5 de maio de 2013

DODGE CHARGER R/T: UM PASSADO AINDA PRESENTE

Fotos: Rafael Tedesco (AE)



Lá pelo meio dos anos 1980, quando era um adolescente imberbe, o mundo era bem mais simples do que é hoje. As escolhas de automóveis eram poucas e fáceis de entender, a ponto de sabermos de cor as sutis diferenças entre ano-modelo de todo carro à venda, e a potência e configuração básica de tudo. Para um jovem de hoje, acostumado a escolhas praticamente infinitas, pode parecer chato, mas garanto que nos divertíamos muito mesmo assim, e nunca faltava assunto também.

Neste tempo de Brasil isolado e ainda sob ditadura militar, as discussões sobre carro dos adolescentes como eu sempre acabavam desaguando em um momento definitivo, onde as posições se acirravam e polarizavam como é hoje numa conversa entre corinthianos, palmeirenses e são-paulinos. Isso acontecia no momento em que tentávamos decidir qual era o mais legal: Dodges, Mavericks ou Opalas.

Aqui no Brasil, nessa época, eram os mais potentes e velozes carros disponíveis, os reis das ruas e estradas. Tirando um raríssimo encontro com um Mercedes qualquer trazido por uma “otoridade” (como este aqui), se você tinha um carro desses você tinha certeza que podia encarar qualquer um que lhe desafiasse, sem medo. Colabora para isso o fato que as multas por alta velocidade eram tão raras que chegavam a ser irrelevantes. E as ruas e estradas eram bem mais vazias.

O Opala SS, numa clássica propaganda de época
No meio dos anos 1980, tanto o Maverick quanto os Dodges V-8 tinham sido descontinuados, vítimas que foram da primeira crise do petróleo dos anos 1970. O Opala sobrevivia as custas de seu horrível mas relativamente econômico motor de quatro cilindros, e investimentos cosméticos constantes. Nessa época também, já eram carros velhos, mesmo tendo às vezes apenas cinco ou seis anos de idade. Hoje um carro com 15 anos e 100 mil km rodados não assusta ninguém, mas na época era comum carros com cinco ou seis anos já tomados pela corrosão...

O Maverick GT V8 (foto:Ford)
Eram portanto, baratos. Na pequena rua que eu morava em Niterói, contávamos um de cada. Meu pai tinha um velho cupê 1972, seis cilindros com câmbio de três marchas na coluna, meio podrinho, que era o segundo carro da família. Este Opala bege me marcou profundamente, um dos carros mais memoráveis de toda minha vida. No começo da rua o “Espanhol” tinha um lindíssimo Maverick GT, mas desdenhado por nós por ser a versão quatro-cilindros, e não a desejável V-8 de 302 polegadas cúbicas. E no fim da rua, o pai da única menina da turma (coitada) tinha o maior objeto da nossa inveja: um impecável e seminovo Dodge Charger R/T branco, 1978, automático e com ar-condicionado.

Certa vez este senhor nos levou até uma festinha no Coutry Club de Niterói, a uns bons 15 km de casa, com este Dodge. O conforto, o ar-condicionado gelando (primeira vez para mim), o câmbio automático (outra primeira vez), o tamanho do carro e seu inacreditável poder de aceleração ficaram para sempre impressos na memória. Até hoje, quando entro em um Dodge e sinto o cheiro característico, sinto um friozinho bom na boca do estômago, e sou inundado pela lembrança daquele tempo bom, inocente e cheio de possibilidades, das festinhas de adolescentes no Country Club, e andar de bicicleta na praia, e pegar jacaré em Itacoatiara... Lembrança gostosa guardada com carinho, de um tempo bom que não volta.

A tônica da propaganda da Chrysler era status
Sabendo disso, foi com certa trepidação que aceitei o convite de meu amigo Erico para andar no seu recém-reformado Dodge Charger R/T 1975. Gostava tanto da memória que tinha daquele Charger carioca dos anos 1980, que temia que, visto com a referência moderna, trinta anos depois, a magia desaparecesse. Deveria o Dodge ficar nos anos 1980, onde ele merece e está – em casa? Ou ainda provocaria meus melhores sentimentos? Hoje sou um cínico senhor de meia idade sem tempo para frivolidades, e com medo de estragar as puras memórias de um tempo passado com a dura realidade que baliza a existência do macho humano adulto do século vinte e um.

Outro motivo é o valor do carro. Inacreditavelmente, depois de literalmente décadas valendo nada ou quase, os Dodges, muito mais que os Mavericks e Opalas, amealharam uma legião de fãs apaixonados, que como eu, na infância foram marcados com experiências com eles. E não é à toa: dos três, são os que melhor simbolizam a época e o tipo de carro. Sempre equipados com motores V-8, sempre oferecidos em cores vivas e interessantes, e sendo enormes para os padrões brasileiros, os Dodge têm a aura do diferente, do alegre, e da potência limitada apenas por sua imaginação e conta bancária. Podem ser, olhados do prisma de 2013, carros terrivelmente ultrapassados, mas ainda assim, diferentes e divertidos como poucos. Recentemente notícias de que chegaram a pagar perto de cem mil reais em Chargers começaram a aparecer. Dodges agora são carros para os ricos. E já que agora tenho um BMW, estas são para os menos abastados. Mundo louco...

Mas que me fez aceitar a proposta foi o fato de que, se há algo que pode trazer a experiência do Charger de 1975 para 2013, é este carro aqui do lado. Sete anos depois do início de uma extensa reforma, está novo de novo, com tudo funcionando perfeitamente. Mas com algumas alterações no motor para trazer aquela sensação de desempenho inacreditável que o Dodge tinha antigamente, para os nossos traseiros de 2013, acostumados a potências e velocidades muito maiores que as dos anos 70. Valia uma tentativa. Mas antes, vale ainda mais contar a incrível história de sua reforma.



Sete longos anos

Quando abro essas revistas de carro antigo e preparado, sempre fico bobo de como é fácil reformar ou modificar um automóvel. Lendo aquilo, uma pessoa menos avisada acharia que é necessário tão somente dinheiro para fazê-lo. Mas a minha experiência me diz que nada podia estar mais longe da realidade. Paciência e obstinação é o que é realmente necessário. E uma reforma ou modificação extensa, especialmente no Brasil, infelizmente ainda terra sem lei nem respeito pelo próximo, sempre pode ser resumida com uma palavra: frustração.

O Charger dessa história quando foi comprado em 1999 (fotos do arquivo do dono)
Frustração porque nada parece ocorrer como planejado, nada funciona como deveria, e se algum desacordo comercial ocorre, quem está pagando é certamente quem sairá prejudicado. Seja por desorganização, falta de profissionalismo, desonestidade, ou desgosto profissional, os serviços neste meio são terríveis. Só gente tão apaixonada quanto o dono do carro, que faz o trabalho por amor ao ofício, salvam os carros e permitem que sejam finalmente finalizados. E estas pessoas estão cada vez mais raras...

1999, no dia em que chegou em casa pela primeira vez (fotos do arquivo do dono)
Vejam por exemplo a história do Erico, que não é de forma alguma única, mas um bom exemplo. Seu Charger R/T 1975 foi comprado em 1999 por apenas seis mil reais, e era emblemático do que se encontrava na época: uma salada. Pintado em azul de Santana 1987, com meio teto de vinil do ano-modelo 1978 e rodas tipo “Magnum” do modelo 1974. Estava bom de lataria e mecânica, inclusive com o câmbio automático original, mas os pneus e estofamento estavam ruins.

Em 2001, com novas rodas,câmbio manual e interior reformado (fotos do arquivo do dono)
Logo começam as modificações: primeiro veio o câmbio manual de quatro marchas, montado em casa com ajuda de sua avó. Depois um interior em couro feito por um tapeceiro que trabalhava com ele (o Erico é engenheiro mecânico, que sempre trabalhou na indústria automobilística). Para finalizar, rodas novas da Mangels (modelo Orion, em aro 15) e pneus Motorcraft novinhos. Desta forma, usou o carro por muito tempo.
O interior de couro legítimo, quando novo em 2000 (fotos do arquivo do dono)
Por volta de 2001, por indicação de outro amigo do trabalho, o meu amigo vai fazer um curso de preparação de motores numa conceituada oficina de São Paulo. Lá, um velhinho ranheta, com toda a durabilidade aparente de um Keith Richards (que potencialmente seria único sobrevivente de uma hecatombe nuclear, além das baratas), começa a ensinar um monte de coisas para o meu amigo. Olhando para o estranho senhor, pequeno, sujo, bruto e perdido em sua oficina desorganizada, mas despejando o evangelho da combustão interna tão eloqüentemente, nosso herói começa a tratá-lo como Luke Skywalker tratava Yoda, e deseja um dia ser ele também tão sábio e poderoso quanto seu mestre.

Findo o curso, o primeiro passo para isso é claro. Preparar o V-8 do Dodge. Logo é localizado um outro motor V-8 de Charger, já equipado com um carburador Holley de corpo quádruplo (600 cfm, segundo estágio a vácuo) e coletor americano Weiand (Stealth Dual Plane), à venda, mas precisando de retífica (anéis quebrados). Imediatamente compra o motor e o deixa na oficina de seu mestre. Para o leitor que desconhece a terminologia, cfm é abreviação de pés cúbicos por minuto em inglês, equivalente 16.990 litros por minuto, número de indica o volume máximo de ar que pode passar pelo carburador por minuto.

Em 2006, começa a reforma da carroceria, e debaixo do azul se descobre a cor original: vermelho Azteca  (fotos do arquivo do dono)
O plano era primeiro trabalhar os cabeçotes para maior fluxo. Para aumentar a taxa de compressão, raríssimos pistões da versão a álcool do motor, que só existiu em caminhões Volkswagen depois que esta empresa comprou a Chrysler do Brasil. O Erico achou um jogo novo destes pistões em uma concessionária VW no Rio de Janeiro, um dos últimos disponíveis. Comprou também um comando de válvulas americano da Comp, mais agressivo em seus perfis. Bomba de água e de óleo modernas e coletores de escape dimensionados completariam as modificações. Meu amigo esperava grandes coisas deste motor, feito por um velhinho que operava milagres em motores de competição usando apenas as peças originais e muito suor e sabedoria.

Mas o que se seguiu foi na verdade um martírio. Nada ocorria na oficina como era planejado. Semanas se passavam, depois meses. O motor aguardava vaga na retífica. Depois o velhinho resolveu que tinha que trocar de retífica. Meses se tornavam anos. Uma pequena felicidade invadiu a vida de nosso herói quando recebeu a notícia de que os cabeçotes estavam prontos, e que testado em bancada tinham fluxo suficiente para mais de 400 cv. Mas o tempo passava e nada.

Muita corrosão para ser arrumada (foto de 2006, do arquivo do dono)
Mas o pior ainda estava por vir. Durante muito tempo, em meio a esta espera, notava-se que o entusiasmo do velhinho pelo seu trabalho diminuía. A oficina era tocada com pulso frouxo. Frustração, desânimo e decepção já eram os sentimentos dele em relação à empreitada. Mas havia a esperança de que o motor, no final das contas, ficaria bom. Afinal, o velhinho sabia do negócio, era um mestre.

O carro volta para casa em 2010, com a carroceria pintada, mas ainda há muito trabalho pela frente (foto: Bill Egan)
Nesse meio-tempo (começando em 2006), o carro foi encostado na oficina especializada em Dodges que fazia sua manutenção, para uma reforma completa. A idéia era restaurar o carro no padrão original, numa cor da época (Branco 75, ou Lime Green de 73) e com teto inteiro de vinil, mas durante remoção da tinta azul é que foi descoberto que a cor original era o vermelho Azteca, pouco conhecida e rara, e então o carro acabou por ser pintado novamente nesta cor. A obra era enorme, pois a corrosão já avançava, e o trabalho acabou sendo de boa qualidade, como atestam as fotos que ilustram este texto. Mas aqui também, muita frustração em relação ao tempo e as complicações inacreditáveis. No fim, a funilaria ficou perfeita, mas foi só isto foi entregue.
Ainda em 2010, testando a posição dos emblemas (foto: Bill Egan)
O motor, teoricamente pronto, veio para o carro ainda nesta oficina, em 2008. Mas o carro só iria para a casa no final de 2010. Nada menos de quatro anos de frustrações e decepções. Fomos visitar o carro quando chegou em casa, nesta época. Parecia então bem pintado e funilado, mas estava longe de estar pronto e completo, o interior ainda desmontado e a parte elétrica ruim demais. E o motor, bem... O meu amigo ficou tentando fazer aquilo funcionar a contento por seis meses, até que resolveu desmontá-lo.

Uma completa tragédia foi o que descobriu. Os pistões não eram os mesmos que ele deixara na oficina, peças raras perdidas para sempre. A retífica, se é que tinha sido feita, foi porca. Os cabeçotes vazavam água. Em resumo, um lixo montado de qualquer forma.

2012: o Taguá reforma a suspensão e os freios
Nesse meio tempo, bem antes da desmontagem, o velhinho que parecia ser capaz de resistir a uma hecatombe nuclear veio a falecer. Como e para quem reclamar então? E mesmo se houvesse alguém, valeria à pena? Lógico que não, mandar o motor de volta resultaria em mais estresse e provavelmente ele acabaria sumindo para sempre no limbo dos projetos inacabados. E afinal de contas, o motor tinha sido entregue em 2008, e corria o ano de 2011. O Erico desanimou totalmente e contabilizou o prejuízo sem chorar, feito homem. Jogou uma lona em cima do carro, e seguiu com sua vida. Sem Dodge.

O motor, já pintado e reformado, volta ao carro: 2012
Mas algum tempo depois, sua mãe vendia a casa que abrigava o carro. De guincho, sem motor, o Dodge foi incomodar a garagem do sogro por mais um bom tempo, e então o sogro também vendeu a casa. A súbita falta de lar para o veículo acabou por imprimir novo ímpeto à sua recuperação. Um novo e muito mais entusiasmado, jovem e alegre mecânico chamado Taguá foi localizado e contratado, peças de motor foram encomendadas nos EUA. O motor teve que ser refeito inteiro, desta vez em boas retificas indicadas por um mecânico conceituado em Dodges (Alaor, do Riacho Grande). A funilaria estava boa, mas o acabamento do carro (incluindo chicote elétrico, todas as luzinhas e borrachinhas, clips, vedações etc) também teve que ser refeito. As suspensões e freios também precisaram de reforma completa.

Os pistões americanos no bloco retificado: finalmente um trabalho de qualidade
Essa último ímpeto, que terminou o carro em fevereiro de 2013, durou menos de um ano. Não foi exatamente algo que se pode chamar de rápido, mas quase todo esse tempo foi de trabalho real, não de espera e prostração, um progresso incrível. Por isso, o dono me pede para agradecer ao Taguá, o mecânico. Um cara apaixonado e que tratou o carro como se fosse seu, e deixou absolutamente tudo funcionando como se deve. Que trabalhou como todos nós devíamos fazer: com amor ao ofício. E também our own Alexandre Garcia, colunista deste blog, pelas dicas, pelo incentivo e conhecimento, pelos cabeçotes, e pela reforma do Holley. Como sempre digo, o AG é o cara.

Andando no Charger


Chegar perto do carro, conhecendo a sua história, não falha em emocionar. A cor é incomum e bonita, as faixas laterais no padrão original, lindíssimas. A lataria está perfeita, alinhada, sem detalhe ruim. O teto de vinil novinho e esticado dá a sensação de ter se chegado a uma concessionária Dodge em 1975. As rodas Magnum com modernos pneus BF Goodrich novinhos (na medida 235/60R14) completam o perfeito visual. Tendo acompanhado a sua tortuosa reforma, mal posso acreditar que está pronto e todo bonitão.

Abrindo o capô, o motor surpreende por parecer completamente original. É todo pintado em dourado no padrão do Dodge  Charger brasileiro (os normais eram azuis), inclusive o coletor de alumínio Weiand. Apenas o filtro de ar cromado foge deste padrão, e por isso deve em breve ser pintado de preto. Se você for detalhista, perceberá também os coletores de escapamento diferentes.

Aspecto do compartimento do motor impecável
Um pouco sobre motor: originalmente, todo Dodge brasileiro vinha equipado com o V-8 de 318 polegadas cúbicas ( 5.212 cm³, 99,3 x 84,1 mm), válvulas no cabeçote acionadas por varetas, câmara de combustão de seção triangular (wedge), e comando no bloco. Todo em ferro fundido, é um motor grande e pesado, visivelmente maior que os Ford e Chevrolet de configuração similar. Fornecia originalmente 198 cv a 4400 rpm (dados de época, brutos), mas no Charger R/T, com maior taxa de compressão (8,4:1, versus 7,5:1) e escapamento duplo, eram 215 cv à mesma rotação, e torque de 42,9 m·kgf a baixas 2.200rpm. O carburador era sempre o famigerado DFV 446, de corpo duplo.

Era devido a essa taxa de compressão, relativamente alta, que a Chrysler determinava o uso de gasolina azul, a de maior octanagem então, que hoje é a mesma da gasolina comum e comum aditivada, 95 octanas RON. O litro custava cerca de 20% mais o de gasolina comum, chamada de amarela.

O cuidado com os detalhes salta à vista onde quer que se olhe
O motor deste carro acabou ficando bem mais interessante. Retificado e balanceado, usando pistões americanos para taxa de 10:1, o comando Comp com duração e levantamento mais generosos (admissão 268°, escape 280°, levantamento 0,48 pol/12,2 mm) , cabeçotes preparados pelo AG em Brasília, coletor de alumínio Weiand, um Holley quádruplo de 600 cfm (também reformado AG), e coletores de escapamento americanos dimensionados e enrolados com fita isolante térmica para diminuir a temperatura no cofre. Para ter uma idéia do que me esperava, carreguei todos esses dados no meu velho programa simulador Dyno2000, e ele devolveu 332 cv a 5500 rpm, e uma curva de torque que é plana de 3.500 a 4.500 rpm, na altura da cota de 50 m·kgf 

É como se o tempo tivesse parado
Mas entrar nele é que é uma experiência. Sentado no banco do motorista, me vem de novo a lembrança da adolescência, súbita como uma biaba na cabeça de um amigo sacana e furtivo. Mas diferente daquela época, sou eu que estou hoje no comando.

O carro estava parado há uma semana, mas bastaram duas bombadas no pedal do acelerador e virar a chave para o motor pegar de estalo. Um pouco de tempo depois já mantinha uma marcha-lenta estável que ouvida de fora é hipnotizante. Uma cacofonia danada, um pláplác metálico incessante e sincopado. Som. Os barulhos que este carro faz são um capítulo à parte.

Quadrante das marchas padrão no seu tempo
A posição de dirigir é como eu gosto: volante perto do peito, pernas com espaço e razoavelmente esticadas, e alavanca de câmbio bem ao alcance. O capôzão lá na frente é reto, plano, comprido, e pode-se ver em alta definição os cantos dianteiros do carro. Atrás, as longas barbatanas do teto prejudicam um pouco, mas no todo a visibilidade para fora é muito boa, melhor que a de um Opala por exemplo. O painel longe do volante, plano e estreito, é também algo que me faz sentir em casa, lá de volta aos anos 1970. O dono faz questão de mostrar: tudo funciona, toda luzinha de painel, todos os instrumentos, a luz do porta-luvas, as alavancas de seta, tudo. Quem conhece carro antigo de perto sabe como isso é difícil.

Antigo moderno ou moderno antigo? Difícil dizer
Chega a hora de colocar ele para andar. O câmbio voltou a ser o automático original do carro (que, obviamente, também foi reformado), com apenas três marchas. Todos sabem da minha velha aversão a este tipo de câmbio, mas nesse carro casa perfeitamente. Com o alto torque em todas as rotações, e poucas marchas para trocar, o câmbio não incomoda em nada, troca pouco de marcha, e algumas vezes o faz quase imperceptivelmente. E, além disso, é facílimo de usá-lo como manual usando a alavanca no console.

É para o amigo Erico ficar mesmo orgulhoso
Coloco a alavanca no assoalho em D, solto o freio de estacionamento tipo cabo de guarda-chuva debaixo do painel, e saímos. A primeira impressão é de suavidade e maciez. A direção, hidráulica, em conjunto com o câmbio macio, fazer um rodar sem esforço, tranqüilo para o motorista. A direção é das bem leves, e o sistema não é preciso como um carro moderno, há uma folga nos mecanismos, que provoca um pequeno, mas perceptível atraso na resposta ao seu comando. Requer um ajuste mental, mas logo se acostuma e fica normal. O carro é alto, bem largo e comprido, mas muito fácil de dirigir. Devia ser mesmo uma coisa inacreditável em 1975...

Nada, absoluamente nada foi esquecido na restauração
Muito se fala hoje em dia sobre estabilidade desses carros, e freios. Neste ponto, este Dodge é no padrão original, mas tudo foi trocado e é novo, apenas os amortecedores são mais modernos e com carga um pouco maior. É, portanto, um bom meio de julgar isso. É realmente tão ruim assim como se diz?

Bem, sim e não. O que devemos entender é que não é um ágil e firme carro moderno, nem feito para divertir numa estrada sinuosa. Mas isso não quer dizer que seja ruim. Dá para se divertir bem com o bichão, uma vez que você esteja disposto a ajustar sua atitude, entender o carro, e aprender como ele se mexe. Na verdade ele é bem firme no sentido longitudinal, e os pneus modernos e de boa marca (BF Goodrich) propiciam um conforto ao rodar muito bom, e boa aderência em curvas. A suspensão dianteira (independente por duplo "A" sobreposto, barra de torção e barra estabilizadora ) é boa, e a frente bem obediente, apesar da direção vaga que já comentei. Já a suspensão traseira...

É de fato um automóvel imponente e belo
A traseira do Dodge é a mais simples que existe: apenas os longos feixes de mola localizam o eixo rígido, ajudados um pouco pelo cardã e os amortecedores. Esses feixes não são rígidos como o nome “eixo rígido” poderia fazer pensar, pelo contrário, se movem em todas as direções. O resultado é que a traseira está sempre se movendo de formas estranhas quando se anda um pouco mais rápido, principalmente lateralmente. Uma boa barra transversal Panhard como a que existe em Chevettes ajudaria muito ali. Não cheguei a fazer isso, mas acredito que o jeito aqui é realmente frear bastante em linha reta antes da curva, e entrar acelerando forte para tentar assentar a traseira balouçante. E os freios são muito bons, firmes de pedal e fortes em potência de frenagem. Segundo consta, o problema aqui é o fading, que aparece cedo em uso mais forte.

Os BF Goodrich T/A com letras brancas têm o seu charme
Mas no todo, não é algo que assusta e que dê medo; é apenas algo de outra época, e com objetivos diferentes. Eu achei a dirigibilidade do carro bem boa. No uso normal, sem direção esportiva, é extremamente agradável, e apesar de ser meio difícil à moda, não é impossível...

Mas o que todo mundo quer saber aqui não é isso. O que todos querem saber é como anda o “Dojão”. O motor V-8 sempre foi o maior atrativo do carro, seu âmago, sua razão de ser. E meninos, ele não decepciona.

O revestimento do teto em vinil parece de carro saído da fábrica
Andando normalmente e devagar para pegar o jeito do bicho, parece um motor Dodge original, suave, torcudo, tranqüilo. Liso, sem engasgos e sem cheirar a gasolina no habitáculo, o Holley funciona tão bem como uma moderna injeção eletrônica. Mas coloque a alavanca de câmbio automático no número um e crave o pé, e acontece um terremoto. O carro rapidamente ganha rotação, as borboletas secundárias a vácuo se abrem totalmente, e a partir de 3.500 rpm, a aceleração aumenta sensivelmente. E ele começa a soltar um urro metálico que é simplesmente aterrorizante.


Simplicidade
O barulho arrepia todos os pelos do seu corpo. Parece o fim do mundo, parece que passarinhos vão cair dos fios fulminados, que as flores todas murcharão à sua passagem, e as criancinhas, assustadas, literalmente fugirão correndo para as saias de suas mamães. Um som tão forte e maligno que derruba até sinal de celular. E ainda assim, incrivelmente, apesar do medo, você adora aquilo, e mantém o pé embaixo. O som é de pura fúria incontida, é a carga da brigada ligeira, são os próprios portões do inferno se abrindo. Que pulmões tem este carro!

Retrato de uma época que não volta
O motor é forte de verdade, bem mais forte que o chassis, então você só solta toda essa fúria quando está em linha reta. Mas acaba fazendo isso em TODA reta que encontra. Eu sou um senhor de 43 anos e pai de família, não devia ser permitido eu me divertir tão espalhafatosamente assim. E pensando bem, talvez nem seja permitido mesmo...

Há coisas na vida que valem a pena, não importa o trabalho que dão
Andamos por quase duas horas, e tenho a dizer que adorei. Não esperava gostar tanto de algo deste tipo. E começo a entender porque se paga tão caro hoje em dia por um carro destes. Entendo também por que existe uma grande e organizada legião de fãs da marca, um concorrido encontro nacional anual (chamado, como nos EUA, de Mopar Nationals), e clubes variados, alguns deles com uma devoção quase muçulmana aos carros. E entendo por que uma pessoa normal como o Erico investe anos de sua vida às voltas com a ressureição de carros assim. São coisas do passado sim, mas que precisam ser trazidas ao presente, para que não nos esqueçamos delas.

E, no final das contas, roubar o barítono pessoal de Belzebu e estacioná-lo na garagem de casa não pode ser uma coisa fácil, nem muito menos barata!

MAO


Uma rápida amostra do som do V-8 do Charger R/T do Erico:

https://soundcloud.com/bob-sharp/charger-rt-1
https://soundcloud.com/bob-sharp/charger-rt-2


97 comentários:

  1. MAO roubar o baritono de belzebu.... voce é ótimo

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  2. Nossa, como andavam esses três, Opala 4.100, Charger R/T e Maverick GT!

    Eu tinha uma Yamaha RD 350, moto de uma arrancada incrível, e me lembro de arrancar ao lado desses carros nas ruas de SP. Saía na frente, mas tinha de acelerar muito fundo para não ser alcançado por eles.

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  3. Dos três, Opala e Maverick com suas melhores motorizações, e o Charger que só tinha mesmo a opção do V-8, também considero o Charger o mais bacana, pois era o que os outros dois não eram: "barca" norte-americana, e eu AAAAAAAAMO "barcas" norte-americanas. Mas ao contrário do que acontece com imensa maioria dos fãs de Dodges nacionais, ele não é meu "Dojão" preferido. Sempre prefiro as versões de viés mais luxuoso, que esportivo. Assim sendo, considero imbatíveis entre os Dodge, os Gran-Sedã/Cupê, e os Le Baron/Magnum. bem como prefiro os Opala Diplomata aos SS, os Maverick e Corcéis LDO aos GT, o Monza Classic aos EF 500, o Chevette SL ao GP, e assim por diante. Ainda sobre os Dodge: sonho todos os dias que alguma marca traga de volta aquele absolutamente maravilhoso, espetacular, fantástico, inigualável interior monocromático azul claro que a Chrysler oferecia para seus carros, inclusive para o pequeno Polara.

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    1. Em tempo: podem trazer também os interiores vinho, e bege ou cinza bem claro em maior número, já que até temos alguns desses dois. Abaixo os sem graça e claustrofóbicos interiores "pretinho básico"!

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    2. Rafael Ribeiro05/05/13 13:58

      O Charger R/T também não é o meu preferido, mas sim seu "irmão" mais manso, discreto e elegante, o Charger LS, 1972 ou 1973, de preferência...

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    3. Mr. Car, fiquei curioso com o interior azul claro e não achei fotos pra ver. Tem alguma imagem pra eu ver?

      Abraço,

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    4. Difícil achar boas imagens deste interior, Marcos. No Google, digite "dodge interior azul" na barra de procura, depois clique em "Imagens". Role a barra para baixo. Na décima primeira e décima segunda linhas de fotos, vai encontrar imagens dos interiores azuis de Magnum e Polara. Dá para ter uma idéia.
      Abraço.

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    5. Lindo mesmo. Até o carpete é azul...

      Faltam cores na indústria automotiva atual, por dentro e por fora dos carros.

      Abraço,

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  4. Rafael Ribeiro05/05/13 13:27

    MAO, Enrico, Taguá, AG,

    Muito obrigado a todos por tornar meu domingo melhor! Parabéns ao Enrico e a todos os envolvidos no projeto, trabalho de abnegados, apaixonados e obviamente loucos também...

    Mas tenho um pedido: BOTA O SOM da besta no blog, pra gente ouvir (no fone de ouvido, para a família não achar que já é hora de me internar)!!!

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    1. Rafael,

      Colocamos duas gravações de som no final do blog.

      Obrigado, que bom que gostou!
      Comente sempre!
      MAO

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  5. Vou parar de comentar os posts do MAO.

    Motivo?

    Falta de novos elogios no meu vocabulário.

    Parabéns!

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    1. Assino embaixo.

      _____
      42

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    2. Marcos e André,

      Obrigado! Mas comentem sempre, bom saber que gostaram!

      Abraço!
      MAO

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  6. Mao, que maravilha de post! Lembrei-me tb de meus tempos de Niterói, onde nas ci e vivi muitos anos, e de Dodges... Minha vida automotiva começou com eles, ali no comércio da Dr. Celestino. E Mr.Car tem toda razão com relação ao acabamento do interior dos carros da Chrysler.

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    1. João,

      Obrigado!

      Ah, a Niterói dos anos 80...
      MAO

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  7. Isso não é um texto: é uma pintura!

    Parabéns ao MAO e ao Erico.

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  8. Ótima leitura, apesar de não ter vivido os anos 80, desses carros citados o que mais me desperta paixão são os Maverick, ainda pretendo comprar um e reformá-lo, mas o exemplar da matéria está sensacional, só faltou um videozinho pra deixar o pessoal com água na boca!

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    1. torres,

      Obrigado!
      Não filmamos o passeio, mas colocamos a gravação do som ao fim do post, espero que goste.

      MAO

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  9. Era carro para poucos, tanto por ser extremamente caro, como extremamente gastador.

    Assim como o Mr. Car, eu sempre gostei dos grandões americanos, até me divirto diariamente no Google a procura deles, mas também sempre preferi os mais luxuosos em detrimentos dos esportivos.

    É claro que mesmo assim eu gostava do Charger R/T. Principalmente os de cor amarela com faixas pretas.

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  10. MAO,
    Texto absolutamente emocionante !!
    Estou sem palavras... parabéns a vc e ao Erico pela persistência, o resultado ficou excepcional !
    Abçs

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  11. MAO,

    realmente sensacionais o carro e seu texto. Porém, a minha experiencia reforça o segundo tópico dele, do quão sofrida é uma reforma de um carro. Tentei em 2002, reformar com o que há de melhor o Santana 85 que tínhamos em casa, desde 0 KM. Desde o começo, eu estava de mão aberta: se fosse bom, estaria no amado velho carro. O problema é que as picaretagens te perseguem com gana, desde fabricantes de peças conhecidos, como a desonesta Fabrini, que vende um único jogo de molas para TODOS os santanas, quantums, versailles e royales, a um dito mestre das restaurações (nome de uma conhecida marca japonesa; quem é de BSB sabe quem é) que te enrolam até dizer chega e fazem serviço meia-boca. O carro não ficou ruim no fim das contas, mas o resultado foi aquém do esperado. Assim, desgostei dele e o vendi, 2 anos depois.

    Responda-me, MAO: quantos de nós aguentariam 7 anos, desculpe-me o termo, levando porrada de funileiros, mecânicos, retificas e etc?

    O carro do seu amigo ficou fantástico, de verdade. Mas eu jamais recomendaria uma empreitada dessa a uma pessoa. É grana demais, chateações a rodo, frustrações no quilo. Com o que ele gastou, e sei sim que ele tem um carro único e que ama, adquire-se coisas também fantásticas de quatro e duas rodas.

    Repito: o carro é muito bacana. Mas a que custo, seja monetário ou pessoal? Se o dono, e somente ele, disser com toda sinceridade que valeu a pena, parabéns.

    Abraço

    Lucas CRF

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    1. Foi no ponto, Lucas. É por isso que quero meu antiguinho já pronto. Até por questão de personalidade e temperamento, eu sei que a empreitada de uma restauração seria, para mim, absolutamente e absurdamente estressante, desgastante, irritante, enfim, me daria muito mais aborrecimento, que prazer. Admiro profunda e sinceramente todos aqueles que se dedicam a fazer uma restauração, especialmente as de grande monta, aquelas onde o carro é inteiramente desmontado, e criteriosamente refeito. Tiro meu chapéu para esses heróis, e os aplaudo efusivamente, de pé.

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    2. Mr. Car,

      eu sei no caso de carros preparados, ás vezes é possível comprar o carro inteiro e pronto por menos do que se gastou somente em peças. Mas se o cara tiver prazer na epopeia da construção, ótimo para ele. No nosso caso, complica.

      Abraço!

      Lucas CRF

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    3. Lucas e Mr Car,

      muito obrigado.

      é uma mistura de emocoes... quando voce esta planejando, comprando umas pecinhas aqui e ali, a restauracao é um sonho bacana. Quando comeca a obra pesada, vira a dura realidade (o dinheiro vai que nem agua pro ralo...). Quando voce toma esses tropeços é que vira um pesadelo, um stress sem fim, sem solucao, a nao ser vender ou refazer.

      Quase vendi o carro durante a obra, estava extremamente chateado de ter sido enganado por um profissional que eu confiava. A parte emocional é pior que a financeira, dinheiro voce trabalha e junta novamente e resolve.

      Felizmente escolhi ir em frente, esquecer os tombos, virar a pagina, e finalmente vou curtir o carro, a estoria teve seus momentos tristes, mas o resultado final ficou otimo, hoje eu acredito que compensou o stress todo, sem duvida nenhuma! Mas nao sei se eu tenho saude para fazer isso de novo, provavelmente nao.

      Muito melhor comprar algo pronto, ou pelo menos o mais proximo do que voces querem. Mas mesmo se voces procurarem e encontrarem um carro "perfeito", sempre vai ter alguma coisinha pra fazer, nao se iludam que um carro restaurado é igual um carro moderno 0km, porque nao é!

      abracos a todos,
      Erico

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    4. Lorenzo Frigerio05/05/13 22:29

      A Fabrini NÃO aplica um único modelo de molas a todas as versões; você foi enganado pelo instalador. Tenho um Santana GLS 1990 automático e vários anos atrás troquei amortecedores (pelo modelo a gás) e molas. A oficina equivocadamente instalou as molas do carro com ar condicionado, mas sem câmbio automático, deixando a frente mais baixa; exigi que retificassem o erro. Então, só para esses Santanas mais antigos já existiam três modelos de molas dianteiras (as traseiras, sim, são iguais). Eu só me liguei porque fico sempre em cima, e já previa que essa vacilada podia ocorrer. As molas são feitas pela Fabrini, mas vêm com o nome "Rassini" (não sei porquê).

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    5. Lorenzo, o problema e que fui eu que comprei as molas e vi na caixa: Santana, TODOS, Versailles, TODOS... Empresa picareta, sim.senhor...

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    6. Lucas,

      É difícil mesmo...

      Mas não é impossível, como provou meu amigo.
      MAO

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    7. MAO,

      peço desculpas se fui rude. Sabes que gosto muito de seus textos. Só coloquei a questão da ponderação e pelo que o dono, que quem sente tudo na pele, vivencia num processo desse.

      Érico,

      Se você acha que compensou, melhor ainda. seu carro ganha mais brilho ainda. Parabéns.

      Abraço

      Lucas CRF

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    8. Lucas,

      Claro que não foi rude!

      Entendi perfeitamente seu comentário, tá tudo tranquilo!

      Forte abraço e comente sempre!
      MAO

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  12. Lindo texto, escrito com emoção para contar a história de uma paixão. Não existe explicação racional para gostarmos de determinado modelo de carro, ainda mais dos antigos. Apesar de todos os defeitos, da tecnologia ultrapassada e suas incríveis limitações (se comparadas à tecnologia atual), quem gosta de um antigo em especial, se diverte muito ao volante de um deles!

    Infelizmente, hoje em dia, nestas terrinhas tupiniquins, não é fácil encontrar profissionais competentes, que trabalhem com o prazer acima do dinheiro. E o duro é que não cobram barato e oferecem serviços de qualidade duvidosa, em muitos casos. O que mais me arrepia na minha empreitada de restaurar um Opala SS-4 1980 é justamente a parte de funilaria, pois a estrutura do carro está boa, mas existe muita ferrugem, necessitando de profissional gabaritado para fazer um serviço decente.

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    1. Road Runner,

      Obrigado!

      É difícil mesmo restauro, mas não é impossível...
      MAO

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  13. Pois é...Outro triste destino a muitos exemplares nesta época por causa da desvalorização é que eram destruídos, seja tirando a capota para um simples desfile no carnaval, em demoly cars, ou até mesmo em filmes nacionais . Teve uma reportagem de uma revista de 1989, que não vou citar aqui porque não sei a política do site em que o dublê jogava um Dart num lago para mostrar como era seu trabalho. Ao menos atualmente eles tem grande valor, como citado pelo autor, bem astronômico, a ponto de custarem o mesmo quando eram 0 km.

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  14. MAO, muito legal seu post! Um show!

    Esse motor V8 era tão bruto que equipou, na versão a álcool, os caminhões Dodge, VW 11-160, 22.160 e o trator CBT!

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  15. Mais um excelente post dominical!!!! E que bela história, com um belo final.Felizmente com a "globalização" a obtenção de peças no exterior - acredito - deva ser mais fácil...

    Muito lindo também o Opala SS da propaganda.

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  16. Lindo Charger, MAO, e automático como hoje eu gosto (lembrando que nos anos 70/80 "ninguém" gostava). Aliás, como as coisas mudam! O automóvel padrão do brasileiro era colorido, com câmbio manual e duas portas. Hoje é branco, automático e quatro portas. Antigamente, aqui na região onde moro, ar-condicionado era rejeitado porque "dava gripe". Hoje é equipamento indispensável até para o mais popular dos veículos utilitários.
    Permita-me fazer uma observação bem-humorada e off-topic: a última vez em que li a palavra "imberbe", foi numa obra de Machado de Assis. Fico satisfeitíssimo que, vez ou outra, alguém se lembre de utilizar parte do português tradicional.
    Nos anos 80 eu era apenas um menino, ainda não era um adolescente, mas lembro que, à noite, já deitado, reconhecia os modelos de carro que estacionavam na rua não só pelo ruído do motor, mas pelo ruído da batida da porta. Os mais característicos eram o do Chevette, do Monza, do Opala, da linha Gol e do Corcel II. Ruídos ímpares. Hoje parece algo descabido, mas como você disse, em época de poucos modelos nas ruas, tudo era possível. Até os nomes das cores de cada montadora, com um pouco de interesse, era possível saber de cor.
    Até que enfim alguém tem a coragem de declarar abertamente que o motor 4 cilindros do Opala era péssimo. Aliás, esse motor era bom no Chevette!
    Mas o Opala conseguiu um feito que, bom ou ruim, poucos carros no mundo foram capazes: foi o carro mais democrático que já conheci. Lembro que em dada época os médicos andavam de Opala Diplomata 6 cilindros, 4 portas e automático, e os pedreiros andavam de Opala "standard" 2 portas 4 cilindros e básico.
    Democratização essa, que o Omega, seu sucessor, jamais conseguiu chegar perto.
    Hoje o Maverick é venerado, principalmente pelos mais jovens, mas lembro que no início dos anos 80, era completamente desprezado, um fracasso de vendas, e ninguém queria nem ouvir falar.

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    1. Off-topic (ou fora do tópico, he, he!) sobre seu off-topic: também admiro assaz um texto com português bem escrito, o uso de palavras já meio esquecidas de nosso vastíssimo vocabulário, e ainda com bom desenvolvimento do tema, com começo, meio, e fim, de modo que se torne de fácil compreensão, que se faça entender. Como pode ver, não me incomoda o uso de expressões em inglês, como "off-topic". Só me incomoda mesmo é o sujeito escrever concerto, quando quer dizer conserto. A língua portuguesa é de uma riqueza ímpar. Não sei se algo assim seria possível em outro idioma:
      "Pedro Paulo Pereira Pinto, prestigiado pintor português, profissional profundamente perfeccionista, portanto previsivelmente proclamado predileto pela população, pintava paredes praticando preços populares, permitindo pequenas prestações para parcelar pagamento, porém, pressionado, passando por profundos problemas pecuniários, precisando pagar polpudas promissórias perigando pronto protesto, preferiu partir para Paris, para pintar portentosos palácios".
      Abraço (ou amplexo, como queira).

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    2. Ora, pois! Anglófilos à parte, galicistas que me perdoem, porém, sem qualquer traço xenófobo, não há idioma mais vergastado do que este atualmente.

      A língua portuguesa é a mais bonita do planeta.

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    3. CSS,

      Obrigado, que bom que gostou!
      MAO

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    4. CSS,

      Eu também identificava diversos veículos através das "batidas" de porta, e com certeza, o som mais característico era da grande porta de um Corcel II.

      Abraço.

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  17. Parabens MAO por resumir toda a novela que foi esse Dodge ficar pronto. Conheço o Erico e acompanhei tudo que ele passou com esse carro, desde os tempos em que ele era azul. Eu comprei um Camaro um pouco depois que ele pegou esse Dodge, e não tive a coragem de fazer o que ele fez, a não ser, fazer um bom trabalho de funilaria, acompanhando tudo de perto, para não deixar ser enganado, por algum picareta. A parte mecânica carece de um tempero pra ficar legal que nem o Dojão dele, mas tá me faltando coragem. Acho que prefiro continuar rodando com ele no estado, porque ve-lo parado por tanto tempo, esperando peças e retifica me deixaria super triste. Não sei como o Erico aguentou.

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    1. Anonimo,

      Obrigado!

      Mas coragem aí, só porque algo é difícil não quer dizer que não vale a pena.
      MAO

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  18. Um amigo meu está terminando de restaurar seu Dodge SE com a preparação devida... tá ficando lindo, mas vai grana e trabalho, hein?

    Particularmente eu prefiro os Opala Cupê, mas gosto dos Dodge também.

    Abs

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  19. excelente registro e maravilhoso Charger. compreendo as mazelas passadas pelo dono do Charger, pois também reformei o meu em 2008 e sei o quanto é dura uma restauração criteriosa e completa. em compensação o prazer depois é inenarrável! abração,
    www.V8nFUN.blogspot.com

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    1. Gianfranco Cinelli

      Grato, que bom que gostou!
      MAO

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  20. Lorenzo Frigerio05/05/13 18:28

    MAO, o câmbio desse carro foi trocado? Pois a versão lock-up só surgiu em 1979.
    Também tenho um R/T 1974, desde 1981, quando já precisava ser reformado. Desde então, só fiz interferências pontuais nele, e aprendi muita mecânica com isso. Há uns 8 anos talvez, fiz uma meia-sola na lataria. A verdade é que ele precisa de uma reforma geral, mas passei meu Oldsmobile Cutlass Supreme 1967 na frente, para uma restauração tipo "ground off". Resultado, 5 anos na funilaria, motor 5 anos na retífica, uma capa de biela perdida (foi necessário comprar uma biela no eBay e fazer "misto-quente"), e agora estou montando lentamente o carro e preciso ainda montar o motor, mas o balanceamento do virabrequim (R$1000) tem que ser feito antes. Enfim, nunca mais faço esse tipo de reforma e o R/T, quando chegar a hora, terá que ser feito em partes.
    O grande problema de se reformar esses carros é que nunca conseguimos encontrar uma pessoa que se responsabilize totalmente pelo serviço. Passam pela reforma várias pessoas diferentes, entre montadores, funileiros e pintores; os anos se passam e muitos deixam de trabalhar na oficina, sendo substituídos por outros; o carro parado vira "armário" de peças de outros carros enquanto algumas peças dele desaparecem; os caras são tão imbecis que não conseguem ver que a tinta não bate e chegam até a pintar da cor do carro aquilo que já tinha sido pintado de preto e estava certo. No meu caso, aconteceu até de um funcionário da oficina destruir a plaqueta "Body by Fisher" com a informação das opções do carro, para jogar a culpa em outro funcionário (só saí dessa porque tinha uma foto da plaqueta e uma empresa nos EUA reproduziu). Enfim: se puder comprar um carro que não precisa de reforma, faça isso; ou então só reforme se conhecer um ARTISTA, um gênio da organização para fazer o serviço.
    Portanto, existe uma razão para o preço desses carros ter chegado à estratosfera; excelência de mão-de-obra é uma "commodity" extremamente rara no Brasil.

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    1. ....disse tudo, caro amigo!!
      Ter um antigo é ter exatamente tudo isso que vc falou bem maduro na mente!!

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    2. Lorenzo,
      Nao existe uma "super oficina" que faça tudo de uma vez, o dono do carro é quem tem que tomar as redeas da restauracao inteira. Pelo menos eu nao conheco nenhum profissional que faça isso ainda.

      Nessa ultima fase de mecanica/eletrica/acabamento, fizemos uma planilha no excel, peca por peca, real por real, quem compra a peca, de onde, quanto custou, e mao de obra relacionada. Revisada praticamente toda semana entre eu e o Tagua, e no fim deu o resultado esperado.

      E o cambio é o original do 75, voce tem razao, nao tem lockup nao... esqueci de avisar o MAO desse detalhe!!!

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    3. Lorenzo,
      tenho um Cutlass 67 também. O nosso é um 4 portas com coluna, 250 L6 e transmissão Jetaway, mais dorminhoco impossível. Foi comprado pela avó de minha esposa 0km, atualmente tem 40 mil km rodados.
      Como é o seu ?

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    4. Lorenzo,
      tenho um Cutlass 67 também. O nosso é um 4 portas com coluna, 250 L6 e transmissão Jetaway, mais dorminhoco impossível. Foi comprado pela avó de minha esposa 0km, atualmente tem 40 mil km rodados.
      Como é o seu ?

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    5. Lorenzo Frigerio06/05/13 01:46

      Hardtop cupê, motor 330 4V com taxa de 10.25:1 e 320 hp brutos de fábrica. Mesmo câmbio Jetaway 2 marchas com conversor de passo variável e kickdown elétrico, mas será substituído por uma mais moderna TH200-4R Level 2, de 4 marchas lock-up overdrive, da Bow Tie Overdrives, boa para 450 hp, basicamente a especificação da Buick Grand National (o motor não chegará a esse nível de potência). Também tem alavanca no console e vidros verdes elétricos (mas não A/C, eventualmente instalarei um kit da Vintage Air). O carro era branco de fábrica e agora foi repintado dessa cor, mas estava de um verde quase preto, e com dragões nas laterais quando o comprei. A lista de modificações é muito extensa para colocar aqui, e são todas sutis, envolvendo todos os aspectos do carro, mas o visual permanecerá original, exceto pelas rodas SS I, do 442, com pneus Cooper Cobra. Abraços.

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    6. Caramba , Eu me arrependo muito de ter vendido minha Cutlass 67 também 4 portas sem coluna interior azul... Vendi esse carro em 1999 e nunca mais o vi .. Ele era prateado e com um pequeno detalhe : Estava equipado com o Big Block 400 Pol retirado de um Pontiac Formula..estava com a transmissão original de duas marchas e cambio na coluna..algum de vocês já viu esse carro por aí ?

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    7. Lorenzo,

      Dado errado do cambio, já corrigi lá, grato!
      MAO

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  21. Excelente matéria MAO.
    Parabéns ao seu amigo Erico pela coragem e persistência.
    Parabéns aos envolvidos no processo como o AG eo mec. Taguá.
    Como já foi dito, a maior dificuldade não são as partes físicas, mas a mão-de-obra. PAgar caro por um serviço também não é garantia de qualidade.
    Também passo por isso no momento...
    Um abraço.

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  22. Sensacional o artigo.

    Agora, tem uma parte que deve ser pegadinha...
    "Logo começam as modificações: primeiro veio o câmbio manual de quatro marchas, montado em casa com ajuda de sua avó."

    Ajuda da AVÓ?!?...

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    1. Ives,

      essa estoria da vó dá quase uma novela a parte.... em resumo é o seguinte:

      alguns meses depois de comprar o Dodge, comprei tambem o cambio manual de 4 marchas, console, pedaleira, etc, do antigo dono do carro. O automatico vazava oleo, e eu queria mais desempenho, algo mais direto que o automatico.

      Fiz a mudanca do cambio em casa mesmo, o dono antigo me ajudou a desmontar o automatico, e um outro colega ajudou a subir o cambio manual. Tudo ia bem, mas na hora de encaixar o cambio na caixa seca o eixo nao entrava nem a pau na embreagem, porque o disco da embreagem ficou desalinhado quando montamos (usei toco de cabo de vassoura pra alinhar, logico que nao deu certo...)

      Entao pedia ajuda para minha avó, só estava ela em casa no momento, colocamos o banco todo pra frente, ela entrou no carro e pisou no pedal da embreagem com os 2 pes, segurou firme enquanto eu e meu colega conseguimos encaixar o cambio no lugar (treco pesado pacas),

      Bingo, com o pedal acionado o disco fica solto e se acomoda direito no eixo. Sucesso!

      Na epoca a vó ja tinha uns 80 e poucos anos, hoje tem 93 e ainda curte o Dodge :-)

      abracos
      Erico

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  23. EXCELENTE TEXTO!!!
    Por isso sou fã desse blog!!!

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  24. O carro restaurado ficou show e com esse texto então, matou a pau!!

    Como disse um outro "Anônimo" acima, excelente o post desse domingo.



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  25. Mao,

    Voce também é o cara, empatamos!
    Como nota curiosa, vale comentar que o cambio manual que saiu do carro do Erico, veio para Brasilia e já está instalado em um chevette 74. Com motor chevy 350 bem mexido. Breve um post sobre este projetinho amalucado assim que eu o concluir.

    Abração

    AG

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    1. AG,
      voce foi FUNDAMENTAL para que eu pudesse terminar esse carro decentemente, agradeco aqui mais uma vez!
      Erico

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    2. Aléssio Marinho05/05/13 23:17

      AG, vc faz falta aqui, homem de Deus!

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  26. Parabéns pelo artigo, bem mais interessante que a "mesmice" dos carros modernos. Que venham mais matérias de carros antigos !!!

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  27. Lembro muito bem do primeiro Charger R/T que vi na rua. Devia ser um 1971 com a grade de frisos cromados horizontais que cobriam os faróis. Sempre quis ter um.

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  28. É por essa dificuldade de achar mão de obra honesta que fico com a pulga atrás da orelha pra fazer a pintura e funilaria meu Monza SL/E 88, dentre outras reformas.

    Certa vez levei ele pra fazer a troca dum simples botão da vidro elétrico, e além do cara tentar me empurrar um botão com luz laranja (o original é verde) ainda quebrou o painelzinho onde são encaixados os botões. Tive que comprar uma peça original nova, que por sua vez veio com defeito em um dos botões que o vendedor não quis trocar alegando que o defeito estava na parte elétrica do carro. Fiquei ums 3 meses rodando só com os vidros de trás abertos por causa disso.

    Só o pensamento de ir buscar o carro na funilaria e ver que o serviço caro que levou meses pra ficar pronto foi mal feito me dá calafrios. As vezes acho que vou ficar convivendo pra sempre com os ovinhos, riscos e pintura queimada no teto pro resto da vida pra evitar esse tipo de dor de cabeça. Pelo menos vou curtir sempre os passeios de fim de semana com as 4 janelonas abertas e o vento na cara rs...

    Só não tenho que reclamar de mecânico. Conheço um que é de confiança da famía faz tempo que sempre deixa o monzão tinindo. O velho Brosol 2E parece injeção eletrônica: pega de primeira no frio, a alcool e sem usar o gasolina, além de rodar macio de fazer inveja a muito carro zero.

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    1. Lorenzo Frigerio06/05/13 01:55

      Se tem 2E, deve ser 1.8. Minha mãe teve um 1990, também a álcool. Melhorou bem depois que aumentei os giclês primário e secundário em 7,5 pontos, pois carros GM são pobres de fábrica. Também fiz acionamento mecânico do 2o. estágio e o carro ficou um canhão. O aumento nos giclês é facilmente reversível se não fizer diferença; só confira antes se alguém já não mexeu.

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  29. Aléssio Marinho05/05/13 23:25

    Não conheço o Érico pessoalmente mas perseverança é uma das suas qualidades. Parabens por não desistir do carro!

    Já este coitado aqui andou desiludido com serviços pagos e não realizados por "profissionais" de indole duvidosa e que posavam de amigos. Infelizmente não dá pra confiar mais nem nos amigos...
    7 anos depois do começo da reforma do cabriolet, me vejo as voltas com um doador de peças encostado no muro do condomínio, e com os vizinhos manifestando a sua curiosidade em saber o que vou fazer com aquele monte de lata retorcida e que não tem valor pra ninguém, exceto pro "boi sem rabo". Resolvi estudar e aprender a fazer os seviços que preciso, pra diminuir a raiva e ainda ter mais histórias pra contar. Devagar e sempre. Coisas de malucos com gasolina no sangue.

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    1. obrigado Alessio!
      fica frio e vai fazendo aos poucos, o que nao pode é deixar parado, toda semana tem que andar alguma coisa, nem que seja desmontar um parafuso ou limpar um encardido de um estofado. É muito prazeroso quando voce consegue fazer alguma coisa sozinho e dá certo, por mais simples que seja, nao desista nao!

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  30. Lorenzo Frigerio06/05/13 02:14

    Imagino que a maioria já conheça o site do colega Alexandre Badolato, um colecionador com Dodge no sangue, que tem uma verdadeira frota desses carros, todos restaurados à perfeição em relação à originalidade, tendo resgatado vários exemplares interessantes de acabar no ferro-velho. Para os que não conhecem, segue o link: http://www.museudodge.com

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  31. Mao,

    Belíssimo texto! Parabéns! Me levou de volta á época em que meu pai era motorista da Chambord Auto, e eu via essas belezas, 0Km, no pátio da concessionária...

    Parabéns também ao Erico, pela perseverança e o resultado alcançado.

    Agora, eu dou graças a Deus por ter pego a Parati em excelente estado, e sem a necessidade de passar por uma restauração. Só foi necessário uma revisão mecânica, resolver algumas pendências na parte elétrica e já são quase três anos de alegria! Confesso que ela tem um risquinho aqui, outro ali. Mas, já acompanhei várias restaurações pela internet, e não consigo me ver passando por estes perrengues todos. Prefiro conviver com os riscos, e consertar tudo o que estiver ao meu alcançe na garagem de casa, pois, infelizmente, não é só para restaurar um carro que você passa por dissabores com M.O., não! Até em uma simples revisão no seu carro do dia-a-dia, você corre o risco de ser ludibriado, mesmo se dirigindo a uma concessionária da marca. Essa é mais uma das pragas, entre tantas, que assola o país...

    Um abraço!

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  32. Aqui no sul conheço uma empresa, a Phoenix, que se responsabiliza de cabo a rabo pelo processo de restauração, mas acho que não preciso entrar em detalhes de preço, coisa de seis dígitos. Aliás, não sei se eles pegam antigos nacionais para empreitada.
    Já vi diversos projetos concluidos de perto e os resultados são excelentes.
    No mais, só não se ferra quem tem capacidade para fazer quase tudo por conta, especialmente eletrica e acabamentos.

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  33. MAO e Erico,

    parabéns por todo o trabalho. Fico orgulhoso de conhecer uns caras assim e tê-los como amigos.
    O carro é maravilhoso, preciso dar uma voltinha.
    Dodges são especiais, carros com alma, espírito e carronalidade.
    Não há mais o que dizer, estou muito contente que tenha voltado à vida.

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    Respostas
    1. JJ,

      Valeu, camarada, o sentimento é recíproco!

      Abraço!
      MAO

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  34. Agora esta assim , ora recebo atualizações do autoentusiasta ora não recebo. esqueço de conferir deixo passar.
    Mas o manual do motor do dojão esta Mandei para o BOB

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  35. Leio vários periódicos americanos e vejo programas de TV daquele país sobe restauração de veículos...Três fatores tornam a vida de quem quer restaurar uma joia mais fácil nos EUA: A gigantesca escala de produção, a continuidade na fabricação de peças após o encerramento da produção (respeito ao consumidor) e uma industria de fabricação de peças antigas funcionando a todo vapor.

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  36. MAO, obrigado pelo post de hoje...realmente a tempos não gostava tanto!!
    Li até o final, e fiquei pensando...obrigado MAO por ter se disposto de tanto tempo escrevendo todas estas linhas, tentando nos passar as deliciosas sensações que este Charger lhe proporcionou.
    Fica o pedido...qdo tiver um tempinho sobrando, escreva outros assim...vc não imagina como é bom ler posts como este... e acredito q muitos outros pensam como eu.
    um grande abraço!

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    Respostas
    1. Edu,

      Obrigado pelos elogios, e feliz que vc gostou!

      Escrevo o que posso, como vc mesmo disse, é um trabalhão. E a vida da gente cada vez mais complicada. Mas fique de olho aqui que a gente sempre aparece!

      Abraço!
      MAO

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  37. Caro MAO; Mais um de seus poemas, hein Drumond da graxa!A história faz a gente vibrar. Hora de alegria , hora de pura raiva. Sei bem o que passou esta alma torturada na reforma. Infelizmente o caso dele é exceção. Mas bom saber que alguns conseguem.E a alma fica mesmo lavada depois. Abs e parabéns a todos. MAC.

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  38. Ricardo Tagua07/05/13 10:16

    MAO, Erico, AG;
    MAO, muito legal a postagem. Foi um árduo trabalho por diversos motivo mas muito prazeroso, obrigado pelo reconhecimento do trabalho que tive em reviver esse lindo carro e ainda mais da confiança que o Erico depositou em mim para concluir e refazer o projeto levando o carro até minha oficina. Onde tem outros dodges tb no processo de restauração no mesmo nível.
    Obrigado ao AG que com sua experiência de anos, me ajudou com inúmeras dicas.
    E a mais uma vez obrigado ao Erico pela confiança depositada em mim.
    A minha alegria foi ver quando ele chegou na minha oficina e viu o carro pronto estacionado na frente esperando ele pra dar sua primeira volta depois de anos ele não acreditava no que estava acontecendo.... Quando falei entra liga o contato e vai dar uma volta é seu. Parecia uma criança com o novo brinquedo...
    Obrigado a todos!
    Que venha os próximos!!!!

    Abraços,
    Ricardo Tagua

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    1. Taguá,

      Obrigado pelos elogios e parabéns pelo trabalho bem feito.
      Continue assim!
      MAO

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  39. "Sempre equipados com motores V-8, sempre oferecidos em cores vivas e interessantes, e sendo enormes para os padrões brasileiros, os Dodge têm a aura do diferente, do alegre, e da potência limitada apenas por sua imaginação e conta bancária."

    Budaqibariu, du baralho esse texto, o texto inteiro...grato, muito grato.

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    1. Clint,

      O blog é que agradece a visita!

      Obrigado!
      MAO

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  40. Eu peguei um daqueles livros da coleção "Clássicos do Brasil" da Alaúde e descobri que o Dart é o carro mais "Mandrake" da história. Vejam só:
    Dart e Dart SE
    Charger
    Gran Coupe
    Gran Sedan
    Le Baron
    Magnun
    Esqueci algum? O motor tinha três variações de potência que davam no máximo uns 20 cv brutos, muita perfumaria e, só. Mas é o que tinha. Os concorrentes? Um alemão disfarçado de "muscle car" (e nem poney era), outro que nem "poney-car" era e um "compacto" de entrada vendido como muscle-car mas era um "poney-car"... E tem gente ainda com saudades dos anos 70...

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  41. Bela história. Porém vejamos o caso onde em 99, 2000, 2001, eram vendidos esses carros por meros 5 mil 6 mil reais inteiros como em fotos do dono e imagens de internet. Hoje mesmos carros são vendidos por valores estrondosos, absurdos, astronômicos desanimando, chateando e fazendo raiva em não poder ter um Dodge na garagem já que gostamos dessa máquina grande, impetuosa, desbravadora... é lamentável!! Imagina o poder e o prazer de digirir essa barca nas ruas.

    Att,

    Tiago

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  42. Me subiu uma raiva quando li a respeito do primeiro serviço feito no motor que eu quase esmurrei o teclado.
    Tragédia é pouco pra definir aquilo que o MAO descreveu... Ponte que o Partiu... acho que eu ficaria louco de usar camisa de força se fosse comigo.

    Tenho um desejo enorme de comprar um Opala Especial 4 portas e recriá-lo na imagem e semelhança do Opala Divisão 1 que meu pai teve nos anos 70, pilotado pelo Edgard Mello Filho... mas o medo de passar por tudo isso já me desanima.
    Pior que, como todo virginiano, sou ansioso demais... esperar 7 anos pra ver o carro pronto é "Dalai Lamismo" demais pra mim.

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  43. tive opala maverik charg de todos o que marcou foi o charg

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Um abraço!
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