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18 de abril de 2009

BRASILEIRO EUROPEU



Falei aqui há alguns dias no Polo BlueMotion, na pequena viagem organizada pela fábrica para a imprensa, as minhas impressões do carro. Mas faltava a avaliação para valer, aquela resultado de dirigir no dia-a-dia, no trânsito normal. Foi o que se deu agora.

Chama logo a atenção o visual do carro pelo sua menor altura de rodagem em relação ao Polo normal. Nota-se isso ao nos aproximarmos dele e também ao entrar ou sair, pois o solo está mais próximo. Parece pouco, mas que diferença fazem 1,5 cm!

O contraste é ainda maior quando se tem oportunidade de guiar um Polo "alto", caso do Polo GT (2-litros flex, 120 cv com álcool) que usei alguns dias.

Pode até ser exagero, mas que prazer dá andar num carro de altura de rodagem mundial, não o absurdo que temos aqui por conta da necessária "tropicalização" – tornar o carro menos vulnerável a lombadas e valetas, melhor dizendo.

Outro traço mundial é o câmbio de marchas longas. Como é adequado, como tem toda lógica. Na cidade pode-se esquecer a quinta, abolindo a necessidade de sair do "H" básico para passá-la. Em velocidades de marginal (90 km/h) o motor fica entre 2.000 e 2.200 rpm, perfeito.

Já venho dizendo há algum tempo que os motores nunca estiveram tão elásticos. A maior evidência disso está na facilidade com que o BlueMotion anda nas situações normais do trânsito, como dobrar uma esquina de bairro. Pode-se efetuá-la em terceira sem problema algum, o motor levanta fácil.

Nos acessos às maginais a aceleração em segunda é perfeita, levando o veículo facilmente a 80~90 km/h para uma perfeita "manobra zíper", misturar-se à corrente de tráfego.

Esse esquema de câmbio, o "4+E", é perfeito, todo carro devia ser assim. Na estrada escolhe-se entre o deseempenho máximo da quarta marcha e o rodar sossegado e econômico da quinta. Têm-se opção, ao contrário dos arranjos de quinta de potência.

E tem ainda a mágica dos modestos pneus 165/70-14 de baixo atrito, Dunlop SP 10, que não faz deteriorar o perfeito comportamento em curva como pode parecer à primeira vista.

Por quê o título deste post? É o que o Polo BlueMotion é, ora.

BS

20 comentários:

  1. Bob

    Teve um colega nosso que reclamou do carro. Disse que pegou o Bluemotion, enfiou esposa, filhos e bagagem e desceu para o litoral paulista.

    Na volta para São Paulo alegou que o desempenho do carro carregado é sofrível e que o fato de precisar "esgoelar" cada uma das marchas faz o carro gastar mais do que num Polo normal, com transmissão "close ratio".

    Enfim, ainda não testei o carro. Mas não deve ser nada muito diferente da transmissão wide ratio que uso hoje.

    FB

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  2. André Andrews18/04/09 20:35

    Felipe,

    Tem gente que só usa as rotações para dar desempenho, sendo que potência é resultante de carga mais rpm. "Esgoelar" o carro com pé de anjo muitas vezes esta sendo usada a mesma potência do que com 2,5 mil rpm e carga total. E este é o comportamento da imensa maioria.

    Os carros com caixa 4+E levam justamente a este comportamento, dar potência usando mais o acelerador do as rotações, que é o método mais econômico de usar um motor ciclo Otto. O brasileiro tem verdadeiro pânico por usar o acelerador, pois em média não sabe disso.

    Acho que a VW deveria explicar melhor esses conceitos, se bem que ninguém lê manual, infelimente.

    O carro também precisa de um motorista brasileiro-europeu.

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  3. Jonas Torres18/04/09 20:55

    Uso um 206 1,6 16V que tem a quinta marcha de potência, que casa velocidade máxima com rpm de potência máxima, quinta a 120 a mais ou menos 3500 rpm. Pode-se rodar neste carro até pulando marchas com o A/C automático ligado, 1-3-5 ou 2-4, ou até 3-5. Isso significa que ele poderia ser todo escalonada para as 5 marchas virarem 4, mantendo a quinta como quarta.

    Quando rodo em auto-estrada quase perto da sua máxima, ao retormar para 130 (devido a um radar, ou condições do tráfego), percebe-se que esta era a hora de se usar uma sobremarcha.

    Pior é que todos os carros são assim por aqui, ou ainda pior: em muitos a quinta não atinge nem a máxima possível, e nem tem cara de sobremarcha. É um balaio de gatos, mas esse Polo esta perfeito

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  4. FB
    Esgoelar motor, por causa do câmbio? Isso não existe! De onde que colega tirou essa? Não há como o BlueMotion consumir mais do que o Polo 1,6 normal.

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  5. André,
    Comentário perfeito, irretocável.

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  6. Jonas,
    Como é chato estar em velocidade de viagem e ficar procurando uma marcha mais longa, não?

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  7. Bob, saberia dizer qual a velocidade máxima por marchas do Polo Bluemotion? E que tal o 2.0?
    Abraço

    Lucas

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  8. André Andrews

    Eu uso um câmbio 4+E na minha VW Quantum, por indicação do próprio Bob. Foi uma das melhores escolhas que fiz na vida.

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  9. Em minha opnião, esse acerto Blue Motion tem tudo para ser um verdadeiro fracasso. O Bob, eu e vocês aqui sabem do como é bom um câmbio 4+E, sabemos que dirigir com maior carga no pedal, em muitos carros, é mais econômico do que usar a rotação, enfim. Mas o resto do Brasil não sabe disso. Fora que, marchas mais curtas trazem mais aceleração naquela hora que você cola o pé no acelerador, o que está diretamente ligado à percepção de potência.

    Se os donos destes carros não forem instruidos sobre essas particularidades do carro, podem ter certeza que o modelo será um fracasso, ficará mal falado como "manco" e "lerdo" e a VW vai ficar mais 20 anos tem ter um carro de câmbio longo no Portfolio.

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  10. Lucas,
    BlueMotion, alcance das marchas, rpm de pico de potência, 5.250:
    1a 43
    2a 77
    3a 126
    4a 190 (5.444 rpm)
    5a O que der; estimo 170 km/h a 3.700 rpm.

    Apesar da potência a apenas 5.250 rpm, o motor vai com vigor a 5.700~5.800 rpm. Nesse caso o alcance em 1a, 2a e 3a fica 48, 85 e 140 km/h.

    Gostei muito do 2,0, fizeram bom trabalho. As asperaza do motor ficou bem menos perceptível e a 120 km/h está a 3.000 rpm.

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  11. Caio,
    Como venho dizendo, brasileiro adora muitas marchas no câmbio mas não gosta passá-las. Quer ficar em quinta até nas subidas de serras suaves como a Imigrantes, aqui em São Paulo. Não entende que, em números redondos, a quarta de um "4+E" é a quinta de um esquema normal de cinco marchas.

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  12. Pois é bob, mas se ninguém explicar isso o carro vai fracassar, pode contar com isso. Aliás, aqui já não é o primeiro lugar que ouço falando sobre a "sonolência" do carro.

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  13. o escalonamento realmente é bom, mas esta 4º marcha não ficou longa demais? me parece que existe ai um buraco da 3º para a 4º marcha, isso com o carro pesado ou em subidas leves, ultrapassagens a 80km/h 90km/h deve ser sofrível, creio que é preciso ter que esguelar a 3º marcha para efetuar ultrapassagens com segurança, para um motor 1.6 não sei se é muita vantagem, apesar de que acredito que a proposta do bluemotion é economia, e não desempenho...

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  14. Antonio Martins19/04/09 16:14

    A impresna especializada também não ajuda muito a formar o consumidor. Lembro quando uma das revistas de maior circulação (4 Rodas) rodou num Tiida de 6 marchas nos EUA e reclamou que as marchas eram muito longas e que a Nissan teria que dar jeito nisso.

    Dito e feito, um carro com 6 marchas reais, sendo que, como já explicou o Bob, 4 já bastam. E a turma do quanto mais melhor vibrou...

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  15. Sobre a turma do quanto mais melhor, ontem estava em Águas de Lindóia, que aliás está muito bom. Tarde da noite antes de ir para o hotel resolvi comer um cachorro quente para espantar o frio, quando o vendedor perguntou como queria o meu eu respondi: apenas salsicha e molho. E ele estranhou, "não vai querer batata ervilha, queijo ..." eu respondi categoricamente que queria apenas salsicha e molho. Logo ele abriu aquele sorriso e disse "esse é o verdadeiro cachorro quente, o clássico. Era nisso que eu estava pensando quando abri a barraca, mas o brasileiro acha que se encher o pão de coisas vai sair ganhado e acaba que não sente o sabor de nada, quase não consegue morder cai tudo fora mas para eles quanto mais melhor".

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  16. Obrigado, Bob. Curiosamente, são os mesmos limites de nosso santana de 25 anos atrás (47,92,140). Mas me lembro que a tocada não era muito agradável, talvez, como você explicou, pela deficiência do MD 470.
    Atualmente temos um vectra cd 97 e, nesse mundo de cambios curtos, acho-o longo demais. Veja só os limites por marcha no velocímetro, a 6800 rpm, quase no corte:
    1a -70
    2a- 110
    3a- 165
    4a- nunca tentei, mas de 200 passa.

    OK, eu sei que a 6800 o pico de potencia já passou há um bom tempo; é só para ter uma refência.

    Por outro lado, o carro é economico. Rende 12,5 km/l em Brasília seguidas vezes. Fico imaginando-o com uma turbina. Ficaria perfeito.

    Abraço

    Lucas

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  17. Sou fã incondicional de câmbios longos, sendo os do tipo "4+E" os ideais para mim. Como o Bob mencionou, a espantosa elasticidade dos motores modernos é maravilhosa. Fico de boca aberta do que meu atual daily driver é capaz de fazer (um Ka 1-litro modelo novo - e eu detestava motores 1-litro...)

    A não ser quando a fábrica erra feio no escalonamento das marchas, é muito mais prazeroso conduzir um carro com câmbio longo, mesmo de forma esportiva. Em condições de uso normais, têm-se menor rotação em velocidades de cruzeiro. Mas, se precisar, basta esticar mais as marchas e teremos um desempenho apimentado.

    Vale lembrar que a cada mudança de marcha perde-se um pouco de tempo (quase 1 segundo nos câmbios manuais padrão). Portanto, ao ter que passar muitas marchas desnecessariamente, no final de tudo a diferença de tempo de aceleração tende a ser pequena.

    Câmbios de 6 marchas têm que ser, obrigatoriamente, "5+E", caso contrário é perda de tempo e custo desnecessário.

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  18. Olha, que seja câmbio mais longo, mas eu tenho uma certa preferência pelos close ratio. Nada me irrita mais do que estar numa subida com o Mille, jogar a segunda e o carro murchar. Talvez isso seria resolvido colocando um Fire 1.3 da Fiorino

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  19. Ai, que saudades da minha Parati 1,8L ano 90:
    1ª-3,45:1;
    2ª-1,79:1;
    3ª-1,13:1;
    4ª-0,83:1;
    5ª-0,68:1;
    Diferencial-4,11:1.
    O resultado: 120km/h com 3200rpm em 5ªmarcha. Bons tempos...

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  20. A confusão é geral. Um conhecido, que comprou um Opala 4100 3 marchas que eu tive, ao me encontrar tempos depois num restaurante, veio me dizer que tinha colocado caixa de 4 marchas no carro, e que o carro tinha ficado mais 'solto' em estrada. AG estava comigo no dia e explicamos juntos que era meio difícil isso...

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