30 de dezembro de 2012

ORÁCULOS E PROFECIAS

Da lenda de Teseu e o Minotauro: Rei Egeu de Atenas e então futuro pai do herói, consulta a pitonisa no Oráculo de Delfos
Há poucos dias o mundo passou pelo fiasco de seu anunciado fim por uma dita profecia do calendário maia. Daqui mais alguns dias estaremos entrando no ano novo, e faremos todo tipo de ritual para termos um ano próspero e buscamos sempre saber quais as previsões para o ano que está por se iniciar.

Não tem jeito. Tentar adivinhar o futuro faz parte da humanidade desde tempos imemoriais. Está em nossa essência, e muitos de nós não consegue evitar essa curiosidade, e várias crendices se espalham pela nossa cultura em função dessa necessidade arraigada. Muitos chegam a emparelhar estas crendices a ciências verdadeiras. Astrologia é um bom exemplo.


O que nos fascina nas profecias é que elas antecipam algo que está por acontecer, e imaginamos que podemos mudar alguma coisa no presente para que o indesejável seja afastado e apenas o desejável se realize. A profecia, se fosse possível ela ser verdadeira e se pudéssemos alterar o que ela diz, controlaríamos o futuro.

O futuro, entretanto, não é um livro que qualquer um possa abrir e ler. É necessário algum poder e conhecimento oculto para que alguém consiga nos informar como será o futuro, e esse alguém é quem chamamos de oráculo.

Não por acaso, uma das mais conhecidas empresas de hardware e sofware do mundo se chama Oracle, obviamente oráculo em inglês.



O que pouca gente sabe é que profecias e seus oráculos, bem como as estranhas situações que criam, são assunto da maior seriedade para a ciência e a tecnologia. Porém, há muitos tipos de oráculos e profecias que nós não imaginamos como tal, e são esses os tipos que realmente interessam.



Vamos fazer um teste.

Tente caminhar onde você está, porém de olhos fechados. É provável que que você acabe esbarrando em alguma coisa. Quando você vê os objetos à sua volta, percebe que vai esbarrar neles e se desvia.

O processo da visão (e não apenas os olhos, o que é um detalhe importante) funciona como um oráculo, prevendo que se continuarmos nos movendo como estamos, iremos esbarrar em algum obstáculo, e temos que nos desviar para evitar esse obstáculo. Em outras palavras, usamos a visão (oráculo) para prever o futuro (esbarrar no obstáculo), e em função da previsão, mudamos o presente para que apenas o futuro desejável (não esbarrar no obstáculo) se realize.

Se usamos esse processo de prever um possível futuro e o manipularmos até em pequenas coisas, é natural que isso faça parte de uma cultura ainda maior. Pense nas coisas que faz, e o leitor verá esse processo até nas atitudes mais simples e instintivas.

Vamos agora para um exemplo mais tecnológico.

Pense no parafuso da roda de seu carro. Quando o engenheiro o projetou, ele levou em conta uma série de fatores de esforços a que esse parafuso será submetido, e junto com o conhecimento das propriedades do material, determinou um diâmetro que dará a ele resistência mecânica suficiente para que apenas um parafuso em cada 10.000 se rompa durante sua vida útil.

De uma certa forma, o processo de projeto de qualquer coisa não deixa de ser um processo de previsão do futuro. Conhecimento do comportamento da aplicação daquele tipo de parafuso e das propriedades do aço servem como oráculo, e através deles podemos profetizar o diâmetro adequado para ele.

Este processo, no entanto, é o caminho pelo qual muitos dispositivos à nossa volta terão que passar rumo à sua evolução.

Algo nesse sentido pode ser percebido na tecnologia do ABS. Nos sistemas de freios antigos, se o motorista freasse além do limite de aderência da pista, a roda travava, e o carro percorria uma distância muito maior até parar.

Aí inventaram o ABS, que processando os sinais de rotação das rodas (oráculo) podia prever o travamento da roda (profecia) e modular a pressão hidráulica sobre as pastilhas ou lonas de freio para evitar o travamento franco da roda, diminuindo a distância de frenagem e, como efeito colateral, mantendo o controle direcional do carro.

Entretanto, o oráculo do ABS atual é limitado na sua percepção de futuro. Se o veículo tem que frear numa pista seca que em determinado ponto está lavada de óleo, a coisa complica para o ABS.

Quando o carro freia sobre o asfalto seco, o ABS tem que operar no limiar de pressão hidráulica anterior ao travamento da roda. Quando o carro atinge o óleo, o ABS não tem qualquer função de antecipação desse fato, e verá a roda travando e ele terá de encontrar a nova pressão hidráulica de limiar sobre o óleo. Esse processo de encontrar a nova pressão de limiar não é um processo instantâneo, e a eficiência da frenagem diminui.

Se a mancha de óleo for pequena, o ABS nem teve tempo de achar a pressão limiar no óleo e é pego de surpresa com um piso novamente aderente. Ele vai ter de perceber a nova mudança e recomeçar a buscar uma nova pressão de limiar.

Isso demora um tempo significativo, e o carro perde um espaço vital de frenagem enquanto isso.

Um ABS melhor que o atual precisará de algum sensor de distância (oráculo), como uma câmera, que preveja o tipo de terreno pelo qual o carro atravessará (profecia), e com isso carregar parâmetros pré-aprendidos de pressão limiar quando a situação mudar. Assim, o ABS encontrará mais facilmente a pressão limiar exata e aumentará a segurança do veículo.

Do ponto de vista da engenharia, os sistemas oráculo pertencem a um tipo especial de controlador.

Num controlador do tipo mais comum, desejamos que determinado processo opere numa determinada condição. Quando esta condição ocorre, a comparamos com a condição que era desejada, o que causa um erro que será usado na compensação do processo. O resultado é que o processo opera com uma margem mínima de erro.

Este é um sistema que opera em realimentação ou feedback. Dei um exemplo simples detalhado de como funciona um sistema em feedback aqui .

Já sistemas de controle baseados em oráculos lidam com fatos ainda não ocorridos. Os erros que o sistema usa para corrigir sua atuação e manter o processo sob controle são calculados sobre uma realidade futura apenas estimada.

Este é um processo conhecido como alimentação em avanço ou feedforward.
 
A diferença de funcionamento entre sistemas em feedback e feedforward é que, enquanto o sistema em feedback reage a um erro após ele ter ocorrido, o sistema em feedforward age preventivamente para que o erro previsto não ocorra. São estratégias opostas, porém complementares.

Os computadores foram pensados desde o começo com duas coisas em mente: servirem de máquinas dotadas de inteligência e servirem de oráculos. As primeiras aplicações dos computadores estiveram no campo da balística e na previsão do tempo, duas aplicações tipo oráculo por excelência.

Como oráculos, os computadores deveriam estudar, classificar e medir, mediante algum tipo de algoritmo, uma coleção de dados passados e presentes, e, através do que fosse apurado, apontar a direção em que o futuro se realizaria.

Com a capacidade dos computadores atuais aliada à capacidade de serem interligados em rede para atuarem como supercomputadores, e ainda sua interligação com o rico mundo de dados que é a internet, permitiu que um volume assombroso de dados pudesse ser coletado e analisado num curto intervalo de tempo, o que permitiu a criação de sistemas oráculos de grande porte, os chamados "sistemas proféticos".

Hoje temos uma variedade enorme de sistemas proféticos:

>Uma equipe da Universidade de Bristol avaliou a lista das 40 músicas mais tocadas durante 50 anos na Inglaterra, e chegaram a um algoritmo capaz de acertar se uma música chegará entre as cinco mais tocadas em algum momento, com 60% de exatidão;

>Uma equipe do MIT, liderada pelo prof. David Shah, desenvolveu um algoritmo capaz de prever os Trending Topics do Twitter com 95% de acerto. Segundo o prof. Shah, este algoritmo pode ser modificado para prever o comportamento das ações nas bolsas de valores e crimes cibernéticos;

>Na Universidade de Birmingham, uma equipe de pesquisadores desenvolveu um algoritmo capaz de prever para onde as pessoas vão, baseado nos padrões de comportamento da pessoa e dos seus conhecidos. O algoritmo consegue perceber pequenos padrões de comportamento relacionados, e projetar destinos futuros;

>Numa aplicação que parece ter vindo do filme Minority Report, a polícia de Los Angeles vem usando um sistema profético que relaciona os crimes passados e presentes, além de perfis psicológicos e de atuação dos criminosos conhecidos para prever onde estarão localizados os crimes futuros, e lá concentram o patrulhamento. O sistema, desenvolvido pela empresa PredPol, tem taxa de acerto duas vezes superior ao do melhor analista humano, e seu uso já surtiu efeito mensurável nos índices de criminalidade na cidade;

>Bruce Bueno de Mesquita é um respeitado cientista político e professor da Universidade de Nova York. Ele desenvolveu um poderoso algoritmo, baseado na Teoria dos Jogos, onde rastreia as estruturas de comando e decisão de vários países para fazer previsões futuras sobre política e economia. Ele gaba-se de um índice de acerto de 90% nas suas previsões, o dobro da de analistas políticos renomados. Uma previsão sua para a CIA, a de que o Irã só produziria uma bomba atômica em 2014, impediu uma ação armada americana contra aquele país durante o governo George W. Bush;

>Os próprios mecanismos de busca na internet como Google, Bing e Yahoo são sistemas proféticos, na medida em que medem o comportamento das pessoas para oferecer no começo da lista os links mais desejados pelos usuários na próxima pesquisa.
A quase totalidade dos grandes sistemas proféticos é feita por empresas privadas e seus mecanismos são mantidos em segredo a sete chaves.

A realização de sistemas oráculos e proféticos tem várias implicações graves.

Prever o futuro nunca foi uma ciência exata. O futuro previsto sempre estará mais para uma vaga hipótese do que para uma certeza, o que leva os projetistas destes sistemas a lançar mão de recursos matemáticos mais próximos da magia do que da ciência fundamentada.

E o que fazer se um sistema baseia sua decisão de atuação sobre uma hipótese falsa feita por um oráculo feito de magia matemática e não de ciência? Ele pode causar de pequenas falhas a graves incidentes.

E o problema vai além, porque prever o futuro implica em um enorme conjunto de paradoxos.

Einstein, quando previu a viagem no tempo, quis mostrar o quanto a viagem no tempo é complexa, demonstrando o conhecido paradoxo do avô.

O Paradoxo do Avô, proposto por Einstein

O paradoxo do avô imagina que alguém volte ao passado, na época em que seu próprio avô ainda era jovem e ainda não conhecia sua avó, e o mata. Se o viajante do tempo mata seu próprio avô antes que ele possa gerar um dos seus pais, impede que o viajante nasça, faça a viagem no tempo e mate seu avô. O paradoxo do avô demonstra uma quebra na linha temporal de causa e efeito.

Há vários paradoxos temporais, importantes para a ciência e amplamente explorados pelos escritores de ficção científica. Uma boa lista descritiva destes paradoxos pode ser vista aqui.

O estudo dos paradoxos, no entanto, é de vital importância no projeto de modernos sistemas automatizados, pois eles lidam com prever um futuro que pode ou não se realizar, criando efeitos paradoxais que o o programa terá de lidar. Os paradoxos tanto podem ter impacto externo ao sistema, fazendo-o agir indevidamente, ou criar dados internos incoerentes que o programa de controle não saberá como lidar com eles, com conseqüências imprevisíveis.

Além dos paradoxos temporais, os sistemas automáticos baseados em oráculo exibem paradoxos particulares.

O melhor exemplo para mostrar esses paradoxos é dado pelo robô de investimento, porque a idéia do mecanismo é simples e suas implicações são diretas.

Digamos que o banco A vai criar um robô que lide com ações na bolsa de valores. Para que esse robô obtenha lucros, ele tem de saber comprar quando o valor da ação atinge seu mínimo e vender quando a ação atinge seu máximo. Para isso, o robô precisa de um sistema oráculo que preveja as altas e as baixas futuras do valor de cada ação.

Este oráculo, para funcionar, precisa conhecer o passado e o presente de todo mercado de ações para projetar o futuro.

Digamos que durante a fase de desenvolvimento, o oráculo consiga prever com extrema precisão os valores futuros da ação. Confiante, o banco decide colocar o novo robô para atuar no mercado, e logo ele projeta uma baixa, e começa a comprar quando o valor cai.

Ocorre que o mercado de ações não é um ambiente passivo. Ele está cheio de concorrentes ativos com os mesmos objetivos.

Se a ação caiu e o banco A está comprando fortemente, os concorrentes observam isso e pensam que se ele está fazendo isso, o banco A possui alguma informação que valha o risco, e eles também passam a comprar aquela ação. Com o aumento da demanda pela ação, logo o preço sobe fora da previsão do oráculo, e o banco A não obtém o lucro que o oráculo previu.

O mesmo processo pode ocorrer na alta da ação, e ela pode não se valorizar tanto.

Para que o oráculo fosse perfeito, ele teria que saber absolutamente tudo sobre o passado e o presente do mercado de ações, e fazer com que a previsão de futuro inclua em sua estrutura a própria previsão em si. Para prever o valor futuro da ação perfeitamente, o programa tem que prever perfeitamente todos os fatos intermediários que irão ocorrer entre o presente e o instante da previsão desejada.

Portanto, para fazer a previsão do valor da ação, oráculo precisa prever antes que ele preveria o valor da ação, e seguindo o mesmo raciocínio, ele precisaria prever a previsão da previsão da previsão... criando um loop infinito, o que cria o paradoxo.

Esse paradoxo mostra que nenhum sistema oráculo pertencente a um agente ativo do próprio meio é capaz de fazer uma previsão absolutamente precisa.

Outro paradoxo associado ao anterior diz que se fosse possível desenvolver um oráculo 100% em suas previsões, mesmo que apenas um operador o possuísse, quando o mercado perceber que sua margem de acerto é de 100%, os demais operadores passam a imitá-lo, desfrutando indiretamente de sua capacidade de previsão. O lucro no mercado de ações está no fato de alguém ganhar sobre alguém que perde, porém se todos usufruem de alguma forma de um sistema oráculo perfeito, então ninguém ganha de ninguém. O mercado ganha uma estabilidade estática, e ninguém lucra ali. O paradoxo maior é que o sistema feito para maximizar o lucro termina por eliminá-lo.

Este segundo paradoxo é o mais perigoso que o primeiro. Quanto mais a tecnologia de sistemas oráculo avança independentemente em cada programa de cada investidor, mas margens de erro diminuem, e junto, qualquer possibilidade de lucros gordos.

Se todos os sistemas tiverem 90% de margem de acerto, já é suficiente para causar um grande estrago no mercado.

Ter um sistema que prevê o futuro melhor e age antes que a do resto da concorrência é uma vantagem óbvia, e isso dispara uma corrida tecnológica para criar algoritmos de previsão cada vez melhores. Porém, conforme uma massa mínima de operadores atinge esses objetivos e suas ações são seguidas de perto pelos demais agentes, a falta de lucro de um mercado estaticamente estabilizado acaba sendo o prejuízo que é distribuído para todos.

Mas, se o banco não pode confiar absolutamente nas previsões do oráculo do robô de investimento, sendo o investimento um negócio de risco, então ele não deveria usá-lo?

Não é bem assim. O banco precisa saber exatamente qual a confiabilidade do oráculo, e para isso existe uma métrica, dada por um conjunto de testes de paradoxo especialmente formulados para esta finalidade, conhecidos como "paradoxos do oráculo".

Vamos explorar alguns destes testes.

Imagine que um rapaz bate à sua porta e quando você o atende, ele lhe dá duas informações: sou seu bisneto, mas voltei 70 anos do futuro para lhe avisar que tenha cuidado com seu dinheiro, porque você irá usá-lo errado e isso trará muito sofrimento para a família.

Esse seu suposto bisneto pode ou não ter vindo do futuro, mas você não tem certeza se ele diz a verdade, e sem saber se ele é quem diz ser, você também não sabe se o conselho que ele lhe dá é real ou não.

Digamos que ele seja quem ele realmente é e não está mentindo. Você pode acreditar nele, cuidar adequadamente do seu dinheiro e não impor à sua família o sofrimento que ele disse que ocorrerá. Sua mudança de atitude mudou o futuro.

Entretanto, se o futuro foi mudado, talvez aquele bisneto nunca venha a nascer, ou se nascer, não irá sofrer, motivo da sua viagem no tempo. Cria-se, então, uma quebra na linha do tempo, um paradoxo histórico semelhante ao Paradoxo do avô de Einstein.

Em termos práticos, no entanto, o paradoxo não existe, pois o futuro previsto por um sistema oráculo é apenas uma projeção de algo que ainda não aconteceu e não um relato real de quem vivenciou o momento e retornou no tempo para contar como ele será.

Na verdade, esta é exatamente a situação que desejamos todo o tempo, podermos mudar nossas ações agora para obter o futuro desejável quando ele vier.

Se não existe o paradoxo, o problema real é se o oráculo é suficientemente preciso para nos alertar de uma situação que realmente pode ocorrer e nos instrumentar adequadamente e a tempo para que escolhamos a alternativa correta e agirmos adequadamente no momento certo caso seja necessário.

No caso do exemplo do robô de investimento, embora o oráculo não consiga prever com exatidão o valor da ação considerando a atuação do robô no mercado, a confiabilidade no robô parte da capacidade do oráculo em prever o preço da ação sem a interferência do próprio robô no mercado.

Continuemos com o exemplo do bisneto.

Se você não acreditar nele e não mudar suas atitudes, o futuro que ele descreve irá se realizar. O futuro que ele descreve também pode acontecer se mesmo que você acredite nele e aja no sentido de evitar esse futuro, e a nova cadeia de eventos nos conduza novamente ao futuro previsto.

Neste caso, a linha do tempo não foi rompida, e a previsão do oráculo faz parte da própria linha do tempo. Neste caso, apesar do oráculo ser verdadeiro, a previsão do oráculo não foi suficiente para alterar o futuro. 

Estes são dois casos onde dizemos que o oráculo, embora verdadeiro, é inútil.

No primeiro caso ele é inútil por não haver confiança nele, e no segundo caso, sua profecia é inevitável. Em projetos de sistemas, é uma total perda de tempo trabalhar com oráculos inúteis.

As lendas gregas estão cheias de descrições de oráculos inúteis. Os gregos acreditavam que o destino era a única força natural que estava acima dos próprios deuses, e, portanto, inevitável. Assim, as verdadeiras profecias sempre se cumpriam.

Maquete do Oráculo de Delfos: a realidade se misturando com as lendas

Cassandra era uma sacerdotisa do templo de Apolo em Tróia. Quando Apolo a desejou, lhe concedeu o dom da profecia, mas quando ela recusou a se entregar, Apolo lançou uma maldição sobre ela para que ninguém acreditasse nas suas profecias. Desprezada como louca pela população e pelos nobres, Cassandra previu que o cavalo de madeira deixado pelos gregos seria o fim de Tróia, mas ninguém acreditou nela.

Quando Édipo nasceu, o Oráculo de Delfos profetizou que ele mataria o próprio pai. O pai de Édipo e rei de Tebas, Laio, mandou abandoná-lo com os pés furados (origem de seu nome) para ser devorado pelas feras, mas foi recolhido por um pastor e posteriormente adotado pelo rei de Corinto.

Quando Édipo consultou Delfos, a mesma profecia lhe foi contada. Temendo matar seu pai adotivo, Édipo ruma para Tebas, encontrando no caminho Laio e o matando após uma discussão. Édipo em seguida mata a Esfinge, que afligia o povo de Tebas e, em retribuição, recebe a mão de Jocasta, esposa de Laio e sua mãe verdadeira, e o trono de Tebas.

Édipo e a Esfinge

Estes são exemplos de oráculos inúteis, sendo um de cada tipo. Assim, a mitologia já mostrava como lidar com paradoxos criados pelas profecias.

Há muitas outras situações que testamos oráculos como verdadeiros e que chegam em situações paradoxais.

Já a família de testes imaginando o oráculo como falso também tem sérias implicações.

Se temos um oráculo falso e confiamos nele, o resultado é um desastre, pois decidimos errado. Um oráculo francamente falso é fácil de descobrir e de descartar.

Calendário maia: oráculo falso

Porém os oráculos falsos podem apresentar profecias que se mostram verdadeiras a princípio, o que faz com que muita gente acredite neles, porém geram enormes prejuízos quando postos a trabalhar em condições reais, quando a confiança das pessoas dá muito espaço para uma ação livre.

Loki, deus nórdico da mentira e da trapaça, adorava enganar deuses e mortais contando-lhes várias verdades, mas quando ganhava a confiança deles, contava-lhes uma grande mentira para vê-los tropeçando logo a seguir.

Outra condição encontrada, tanto em oráculos verdadeiros quanto falsos é a da crença tão forte na profecia e no esforço para que ela se realize, que a seqüência de eventos acaba confirmando a profecia. Estas são as profecias auto-realizáveis, porque independem da veracidade inicial da profecia.

Profecias auto-realizáveis muitas vezes acabam mascarando a natureza de oráculos falsos, o que é uma combinação perigosa.


Há também gradações dentro dos próprios oráculos, em função dos oráculos serem confiáveis dentro de uma faixa de valores ou de situações. Assim, um oráculo pode ser próximo do verdadeiro num conjunto de situações, impreciso em outras e falso em outras condições.

Sistemas oráculo estarão cada dia mais na ordem do dia para as próximas gerações de automóveis.

Sensores de distância não apenas estarão no caminho evolutivo de sistemas atuais, como o exemplo do ABS do começo deste artigo, mas também como novas formas de "visão" para os carros sem motorista.

Carros sem motorista: sensores preverão possíveis colisões para evitá-las

Carros autônomos terão que aprender coisas que são naturais para qualquer motorista como o antigo alerta de que "depois de uma bola sempre vem correndo uma criança" para antecipar reações. É o tipo de antigo ensinamento que funciona como profecia e que as máquinas terão que aprender.

Um passo adiante, e veremos sistemas oráculo no controle de vários carros autônomos simultaneamente. Exemplo disso é a pesquisa do  Departamento da Ciência da Computação da Universidade do Texas, que desenvolveu um controlador de cruzamento sem sinal, onde cada carro que entra no cruzamento recebe um número de prioridade e tem sua trajetória calculada. Caso sua trajetória conduza a uma colisão com outros carros de prioridade mais alta, o veículo é instruído a desacelerar ou até a parar, para prosseguir apenas quando não houver mais o risco de colisão. Com os carros transitando para todos os lados de forma aparentemente caótica, consegue-se maior fluxo com redução de riscos de colisão nos cruzamentos.

O código-fonte do programa está disponível no site do projeto.

Veja o vídeo de apresentação do projeto a seguir:



Entretanto, há um certo risco no crescimento de poder e generalização destes mecanismos premonitórios na nossa vida cotidiana, ainda mais que os algoritmos com que são feitos estão mais próximos da magia matemática do que de alguma ciência fundamentada.

Quem comentou alguns destes riscos é o especialista em algoritmos Kevin Slavin, que trabalha para instituições financeiras de Wall Street, em sua apresentação da Conferência TED de julho de 2011.

A apresentação dele está aqui:



Em sua apresentação, Slavin afirma: "Nós criamos algo ilegível e perdemos a noção do que realmente está acontecendo no mundo que criamos."

Ele se refere a algoritmos trancados em laços uns com os outros, manipulando volumes imensos de dados  sem qualquer supervisão humana e criando situações absurdas.

Ele dá como exemplo o sistema da livraria online Amazon, que cria uma espécie de competição entre os livros e reajusta automaticamente o preço deles em função desta competição.

No começo de 2012, o livro "The Making of a Fly" (sobre a biologia molecular de uma mosca).chegou a atingir o preço de US$ 23,6 milhões em questão de horas, num flagrante conflito entre algoritmos matemáticos dentro do programa.

Ele afirma que muitos destes algoritmos  controlam não só a Amazon, mas 70% do dinheiro que circula por Wall Street, onde os planos de aposentadoria e de hipotecas dos quais dependem muitos americanos é investido. E o que ocorreu sem grandes danos na Amazon pode acontecer em Wall Street, sem que ninguém esteja no comando, caso algo saia de controle.

Foi o que, segundo ele, ocorreu em 6 de maio de 2010, durante o chamado "Flash Crash". Um negociador operava um programa que, por engano, comercializou 75 mil ações, no valor de US$ 4,1 bilhões, em apenas 20 minutos. O mercado estava nervoso com a crise da Grécia, com previsões fortes de baixa, e o comportamento anômalo do programa foi seguido de imediato e sem hesitação pelos programas de outros investidores antes que pudesse ser notado e parado por técnicos e especialistas, causando uma queda de 10% do índice Down Jones e um prejuízo enorme aos investidores.

E o leitor achava que oráculos e profecias eram apenas coisa de lendas e religiões!

Pois oráculos e suas profecias estes estão escolhendo os livros que devemos ler, decidindo os filmes que devemos assistir e daqui a pouco, dirigindo nossos carros.

E, pelo jeito, eles não só vieram para ficar, como dominarão nossas vidas.

AAD

Origem das imagens:
http://listverse.com/wp-content/uploads/2012/11/grandfather-paradox.jpg
http://ashistoriasdamitologiagrega.blogspot.com.br/2012/02/oraculo-oraculos-eram-os-locais-onde-as.html
http://clasicas-ojosdelguadiana.blogspot.com.br/2011/01/edipo-rey.html
http://universodahistoria.blogspot.com.br/2010/03/fonte-do-poder-no-oraculo-de-delfos-1.html
http://www.tested.com/tech/44337-how-i-envision-the-future-of-the-autonomous-car/
http://commondatastorage.googleapis.com/static.panoramio.com/photos/original/61086443.jpg
http://www.thetruthseeker.co.uk/wordpress/wp-content/uploads/2012/05/Mayan-Calendar.jpg
http://gatheringinlight.blogspot.com.br/2012_07_01_archive.html


51 comentários:

  1. Exelente post.

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  2. muito bom essa palestra do Kevin Slavin. Imagina um carro à semelhança desses elevadores que ele citou? Você lá dentro só com um botão de pânico?? Provavelmente, se chegarmos a esse ponto, isso não será na minha geração, mas mesmo sendo fissurado por tecnologia eu não me sentiria nada confortável dentro de um troço desses

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    1. Bruno, como humanos, gostamos de pensar que as coisas que usamos está sob controle, mesmo que seja apenas uma sensação errada.
      Tirar o controle das coisas da mão das pessoas e entregá-lo à própria máquina é algo assustador a qualquer um.

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    2. Imagina em um avião que hoje é pilotado por teclado! Jesus!

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  3. Bob, acredito que este tipo de discussão sobre lendas não cabe ao AE, daqui a pouco vão estar botando matérias religiosas aqui.

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    1. Anônimo 30/12/12 14:58
      Acho que você não leu tudo, isso acontece, pois só tem a ver com automóvel.

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    2. Caro colega, acho que você não leu o texto todo. Tem mais do que "Lendas" nesse texto. Tem teoria de Controle, princípio de funcionamento do ABS, análise do uso da previsão na tecnologia, análise da influência de algoritmos e sistemas inteligentes baseados em previsão... etc.

      Se puder, tente ler esse texto pois AAD/gryphon sempre posta temas interessantes e difíceis de se encontrar na internet de forma tão didática e com conclusões/questionamentos de qualidade.

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    3. Anônimo 30/12/12 14:58
      Leia o artigo a fundo. As aplicações tecnológicas de algo que parece misticismo ou religião são enormes, e estarão presentes em aplicações. Carros autônomos não existirão sem essa tecnologia.

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  4. Impressionante!

    Não sabia de tudo isso e menos ainda havia pensado sore.

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  5. Ótimo texto. Agora fico a pensar nas consequências de um "erro" dessa natureza - como ocorreu em Wall Street e na Amazon - para o futuro trânsito autônomo; causaria, no mínimo, um grande estrago.

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    1. Paulo, quando o homem começou a desenvolver sistemas para trabalhar submerso, com escafandros e sinos de mergulho, não se conhecia o mal do mergulhador.
      Muitos tiveram que morrer ou ter braços e pernas amputadas até que o risco fosse percebido e depois controlado.

      Nós somos resultado de um processo evolutivo de bilhões de anos, e ainda assim erramos, e muito.

      Agora estamos criando uma tecnologia que imita muito daquilo que fazemos, mas temos a presunção de acharmos ela perfeita.

      Essa tecnologia tem muitos tesouros para nos oferecer, mas também trás seus riscos. É isto que temos que contemplar.

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    2. Certamente, há riscos e benefícios. Os sistemas eletrônicos atuais são muito eficazes na medida em que preveem erros e então procuram evitá-los. No entanto, a capacidade de raciocínio, julgamento e tomada de decisões humana diante de ameaças ainda é importantíssima. Em minha opinião, não é prudente confiar cegamente em tais sistemas. Como citado no vídeo, a supervisão humana ainda é necessária. A inteligência artificial deve complementar e não substituir a inteligência humana.

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  6. Ótimo post, um grande assunto para se discutir!

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  7. Eu tenho medo dessas profecias. Confiar cegamente nas máquinas considero um grave erro. Por mais elaborado que sejam esse algoritmos oráculos ou proféticos, eles só fazem aquilo que está no algoritmo. Se dar conta de que algo não está ocorrendo conforme o programado ainda só é possível de ser feito por pessoas humanas. Por isso eu ainda prefiro confiar nelas.

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  8. Senna se despediu na noite de Sábado de 1994 , com um " nos vemos amanhã na Tamburello " ......

    O cara, que não entendeu nada, no dia seguinte foi o primeiro a chegar lá. Quase endoidou.

    Senna estava com o carro 2 cm mais baixo de o de Hill, escolha própria e único modo de bater o Bennetton, ele sabia do risco, o fundo do carro tocou nos bumps com tanque cheio e pneus murchos pelo Pace car, no terceiro bump a frente levantou e ele bateu.

    Ele sabia que poderia bater, mas não imaginava a barra pegá-lo. A morte foi uma fatalitade, mas o acidente foi imaginado como possível.

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    1. Quando imagino um acidente, imediatamente descarto qualquer tipo de fatalidade. Ou seja, no acidente por mim imaginado, tudo poderá acontecer. Até a morte!

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  9. Carros autônomos. Será fantástico não precisar mais dirigir! O carro nos levará, como deve ser. O mundo está evoluindo, sem dúvida.

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    1. Anônimo 31/12/12 17:56
      Seria mesmo uma maravilha...para quem não sabe ou não gosta de dirigir ou é "navalha". Com a vantagem de não termos mais um desses na nossa frente

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  10. Caros,

    Recomendo a série de documentários "All Watched Over by Machines of Loving Grace (http://www.docspt.com/index.php?topic=16370.0) e explica muito do que foi explicado superficialmente no texto.

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    1. 1k2, sou "freguês" do docpt.com há muito tempo, mas esse documentário me escapou. Valeu pela dica.

      Quando li a resenha, me lembrou esse outro documentário:
      http://www.docspt.com/index.php?topic=17660.0

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    2. Adoro teorias do caos, já estou baixando, pena não ter a versão legendada...

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    3. 1k2, eu tenho duas versões desse vídeo. Essa do docpt está dublada e dividida em duas partes, e tenho outra em HD no áudio original.

      Teoria do Caos e essa teoria de oráculos tem tudo a ver uma com a outra.

      De uns 40 anos para cá, mais especificamente de 20 anos para cá, vem surgindo todo um novo ramo da matemática, ligado às irregularidades da natureza e do universo caótico.
      Esse novo ramo é chamado de "Teoria da Complexidade", e além da Teoria do Caos (que mostra que sistemas simples podem oferecer respostas complexas), contém, por exemplo, a Teoria das Redes.

      O mais interessante sobre as teorias que compõem a teoria da complexidade é que, além de serem interrelacionadas, sua essência pode ser aplicada igualmente a coisas díspares.
      A explicação de rede que demonstra como se propaga um vírus na internet é a mesma usada para explicar a propagação do vírus da AIDS na população humana.

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  11. Lorenzo Frigerio30/12/12 18:24

    Talvez em função do desastre do Estádio de Hungerford, há 20 anos, quando a polícia inglesa liberou a entrada de uma turba furiosa do lado de fora, prensando contra o alambrado as pessoas que estavam do lado de dentro, derrubando-o e gerando pisoteio geral, os ingleses tornaram-se experts em fluxo de pessoas em espaços confinados. Eles certamente poderiam exportar essa tecnologia para a CET.
    Mas infelizmente, sabemos que a finalidade da CET não é o gerenciamento do trânsito, e sim a velha arrecadação.
    Parabéns pelo artigo, André, conheço uma pessoa culta quando a vejo.

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  12. Na Bolsa de Valores inexiste a possilidade de todos ganharem. A grande oportunidade está na baixa, com um todo ou numa ação, mas para prever o fundo do poço acredito que seja impossível criar um oráculo, ou mesmo, algum que possa prever boatos.Quando houve uma forte baixa nos anos 80,o mega especulador Naji Nahas, afirmou com muita propriedade; 'Em todo movimento da Bolsa, se alguém perde, òbviamente, alguém ganha. O dinheiro não fica suspenso no ar"
    Martim

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    1. Tem um que sempre ganha na bolsa: a corretora. Se vc compra, paga comissão a eles. Se vende, paga comissão também. Se eles acertam, ganham comissão extra sobre o acerto. Se erram, não sofrem nada com isto.Bolsa é jogo de azar.Temos um bilhão de teorias para provar que não é, mas é.Acionistas, corretores, economistas e outros istas de plantão:Podem espernear e dizer o que quizerem, falar que sou ignorante, que não entendo de bolsa, etc. Tá cheio de Delfins, Bresser Pereiras e outros por aí....

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  13. Pensei que se o ABS não funciona corretamente em todos os casos, deveríamos abandoná-lo até que seja melhorado.

    Nesse meio tempo, então, deveríamos ensinar nossos motoristas a usar corretamente o freio simples, a ponto de não necessitarmos mais do ABS.

    Mas aí pensei outra questão. O que fazer se a maioria não aprende?

    Insistir no ABS, que é a vergonha dos bons motoristas.

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    1. Lorenzo Frigerio30/12/12 21:38

      O ABS é, em parte, uma falsa panacéia, que por sinal falha justamente nas situações em que motoristas estritamente de rua mais teriam dificuldade de controlar um carro. O ideal é ter freios melhores e pneus de acordo com a potência dos freios. Mas isso sai caro e não dá marketing. As pessoas adoram dizer: "meu carro tem ABS".

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    2. Rocket Man, acho que não podemos ser radicais.
      Na mesma linha de pensamento, ainda não criaram um automóvel seguro, nem por isso o deixamos de usar até que se mostre seguro.

      Existe uma coisa que sempre estou pegando no pé.
      Eu acho que algumas verdades precisam ser ditas.

      Um exemplo clássico que costumo dar é o fly-by-wire aeronáutico.
      Esse sistema tem mostrado que é dezenas ou talvez centenas de vezes mais seguro que um avião puramente operado por humanos. Ainda assim, ao remover muitos dos riscos por erro humano, ele introduz seus próprios riscos.
      E há vários acidentes aeronáuticos que apontam para erro do computador.

      O certo de se dizer é que o risco existe por menor que seja, e quando o acidente ocorre, lamenta-se as mortes, mas aprende-se com o erro para evitar novas mortes.

      Por outro lado, vejam o caso do drive-by-wire automotivo. Nenhum fabricante assume que o sistema oferece risco, mas quem comanda o motor e a transmissão é o computador, e não o motorista.
      As reclamações de aceleração súbita vem ocorrendo com carros de todas as marcas, mas, na falta de reconhecimento da falha, cada hora tem uma desculpa diferente: tapetes que travam o acelerador, pedais defeituosos que enroscam... Enquanto isso, as reclamações de falha não param de chegar.

      Transparência nesses casos difíceis, sem solução à vista, é a melhor política.

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    3. Existe um documentário da Discovery com o Bruce Dickinson (Iron Maiden) pilotando em um simulador com um exemplo de Sistema de Controle por computador. Eles simulam uma falha na parte traseira do Avião e o Bruce não consegue controlá-lo. Aí ligam o auxilio por computador, este com milhões de correções instânteas e só operando a parte da frente do avião e como mágica este fica controlável.
      Vejam no tempo 4:40 do video http://www.youtube.com/watch?v=aObBHXsc_iw

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    4. ABS vergonha só se for pro motorista orgulhoso de mais, aquele que mais bate

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    5. Anônimo 30/12/12 23:03,

      Pois é anônimo, se chegar o dia em que eu necessitar de ABS, eu rasgo a minha habilitação em mil pedacinhos.

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    6. Concordo. Detesto avião ou qualquer máquina fazendo o que quer.Ainda mais no ar. Este fly by wire me mata de mêdo, mesmo sabendo de tudo que dizem de bom dele.Abs.MAC.

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  14. No próprio TED tem essa palestra bem pertinente ao assunto aonde tentaram fazer um carro autônomo tão rapido no circuito de Laguna Seca quanto um bom piloto.

    Huh... o humano foi mais rápido.

    http://www.ted.com/talks/chris_gerdes_the_future_race_car_150mph_and_no_driver.html

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    1. Leia isso e vai entender....
      http://www.jalopnik.com.br/por-que-ser-um-idiota-e-a-maneira-inteligente-de-andar-rapido-na-pista/

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    2. 1k2
      Esse cara está precisando ler urgentemente o livro do Jim Clark, especificamente o capítulo sobre Indianápolis...

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    3. Bob,

      longe de ensinar bispo a rezar missa, mas os monopostos de hoje são intrataveis com pouca tolerância a erros. Emerson Fittipaldi disse uma vez que a aerodinâmica "matou " a pilotagem.Estamos falando de um cara (o Lloid, não o Emmo) que precisou "puxar ferro" para encarar uma Chip Ganassi de Fórmula Indy em outro texto: http://www.jalopnik.com.br/por-que-os-pilotos-de-corrida-precisam-estar-em-forma/

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  15. Caros leitores, obrigado pelos elogios e comentários.

    Este texto era para ser um "especial de fim de mundo", mas não ficou pronto a tempo.

    Outro detalhe que me escapou foi comentar o caso mais clássico de sistema de controle por oráculo, que é o caso do caçador e do pato.

    Se o caçador atirar no pato onde ele está, vai errar. Como a bala viaja a uma velocidade limitada, ela demora um tempo entre o caçador atirar e ela chegar na trajetória do pato. Quando a bala chega lá, o pato já passou.

    Para que o caçador atinja o pato, ele tem que atirar à frente e acima da posição atual do pato, compensando a distância e a gravidade.

    Sem prever onde o pato estará e atirar na posição prevista, o caçador nunca irá acertar o pato.

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  16. Uma curiosidade e que até tem relação com o texto é a má interpretação de um fato ou de um horáculo. O exemplo atual está no calendário Maia; os Maias nunca disseram que o mundo iria acabar em 2012 - em 2012 apenas acaba uma era e começa outra (algo como os nossos milênios). Foi a imaginação das pessoas que interpretou o final dessa era como o fim dos tempos.

    A foto no artigo é de um calendário Azteca, que é derivado do Maia e usa o mesmo sistema (os calendários Maias originais não são tão bonitos e compactos). Recentemente foi encontrado um calendário Maia mostrando eras posteriores a 2012, comprovando que a interpretação de 2012 como o fim do mundo deve ser recente e que não teve origem entre o povo Maia.

    Clovis / SP

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  17. Quanto ao sistema que permite vários carros atravessarem um cruzamento ao mesmo tempo, o Vietnam já usa isso há tempos.

    http://www.youtube.com/watch?v=3_mXYvfy-Os

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  18. Esses sistemas autômatos criaram as maiores revoluções em quase todas as áreas, seja financeira, na indústria: automotiva, aeronáutica e etc, e de serviços.Quem você preferiria ver atuando em um carro com um motorista inexperiente, um ABS, EBD, ou qualquer dispositivo de segurança, que corrigisse uma dada situação de risco ou esse próprio motorista? E no mercado financeiro, um operador mal intencionado, como aquele francês, ou outros que criaram situações apenas para lucrar o máximo possível, prejudicando vários? E na aeronáutica, quem preferimos, quando quase todos os acidentes são gerados por erros humanos ou na operação incorreta dos sistemas? Sinceramente, prefiro a frieza da máquina aos excessos de confiança, má intenção, erros de estratégias, inexperiências humanos!

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    1. Wagner, esta questão tem vários lados.

      Vou fazer uma comparação que talvez vc entenda.
      Eu sempre gostei de suco de fruta, desde criança. Algumas frutas, água, açúcar, um liquidificador, e temos um suco delicioso.

      Mas nos anos 70 e no início dos anos 80 o que havia era um pozinho químico chamado Ki-Suco, que só tingia a água e era intragável sem uma tonelada de açúcar. Mas era tão fácil de fazer. Não dava trabalho algum e era instantâneo.
      Na segunda metade dos anos 80 surgiu o Tang. Era muito superior ao Ki-Suco.
      Esses sucos químicos em pó ainda existem, mas ainda estão muito aquém de um bom suco de frutas natural.

      Em certo sentido, o computador tem tornado certos aspectos da vida um Ki-Suco.
      Antes a gente contava nos dedos os amigos que tínhamos, mas era um prazer reunir o pessoal no final de semana e inventar uma aventura.
      Hoje, no lugar da meia dúzia de amigos, se tem centenas de seguidores, e ao invés da aventura coletiva no fim de semana, um "curti" no Facebook de cada um.

      Vc não decide mais que filme vai assistir. Baseado nas suas escolhas anteriores, a máquina decide por você. A máquina decide em que paraíso serão suas próximas férias...

      Nó somos humanos e sempre tivemos nossa forma de nos relacionar com os outros e com o mundo. Agora são algoritmos que nos dizem como temos que nos relacionar.

      Não sei se vc percebe, mas o efeito Ki-Suco está cada vez tomando mais conta das nossas vidas.

      Não sei quanto a vc, mas continuo adorando aquele suco quase cremoso de manga.


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    2. Bom, o belíssimo post é particularmente filosófico e como tal gera muitas interpretações...com este adendo agora das 23:15 entendi talvez aonde o André queria chegar: Até aonde seremos felizes, o que para mim, filosóficamente é o sentido da vida, Monitorados por algo que nos torne simples criaturas pasteurizadas...nessa linha, uma sopa de algoritmos vai escolher e colocar a nossa disposição inclusive a mulher ( ou homen? ) pelo qual nos apaixonaremos...na dúvida, vou tentar montar o carburador da minha velha F100, ver se funciona e a lenta fica redondinha, não antes de apreciar um cálice de um bom cabernet, que não foi comprado baseado em quantidades de "curtir" do Facebook! mais uma vez, belo post!

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    3. Hüttner,

      Eu praticamente fui criado com F100.

      Nem tanto, mas a empresa onde eu trabalhava desde meus 13 aninhos de idade, tinha várias. Aprendi a dirigir com elas e também com um caminhão Ford F350.

      Uma delas, ano 66, era amarela e a minha preferida, duas saia e blusa verde/branco 64 e 65 e uma Passeio também saia e blusa verde/branco.

      A 64 cheguei a comprar, mas já estava no bagaço e a amarela, que estava inteirinha, eles a venderam muitos anos depois quando eu já tinha saído da empresa.

      Ah! E a passeio 65 que era de um dos proprietários, mas que eu também podia guiar, parecia nova de tão impecável que estava.

      Apenas de bobeira, você pode me descrever a sua?

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    4. CCN! A minha é um laboratório de ensaio na qual brinco quando dá! Sobrevivente de uma meia dúzia que passaram pelas minhas mãos e pela empresa, é uma f 100 78, 4 cilindros que "morreu" trabalhando...Para não dar baixa, já que apesar de muita lenha a mecânica ( com excessão do motor! ) estava em dia, resolvi adaptar sobre este chassi uma cabine da F 350 1971...modelo pelo qual sempre fui apaixonado. O motor, por enquanto, foi substituido por um GM 151 de opala ( quando a traquitana ficar pronta, a idéia é de um v8 ou v6 ) Quando bate o desequilíbrio psicológico, ela e um F7000 80 fazem as vezes de minha terapia.

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  19. ai ai ai... quem chegou primeiro o ovo ou a galinha? Outro paradoxo não? Inegável que a qualidade de praticamente tudo melhorou exponencialmente com a tecnologia dos últimos 50 anos e que avança a passos gigantescos, dificultando, inclusive, seu acompanhamento por quem não tem qualificação científica apropriada. De qualquer forma, continuo preferindo que o controle permaneça nas mãos humanas, pois não creio que uma máquina com o melhor algorítmo existente possa superar o homem no quesito "eureka!!" O problema reside na incapacidade humana de reconhecer que não é "Deus" que tudo sabe e tudo pode. Creio, até, que as 3 leis da robótica, manterão algum controle sobre a tecnologia, afinal, os programas são iniciados/pensados por humanos. ô Dantas, isso não é um post. É quase um tratado de iniciação à matéria. Muito... hãmnn , até perturbador, diria. Parabéns.

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  20. Claramente será um problema a questão dos carros autônomos, somente com um botão de pãnico.
    Ao menos até nós, humanos nos acostumarmos com distâncias ínfimas entre os carros durante cruzamentos.
    Já imaginou alguém com as auais noções de distância vendo um carro a menos de um metro na sua frente enquanto cruza na direção dele? Iria apertar o botão de pãnico com certeza, parando/reduzindo a velocidade de todos os carros a sua volta em consequência dessa parada.
    O resultado? Os mesmos engarrafamentos que temos agora...

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    1. Seu comentário me fez lembrar de algumas pessoas que andam de carona comigo. Praticamente entram em pânico só porque eu não costumo frear imediatamente, e, quando nescessário, vou freiando o mínimo possível até chegar a distância mínima.

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  21. Sensacional post !

    Nunca imaginei uma correlação como esta, filosofia é realmente algo que faz falta nas escolas.

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  22. Muito bom Andre. Esses posts que relacionam assuntos tao diversos mostram a qualidade do AE. Apesar de nao concordar com sua oposicao aos controles eletronicos, penso que "malucos" como voce sao essenciais para nao confiarmos cegamente nos avancos tecnologicos.

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    1. Gustavo, além de uma formação técnica, tenho uma forte formação filosófica, e a cada dia que passa, vejo as questões filosóficas convergirem para questões tecnológicas, mas pouca gente percebe isso.

      Nenhuma tecnologia que seja adotada deixa de ter algum impacto na sociedade e na economia. Mas quem está balizando a adoção dessa tecnologia? Só a ânsia pelo lucro e pelo poder ilimitado? Isso é perigoso.

      Leia os livros de robôs de Isaac Asimov. Ele criou as três leis da robótica sobre as quais seus livros são escritos. Mas a importância filosófica das três leis é tão fundamental que é a primeira coisa que se lê num bom livro de robótica.

      Mas o que fizemos com o poder da eletrônica na primeira oportunidade? Construímos robôs autônomos que portam fuzis e que viajam pelo céu como caças-bombardeiros sem piloto.
      No lugar de gatilho, um bit. No lugar de uma consciência para apertar o gatilho, uma rede neural simulada num chip de silício.

      Na primeira oportunidade, jogamos as três leis da robótica pela janela.
      Demos o poder e a liberdade de matar às máquinas antes sequer que elas tivessem a mínima chance de serem reguladas pelas leis da robótica.
      Isso não vai ser uma mera aplicação tecnológica. Terá impacto no nosso futuro.
      Sem moral, a que interesses essas máquinas servirão?

      Todo processo saudável precisa de equilíbrio, mas estamos pisando fundo no acelerador do desenvolvimento tecnológico simplesmente porque hoje isso é possível.
      Este é um ato irresponsável, porque ainda não temos noção de todas as implicações dessa tecnologia no nosso futuro.
      O que eu tento é equilibrar as coisas, assim como tantos outros desconhecidos.

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    2. Concordo com você André e parabéns pelo texto!

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O Ae mudou de casa! Todos os posts do blog foram migrados para o site. Por favor busque por este post no site e deixe o seu comentário lá.
Um abraço!
www.autoentusiastas.com.br

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