludo e as doidonas, mulheres da guerra, coloridas e gostosas, quando o motor do Fusca branco simplesmente se acabou numa tremenda explosão bem debaixo da ponte...BUUMM..., o motor explodiu e pegou fogo,  arrastando uma enorne labareda que formava uma cauda longa e chacoalhante atrás do carro. Passou assim e sumiu.

Gargalhada geral, gritaria, assobio finos, uns olhando pra cara dos outros e se esborrachando de rir. Essa foi um sarro mesmo.

O cara virou meu herói. Esse era dos bons.

Sei lá como apagaram aquela coisa, se é que apagaram. Acho que esse fogo todo só foi sossegado numa cama.

Mais detalhes dessa prova num post no blog do Saloma, onde ele descreve muito bem o que ela foi e de onde veio a foto da carretera.

Bom, mais uns anos se passaram, e logo que tirei minha “carta de motorista”, num domingo à noite, meu tio passou em casa para ver minha mãe, sua irmã. Jogou as chaves do Corvette em cima da mesinha e falou pra eu ir dar uma volta. Catei as chaves e me mandei, antes que minha mãe soubesse.

Porém, antes, caro leitor, veja bem, saiba que aos 18 anos eu já não era um motorista virgenzinho. Eu já correra de kart, já tomara ótimas aulas e broncas do Waltinho Travaglini, e já tivera e aprontara com o meu Jaguar XK120, que vendera para comprar meu Fuscão – isso mesmo, o XK vendi por 13 mil, o kart por 3 mil e quinhentos e comprei o Fuscão 74 zero por 18 mil; acredite, era assim. Desse modo, já adquirira certa cancha.

Então, chegara o momento. Chegara o momento de pegar o 427 e ver se eu era macho o bastante e bastante bom pra isso.

Fui pra fora e lá estava ele, preto, à noite, quieto, motor quente. Porta larga e pesada. Clóck.
Bancos pretos de couro. Escorreguei pra dentro e me encaixei. Bola do câmbio niquelada, com engates dos mais gostosos, robustos e precisos. Frentona enorme, longa e larga, mas eu estava acostumado com elas, já que meu XK a tinha longa também, porém estreita, e ela lá longe e eu aqui atrás. Tesão. Gosto assim até hoje. Gosto.

Pernas um pouco bambas. Perna esquerda meio fraca para apertar pela primeira vez aquela embreagem, pois, para ligá-lo ela precisava estar pressionada.

O motor pegou de pronto e seu calor invadiu meu sangue, e minhas pernas voltaram ao normal. 

Imediatamente me senti em casa. Ele era meu. Tava na mão. A 1a marcha era longa de atravessar o quarteirão; também, com mais de 60 m·kgf de torque...aquilo movia um navio.

Fui pra casa do Zé, meu inseparável amigo Zé Dias, que morava logo ali perto e se recuperava de um acidente de carro que lhe cortara a garganta a fundo, e ainda estava com aquele raio de traqueostomia, um furinho no gogó por onde respirava e só tampando-o é que ele conseguia fazer o ar sair pela boca e falar numa voz rouca e sumida.

O Zé estava traumatizado. Desde o acidente que não havia meio de enfiá-lo num carro. Ia se fosse a pé. Carro era pânico.
 
Coitado do Zé. Fazia anos que ele queria andar no 427, babava por isso, e justo nessa fase é que apareço com o carro?!

O cara fazia que entrava, metia um pé pra dentro, e o tirava, ensaiando várias vezes o coitado.

— Vamo, Zé! Caceta! Vamo! É agora ou nunca, seu veado!

Até que ele falou seja o que Deus quiser e entrou.
 
— Vai devagar, seu puto!

—  Pode deixar, Zé.

E fomos, claro, justo praquele trecho da quebra de recorde lá da Marginal em frente à raia da USP – o mesmo, claro.

Noite, Marginal vazia, e lenha brava da ponte do Ceasa até a raia da USP. O 427 com as goelas abertas dos três Weber duplos ao máximo, marchas longas se sucedendo, a frentona meio erguida com a fenomenal acelerada, farol alto iluminando o escuro, já que então não tinha postes de luz, o Zé se enfiando para debaixo do painel e implorando pelamordedeus com um dedo tampando o buraquinho do gogó, aquele urro rouco do Zé implorando e me xingando de tudo quanto é nome, e o conta-giros batendo a cada marcha nas 6.000 rpm, ou pouco mais, até que o velocímetro passou das 125 mph.

Não. Não batemos o recorde da carretera. Mas que chegamos perto, chegamos.

Devolvi o 427 bonitinho pro meu tio. Acho que o 427 gostou. Eu já guiava bem. Já aprendera que tudo tem sua hora, seu lugar e sua dose. Tive bons professores e fui aluno aplicado.

Que carro, o 427! Que carro!

AK

55 comentários:

  1. É ISSO AÍ, PAU NOS SUPER-HOMENS DA MARGINAL!!!

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    1. Esse Plutônio, vive com o pau na boca, ou nas mãos neh...

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    2. velho... o cara sempre vem aqui dar uma alegrada nos comentários e sempre, sempre tem um tonto pra vir falar do pau... como tem enrustido no mundo...

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    3. plutonio, esses caras sao recalcados, nao ligue pra eles..

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    4. Desce a peroba Plutonio ! "Verba mollia et efficacia" - "Boas palavras custam pouco e valem muito"

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    5. É isso ai, PAU nos caras que reclamam do Plutônio!!

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    6. Eu não gosto de Plutônio. Eu gosto de Urânio.

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    7. Ninguém gosta do Plutônio. Mas o Ununóctio é um bom sujeito.

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  2. Caramba Arnaldo, que relato, incrível como consegue descrever minuciosamente, foi nostálgico ler seu post! Suas palavras deixam a gente com a emoção vivida!
    Essa sua história faz me lembrar da primeira vez que dirigi um V8 de verdade...
    Parabéns, abraço!

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  3. Excelente texto, fez até um cara como eu que não é fã de corvette parar e ler...
    E a conclusão resume tudo que penso quando vejo as idiotices cometidas tanto por babacas de camaro quantos pelos chatos de popular que insistem em correr na hora errada e andar devagar na hora errada: "tudo tem sua hora, seu lugar e sua dose."

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  4. Coitado do Zé... kkkkkkkkk
    Fico imaginando um vareteiro desse subindo a Anchieta...

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  5. AK, enredo irretocável.

    Lembrou-me de certa forma do dia que fui ver o Omega para avaliar a compra. Dar partida no 4100 pela primeira vez foi memorável, foi nesse momento em que me ocorreu: O consumo que se dane, que esse som na minha garagem.

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  6. AK, sensacional o texto! Sua descrição dos eventos foi ímpar, principalmente em relação à cerretera 18 de Camillo Christófaro.

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  7. Ainda não tive a oportunidade de tocar um big block. Se os small já são deliciosos apenas com uma preparação leve e um quadrijet moderno, imagina um cavalo desses com a tripower escancarada. Ah, vontade... Belíssmo relato!!!

    Ps.: Concordo com hora e lugares certos para tudo. Quero ver é alguém me explicar como dosar isso aí.

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    1. Adlei Brex

      os big blocks são bem mais fortes que os small, normalmente, você sabe, mas esse 427 aí era uma série especial, mais forte que os outros 427, comando mais bravo e carburação. Não sei detalhes, não me lembro, mas sei que esse Stingray era o Corvette de série mais forte no Brasil. Era bestial.
      A dose? talvez eu possa te explicar, já que estou vivo e inteiro até hoje. Mas você sabe a dose. Obedeça sua cabeça.

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    2. AK, já toquei carro com big block e sei bem qual é a diferença com a mesma carroceria. Mas o mais próximo que cheguei disso aí foi um Camaro 74 vestindo um 502 marítimo refeito pra rua (comando, admissão, carbura, descarga, etc). A caixa era automática (TH-400) e mesmo assim parecia que o motor mal se dava conta que tinha um automóvel inteiro de lata agarrado nele. De drive, era só uma patada no acelerador que a caixa se encarregava de cambiar tudo sozinha e o carro se movia apenas alguns metros. Acredito que quem diz que carro automático é frouxo, é porque não tinha motor o suficiente. O mais interessante que ele ficou extremamente dócil, o torque era absurdo, então usei um comando relativamente baixo, sem perder lenta nem nada (não tinha trans break, então não dava pra "limpar" motor antes de arrancar). Dava pra andar na maciota sem problemas. Não sei se era esse o caso desse Vette, gatinho na baixa, cria alada do Satã na alta. Fica só na imaginação, muito bem incentivada por seu relato. Mas voltando a questão da "dose", você tocou num ponto interessante. Também estou vivo e inteiro até hoje, e mantive todos ao meu redor assim também. Possuo algumas primaveras a menos que você, mas pretendo chegar lá inteiro e (por quê não?) com experiência e vivência semelhantes. Em tempo, "bestial" foi o adjetivo mais foda de todos. Forte abraço!

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    3. Adlei,

      Você expressou perfeitamente a coisa. O motor não se dá conta que tem carro pra empurrar. Sobe de giro como se estivesse em ponto-morto. Notei exatamente o mesmo.
      Em breve devo fazer uma matéria com um big-block aí e verei se consigo fazer uma filmagem que passe a impressão.
      Tem câmbio automático pra todo tipo de função. Veja os dos dragsters, por exemplo. Não manjo, não sei qual é esse TH-400, mas ele não seria um para isso mesmo, um desses de pegada mais bruta?
      De qualquer modo, o autom. funciona, mas um big-block com câmbio manual é o bicho.

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    4. A TH-400 era a versão mais bruta da TH-350, transmissão mais comum de 3 velocidades dos chevrolets da década de 70 (AG vai saber explicar com mais detalhes, também não manjo muito de transmissão). A 400 era usada mais nos big blocks pra suportar o torque. Rezam por aí que a relação era assim: 350 - 2.52 1.52 1.00 e 400 - 2.48 1.48 1.00
      Ainda existem as TH-700 e TH-700R4, esta última com 4 velocidades.
      Você comentar sobre as caixas automáticas dos dragsters só reforçou meu argumento quando eu digo que falta motor pra caixa. Vide a quantidade de bólidos usando Powerglide de 2 velocidades (devidamente transformadas, claro).

      Aguardo ansiosamente a matéria com o big block, coisa pra ficar lendo e relendo feito essa aí do Corvette.

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  8. Ótima historia !

    Ri muito e adorei, pois aqui em Brasília tem muitas historias parecidas e deliciosamente iguais a sua.

    Deve ser uma maravilhar dirigir um monstro desse !

    Obrigado AK.

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  9. Prefiro Mustang!!!

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    1. Má comparação a sua. Não são carros de mesma categoria. Para enfrentar o Mustang havia o Camaro.

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    2. AK, qual seria o Ford que enfrentaria o Corvette? O GT40? Ou ela nunca apresentou um concorrente, deixando a tarefa pros europeus? rs

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    3. Quero falar em defesa da ford,pois foi a montadora com mais vitórias em qualquer categoria no mundo,f1,indy,rally,le mans etc,,chevrolet não tem 10% do cast de vitórias da ford.....

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    4. Corsário,

      O Cobra 427. Esse dava pau no Corvette, já que era mais leve e tinha um pouco mais de potência. Mas o Cobra parou de fabricar, creio, quem em 67, por aí, então o Corvette voltou a reinar.

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    5. A resposta oficial da Ford ao Corvette foi o Thunderbird, no final dos anos 50, mas como não atingiu o objetivo, se desvirtuou nos anos 60 e 70. Era qualquer coisa, menos um concorrente do Corvette.
      E continua sozinho nos EUA até hoje.
      O Cobra tinha apoio, mas não constava do catálogo oficial da Ford. Era da AC Cars.
      Bom, isso não é grande sabedoria. Só uma observação.

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  10. Quando morei nos EUA, na década de 70, falavam que Mustang era pra quem tinha gasolina na veia e Vette pra quem tinha perfume nas veias...

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    1. "Mustang vein gas, Vette veine parfum!"

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    2. Anônimo,
      Faça o seguinte: dirija os dois e depois a gente conversa.

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  11. AK
    Que texto legal...!
    Bons carros voce teve , grande escola.
    Fico imaginando o que nao representava um carro desses naquela época. Com certeza nao haviam tantos importados como vemos hoje nas ruas.
    Adoro os C3 "chrome-bumpers" (68-72) que junto com o 63 split window sao meus preferidos.
    Ainda hoje esses carros arrancam na frente de muito esportivo moderno.
    La pelos meus 5-6 anos meu pai realizou um sonho que eu tinha: entrar num Corvette. Me lembro ate hj. lindo amarelo com teto targa estava a venda na lj de um amigo dele que ficava na Av da Consolacao ..
    Bons tempos de motores potentes e gasolina barata!

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  12. Aléssio Marinho15/03/12 15:02

    AK,

    O melhor de sonhar é poder realizá-lo, do jeitinho que sempre quisemos.
    O homem só vive enquanto sonha.
    E o seu desejo de possuir o 427 foi sonhado aos poucos, lento e saboroso. Lendo seu relato, vi a felicidade estampada no rosto de um rapaz a 40 anos atrás...
    Parabens!

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  13. É Arnaldo, adrenalina é a droga de todos aqui nesse blog. Até hj só tive Mav. 302, então fico imaginando esse bichão aí...

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    1. Po Reynaldo e voce diz só um 302V8
      Esse carro é sonho de muito de nos entusiastas.
      Confesso que tenho uma frustacao de nunca ter guiado um V8 .. Ja tive alguns carros legais esportivos .. mas nunca um V8 .
      Nao quero morrer pagao !

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  14. Fantastico texo. Obrigado por compartilhar conosco!

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  15. Lorenzo Frigerio15/03/12 18:19

    Arnaldo, essa Corvette tinha a placa AG-0383?
    Já ouvi falar algumas coisas sobre esse carro, acredito que algumas (ou todas) sejam lenda:
    - taxa de 13:1
    - 70 kg de torque
    - motor de 500 cv, impressos no bloco
    - terminou seu dias com motor de Opala 6 cilindros

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  16. ótimo post, parabéns!!

    eis o que me falta ainda, dirigir um carro acima do nível, ainda não tive a oportunidade, mas quando tiver nao a deixarei escapar!

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  17. Daniel San15/03/12 19:04

    Arnaldo,ótimo texto,me escangalhei de rir!
    Carros assim não foram feitos pra serem dirigidos (ou seria pilotados?)todo dia,mas pra tornarem especiais cada dia em que entramos neles.

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  18. Caramba, até agora o carro mais potente que já dirigi é o meu mesmo, um gol 1.8. Que pobreza!

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  19. Lorenzo, parte lenda, parte verdade.
    A placa não me lembro, mas bem que pode ser.
    Taxa: 11:1. Escritas no console. A taxa de 13:1 seria muito alta pra gasolina, apesar dele, na época, só usar Avgás.
    Potência: 435 hp, escritos no console. Não tinha nada de 500 cv escrito no bloco. Alguns blocos vem com um 500 lá, mas são 500 cubic inches, polegadas cúbicas, como os blocos Donavan, de alumínio têm.
    Esse carro, sim, por uma época, teve um motor Opala 4100. O sujeito que o comprou do meu tio, um músico, não sabia guiar direito e o Camilo o convenceu a trocar por esse de Opala....
    Depois, o sujeito que havia comprado esse mesmo motor 427, comprou o carro da viúva desse músico, e aí ficou tudo original, matching number. Hoje o carro está com essa pessoa, um colecionador.
    Essa é que é a verdade. O resto é chute.

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  20. joao celidonio15/03/12 22:52

    arnaldo, vai ser uma pena qndo as histórias desse tipo se acabarem!

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    1. Celidônio,

      cabe a nós fazê-las acontecer...

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  21. Filipe_GTS16/03/12 00:13

    Dá gosto de se ler um texto assim.

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  22. Prezado,
    Realmente rememoriar um carro desses em sua devida epoca não é algo que saia da mente !!!
    Uma pequena duvida ficou quanto aos 3 Webers duplos. Me julgo conhecedor de Corvettes e não alcancei em nenhuma literatura esse modelo. Nem os L88 e ZL1 vinham com essas unidades, perguntei a um amigo, não menos conhecedor e mesmo, tambem ficou na duvida, você saberia mais a fundo que se tratava ?

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    1. Originalmente eram equipados com 3 Holleys, não Webers. Chamava-se Tripower e era equipamento opcional.

      http://www.cranescorvette.com/tri_powers.htm

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    2. Salvi,

      O Adlei tem razão. Hoje está com Weber, que eu o vi há poucos anos, mas na época, provavelmente estava com os Holley.
      Lá se vão uns 40 anos e na época eu pouco ligava para detalhes técnicos. Eu queria mais é que andasse muito.
      Lembro dele ter esse tal opcional Tripower, que uma vez escapou a mola na Anchieta e o motor disparou. Meu tio parou no acostamento, motor a milhão, abriu o capô rapidinho e fechou as borboletas na mão, já que não conseguia desligar na chave de ignição.
      Aconteceu isso. Nem assustei, de tanto que eu confiava nele. Ele, sim, assustou.

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  23. Gustavo Cristofolini16/03/12 10:52

    Eu tive um fusca feito no inferno. Era descomunal o que acelerava, mas chegava nos 200km/h, parecia que ele estava puxando um navio. 0 a 100 em 5 segundos e alguma coisa. Dei muita risada e ralei muito playboy. Carro leve virado em motor é o que há. Vida longa aos motores preparados!

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  24. Lorenzo Frigerio16/03/12 12:35

    No começo dos anos 80, tive a oportunidade de dirigir dois "big block" autênticos, pertencentes a um amigo:
    - um Cougar XR7 1969, com motor 390 de alta compressão. O torque e a "pegada" eram brutais, mas infelizmente o carro não desenvolvia muito por ser bijet de fábrica.
    - um Pontiac Formula 455 1974, um verdadeiro míssil, especialmente para a época, visto que as importações estiveram fechadas a partir de 1976.
    A maior diversão com esse Pontiac era retirar o panelão do filtro de ar. Quando se acelerava, o ronco de indução do Rochester Quadrajet abrindo acordava defunto. Na época dos "rachas" da Praça Panamericana, no ponte a ponte do Jaguaré até a da Panamericana, nas mãos de um colega mais hábil, deixou para trás os mais famosos Opalas mexidos da época, comemorando, no final do trecho, com sua buzina eletropneumática Fiamm.

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  25. Post delicioso e lido como se estivesse a bordo do bólido.
    Tive 2 experiências com bloco grande e caixa manual.
    Uns 8 anos atras passei uma tarde inteira de sábado andando num Camaro RS 1967 branco com faixas azuis e placa preta por São Paulo de carona, o André meu Xará com o camaro do pai extraiu todos os 330 cv do V8 a tarde inteirinha, e eu sentado no banco de tras sentindo a traseira escapando sentindo a puxada e ouvindo o V8 berrando la na frente, foi com certeza o dia mais feliz da minha vida.
    A outra foi pilotando um Corvette 2008 de 436cv por uns 10 kms, mas com certeza a experiência de andar esses poucos KMS pilotando o corvette não chegaram aos pés da tarde andando de carona no camaro 67.

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  26. Reiter, acho que nenhum dos dois era big-block.
    O Corvette tem 6,3 litros e esse Camaro deveria ser um 350 ci. Confira.
    Mas chegou perto.
    Esse Corvette que vc guiou é bom demais! Tem um chão que só ele. Impressiona. Tem que passar dos 200 para sentir alguma cócega, de tão no chão que é.

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    1. Pois é AK o máximo que cheguei foi beliscar a faixa vermelha de terceira, a concentração era tanta que não olhei pro velocímetro, era um olho na estrada e outro no contagiros hehe.
      Além do mais o Vette que vc andou era mais leve, mais forte (torque) e o melhor de tudo era carburado, o que da muito mais "feeling" na tocada né?

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    2. Reiter, faixa vermelha em 3a, no Vette 2008, já é perto dos 200 km/h. E desencana do conta-giros. Se passar ele picota e não tem mais perigo. Olha só pra frente e casca a lenha. Na 2a picotada vc já saca de ouvido e troca no giro certo. Eu faço assim em carro novo e que não conheço.
      Já nos antigos, é preciso cuidar direitinho.

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  27. marcusthedriver16/03/12 23:34

    Bahhh
    AK que texto hein!!! Me senti dirigindo o vette... já entrei num stingray desses, mas nunca tive a honra de dirigir... pena que hoje em dia as pessoas de classe média só tenham carros 4 cilindros "motor de geladeira" pra dirigir...

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  28. Fantástico, Arnaldo! Parabéns pelo belíssimo texto. Infelizmente nunca tive a honra de andar em um big block. De seu texto o mais familiar foi o fusca. Já dirigi um preparado pelo Amador, 2300 com dois weber 48. Uma delícia. Power slide no asfalto tão fácil quanto os fusquinhas normais fazem na terra vermelha. Saudades de acelerar algo de qualidade. Texto inspirador. De novo. Muito obrigado!!! Abraço!

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  29. Kiko,

    era um Itamar preto?
    Guiei um lá assim, preto, 2300, suspensão acertada, e era um show, um monstro. E que chão! Parecia um Porsche. E era isso mesmo: power slide facinho, sem descontrole, certinho.
    O Amador é genial. Também, 45 anos preparando Fusca...

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    1. Oi Arnaldo, esse era um besourão amarelo. Esse carro ganhou o motor por acaso. Era para outro fusca mas por ironia do destino acabou neste fusca. Não era nem de longe tão elaborado como esse itamar preto a que você se refere mas que acelerava, ah isso sim!!! Este estava mais para usa Brasilia 2100. Chegou a quebrar o encosto do banco do motorista por causa das arrancadas. Acho que com pneus um pouco mais aderentes ele daria uma pequena empinada na arrancada partindo do zero. Um foguete mas nada elaborado em termos de chassis. Ainda faço um puma com motor do mestre amador se ele ainda estiver na ativa. Grande abraço!

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  30. AK, creio que o pesadelo mais próximo do seu belíssimo relato é a cadeira elétrica do Alexandre Garcia, uma Caravan V8 bastante brava. Tive o prazer de conhecê-la ao vivo, mas o siso de não andar naquela ocasião. Ô bichinho nervoso de controlar, quiçá numa cheia de ginga Caravan! Abraços e parabéns pelo post.

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