6 de janeiro de 2013

CEGUEIRA DE MOVIMENTO

Desenho: neuroblog.brain-dynamics.es



Nas batidas em que um carro que seguia rapidamente atinge um mais lento saindo de uma via transversal, os motoristas dos carros rápidos geralmente afirmam não terem visto o veículo vindo da direita ou da esquerda. Eles não estão mentindo, apenas não viram realmente o outro veículo, mesmo à plena luz do dia. O fenômeno que diz respeito aos motoristas do carro rápido é chamado de “Cegueira de Movimento”. É incrível mas é verdade e preocupante.

Os pilotos militares recebem instrução sobre cegueira de movimento durante seu treinamento porque ela ocorre em velocidades mais altas e, até certo ponto, isto é aplicável a motoristas também, especialmente aqueles de carros mais velozes. Desse modo, se você dirige, leia o que segue com atenção.

Os pilotos são instruídos a alternar o olhar entre varrer o horizonte e o painel de instrumentos quando em vôo, e nunca fixá-lo mais que alguns segundos num único objeto. Eles são ensinados a manter a cabeça como se ela estivesse montada numa rótula e a movimentar os olhos continuamente. Isso porque quando se está em movimento, fixar o olhar num objeto por algum tempo faz a visão periférica sumir. Essa é a razão desse fenômeno ser chamado de cegueira de movimento. 

Para os pilotos de caça essa é a única maneira de sobreviver no ar, não apenas durante um combate aéreo, mas também sob as ameaças de tempos de paz como as colisões no ar.

Até cerca de três décadas atrás, esta técnica de “cabeça numa rótula & olhos se movimentando” era a única maneira de avistar outros aviões por perto. Hoje os pilotos contam com radares, mas a velha técnica ainda tem utilidade.

Veja uma pequena demonstração da cegueira de movimento. É a mesma que é usada para pilotos em treinamento na salas de aula antes mesmo que cheguem perto de um avião. Clique no atalho abaixo. Vê-se um conjunto de cruzes azuis sobre um fundo preto. Há um ponto verde piscante no centro e três pontos amarelos fixos à volta dele.

Se fixarmos o olhar no ponto verde mais que alguns segundos, os pontos amarelos desaparecerão aleatoriamente, isolados ou em pares, ou os três de uma vez. Na verdade, os pontos amarelos estão sempre lá. Observe os pontos amarelos por algum tempo para certeza de que não foram parar em algum lugar.

http://www.msf-usa.org/motion.html

Pode-se alterar a cor de fundo ou a rotação do conjunto clicando nos botões apropriados. As observações do autor sob o conjunto giratório são educativas.

Assim, se estivermos dirigindo em alta velocidade numa rodovia e se fixarmos o olhar na estrada à frente, não veremos um carro, um scooter, um bugue, uma bicicleta, uma vaca ou mesmo um ser humano vindo de um lado.

Agora invertamos a cena. Se estivermos atravessando a estrada a pé e um carro rápido vier se aproximando, há 90% de chance que o motorista não esteja nos vendo, pois a visão periférica dele pode estar zerada. E poderemos estar naquela zona cega!


Minha opinião

Por ser a visão periférica um dos elementos mais importantes para o dirigir seguro, fiz questão de compartilhar este texto com os leitores. Mas gostaria de acrescentar que justamente por ser essa visão essencial, sustento que vidros escurecidos, mesmo que apenas os laterais, atentam contra a segurança de condução. Grande parte da percepcão do que ocorre à volta do nosso carro é resultado da visão periférica, inclusive e principalmente a informação dada pelos espelhos externos, e as películas escurecedoras literalmente matam essa percepção, como também a que nos chega pelas janelas laterais, por exemplo, ao nos aproximarmos de um cruzamento. Essa é a razão de os chamados vidros de condução terem mínimos legais de transparência. Além disso, quando o vidro do pára-brisa é deixado normal e só as janelas laterais são escurecidas, fica difícil e desconfortável "varrer" os objetos no campo visual de condução devido às diferenças de transparência, pois a adaptação da pupila é longe de ser imediata. A transparência de pára-brisa e vidros laterais deve ser praticamente igual.

BS


Sobre este texto
Esta matéria me foi enviada por um velho amigo do Rio de Janeiro, Cláudio Fischgold, que a viu no site da Motorcycle Safety Foundation (MSF), uma organização sem fins lucrativos criada em 1973. A MSF trabalha com a Administração Nacional de Segurança de Tráfego Rodoviário (NHTSA), governos estaduais, forças armadas e outras organizações dos Estados Unidos para melhorar a educação, o treinamento e a habilitação do motociclista.
A MSF é patrocinada pelos fabricantes e distribuidores americanos de motocicletas BMW, BRP, Ducati, Harley-Davidson, Honda, Kawasaki, KTM, Piaggio/Vespa, Suzuki, Triumph, Victory e Yamaha.
 

71 comentários:

  1. Que matéria interessante! Experimentando com a tarefa do link, o ponto de baixo quase nunca "desaparecia", porém os dois de cima, não demora nem 10 segundos pra sumirem.

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    1. Larguei a maioria dos outros sites grandes por aí. Sério mesmo, minha Homepage é o Auto entusiastas...´Aqui não se fala de carros, mas sim de tudo que envolve carros.. Cada dia me gusta mais acessar o Blog... chega bater uma alegria de vez em quando cada vez que vem umas matérias como essa aqui.

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  2. Muito interessante e educativo, obrigado por compartilhar!

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  3. Huum, por isso meu pai nos ensinou a olhar pros espelhos PELO MENOS a cada 8 segundos enquanto se dirige na estrada.

    Muito obrigado. Bob, já repassei o texto para os amigos !

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  4. Muito bom! Poucas pessoas falam sobre estes fenômenos físicos que estão presentes no hábito de dirigir de cada um de nós!

    Abs,
    Rangel

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  5. Muito bom post sobre segurança e visão!
    Mas não bastasse a limitação da visão periférica, ainda tem as distrações como celulares, motociclistas se metendo nos nossos pontos cegos...

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    1. O que distrai não é usar o celular enquanto se dirige, é dirigir enquanto se mexe no celular. Porque na era da informação (informação, não conhecimento) o celular é o objeto mais importante para o homo inutius.

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  6. Evandro,

    Tive essa dica do meu irmão mais velho e a passei aos meus filhos.

    Só não o tempo de exatamente oito segundos. Apenas lhes disse que o uso dos retrovisores deve ser constante e principalmente os externos.

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  7. Excelente! O link nos permite mostrar para tantas pessoas quantas for possível, para que elas acreditem na perda da visão periférica. Lembro-me de, quando criança, na hora de dormir, ficava brincando de olhar para um ponto fixo e tentar detectar o instante em que não conseguira mais ver outros objetos. Acreditei desde pequeno.

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  8. Rodrigo MG
    Que fantástico, já criança com essa noção!

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    1. Caro Sr. Bob,

      Que legal, eu também fazia isto. No escuro tinha coisas no teto que só detectava com a visão periférica.

      Atenciosamente,

      Mibson Lopes Fuly

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  9. Peliculas realmente atrapalham um pouco a visão periférica, e é por isso que o limite legal nos vidros laterais DIANTEIROS é de 70%. O carro aqui de casa usa G50 em tudo com exceção do para-brisa, que não tem nada, e apesar de eu aparentemente ter me acostumado e levar em consideração e saber lidar com essas limitações, admito que um vidro com melhor transparência é melhor, ainda que EU, pelo menos, não goste muito de aparecer para os outros com vidro claro.

    Mendes

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    1. Mendes
      Os vidros laterais originais não são claros, lembre-se, mas esverdeados a 70%. Embora seja um posicionamento pessoal seu, que respeito, eu só gostaria de entender qual o mal em aparecer para os outros, fator que leva muitos a essa prática nociva de fazer do automóvel um esconderijo.

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    2. No exército também aprendemos a "enxergar" no escuro e a primeira lição é não olhar para um ponto fixo. Se você quer ver um objeto, olhe em volta dele e não para ele.

      Tenho um Xsara e os vidros são esverdeados, olhando de fora durante a noite, o carro parece ter película. Já me perguntaram qual insulfilm eu usava.. haha

      A ÚNICA vantagem que vejo em usar película é a proteção solar.

      Pretendo colocar a antivandalismo incolor ou no máximo a G70. Lembrando que mesmo a incolor oferece proteção solar!! Bloqueia 99% dos raios UV (segundo o fabricante). Já reduz o calor dentro do carro e queima menos o braço.. haha

      Belo post Bob!

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    3. Valeu pela dica do filme incolor. Não sabia que existia isso. To cansado de ficar com o braço de duas cores por causa do sol.

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  10. Muito legal o texto, valeu Bob!

    Ps: estava comemorando a noticia que a inspeção em São Paulo passaria a ser só pra carro com mais de 5 anos e gratuita, mas ja querem barrar a proposta, que absurdo! Acho que merece um post, não? Ta aí a notícia:
    http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1209858-camara-ja-ameaca-emperrar-mudanca-na-inspecao-veicular-em-sp.shtml

    Abraço!

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    1. Fla3D
      Obrigado. Quando o meu amigo Cláudio me mandou o texto, na hora decidi publicá-lo, pelo valor como informação. / Vi notícia sobre a inspeção veícular, revoltante. Minha revolta tem também um cunho particular, pois fiz campanha junto ao meu círculo para votarem no Andrea Matarazzo, que conheço, e reputo (reputava) como pessoa com a visão correta dos problemas da cidade. Que decepção! Haverá post extra dentro de aproximadamente duas horas.

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  11. Em que velocidade isso passa a ser sensível? E até que ponto interfere na aplicabilidade da regra da preferência ao pedestre nas faixas em esquinas? Será possível que o motorista de fato não veja o pedestre com o braço estendido (no caso de SP)?

    Ademais, belo texto, Bob. Foge bem do comum de sites automotivos, e é disto que precisamos: informação que contribua para dirigir bem.

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    1. Anônimo 06/01/13 13:58
      Não sei precisar a velocidade, mas quanto mais rápido, mais concentramos a vista à frente, o que facilita a ocorrência dessa cegueira. No caso das faixas de pedestres, não acredito que haja velocidade suficiente para não vê-los.

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  12. Belo texto, Bob, muito útil. E antes que me esqueça, muito obrigado por ter se referido às películas como "vidros escurecidos", que é uma forma muito mais amigável do que "sacos de lixo". Essa é a linguagem esperada de alguém na sua posição e com a sua experiência.

    P.S.: O sistema de comentários do blog ficou MUITO melhor com a moderação.

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    1. Paulo
      Está bem, aceito sua sugestão. Às vezes o sangue entra em ebulição, mas vou me controlar, esteja certo. / A moderação realmente saneou o ambiente, estava ficando difícil e ruim para todos.

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    2. Bob: é off-topic mas cabe o comentário.
      O blog ficou muito mais agradável do que era com comentários mais selecionados.
      E não é puxa-saquismo não, a atual leitura é melhor de fato.

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    3. CSS
      Sei que não é puxa-saquismo, mas uma constatação que você fez bem em externar. O ambiente aqui ficou outro, purificado. Dá até gosto agora. A coisa estava saindo de controle totalmente.

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  13. Quanto à questão da atenção e visão ao dirigir, li há pouco um colunista (concorrente seu?) do estadão criticando o excesso de dispositivos que distraem os motoristas nos carros modernos.
    Não sei se há alguma matéria a respeito aqui no blog. No entanto, gostaria de comentar que muitos dispositivos, ao tentarem ser mais tecnológicos acabam incorporando interfaces digitais onde elas são totalmente dispensáveis. Por exemplo, no lançamento do Lancer há pouco tempo aqui no Brasil, muitos criticaram a Mitsubishi por adotarem ar-condicionado com controle analógico, mas ao ver o interior do Lancer rodando, percebi que o sistema é ótimo e que a regulagem analógica é muito superior à digital, pois não é necessário apertar botão e olhar números em uma pequena tela ao mesmo tempo, o que é muito perigoso ao dirigir.
    A mesma observação posso fazer aos demais dispositivos que estão "evoluindo" para uma interface digital no interior do veículo, todos são extremamente perigosos. Gostaria de uma opnião sua a respeito e quem sabe uma coluna, ou a indicação de uma que trata do assunto e que eventualmente já esteja disponível.

    Att,

    Heisenberg

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    1. Heisenberg
      Não creio que os equipamentos e as interfaces de hoje distraiam tanto quanto tenho ouvido falar. Claro, é preciso um mínimo de proficiência por parte do motorista, mas nada que não possa ser convenientemente assimilado. Não tenho o que indicar para leitura, infelizmente.

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  14. Os motoristas de Tanques de Guerra, não tem visão periferíca alguma, apenas a frontal, quem vigia todos os pontos a frente dos lados e atras é o comandante do Tanque, geralmente um primeiro tenente.
    Abraço,
    Coronel do Exército

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    1. Anônimo 06/01/13 14:43
      De fato não tem mesmo. É por isso que quando o alçapão da torre está fechado o tanque vira alvo fácil até de coquetel molotov.

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  15. Fantástico como temos de treinar o corpo para realizar atividades para quais ele não foi feito, como andar a altas velocidades, aguentar pressões atm elevadas, etc.

    Tenho o hábito de checar o painel e os três espelhos o tempo todo, mesmo em retas planas sem ninguém por perto. Talvez por isso nunca senti a perda da visão periférica. Mas já percebi o fenômeno quando, em uma situação de pista simples atrás de um outro carro, passei a prestar atenção fixa nele. O entorno vai "sumindo" aos poucos.

    Bob,
    Aproveitando o tema visão, o blog poderia publicar algo sobre como cada deficiência visual (astigmatismo, miopia, etc, e outras mais raras como ceratocone, fotofobia, etc) afetam o dirigir.

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    1. Caio Cavalcante
      Seria ótimo, mas preciso ter a participação de um oftalmologista. Vou cuidar disso.

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    2. Nunca notei este efeito, talvez por, mesmo sendo habilitado há pouco mais de um ano, ter adquirido o hábito de sempre verificar painel e espelhos ao dirigir. Mesmo andando a pé, principalmente em ruas movimentadas, tenho o hábito de sempre olhar em volta, pois nunca se sabe quando um distraído (ou outros nem tão distraídos assim) pode esbarrar em você.

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  16. Uma pergunta:

    Meu cérebro consegue interpretar os mostradores analógicos mais rapidamente que os digitais.

    Isso ocorre com todas as pessoas?

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    1. CCN, não sou especialista na área, mas acredito que instrumentos analógicos funcionam melhor quando queremos ver uma tendência (p. ex. aceleração ou subida de giros) e os digitais funcionam melhor para informações para um valor estático / preciso (p. ex. trafegar no limite de velocidade).

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    2. É que o nosso cérebro é essencialmente analógico. Um instrumento com mostradoe digital tem leitura mais facilitada e mais precisa. Porém um mostrador analógico nos passa, natural e instantaneamente, a noção do quanto aquele valor indicado representa em relação ao todo, ou à faixa de medição. Ao olhar para um mostrador com uma escala e um ponteiro vemos, além do valor indicado, o quanto o ponteiro já percorreu e quanto ainda tem a percorrer. Capiche? Tipo assim: ao mesmo tempo que vemos o valor indicado temos a noção de quanto isso representa percentualmente.

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    3. Sergio S,

      Pois é Sergio, muitas vezes ao olhar ao relógio, eu tenho a noção exata do tempo, mas quando me perguntam imediatamente às horas, eu preciso olhar novamente no relógio, porque não sei que horas são.

      Deve ser o "efeito escala".

      É difícil explicar...



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    4. Para mim parece que consultar a hora num relógio analógico é natural e direto, ja num digital tenho a nítida impressão que ocorre mais um processo mental para fazer a interpretação aquele número. (como uma conversão de digital para analógico)
      É realmente difícil de explicar.

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  17. CCN
    Comigo é ao contrário, exceto para o conta-giros, que vejo melhor mediante qualquer escala.

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  18. Excelente Bob ! Utilidade pública mesmo essa postagem ! Meio que sem querer em grandes viagens eu sempre costumava desviar um pouco o olhar, olhava nos retrovisores, nos instrumentos do painel, nos controles do ar ... tudo bem rapidamente com o intuito de descansar a vista, e lendo esse texto (e fazendo o teste da MSF) pude entender que o que eu estava fazendo era esse tipo de técnica para não perder a visão periférica, Abraço !

    Rafael F.

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  19. Bob, boa tarde.

    Excelente texto, muito obrigado.
    Bob, sem preconceito: por que os motoristas mais jovens de ambos os sexos possuem uma tendência maior em desrespeitar a placa "pare" e não tomam cuidado quando o sinal está amarelo?

    Saudações!

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    1. Robinson, creio que por dois motivos:

      -Sinalização inadequada: Aqui em Brasília temos a DF-079 (no park way), uma pista de 60 km/h cheia de balões. A sinalização, no meu entender, deveria ser de dê a preferência. Mas existe um baita de um PARE na pista principal, o que ninguém respeita com medo do que vem atrás também não parar. Acabou que convencionou-se dar a preferência para quem está fazendo o balão, como é em quase 100% da cidade.

      - O outro é justamente esse, eu posso respeitar o pare mas o que vem atrás não.. Se o cara vem meio colado eu nem penso duas vezes, acabo indo direto.

      abs

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    2. Eu acho que muito motorista jovem nunca viu ninguém dirigindo bem. Tanto em termos de máquina quanto em termos de lei. Rápido e suave então, é um paradoxo para muitos.

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  20. Robinson
    Sabe que nunca reparei nisso? Creio que o problema está na formação de condutor ou em determinadas atitudes da CET (caso de São Paulo) em desvirtuar a placa PARE com aquelas bandeiras.

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    1. Lucas dos Santos07/01/13 21:24

      Olá Bob,

      Não sei como é aí em São Paulo, mas ao menos aqui no Paraná as auto-escolas orientam que os alunos parem na na placa PARE e até mesmo nas placas de "Dê a preferência", pois o Detran cobra isso no teste.

      Certa vez, durante uma aula, me aproximei de um cruzamento onde eu precisava dar a preferência. Reduzi gradativamente a velocidade do carro - sem usar os freios - até quase parar, vi que não vinha nenhum veículo pela via transversal e avancei. Quando fiz isso, a minha instrutora parou o carro utilizando o pedal de freio da parte dela. Então ela me explicou que eu deveria SEMPRE parar o carro totalmente o carro nas preferenciais e mesmo que não estivesse vindo nenhum veículo na transversal. Disse que se eu não fizesse isso no exame do Detran eu perderia pontos, pois o examinador consideraria que eu estaria "furando a preferencial".

      Quanto ao sinal amarelo, a minha instrutora também explicou que eu só deveria avançar se eu já tivesse transposto a linha transversal que antecede a faixa de pedestres (linha de retenção). Caso o semáforo "amarelasse" antes de eu alcançar a linha de retenção eu deveria parar.

      Mas concordo que, na prática, eu não vejo ninguém parando na placa PARE ou no sinal amarelo. Aliás, aqui na minha cidade parece que as placas de "PARE" (R-1) e "dê a preferência" (R-2) são sinônimas. Não raro se vê cruzamentos com a placa R-2 como sinalização vertical juntamente com a palavra "PARE" escrita no pavimento como sinalização horizontal. Isso quando não vemos uma placa de "PARE" (R-1) e, logo abaixo dela, uma placa auxiliar que diz "Preferencial" (assim, por extenso).

      Enfim, pelo menos aqui, parece que no que depender dos centros de formação de condutores está tudo OK com as paradas. O problema é que parece que os motoristas terminam a auto-escola e acabam se "contaminando" com os maus-hábitos dos demais.

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  21. Lorenzo Frigerio06/01/13 22:07

    Acredito que muita gente tenha uma visão periférica pior. Tem a ver não com os olhos, mas com o córtex visual, e também com a personalidade da pessoa. As pessoas que não são bons motoristas em geral andam à direita, embora algumas achem que "têm o direito" de andar à esquerda.
    Mas vasculhar o campo visual é uma coisa que provavelmente pode ser ensinada.

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  22. Conforme disse um leitor acima, já estamos com uma geração que acha ruim ficar visível no automóvel. Esse é o primeiro aspecto.

    Segundo, é que as polícias recomendam às pessoas se esconderem dentro do carro como forma de segurança.

    Pode notar que mesmo nos carros particulares dos policiais, nem o vidro dianteiro é perdoado. Tenho uma parente esposa de um policial militar, que acabou de comprar um carro que só ela irá usar, e por recomendação do esposo está de filme em todos os vidros, e do mais escuro.

    Noto que sobretudo à noite, as pessoas andam dirigindo devagar demais, e até se assustam com a aproximação de um veículo - o que se nota pela forma erratica que reagem.

    O terceiro aspecto é a beleza, até nas fotos de divulgação das fábricas o carro não é visível de fora pra dentro.

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    1. Anônimo 06/01/13 22:36
      Esse assunto é mesmo complexo. Para ínício de conversa, polícia não tem nada que recomendar atitudes de segurança, mas DAR segurança. Isso me lembra um conversa há mais de 20 anos com um coronel dos Carabineros, do Chile, em que contou ter ido em visita oficial ao Rio de Janeiro, com as esposas, e ao desembarcaram um oficial PM fez uma pequena preleção sobre segurança, não sair do hotel com dinheiro, com câmeras fotográficas, relógio, essas coisas. "Señor Sharp, no entendemos nada. Como puede um policial decir a otro para cuidarse com respecto a los bandidos?".
      Outro aspecto é subjetivo. "Puliça" gosta de sentir importante e esconder-se no automóvel lhes dá essa sensação, de poder, de importância (o mesmo com muitos que gostam de vidros escurecidos, "eu sou importante").
      Você tem razão quanto às fotos de divulgação das fábricas. Imagino que isso tenha começado quando o pessoal do marketing achou bonito os vidros escuros dos mockups em clay, assim feito para não mostrar o interior inexistente, e começaram a pedir às agências de publicidade que produzissem fotos assim. Não tem uma apresentação de carro novo à imprensa, cujas fotos mostrem vidros escurecidos, que eu e o Fernando Calmon não chamemos a atenção das pessoas do marketing para o absurdo. E paulada também sempre que mostram um comercial com o ou a motorista com os braços retesados, ensinando como não dirigir.

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  23. Bob,

    Agradeço pela dica! Vou compatilhar com todos que puder, isso é uma utilidade pública!

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  24. Quando eu era criança gostava de pegar no posto os fascículos do "shell responde" que davam um monte de dicas sobre segurança ao dirigir. Acho que já no primeiro deles falava a respeito de visão periférica, e eu treinei bastante para desenvolver isto.
    Acho que a única dica de lá que eu testei e não deu certo foi passar um cigarro aberto no vidro pra não embaçar...

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  25. Muito bom o post. Irei partilhá-lo com o maior número de pessoas possível! Daqui a pouco a Volvo criará um sistema que evitará esse tipo de colisão, desde que em velocidades mais baixas.

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  26. Bob,
    fenomenal informação.
    Eu achava que era problema da minha visão, ainda bem que agora vejo que é uma característica humana.
    Tenho por hábito mover os olhos a cada 2 segundos, no máximo. Se estou cansado e o tempo aumenta, logo me assusto com algo que "aparece" repentinamente.
    Está explicado.
    Obrigado.

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  27. Engraçado, sempre tive o costume de fazer essa varredura apesar de numa ter sido ensinado/orientado. Além de evitar o efeito da cegueira nas nossas vias e condição de segurança é uma medida extra para evitar alguma surpresa (como amigos do aleio e motoristas erráticos).

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  28. Me lembrou de um outdoor da BMW com a frase "desfoque tudo ao seu redor"
    http://www.appribeirao.com.br/portfolio_mostra.php?id=9

    Bob, isso me lembrou de um outro efeito que ocorre com pilotos que chamam de efeito blackhole. Acontece quando se aproxima durante a noite para uma pista que fica afastada da cidade. O piloto ve apenas as luzes do aeroporto a sua frente e na área ao redor não vê nada pela falta de iluminação. Isso faz com que ele julgue estar mais perto e mais alto do que realmente está. Será que nos carros uma diferença grande de transparencia entre os vidros laterais e o parabrisa não pode gerar algo semelhante?

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    1. Chinaski
      Curioso, o anúncio da Eurobike BMW. É poético mas não correto. / Muito interessante o blackhole. Agora me lembro, meu instrutor me disse que se tinha falsa impressão de altitude à noite, parecendo mais alto do que a realidade, isso nas instruções para vôo VFR Especial, noturno, no Rio. Mas ele não citou essa diferença que você mencionou e, sim, você tem razão quanto à diferença de transparência entre vidros laterais e pára-brisa. Mais uma razão para não ser bom negócio.

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  29. Rafael Pinto07/01/13 11:45

    Caramba...impressionante!
    Obrigado Bob!

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  30. BOB, mto bom e me permita compartilhar com os motociclistas.

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  31. MOTOS ANTIGAS
    Claro, e para o motociclista a visão periférica é vital.

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  32. Excelente texto, nunca havia me dado conta dessa "cegueira periférica" que ocorre ao não movermos os olhos por muito tempo. Fiz o teste e o resultado foi surpreendente: para mim, os 3 pontos amarelos somem simultaneamente, sempre, em menos de 5 segundos!

    Eu sempre tive por hábito ficar consultando os retrovisores e painel do carro de tempos em tempos, justamente para não ter surpresas e poder agir prontamente em situações de risco. Agora, mais do que nunca, vou tornar isso uma regra primordial.

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  33. Lucas dos Santos07/01/13 20:37

    Bob,

    Agradeço imensamente pela informação!

    Eu, como motorista recém-habilitado, já levei alguns "sustos" enquanto dirigia, por me focar demais somente no que vinha à frente.

    Agora sei o que fazer para evitar esse curioso - e perigoso - efeito.

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  34. Bob,

    Obrigado pelo post, bem interessante.
    Não lembro de ter lido ou recebido alguma informação sobre isso antes, mas intuitivamente, dirigindo ou pilotando, eu sempre faço rápidas varreduras que alternam painel, retrovisores, pista à frente (em curta, media e longa distância) e as laterais da estrada. Talvez seja por isso que em todos estes anos de estrada sempre tive como forte aliada ótima visão periférica.

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  35. por isso gosto das postagens do BS

    queria lembrar que me preocupa bastante o fato de ter visto algumas viaturas da polícia rodoviária federal terem películas, inclusive no párabrisas.

    ao sairem das montadoras todos os carros tem os vidros limpos, no máximo tê vidros verdes com 70% de transparência, essa porcaria de películas só é colocada fora das fábricas, tem até concessionárias que instalam o "acessório" como cortesia na compra dum 0 km, e o incauto ainda acha que se deu bem.

    ah este Brasil !!!

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    1. Se ficares na portaria da Volkswagen, verá que executivos deste fabricante também se utilizam das ditas películas em graduações bastante escuras.

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    2. Anônimo 08/01/13 10:35
      Nunca notei isso. Vou altertá-os da ilegalidade. Obrigado por avisar.

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    3. Cide F.
      Como venho dizendo, escurecer vidros se tornou endêmico, mania nacional. Mas posso dizer que já começo a ver mudanças nesse sentido e não tenho receio de parecer presunçoso ao dizer que sou um dos (poucos) responsáveis por isso. Como também foi pressão minha e de jornalistas como Fernando Calmon, Boris Feldmann e Luís Felipe Figueiredo junto ao Contran que acabou resultando em resolução regulamentando os engates, hoje praticamente desaparecidos.

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    4. Bob Sharp,

      Sinto dizer, mas na região onde moro os engates ainda proliferam.

      É aquela historinha da fiscalização. Quando inexiste... "Os cara domina".

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    5. Não é para justificar alguma coisa, mas nos EUA, onde surgiram, as películas também são bastante utilizadas. Em alguns estados inclusive são permitidas películas bastante escuras e reflexivas e por indicação médica o motorista ainda pode usar películas mais escuras.

      então seria também: ha esses EUA...

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    6. Sergio
      Nos EUA varia segundo o Estado. Veja como é em cada um em http://www.tri-statewindowtint.com/us-state-tint-laws.html, inclusive especifica a questão de autorização médica.

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  36. CCN
    Eu nunca soube de fiscalzação de engates aqui em São Paulo e mesmo assim praticamente desapareceram. Hoje estimo que menos de 10% dos carros têm engate, contra pelo menos metada antes.

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  37. Bob Sharp,

    Bom para vocês paulistas.

    Na rua onde moro, único carro sem engate é o meu.

    E não resolve nada argumentar. Eles dizem que os engates protegem o carro e pronto!

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  38. Numa velocidade de 100 km/h um carro pode percorrer 135 metros em cinco segundos de cegueira periférica de seu motorista. Se um pedestre tentar atravessar a pista nesse momento, então terá fazer isto em menos de cinco segundos para não ser atingido pelo bólido temporariamente descontrolado.

    A solução preventiva para o pedestre é calcular a distância segura para atravessar uma via, baseando-se em velocidade máxima permitida. No exemplo acima, acredito que 120 metros é uma distância razoável para prevenir acidentes de pedestres de travessia em rodovias. Esta distância equivale a oito traços de Linha Simples Seccionada (LFO-2), aquelas utilizadas em sinalização horizontal.

    A regra básica para o pedestre é nunca contar com a sorte. Para o motorista, a regra básica é dirigir com atenção e fazer uso adequado da sinalização de trânsito.

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  39. Muito estranho o artigo ensinar como prestar a atenção em alta velocidade, como enxergar melhor em alta velocidade, ao invés de pedir para as pessoas não andarem em alta velocidade.
    Estranho também comparar direção de carros com pilotagem de avião.
    Acho melhor as pessoas respeitarem mais as placas de transito, e respeitar a velociadde máxima da via, isso sim vai ajudar a diminuir os acidentes.
    Os playboys vão ler esse artigo, pegar o carro do pai deles e pensarem que podem andar em alta velocidade, pq agora eles sabem uma técnica nova, "rodar a cabeça".

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  40. Anônimo 11/01/13 16:09
    Muito estranho é o seu comentário, prova de que você não entendeu nada do que leu. Triste, você é o próprio espelho do Brasil de hoje. Mas ainda tem jeito, leia-o de novo quantas vezes forem necessárias. Quem sabe você entende depois da 54ª vez...

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