8 de maio de 2013

CARDÃ DESBALANCEADO, MAL A SER EVITADO

Cardã típico (www.jefflilly.com)

Hoje, com a esmagadora maioria dos carros utilizando tração dianteira, o velho cardã, ou árvore de transmissão, ficou meio esquecido. Mas quem tem algum carro antigo na garagem provavelmente conhece esse componente da transmissão, já que no passado o comum era as rodas de trás tracionarem.

O que muita gente não lembra é que a árvores de transmissão, por trabalhar em rotação elevada, também necessita de balanceamento. Lembrei disso no fim de semana passado ao viajar com um amigo em seu Mustang, equipado com um 302 stroker, cilindrada aumentada para 347 polegadas cúbicas (5,7 litros) e um bocado de veneno, com estimados 400 cv, acoplado a uma caixa Tremec T-5 com 5ª marcha bem longa para compensar o diferencial curto, que quando engatada, à menor pressão do pedal do prazer levava o Mustang a 140 km/h. E nessa velocidade surgia bastante vibração, que parecia vir do cardã.

O problema de cardã vibrar é tão sério que quando a BMW lançou o 325i E36 em 1990, o câmbio de cinco marchas tinha a 5ª direta, justamente para reduzir a rotação da cardã, que girava junto com o motor. Se fosse uma 5ª multiplicada, zero vírgula alguma coisa, a rotação do cardã seria maior, e nas Autobahnen costuma-se andar muito rápido.

Quando a GM lançou a S10 com motor 2,4-L flex, em janeiro de 2007, usou cardã inteiriço em vez de bipartido, por isso precisando limitar eletronicamente a velocidade em 150 km/h por problema de vibração.

Chevrolet S10, velocidade limitada devido ao cardã inteiriço (foto encontracarros.com)
Falei para o dono do Mustang pegar leve e não ignorar a tal vibração, pois anos atrás tive um baita prejuízo por conta disso.

Nos anos 1990 cismei que queria ter uma picape cabine dupla, mas com a grana que tinha não deu para pegar nada muito interessante, e acabei com uma F-100 transformada para cabine dupla, recém reformada e em muito bom estado, porém impulsionada pelo manjado 2300 OHC em versão movida a álcool. Produzia 99 cv brutos, pouco para uma picape grande, e a solução da Ford foi utilizar um diferencial de relação curtíssima para disfarçar um pouco a lerdeza. Só que isso significava muita rotação de motor e transmissão mesmo a velocidades não muito altas, algo entre 110 e 120 km/h.

Antes de viajar com a F-100, levei-a a um mecânico de confiança e uma das coisas que ele listou para fazer foi o balanceamento do cardã. Caminhonete revisada, saímos do Rio com destino ao Nordeste. A viagem correu bem até o último trecho, quando ao passar a divisa Bahia-Minas Gerais na BR-116, já voltando para o Rio, uma embalada numa longa descida (o carro na ocasião era guiado por um amigo) fez com que o eixo vibrasse além da conta mesmo tendo sido previamente balanceado e isso fez com que o retentor da caixa de marchas se partisse, esgotando o óleo lubrificante.

A lenha foi grande, a caixa ficou seca com o carro embalado a mais de 100 km/h, a comprida alavanca começou a sacolejar dentro da cabine até que o amigo que a dirigia conseguisse a duras penas parar o carro. Ainda estava escuro e não tínhamos a noção exata do estrago. Esperamos o dia amanhecer, e assim que alguma claridade apareceu, deu para ver algumas engrenagens pelo asfalto da estrada. A caixa simplesmente se espatifou.

Máquina de balancear cardà (foto cardanminas.com.br)
Ao chegarmos no sábado passado com o Mustang, notamos algumas gotas de óleo na garagem do meu amigo, e ele mesmo disse que, pela posição, seria da traseira da caixa de mudanças.

Fica a dica para quem tem carros com tração traseira, principalmente os antigos, se notarem vibrações em velocidade mais altas, convém não forçar a barra. Pé leve para chegar em casa e evitar prejuízos maiores. E procurar mandar balancear o cardã o quanto antes.

AC

55 comentários:

  1. Interessante, eu não imaginava que o cardã precisasse de balanceamento. Tenho 30 anos e o último carro com cardã que passou aqui em casa foi um Omega do meu pai em 94, e eu o odiava por ter aquele enorme túnel central e os prendedores dos cintos de segurança espetados no banco. Bom... hoje o Omega é um clássico e eu o adoro, mas essa era a visão de um garoto de 12 anos.

    Como é feito esse balanceamento? Colando pesinhos tal como nas rodas?

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  2. Bom, tenho dois RWD em casa.

    O Chevette, nunca precisei balancear, apenas troquei as cruzetas uma vez e o mancal central duas vezes.

    O Omega, fiz o balanceamento uma vez, e troquei os acoplamentos de borracha e o mancal central. Isso foi feito há aproximadamente 18 meses, e percebo uma vibração começando.

    O serviço, no caso do Omega, foi realizado na Cardan Minas, empresa citada na imagem do texto.

    Ótima dica!

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  3. Bem, para passar dos 150 km/h com uma S10, o cara precisaria ser meio maluco. Acima de 110 km/h ela parece querer decolar.

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    1. Não devemos esquecer que as antigas S10 V6 tinham velocidade limitada a 180 km/h. Imagino eu que também tenham usado cardã bipartido na versão com motor maior.

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    2. Eu acho que ela nem chega a 150 km/h.
      Mas na verdade eu nao sei, na verdade eu só acho!

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    3. Nos tempos que eu tinha uma, diesel, rodava a 160 sustentados. Nas retas, é claro..

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    4. Anônimo,[
      esse seu tipo de comentário me lembra um leitor famoso aqui, o Seu Buce.
      Por acaso você não é ele ?

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    5. Oi Juvenal, obrigado pela lembrança.
      Mas o anômino ali não sou eu, nunca tive uma picape dessas.

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    6. Oi Juvenal,
      Não sabia que era famoso e não sei se isso é bom.
      de qqer forma agradeço a lembrança. apesar de ter resolvido me recolher a minha insignificância, evitando achincalhes gratuitos a sua pessoa, continuo lendo diariamente o AE.
      E ainda não tive nenhuma picape (esses compactos com caçamba não valem).
      saudações

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  4. Na Ranger lá de casa o suporte do cardã bipartido quebrou, deixando o cardã sem apoio... Volta e meia, dependendo do torque aplicado e do curso da suspensão ele saia do alinhamento... E aquilo tem uma força violenta, consegue chacoalhar a picape inteira! Não sei como os coxins do câmbio e motor aguentaram umas 3 dessas, até chegar à oficina.

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  5. E o "ronco" no diferencial, Alexandre, tem (ou pode ter, embora não necessariamente) alguma relação com o cardã desbalanceado? Se um diferencial está roncando (causado por um rolamento do pinhão) há risco grande de alguma quebra, ou pode-se usar o carro em uma grande viagem? Espero não estar fazendo uma pergunta idiota, não manjo de mecânica, he, he! Desde já, agradeço a atenção.
    Abraço.

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    1. É por isso que um carro de tracao dianteira é muito melhor.
      Nao tem essa historia de cardã (com todas suas perdas e invasao de cabine) e o irritante ronco de diferencial. Quem nunca viu os velhos Omegas com diferencial roncando? É bastante comum e escuta-se de longe.
      Daqui a pouco vem o pessoal do "racha" descer a lenha na minha cabeça.
      Vao comecar com aquele bla-bla-blá que tracao trazeira é melhor de guiar , etc e etc. Mas a grande maioria (99%)dessa turma tem carros com tracao dianteira, quer apostar?
      Lembrando que muitos dos super-esportivos tem tracao dianteira. Dou como exemplos Golf GTI/Punto T-jet/Honda SI/Citroen DS3 e muitos outros
      Eu gosto das coisas praticas e fico contente com um tracao dianteira.

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    2. Tração dianteira tb tem seus problemas. Homocinéticas pra quebrar, por exemplo.

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    3. Os super esportivos normalmente têm tração integral ou traseira.

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    4. Normalmente o ronco do diferencial é proveniente do desgaste ou desalinhamento das engrenagens (Pinhão e Coroa) e não do rolamento. Carros com tração dianteira também possuem diferencial.

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    5. "Lembrando que muitos dos super-esportivos tem tracao dianteira. Dou como exemplos Golf GTI/Punto T-jet/Honda SI/Citroen DS3"

      Meus olhos... meus olhos estão sangrando!

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    6. É que o carro em questão teve o diferencial aberto (assim me foi dito, não vi) e não foram constatados problemas nas engrenagens, estão perfeitas. O mecânico disse ser problema no rolamento. Ah, e o barulho só acontece, segundo me foi dito, entre os 80 e 100Km/h. Passando disso, some.

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    7. MR CAR - Vou tentar te responder pelo pouco que conheço.

      Abrir diferencial não é tão fácil como parece.. Os mexânicos só sabem trocar rolamentos e montar exatamente na ordem inversa de desmontagem , porém todo diferencial possui tolerâncias que devem ser conferidas com relógio comparador e ferramentas adequadas.

      Visualmente olhando-se as engrenagens não é possível determinar a folga entre as mesmas, pois não adianta as engrenagens estarem intactas e possuirem uma folga entre dentes de 1mm.Vai roncar.

      Já vi casos de se trocar coroa , pinhão e rolamentos , tudo novo e continuar a roncar pior do que estava por falta de ajuste correto.

      O contato entre coroa e pinhão é "regulado" por calços calibrados montados entre as capas de rolamento da coroa e do pinhão ajustando a profundidade do pinhão e o deslocamento lateral da coroa. ( mais contato ou menos contato entre os dentes).

      Se o diferencial "ronca" com carga e "some" quando se tira o pé pode ser desgaste de coroa e pinhão ou ajuste inadequado , se o ruído não se altera quando se acelera e desacelera provavelmente são os rolamentos...

      Cardão quando desbalanceado só vibra..



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    8. lembrando que diferencial é uma coisa e coroa e pinhão é outra , todos automoveis tem diferencial , mas so carros com motor na longitudinal tem coroa e pinhão= que muda o sentido de giro do motor.

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    9. Mr. Car,

      Sua pergunta não é idiota, absolutamente. Até onde eu conheço, quando se abre o diferencial (desde que se mexa no "miolo" - coroa, pinhão ou caixa das planetárias), é comum ele apresentar ronco após a remontagem, pois é praticamente impossível "casar" perfeitamente as engrenagens como antes.

      Como o ronco em velocidades acima de 100 km/h desaparece, não acredito que seja rolamento, pois rolamento ruim faz mais barulho quanto maior for a rotação. Pode ser que uma regulagem mais fina na folga entre coroa e pinhão resolva ou ao menos diminua o ronco. Diferencial é bem manhoso, exige bom conhecimento para regular perfeitamente. Um mecânico excelente a quem levava meus carros não mexia jamais em diferencial, indicava uma outra pessoa especialista no assunto, justamente pela facilidade de o diferencial ficar roncado após mexido.

      Não sou especialista em diferencial, mas esse problema que você relatou não me parece ser dos mais graves. Porém, antes de enfrentar uma viagem longa, vale a pena se certificar, pois a encrenca é grande caso o diferencial quebre...

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    10. Mr. Car,

      normalmente o barulho aumenta com a velocidade. O perigo é o rolamento se quebrar dentro do diferencial, difícil de acontecer mas não impossível, e aí destrói tudo.

      No caso de desbalanceamento você sente muito mais vibração do que ronco.

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    11. Obrigado, Alexandre. Saber que é difícil já tranquiliza, he, he, mas de qualquer forma, em se tratando de um antigo e de uma viagem bem longa (1.200Km), o melhor mesmo deve ser procurar uma transportadora.
      Abraço.

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    12. Anônimo 08/05/13 13:25
      "...Lembrando que muitos dos super-esportivos tem tracao dianteira. Dou como exemplos Golf GTI/Punto T-jet/Honda SI/Citroen DS3"

      Esse cara nasceu ontem, só pode. AUhAUhAUEHea

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    13. Mr.Car, já tive um Opala que apresentava este problema entre os 80 e 100 km/h, foi só trocar o rolamento que o barulho desapareceu.

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    14. Obrigado aos que deram suas opiniões. Pelo visto, se for o caso, negócio é procurar um bom especialista em diferenciais.
      Abraços.

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    15. Mr Car,

      Super-esportivo são carro com relações de peso/potência bastante altas e com uso intensivo de tecnologias que ainda não são comuns em carros de linha. Lembre que um carro com motor 16 válvulas não quer dizer que esse seja esportivo. Alguns superdesportivos por terem motores centrais ou traseiros podem não ter o cardã, ainda mais se forem transversais como em alguns casos.

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  6. Tenho uma Grand Vitara 4x4 2010, ela faz barulho que parece cardã. Nestes carros mais modernos também se balanceia o cardã?

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  7. Muito interessante, Alexandre. Aqui, sempre aprendo algo útil.

    Valeu!

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  8. "não tínhamos a noção exata do estrago"
    Pois é, na A-20 do meu tio trincou uma espécie de bucha do eixo cardã e ele fez uma gambiarra ,resultado ,moeu as engrenagens e ele gastou quase 2000 reais.

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    1. O carro do seu tio trincou a luva estriada (acontece) e ele mandou dar Um "cordão de solda" ,e luva ficou prendendo nas estrias do cardã e a caixa foi pro pau = é a mesma coisa que pegar uma marreta e ficar batendo no fundo da caixa.

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    2. sabidão08/05/13 17:55 Neste caso não foi bem isso ,foi o tal bolachão que o Daniel S. falou,ele faz com que o eixo se desalinhe .

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  9. Balancear eixo cardã existe ,mas é coisa rara, o que acontece é que : na ponta do eixo e luva corrediça ( normalmente lado caixa) existe um "ponto' normalmente duas "setas" que precisam ficar alinhadas caso contrario as cruzetas dianteira e dinhatera ficam desalinhadas e causam vibração .
    A de se conferir tam bembem se a ponta estriada corre com facilidade dentro da luva movimento necessario para anular a medida ce comprimento causado pelas ondulações na estrada.
    (No desenho do pos = um pouco a frente da seta vermelha)
    Com todo respeito o que quebrou a caixa do carro do Alexandre cruvinel foi a PONTA ESTRIADA DO CARDÃ PRESA NA LUVA = Não deslizou para permitir a variação e comprimento e ficou dando "marretadas" na caixa , é a unica coisa que quebra literalmente a caisa e quebra mesmo.

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    1. Sabidão,
      Boas dicas as suas, vou conferir no meu Opala. Sinto uma vibração vinda do "meio" do carro acima dos 3000 rpm em terceira marcha, que me parece ser vinda do cardã. O dono anterior justamente trocou as cruzetas, pode ser que haja necessidade de alinhamento fino entre as extremidades.

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  10. Já tive um Chevette 1988 que com 10 anos de idade passou a ser utilizado em viagens de 400 KM (e na época com o pé no porão o tempo todo). Após uns meses começou a roncar os rolamentos da caixa, troquei os rolamentos e lenha novamente, não passou dez mil KM e o ronco da caixa voltou a aparecer, desta vez antes da parada de manutenção o eixo da quinta (que era o mesmo da ré) se partiu. O carro ficou uma semana só com 1a a 4a - só estacionava no plano e tinha que empurrar para manobrar - sufoco! Consertei tudo e vendi o carro logo em seguida, na época me convenci que carros com mais de 10 anos não eram feitos para esse tipo de uso.
    Até hoje eu desconfio que era um problema de desbalanceamento de cardã que provocava o desgaste dos rolamentos, justo no eixo que mais sofria nas altas velocidades. Na ocasião fiz uma manutenção incorreta sem buscar a causa do problema e só reparando nas consequências, vivendo e aprendendo.

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  11. Nunca tive Chevette, mas uns amigos meus reclamavam do mesmo problema no cardã. Felizmente não soube de nenhum câmbio quebrado: eles balancearam o cardã ou venderam os carros...

    Fico curioso quanto aos carros de alto nível com tração traseira, tipo BMW. É comum eles apresentarem problemas assim depois de média quilometragem?

    Pondo de lado o prazer de dirigir, a tração dianteira é mais confiável. Raramente as homocinéticas deixam o motorista na mão. Elas sempre dão sinais claros bem antes de pararem de tracionar, ao contrário das cruzetas de Corcel, que quebravam do nada.

    Quando eu era criança, me chamava a atenção o cardã dos caminhões. Não tenho certeza, mas acho que não era obrigatória a cinta de segurança. Ficava imaginando um eixo daqueles se espatifando no asfalto. hehe

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  12. É, eu já tive uma experiência ruim com cardã também. Era uma Rural 4x4 e, numa travessia por um riacho, na hora da força (tinha um banco de areia que calçou o diferencial dianteiro na saída deste riacho), o cardã traseiro quebrou, perto da saida da caixa de transferência.
    Fiquei dentro do riacho... para tirar a Rural de lá, tive que entrar na agua gelada, amarrar uma corda como se fosse uma tipoia e sair só com a tração dianteira. Bom foi uma verdadeira droga! Quando sai do riacho, desmontei os dois pedaços do eixo nas cruzetas e fui de tração dianteira até a minha garagem... detalhe era que a tração dianteira era via roda livre, um horror para fazer isto...
    Já em casa fui ver o que realmente havia acontecido. Este eixo havia sido balanceado (de fábrica) e o peso estava fixo ao "tubo" por pequenos rebites e o furo destes originaram uma trinca (talvez pelo torque dos passeios em reduzida)... Troquei o eixo por um novo e sem nenhum "peso" adicionado (bom balanceamento de fábrica na construção).

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  13. Só para lembrar semi arvores da junta homocinética dos veiculos com motores transversais ,tambem vibram só que no caso só a substituição das mesmas resolvem o problema ,já vi muito neguinho trocando rodas pneus e conjuntos de cubo disco de freio e a vibração vinha da arvore.

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  14. Muito oportuno esse post, a maioria das pessoas desconhece a necessidade de balanceamento da árvore cardã. Em motores preparados, um cardã desbalanceado é um prato cheio para causar quebras monumentais, devido ao maior esforço a que o componente é submetido.

    Interessante que no Caravan 1988 6 cil. que tive, já com a árvore cardã bipartida, tinha muito problema de vibração devido ao desgaste do rolamento central, caro e difícil de encontrar. Quando o bendito do cardã resolveu quebrar, troquei o cardã pelo inteiriço e nunca mais tive problemas de vibração. O fato da quebra já indicava provavelmente algum problema, mas o cardã inteiriço me parece melhor na linha Opala/Caravan.

    Aliás, a linha Opala/Caravan tem um ruído característico de diferencial, em especial quando na última marcha. Todos os Opala que meu pai teve (4 ao todo), mais a Caravan e meu Opala atual, tinham/tem esse mesmo som vindo do diferencial.

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  15. Cardã desbalanceado também tem outra implicação: Racha a carcaça do cambio feitas em liga leve.

    Na Ranger 4x4 pré Nova Ranger, o balanceamento do cardã é crucial para a dirigibilidade do carro: Para quem não sabe, a Ranger não tem roda livre, portanto todo o eixo dianteiro e cardã dianteiro gira mesmo em 4x2 (não gera incremento perceptível de consumo - falo por experiência propria).

    Assim, o desgaste do "bolachão" (uma junta universal) do cardã dianteiro acaba provocando vibrações que vão diretamente ao volante como se os pneus estivessem desbalanceados. Ai muitos trocam o cardã e colocam um sistema de cruzetas mas feito por empresas sem equipamentos adequados de balanceamento e o resultado é um só: mais vibração.

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  16. Existe um fenômeno muito importante que ocorre com árvores de transmissão muito longas. Ao transmitir muito torque, barras tendem a "embarrigar" (perder estabilidade lateral). Quem já torceu uma toalha com força para enxugá-la deve saber do que estou falando, porque o efeito é o mesmo.

    Não adianta apenas balancear. Se a árvore for muito longa, ao transmitir torque ela embarriga, encurta, e por consequência, desbalanceia. Aí a alta rotação termina de fazer o estrago.

    Uma das formas de contornar o problema é fazer o que vemos em alguns carros de tração traseira, que usam o cardan dividido em duas seções, tendo a primeira suportada por rolamentos e a segunda livre.

    Vejam que durante a história do automóvel, vários carros de corrida usavam motor dianteiro e um transeixo traseiro (câmbio + diferencial) para balancear os pesos, porém todos esses projetos esbarravam no problema da árvore que ligava o motor ao transeixo. Nestes sistemas o troque transmitido é menor, permitindo uma árvore mais leve, porém girando a uma rotação mais alta. A árvore leve é mais sensível ao torque e junto com a maior rotação, normalmente era rompida. Com o cardan convencional, ao transmitir mais torque numa rotação menor, o cardan pode ser mais parrudo, compatibilizando suas propriedades mecânicas com o tipo de uso a que é submetido.

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  17. A luva estriada por varios motivos "prende" na ponta estriada do cardã e não varia o comprimento provocado pela ondulações da estrada. Dai que se tira o cardã para "balancear ", no tira e coloca o cardã forçosamente mexe na luva/estria que da uma amaciada/ acordada e volta a fazer seu papel = variar o comprimento do cardã.
    Como "balanceamento e canja de galinha não faz mal as pessoas que ficam pensando que foi o "balanceamento" quem corrigiu o defeito mas não foi .
    Conselho do Sabidão: Primeiramente ante de antes de tudo verifique se a luva estriada corre com facilidade na ponta do Cardã.

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  18. No caso do Omega, onde a caixa de satélites é independente da suspensão, uma vez que o movimento é transmitido até as rodas por homocinéticas, podemos considerar que a situação da luva/estria seja menos crítica?

    Quando levei o Omega até a Cardan Minas, o técnico ao avaliar o conjunto do meu carro, elogiou, pois aparentemente aquilo nunca havia sido desmontado, segundo dele, é comum chegar Omega com a luva "arrochada" na estria, dando um trabalhão monstro para a desmontagem.

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  19. Eu tenho um Dodge Dakota RT, e o antigo dono, não sei porque, trocou o cardã original (peça única, feita em alumínio) por um cardã de Mercedes Sprinter, de aço (acho) mais pesado quer o original Dodge. Trouxe a picape de BH pra Brasília, e o cardã fazia o Dodge vibrar inteiro, quando passava de 140 km/h, e depois parava a vibração a medida que eu aumentava a velocidade. Deixei assim mesmo, até perceber que o diferencial começou a vazar óleo no retentor. Levei num mecânico de confiança, e balanceamos o diferencial. Melhorou, mas o diferencial continuava a vibrar, menos, e só numa faixa de rotação próxima aos 160 km/h. A única forma pois acabar com o problema foi comprar um diferencial original, peça única, feito em alumínio, uns 5kg mais leve do que o que estava instalado na picape. Pelo menos por duas vezes já atingi os 200 km/h com o Dodge Dakota RT, e a picape se manteve estável, sem vibração em nenhuma faixa de rotação.

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  20. Depois quando esses dementes matam e morrem, são chamados de coitadinhos e que sempre dirigiram seus veículos direitinho.

    Olha, não vou mais reclamar de lombada e nem de lombada eletrônica.

    Para esse tipo de gente metido a besta, só assim para deixarem de fazer loucuras.

    Insanos!


    Big Boy!

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  21. É só aparecer um cara dando seu testemunho, totalmente dentro do contexto, que aparece um anônimo covarde pra ficar criticando. Não se sabe como e quando o cara atingiu uma alta velocidade, mas vai logo o taxando disso e daquilo, numa total falta de respeito. Mas se fosse um relato de um alemão, dizendo que atingiu 300 km/h numa autobahn, aí pode, aí é bonito. Mas se é brasileiro, é metido, é playboy. Maldito complexo de vira — latas de uma parcela grande desse nosso povo.

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    1. Filipe Pinhati,

      Depois que você perder alguém da família, você certamente pensará diferente, ou então, se você matar alguém, depois não se faça de coitadinho.

      Se você for mesmo um auto entusiasta, deve saber que nessa velocidade, um cachorro ou mesmo um gato pode desviar a trajetória do veículo e atingir um inocente na pista contrária e matá-lo.

      Para fazer o que você fez, existem pistas de corrida e autódromos.

      Só não lhe alcunho de demente, para não ter o post eliminado.

      B.O.

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    2. B.O.

      Meu intuito foi compartilhar minha experiência e mostrar, ao contrário do que está escrito no texto, sobre a S10 flex, que uma picape, no caso o Dodge Dakota, mesmo tendo um cardã em peça única, pode atingir altas velocidades sem qualquer vibração. Pra mim, isso mostra que o projeto de chassis, suspensão e trem de força do Dodge Dakota é excepcional.

      Quanto ao que você disse, eu tenho mãe e esposa em casa. Não preciso dos seus conselhos femininos.

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  22. Srs: de novo, lá em cima, a velha batalha da direção traseira x dianteira. Sinceramente, no uso que a maioria de nós faz dos carros, a discussão é muito mais teórica que prática. Vejamos: se pegarmos um bom tração traseira, digamos um BMW série 3,5, e supondo ano 2000 em diante para não nos afastarmos muito no tempo. Um carro destes, do jeito que vem de fábrica, andando numa pista, quem já viu pode comentar: parece uma tartaruga se comparado a um carro qualquer, de menor cilindrada, preparado para uma corrida ou envenenado. Vai andar na reta e se desconsertar todo nas curvas. Perde para qualquer tração dianteira, traseira, mesmo 1.6, se estes forem preparados, rebaixados, com pneus adequados, etc. Se colocarmos carros de peso e potência similares,citando ainda os de 2000 em diante, como saíram de fábrica, na mesma hipotética pista, duvido que a diferença seja significativa por volta. EM PISTA!Dá até tédio de ver! Na vida real, estrada,cidade, com nossos carros normais de fábrica, o que não era significativo passa a ser irrelevante. Aqui em casa tenho um tração dianteira 2.5 V6, 163 cvs , um tração traseira, V6 292 cvs. O traseira pesa 1770 kg e o dianteira 1360. O traseira anda mais e o dianteira curva mais.Portanto, este negócio de "tração só traseira", "onde nosso senhor mandou colocar", na pratica, para a maioria, muda pouco. Dá para se divertir a beça com a tração dianteira gastando muito menos do que gastaríamos com um tração traseira, falando de carros de boa qualidade.

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  23. Carlos Zagonel21/05/13 20:55

    Resumidamente gostaria de acrescentar a este post, conforme um relato similar alguns comentários acima. O grande vilão de todos os problemas relatados a altas velocidades ou diferenciais encurtados é uma coisa chamada frequência natural.
    Normalmente o projeto do cardã preve que este trabalha sempre abaixo da primeira frequência natural. O ajuste da frequência é realizado se alterando o diâmetro do cardã ou o seu comprimento. Como os cardãs inteiriços de alumínio ou cardãs bi-partidos.
    Quando giramos um cardã acima do previsto pelo fabricante atingimos a frequência natural, que é excitada pelo desbalanceamento, surgindo então a vibração elevada.
    Quando o balanceamento é realizado, a força de excitação da frequência natural é reduzida. Mas se o cardã for mantido em determinada rotação, as vibrações poderão continuar ocorrendo.

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  24. Sou leigo no assunto, e quero entender! Tenho um Jeep Feroza 97. onde já revisei os rolamentos das rodas dianteira dianteiros e homocinéticos e estão OK. Pergunto: Neste veiculo 4x4, os rolamentos traseiros são lubrificados via diferencial ? embora já abri as panelas de freio onde estão aparentemente OK

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  25. Bom dia, tenho um Opala 6 cc 89 e recentemente mandei abrir o diferencial que estava roncando, trocou rolamentos e coroa e pinhão e ainda está roncando, é normal diferencial de Opala roncar ou o mecânico que não soube regular? Será que pode ser alguma coisa com o cardã?

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  26. Não é normal nenhum diferencial (conjunto de pinhão e coroa) roncar. Em geral é problema de ajuste errado – profundidade do pinhão na coroa errada e/ou folga entre dentes insuficiente ou grande demais. Não há nenhuma relação entre ronco de diferencial e cardã.

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    Respostas
    1. Bob Sharp, quando eu jogo em ponto morto o barulho cessa, pode ser diferencial ainda? Grato pela atenção.

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  27. gostaria de saber se alguem poderia me dar uma luz; Pois tenho uma sprinter ano 98 escolar e surgiu uma vibração que começa aos 70KM/h e some aos 90KM/h que eu apostava que era cardan; Pois, ao desmonta-lo estava repleto de folgas e para não deixar dúvidas troquei todas cruzetas,espiga,luva e balancei o dito cujo e tenho meu mecânico como exsperte; o problema diminuiu mas não sumiu, e agora?

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