Google+

13 de maio de 2012

DEZ OVELHAS




Era uma vez um menino.

O menino nasceu em janeiro de 1864 em uma família pobre do condado de DeKalb, Illinois, a uns 100 km a oeste de Chicago. Estava destinado a perder a família muito cedo, quando tinha apenas sete anos de idade.

O estado o colocou então sob a custódia de um fazendeiro. O contrato determinava que a criança deveria trabalhar na fazenda até a maioridade (21 anos), e em troca receber casa, comida, uma roupa nova a cada ano. E só. E assim o menino trabalhou muito, para receber quase nada em troca, por cinco anos.

Em 1876, aos 12 anos, o menino fugiu da fazenda. Andou 30 km até uma cidade longe o suficiente (Grand Blanc), onde arrumou um trabalho de ajudante de carpinteiro em uma grande fazenda. Recebeu um salário de 24 dólares por três meses de trabalho. Pouco, mas pelo menos, um salário. Durante a colheita do outono, o menino trabalhou mais um mês e recebeu 12 dólares. Aos 13 anos, o menino tinha economizado 25 dos 36 dólares que ganhara até então.

O menino então pegou este dinheiro e comprou dez ovelhas. Comprou-as e imediatamente “colocou-as a dobrar”, um método tradicional da região em que um fazendeiro criava os animais de outra pessoa, ficava com toda a lã, mas devolvia o dobro das ovelhas ao dono em três anos. Muito tempo depois, disse o menino sobre esta operação: “...vocês não podem nem começar a imaginar o quão duro foi para mim comprar essas ovelhas, nem a gloriosa satisfação quando finalmente as comprei.”


Dali para frente, a vida do menino foi lentamente mudando. Passou a trabalhar na administração de uma série de fazendas. Segundo ele, depois deste primeiro investimento de sucesso, “... toda minha vida fui dono de ovelhas e de livros, e trabalhei muito duro.” Ele também casou, e de seu casamento veio uma necessidade de mudança de ares, devido a problemas médicos da jovem esposa. O menino, já um jovem de 20 anos, muda-se então com sua jovem esposa para a cidade de Flint, no estado de Michigan.

Lá começa a trabalhar em um mercado que vendia um pouco de tudo, um antecessor dos supermercados de hoje. Como contador e fazendo serviços gerais no mercado, o menino ganhava um bom salário, e sua vida estabilizou. Comprou uma pequena casa, e estava feliz.

William Crapo Durant

Ali trabalhando no mercado, conheceu um senhor chamado Josiah Dallas Dort, que ficou maravilhado com a capacidade e dedicação dele no trabalho. Dort era o diretor de manufatura da Flint Road Cart Company, um produtor de carroças e carruagens, que as produzia a um ritmo de 4.000 ao ano. Logo, o menino tinha um novo emprego como gerente de tapeçaria na fábrica da Flint Road Cart Company.

O diretor de vendas desta empresa era um super-vendedor que viria a se tornar lendário. Seu nome era William Crapo “Billy” Durant. Não muito tempo depois, Durant e Dort deixam a empresa (com o menino a tiracolo), para fundar sua própria fábrica, ali mesmo em Flint: a Durant-Dort Carriage Company. O menino se torna um diretor de produção da nova companhia.

Durante a década de 1890, a companhia prospera, até que aparece competição de uma nova e revolucionária forma de transporte pessoal: o automóvel. Ali mesmo em Flint aparecia uma promissora fábrica, criada para produzir o automóvel de David Dunbar Buick (abaixo). Depois de um passeio no carro ao lado de Buick, Billy Durant fica maravilhado, e resolve investir na empresa. Imediatamente Durant se torna um dos diretores da Buick, e a maioria das ações fica nas mãos de sua empresa, a Durant-Dort.


J. Dallas Dort e o menino inicialmente não acreditavam no novo negócio, e dele mantiveram uma distância segura. Mas a Buick de Durant prosperou de forma inacreditável. Durant mergulhou no sonho da nova indústria.

A Buick foi a semente de um conglomerado criado por Durant em 1908. O conglomerado se chamou “General Motors”, e inicialmente, além da Buick, era composta pela Cadillac, a Oakland (depois Pontiac) e a Oldsmobile, além de várias fábricas de autopeças. Com suas novas responsabilidades como presidente da GM, Durant chama para tomar seu lugar ao volante da Buick adivinha quem... o menino de Illinois, agora um experiente homem de negócios.

O imenso sucesso do menino na Buick fez suas responsabilidades aumentarem dentro da GM, e ele então contrata um executivo da indústria ferroviária para ajudá-lo: Walter P. Chrysler. O talento de Chrysler logo libera o menino para mais uma promoção, que acontece de maneira inusitada: na famosa saída de Durant da GM em 1910, quando seu conselho de acionistas põe fim à sanha de aquisições desenfreada que ele promovera até então. Em novembro de 1912, aquele pobre menino então se torna presidente da General Motors, uma empresa que logo se tornaria a maior do mundo.

Fora da GM, Billy Durant, funda a Chevrolet e a usa para comprar ações da GM, e assim consegue retomar o poder da empresa que fundou. O nosso menino então é obrigado a sair da cadeira para que seu antigo chefe voltasse a sentar nela, e deixa a GM. Corria o ano de 1916.

Mas os dias de trabalho do menino, agora um senhor de 52 anos, ainda estavam longe de acabar. Com um sócio, ele compra a Thomas B. Jeffery Company de Kenosha, no Wisconsin, famosa pelos carros de marca Rambler. O menino renomeia a sua nova empresa, colocando seu nome na fachada.

Charles William Nash era o seu nome.

Um Nash Phaeton 1920

Sua empresa, a Nash Motors, sobreviveria independente até 1954, quando se juntou com a Hudson de Detroit para formar a American Motors. A AMC, por sua vez, acabou comprada pela Chrysler em 1987, empresa fundada pelo antigo funcionário de Nash, que também foi presidente da GM antes de sair e fundar sua própria fábrica.

Charles W. Nash (abaixo) morreu um milionário em 1948. Mas mais que isso, morreu um homem com uma história invejável de honestidade, trabalho duro, coragem e superação. Um exemplo.



Lembrei desta história ao conversar com um amigo ontem. Este amigo foi engraxate na GM de São Caetano do Sul quando era criança. Hoje é um engenheiro em um grande fornecedor desta empresa, mas lembra com grande carinho o tanto que aprendeu fazendo aquele trabalho humilde, mas honesto, nos escritórios da empresa. Orgulhava-se de ter engraxado os sapatos e de ter conversado com Rick Wagoneer, então presidente da GMB, mas depois presidente mundial da empresa durante sua falência em 2009. Diz que seu tempo lá engraxando os sapatos dos engenheiros o inspirou a superar uma infância pobre e seguir também esta nobre profissão que constrói coisas reais.

Mas em recente visita à GM, ele soube que não há mais engraxates mirins por lá. Parece que agora, tal coisa é considerada trabalho infantil. Tabu, proibido.

Eu sou meio devagar, mas acho que é porque é mais importante deixar essas crianças na favela mesmo enquanto seus pais trabalham. Ops, favela não, na COMUNIDADE, desculpem. Sozinhos lá o dia inteiro sem fazer nenhum trabalho, devem aprender muito, ter uma infância feliz e se tornar pessoas melhores. 

Mas sei lá, talvez eu seja burro mesmo, mas me parece que trabalhar desde bem jovem não fez nenhum mal ao meu amigo. Nem muito menos a Charles Nash. 

MAO

Para saber mais:


Sobre Charles Nash:

Storied Independent Automakers: Nash, Hudson, and American Motors


Sobre a Buick, Durant e J Dallas Dort:


58 comentários:

  1. Victor Gomes13/05/12 12:14

    Lugar de criança é na escola!

    Mas peraê? Cadê a escola?
    Ahhh, ela existe, esta ali, situada a alguns quilômetros da COMUNIDADE!

    Mas é muito longe! Não tem transporte para a criança ir e voltar de lá?

    Tem sim! Só que essa semana ele não está funcionando. Ela não vai poder ir a aula hoje. Nem amanhã, nem depois de amanhã...

    BRASIL SIL SIL!!!


    Muito boa a história! Legal saber como que quase toda a industria automobilistica norte-americana originou-se praticamente ao redor de uma empresa.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Pode ser a realidade nos rincões do Brasil. Por aqui, nossas crianças, sabendo que não precisam (e não podem) trabalhar, mas de resto podem tudo, agridem professores - fisicamente e psicologicamente.

      João Paulo

      Excluir
  2. Ótimo artigo !

    ResponderExcluir
  3. Apenas lembrando que determinadas profissões, embora não produzam "coisas reais", possibilitam acesso ao meio que permitirá produzir as "coisas reais", ou seja, o adequado planejamento em termos de projeto econômico-financeiro sobre a "coisa real", que libera os recursos financeiros necessários.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. O comentário mais "contador de feijões" já escrito neste blog.

      Excluir
  4. Ainda acho que lugar de criança é na escola. Mas em escolas como as cubanas e as finlandesas, onde são as crianças que limpam e cultivam a própria merenda (no caso cubano), ou cortam a lenha do aquecimento e preparam as próprias refeições (no caso finlandês). Isso cria cidadãos honrados: a taxa de criminalidade dessas duas nações é baixíssima e esses países são reconhecidamente celeiros de ciência e tecnologia.

    Aqui no Brasil educação cidadã são só duas palavras bonitas, e isso não ocorre só nas escolas públicas, as particulares seguem no mesmo caminho...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Aqui no Brasil, sempre aprendemos que profissão boa era aquela onde você segura uma caneta e senta numa confortável cadeira. Hoje temos uma legião de graduados, trabalhando como auxiliares administrativos, ganhando o mesmo e até menos que um mecânico ou pedreiro.

      João Paulo

      Excluir
    2. Marcelo Junji13/05/12 13:59

      Pois é, aprendeu errado. Qualquer profissão é boa, fica melhor ou pior (financeiramente) conforme a época. Hoje em dia pedreiros e mecânicos ganham mais que graduados, e eu não vejo nada estranho nisso.

      Excluir
    3. Pedreiro e mecãnico são duas profissões super especializadas, que não é qualquer um que exerce. Nada mais justo que sejam valorizadas. É mais ou menos como "jogar futebol", o talento natural e a dedicação são mais importantes do que a formação teórica. Claro que estou falando dos bons, como em qualquer profissão. Não é demérito nenhum um graduado ganhar menos que um pedreiro, ainda mais nesta época em que está tão dificil conseguir um decente pelo boom da construção civil.

      Excluir
    4. É isso aí, aqui no Brasil infelizmente aprendemos (e até pouco tempo funcionou assim) a separar o trabalho da administração.

      Resultado: as empresas brasileiras que vão para a frente são quase sempre comandadas por gente com trinta anos de carreira na empresa que começou como auxiliar de produção, ou então pelo proprietário que começou fazendo tudo ele mesmo. Ou seja, gente que sabe como funciona o chão de fábrica.

      Aqui ensinam-se números e matemática, mas números não são nada se não se conhece todo o contexto. 2 é maior que 3, mas 2 é melhor que 3? Impossível saber, é preciso saber o contexto.

      Excluir
    5. Marcelo Junji, te quem disse que eu acho estranho ou errado isso? Pode até ser estanho, mas nunca acharia errado ou injusto. É exatamente isso que quis dizer. Isso não vem de hoje. Tem muita moda de viola retratando a vontade do pai que o filho virasse "dotô". Qualquer revista sobre carreira fala somente de profissões "nível superior", o que pra mim sempre foi um erro.

      João Paulo

      Excluir
    6. Marcelo Junji14/05/12 01:30

      João Paulo, desculpe-me, entendi errado.

      Excluir
    7. De boa, Marcelo.

      João Paulo

      Excluir
  5. É claro que precisei saber quem era o cara logo no início, e tive que dar uma espiadinha no final antes do tempo.
    Típica historinha do Reader's Digest que eu lia muito nos meus tempos de criança e adolescente.
    Só não consigo entender essa capacidade das pessoas em poder economizar quase tudo que ganham.
    Ainda preciso aprender...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Meu pai conquistou tudo o que tem hoje economizando e comprando tudo à vista. Antes dos 30 já tinha casa própria. Só foi ter o primeiro carro mais tarde.

      João Paulo

      Excluir
    2. Quem tem dinheiro tem poder... Enquanto quem financia fica pedindo por favor por banco baixar taxa e fica feliz quando ouve a palavra "promoção", quem tem o dinheiro barganha, e normalmente, consegue negociar condições mais favoráveis pra si.
      Ou seja, além de ter mais dinheiro, consegue comprar as coisas por menos que gente que tem menos. Simples né? Só é conseguir não torrar tudo.

      Excluir
    3. Porém é preciso saber como economizar. No tempo do Collor, muita gente comprou várias linhas de telefone, para alugá-las e revendê-las depois, e ainda receber o dinheiro das ações...

      É preciso saber como guardar o dinheiro. Poupança hoje é muito atrativo, já moeda estrangeira não, mas no passado ocorreu o inverso. Terrenos hoje estão sobrevalorizados, exceto nas regiões Norte e Centro-Oeste, onde há potencial real para um grande crescimento.

      No fundo, o melhor investimento é em educação. Cursar faculdade de boa qualidade (não lojas de diplomas, faculdades boas mesmo) e muitos cursos é muito importante para qualquer um garantir o futuro (se estudando é difícil imagina sem estudar).

      Excluir
  6. Outra coisa interessante no Brasil, é que menores de 16 anos anos não podem trabalhar, mas muitos aposentados continuam a exercer suas profissões e com isso diminuir a oferta de emprego aos jovens.
    Não que eu seja contra o cidadão trabalhar depois de aposentado, mas penso, então, que o cidadão deveria largar o emprego e começar algo por conta própria para que pudesse ser liberado novas vagas de trabalho.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Quando vc se aposentar com o salário de fome do INSS, vai entender pq tanta gente ainda continua trabalhando aposentada!

      Excluir
    2. Por isso a importância de fazer um plano de aposentadoria por conta própria... Depender de INSS depois de tantos anos de trabalho é osso.

      Excluir
  7. Mais uma vez, MAO, concordo em 110% com você. Mais um pouco de cultura automobilística "detroiteana"! Valeu!!


    Sou contra o trabalho infantil desde que este impeça ou prejudique a criança de estudar e se desenvolver cultural, intelectual, emocional ou socialmente. Só isso. Eu comecei a trabalhar com 14 ou 15 anos, e sou muito feliz. Meu pai trabalhou cedo. O Sr. Abraão Kasinsky desde criança. São muitos exemplos.


    Aposto que o Neymar jogava em categirias de base antes dos 16 anos, e ninguém o censurou. Ele pode, né? A profissão dele tem regalias.

    ResponderExcluir
  8. MAO, um dos melhores artigos do blog. Nem tenho muito o que acrescentar.

    Ps.: Trabalhei com meu pai na feira vendendo frutas aos 12 anos de idade. Meu primeiro "salário" foi um vinil com as 4 estações de Vivaldi, pelo Karajan. Aos quinze virei office boy no Branco do Brasil, em um programa chamado "menor aprendiz", que, claro, não existe mais hoje.
    Agora, com 40 anos, trabalho na área de TI. Ah! Esqueci de falar: Sabem como comprei meu primeiro computador e decidi que profissão seguir? Com meu salário de "boy" no Banco do Brasil.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Mauricio, tb fui menor aprendiz do BB, comecei com 13, antes ja tinha vendido sorvete, trabalhado em lanchonete. É uma pena hoje a lei impedir isto. Meu primeiro salario em comprei uma bicicleta monareta, minha mae ajudou a inteirar o dinheiro, e depois eu paguei ela. Depois de um tempo comprei uma moto cg em parceria com minha irmã, em 96 vendemos a moto, e com a grana eu comprei meu primeiro pc, 486 dx4 100 :)
      Alias, acho que vc vai entender o meu nick 'masa' :)

      Excluir
    2. Pior é que menor aprendiz só com 16 anos, e querem baixar a maioridade penal... Daqui a pouco, se depender de Bolsonaro e Cia vai ter menor respondendo como adulto antes de conseguir a sua primeira carteira assinada.
      É mais uma daquelas coisas que a velha esquerda reacionária faz, dá um remédio amargo demais, quase mata o paciente e ainda o culpa o culpa pelo ocorrido.
      Para evitar que em regiões atrasadas a família use a criança como mão de obra, é que foi proibido o trabalho "infantil" em que menores ficam ociosos até os 16 anos. Aí eles não conseguem emprego por causa do alistamento militar.
      Sinceramente, não sou fã dessas viúvas da ditadura militar, mas experimentem por uma equipe de PM´s e Bombeiros aposentados na Fundação Casa, experimentem...
      ...O que vai ter de firma oferecendo máquina para montar uma oficina de aprendizado e assim ganhar mão de obra especializada com custo baixíssimo não ia ser fácil. Mas a velha esquerda reacionária é contra o lucro e acredita que os traficantes que governam tiranicamente as "comunidades" são os novos Zumbis dos Palmares e os bandidos são "expropriadores" do burguês, redistribuindo a renda. E o salário ó...

      Excluir
  9. Belo texto, de uma figura que eu particularmente praticamente não tinha informações de "background". Quem quer, dá duro e consegue. Sem desculpas.

    ResponderExcluir
  10. Caso típico do Sonho Americano. Já por aqui,criança não pode trabalhar,mas pode agredir professores enquanto a mãe vive de Bolsa-Esmola...

    ResponderExcluir
  11. Mas se apender a dar valor ao trabalho desde cedo e o custa pra ter as coisas, não vai votar no cara que manda um quilo de feijão pra cada um da "comunidade" na véspera da eleição e não vai depender de esmolas do governo e políticos.

    Aí fica difícil para as quadrilhas se menterem no poder... e isso não interessa a eles...

    ResponderExcluir
  12. Boa tarde!
    Gostei do artigo - mostra no mínimo como surgiu a cultura empresarial americana: muito trabalho, poupança, cercar-se de pessoas competentes, etc.
    São valores culturais difíceis de serem aglutinados, principalmente em nosso País.
    Aqui por algum motivo parecem prevalecer as divergências, pois embora haja reconhecidamente grandes talentos individuais, não conseguimos ajuntá-los em grandes empreendimentos industriais, que não sejam estatais.
    A consequência de não vermos nascer grande grupos industriais é simples: os que surgem são "tocados pelas famílias" até o seu breve desaparecimento.
    Somos então meros produtores agrícolas, compradores de tudo aquilo que tem um pouco ou muita tecnologia, incapazes de produtir internamente bens mais sofisticados.
    Se algum dia conseguirmos criar, perenizar e manter o controle nacional sobre grandes grupos industriais, começaremos a nos encontrar como nação.
    Um grande abraço!

    ResponderExcluir
  13. Um amigo muitos anos atrás me contou uma piada quando a gente "trampava" pra pagar o cursinho pré-vestibular: Existem 3 grandes mentiras - 1) Dinheiro não traz felicidade; 2) O trabalho enobrece o homem; 3) Juro que eu ponho só a cabecinha... Bom, deixando de lado a brincadeira, a questão é que trabalho honesto não é motivo de orgulho por aqui. Quer um exemplo fácil: basta ver a quantidade de espertalhões no trânsito.

    ResponderExcluir
  14. E uma observação sobre preconceito contra os pobres: a moça que trabalha aqui na minha casa tem 2 filhos e recebe bolsa-família. Sabe qual a grande vantagem do governo em ajudar essa moça? Todo o dinheiro que ela ganha de ajuda faz girar a roda da economia, afinal esse POUCO dinheiro que ela recebe acaba retornando ao comércio em forma de roupa que compra para os filhos, comida ou até mesmo um celular (e por que não?). E para quem continua achando que o governo está esbanjando, lembrem-se que esse dinheiro mal dá pra encher o tanque dos nossos carros. O preconceito contra o trabalho no nosso país é o mesmo que se tem dos pobres.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Uma vez vi uma pesquisa que diz que mais de 70% do Bolsa Família retorna ao governo sob a forma de impostos (ICMS, Imposto de Renda dos comerciantes, etc). Ou seja, o Bolsa Família acaba custando muito menos do que o montante pago pelo governo.

      Excluir
    2. E o pessoal que prefere ficar em casa ganhando bolsa-família ao invés de trabalhar? Conheço MUITOS, mas MUITOS casos mesmo.

      Excluir
    3. Não viaja, Thales.

      Mesmo com o teto da bolsa família, o valor não é suficiente para alimentar minimamente uma família por 1 mês.

      Se a pessoa resolver viver só de bolsa família não vai sobrar nada pra outras necessidades básicas de sobrevivência.

      Você fala que conhece "MUITOS" que preferem viver de bolsa família a trabalhr. Eu DUVIDO que você conheça sequer uma pessoa nessas condições.

      Só tem 2 maneiras do governo diminuir (pelo menos um pouco) a altíssima concentração de renda aqui. Cobrando imposto dos mais ricos e dando dinheiro aos mais pobres.

      Excluir
    4. Thales,

      O camarada pode continuar recebendo o Bolsa-Família se trabalhar por salário-mínimo. Quem não trabalha e vive de Bolsa-Família simplesmente é um vagabundo, e não iria trabalhar a sério nem que o Bolsa-Família deixasse de existir.

      Excluir
    5. Carlos, não entendi o "não viaja". O bolsa-família não dá pra sustentar uma família em cidade grande, você quer dizer.
      Mas usando artifícios como pedir esmola, fazer um bico aqui, outro ali, ao invés de procurar trabalho de verdade (construção civil tá precisando de gente pra caramba, cadê esse povo?)
      Você duvida, pois bem, você mora em cidade, apartamento, vida "encaixotada". Vá ao interior, vai na zona rural, e eu te mostro MUITA gente assim.
      Essa forma "Robin hood" de governar já foi tentada nos EUA, se chamava "Welfare". Deu tão certo que foi abolida.
      O programa "Bolsa Família" deveria ser de AUXÍLIO, e como um AUXÍLIO, deve ser dado por um certo tempo e depois a pessoa deve ser possível de andar com as próprias pernas. Mas o que se vê é só mais gente entrando na "boquinha". Ninguém melhora de vida? Por que será?

      Anônimo 14:48, se a pessoa não quer trabalhar, que não trabalhe. Complicado é receber mesadinha pra ficar sem trabalhar.

      Excluir
    6. Thales

      Resposta para sua pergunta: Porque para o governo interessa manter as coisas desses jeito já que, dessa forma, possui uma legião de estado-dependentes e que sempre estarão com eles na hora de votar. Coronelismo do século XIX.

      Excluir
    7. Anônimo 17:11, pois é, fiz essa pergunta de forma retórica, a resposta está bem clara para qualquer um que queira ver.

      Excluir
    8. O Bolsa Família pode até ser que ofereça retorno pra economia do local, mas nunca vai ser o jeito certo de estimular o crescimento.

      João Paulo

      Excluir
    9. Thales

      A julgar com as coisas andam por aqui, parece que muita gente não quer ver como tudo isso funciona.

      :(

      Excluir
  15. Aonde voces conseguem estas historias fantasticas??
    Eu adoro quando tem estes artigos no AE.
    Parece que todos estes grandes homens que fizeram iperios na industria automotiva ficaram no passado, e que hoje so existem MBAs e PMIs da vida fazendo as coisas sem paixao pelo automovel

    ResponderExcluir
  16. Christian Monteiro14/05/12 01:24

    Boa, MAO!

    Bela História, com H de verdade! H de Homem, de Humanidade, de honesto, com sincera paixão pelo trabalho e pelos automóveis, e não de "Grupos de Investidores" com paixão pelos lucros apenas...

    Falávamos de Nash e Chevrolet em casa hoje o dia todo - ensaiando a ida a Araxá - eu e um tio que teve um Nash no passado. E quando atualizo o blog para ler os posts do dia - rotina antes do sono - a bela coincidência que sempre liga os meus assuntos recentes ao blog. Incrível. Um show!

    Continue postando belas histórias como essa. E que continuemos sempre apaixonados pelos autos como somos, e não pelos plásticos "com maior espaço interno" apenas, visando lucros e não sonhos para o futuro.

    C.M.

    ________________________________________________________

    ResponderExcluir
  17. MAO,
    bons tempos esses em que mais trabalho significava mais dinheiro no bolso.
    Acredito que a pior coisa inventada no ramo trabalho seja o salário, esse que prende a pessoa a um valor fixo todo mês, problema sério quando se vive no Brasil dos impostos e da inflação oficial mentirosa.
    Linda história.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Infelizmente o que vale hoje é o "quem trabalha demais não tem tempo pra ganhar dinheiro"

      Excluir
    2. Ah, mas isso é simples, trabalhe, não gaste tudo, e faça o dinheiro que sobrou trabalhar pra você. Tem gente fazendo isso hoje em dia e ganhando dinheiro.

      Excluir
    3. Gostei da "inflação oficial mentirosa", concordo plenamente.

      Excluir
  18. Linda história, como muitos já comentaram!

    Incrível como algumas pessoas conseguem superar adversidades terríveis em suas vidas, tornando-se pessoas de sucesso, deixando um legado enorme para os outros. Fato cada vez mais raro nesse mundinho atual, política, ecológica e "hipocritamente" correto.

    ResponderExcluir
  19. Belo texto. É interessantes ver como os "grandes" foram pessoas comuns, imersos em seus respectivos problemas e obstáculos, e que reagiram a isso.

    O mundo precisa de grandes homens honestos e que valorizem o trabalho e o próximo. Infelizmente vivemos em uma sociedade egoísta onde estender a mão ao próximo, ser honesto ou a dedicação ao trabalho soam como demérito ao cidadão.

    Augusto Filho

    ResponderExcluir
  20. Aos que gostaram da história e se sentiram inspirados, sugiro uma leitura sobre a vida e obra do nosso digníssimo Irineu Evangelista de Souza, a.k.a. BARÃO DE MAUÁ (tenho 3 grandes inspirações em minha vida: meu pai, Churchill e o Barão de Mauá). Trabalhou desde menino, ainda muito jovem se tornou empresário e homem feito já era uma potência empresarial. O livro do Carlos Caldeira é uma novela, acessível mesmo a quem não é chegado em biografias, e vale muito a pena.

    Visionário, idealista, patriota e honrado, criou um império mundial numa época em que uma carta levava 2 meses pra cruzar um oceano (imagina o que não faria hj com internet, FB, etc.). Se o Brasil tivesse seguido seu modelo de desenvolvimento ao invés de optar pela mentalidade retrógrada, servil, mesquinha e assistencialista do Segundo Império, seríamos hoje uma Alemanha ou mesmo um EUA. No mínimo, estaríamos bem melhores como nação.

    Felizmente, mesmo depois de derrubado pelos conchavos locais e pelo imperialismo inglês e americano, conseguiu se reerguer e terminar a vida de forma honrada e digna com que conduziu sua existência e seus negócios. Infelizmente não teve no final o ânimo e a disposição da juventude para continuar lutando pelo melhor para seu país e ses interesses.

    É uma pena que não seja tão louvado e admirado por aqui, em sua terra. Não deixa a dever nada pra qualquer um desses gringos, que são fantásticos e aparentemente mais eficientes no "marketing pessoal" (mesmo post-mortem rsss...) do que nossos heróis.

    Abs.,

    ATC

    ResponderExcluir
  21. Nao vejo nenhum problema em riança trabalhar, desde que nao largue os estudos, eu mesmo comcei a trbalhar com cinco anos de idade, acordando as 4h da manha para ajudar meus pais na banca da feira, inclusive domingos e feriados. Morando em COMUNIDADE, tendo que pegar duas de onibus ou trem em pe para chegar a faculdade, estagio, etc. E hoje em dia sou engenheiro renomado de uma multinacional, ja tendo trabalhado e morado no exterior, e voltado ao meu pais devido ao apagao de mao de obra especializada. E meus filhos tambem vao trabalhar desde cedo para aprender a dar valor ao trabalho e as pessoas, que ganham a vida honestamente e que cresceram devido aos seus proprios esforços.

    Otimo artigo, parabens.

    ResponderExcluir
  22. Nunca deixe que lhe digam o q vc vai ser, ou o q vc não pode ser. Seu futuro quem faz é vc mesmo, atraves dos seus esforços e trabalho honesto. E trabalhar desde criança ou ter vindo de familia pobre ou de comunidade nao é nehum demerito.

    ResponderExcluir
  23. Querem escolas para as crianças, hospitais, remédios essenciais grátis ou pelo menos com preços acessíveis, creches, estradas de qualidade sem esse asfalto casca de ovo que racha e faz buracos na primeira chuva, aeroportos melhores etc etc? Procurem dentro dos estádios da Copa e nas obras superfaturadas das Olímpiadas, dentro delas estão todos os recursos públicos desviados e que fazem falta...

    E outro dia li que querem que o SUS, que nem consegue dar remédio, atender grávidas que morrem na porta do hospital antes da dar a luz, que não consegue fazer transplantes de coração, pulmão, rim etc, que não faz tratamentos essenciais e obriga pessoas até a recorrer a justiça, que deixa pessoas morrerem em filas ou em macas nos corredores, esse SUS pretende fazer operação de mudança de sexo grátis... para atender um desejo sexual de um cidadão, que tem todo o direito de atender sua opção de vida, mas desde que faça com dinheiro próprio, vão tirar recursos da saúde que já é caótica.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sugiro que você se informe melhor sobre o tema. Não é "desejo sexual", nem "opção de vida", é transtorno de identidade de gênero. Um distúrbio que tem consequências graves e podem levar a pessoa ao suicídio.

      Excluir
  24. Muito bom este texto,MAO,Parabéns!

    ResponderExcluir
  25. Zé da Silva15/05/12 09:07

    MAO
    Sem elogios, o texto está maravilhoso.

    ResponderExcluir
  26. Oskrmarinho12/06/12 15:17

    Excelente texto! Espero, para o bem da humanidade, que essas histórias continuem se repetindo, continuem surgindo de tempos em tempos essas pessoas predestinadas, capazes e acima de tudo, com um objetivo e tenacidade para lutar! Tambem sou egresso dos quadros do BB, onde só se entrava depois de provas muito concorridas,e onde aprendiamos o valor do trabalho e da honestidade, que nos dava condições de fazer carreira mediante nosso próprio esforço; conheci alguns menores que trabalhavam no Banco, todos oriundos de familias humildes e entre êles, há hoje muitos ocupando cargos na direção da instituição; infelizmente,hoje, o trabalho de menores é visto como exploração, não como aprendizado;preferem os nossos amados legisladores, que nossas crianças ocupem o tempo ocioso aprendendo a cheirar cola, fumar crack, servir de "aviões" para o tráfico de drogas.

    ResponderExcluir
  27. Não me estranha o Brasil é o país da demagogia. O lema da nossa bandeira deveria ser Hipocrisia e Demagogia.

    ResponderExcluir
  28. MAO,
    acabo de reler seu texto depois de um tempo.
    Não mudou a conclusão: o Brasil tem doenças mentais sérias, que atinge mesmo corporações estrangeiras que aqui atuam.

    ResponderExcluir

Olá AUTOentusiasta, seu comentário é sempre bem-vindo! De preferência, identifique-se ao comentar.
Atenção: comentários contendo ofensas pessoais, a marcas, a fabricantes isoladamente e/ou em conjunto, a nacionalidade de veículos, bem como questionando práticas comerciais lícitas e margens de lucro aceitáveis nas quais este blog não interfere, bem como o uso de palavras de baixo calão e a exposição de outros leitores ao ridículo, não serão publicados. O AUTOentusiastas se reserva o direito de editar os comentários sem declinar motivo.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...