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8 de junho de 2009

OS SANDEROS

autor do post: Arnaldo Keller

Por coincidência fiquei uma semana com cada modelo de Sandero, um normal e, na semana seguinte, um "aventureiro", o Stepway. Ambos são muito bons para o propósito que foram feitos, com a clara vantagem do normal sobre o Stepway no quesito estabilidade, tanto direcional quanto em curvas.

O Stepway, que tendo 4 cm a mais de altura -- altura essa conseguida com a elevação da suspensão -- é suficientemente estável para que rodemos com tranquilidade. O Stepway é bem mais estável que o Crossfox e também mais estável que o Ecosport e a Palio Adventure, seus concorrentes diretos, porém, fica longe do Sandero normal.

O Sandero normal enfrenta muito bem a buraqueira paulistana e viaja que é uma beleza, sempre estável e confiável, mesmo quando exigido ao limite de velocidade e aderência (estava com ótimos pneus Goodyear GPS 3).

Já o Stepway tem a suspensão mais firme e áspera na buraqueira, apesar de continuar a portar-se muito bem, porém, quando partimos com ele para a estrada já não temos a mesma tranquilidade que ao volante do normal. Ele é mais arisco nas retas e nas curvas temos mais dificuldade para fazermos bons traçados com ele, traçados mais limpos e redondinhos, daqueles que a gente gosta. Isso se deve à consequente mudança na geometria de suspensão, que, ao ser elevada, perde as boas características do projeto.

Tal como o Bob Sharp bem exemplificou em sua reportagem do Polo Bluemotion, que, este sim, sendo mais baixo que o Polo normal está com a suspensão na correta altura para a qual foi projetada -- e com isso tem melhor estabilidade --, o Sandero normal tem a suspensão trabalhando do jeito certo e o Stepway de um jeito um pouco estranho. Ao entrarmos na curva, ele entra forte demais com a frente. A reação ao volante não é linear. No começo do esterço ele tem uma certa reação, que fica mais rápida ao esterçarmos mais, e isso incomoda.

A não ser que o interessado tenha um sítio de difícil acesso, ou que ele seja um sujeito que realmente goste ou tenha de pegar estradas ruins de terra com facões que raspam no fundo do carro, não vejo explicação lógica para que ele prefira o Stepway ao normal. Em tudo este é melhor, além do que ele já tem um bom vão livre para topar as malditas lombadas, algumas das quais podemos passar meio lascado num vlup, vlup que ele nem se toca. E outra, sendo mais alto, disso ele não escapa, tem maior área frontal, o que acarreta pior aerodinâmica. Piorando a aerodinâmica, maior o consumo.

O motor de ambos era o delicioso 1,6-litro de 4 válvulas por cilindro. Suave e valente. Bom torque desde baixa rotação e, quando atinge umas 3.500 rpm, ele estilinga que é uma alegria. E ronca gostoso o 4-cilindros, um ronco grossinho e encorpado. Anda pra burro.

O galho é sua baixa taxa de compressão para um motor dito flex. A taxa é só de 10,5:1, o que o faz consumir álcool além da conta. A taxa é boa para a gasolina, mas é baixa demais para queimar corretamente o álcool, e não há eletrônica sofisticada que compense por completo ir contra as leis da termodinâmica. Esse motor, segundo li no manual, também pode rodar com gasolina pura. Não falo da nossa, que contém 25% de álcool, mas, por exemplo, da gasolina argentina, que é isenta de álcool. Em suma, esse motor foi feito para todo o Mercosul.
Se por um lado isso é bom, pois você pode viajar com ele por toda a América do Sul e ir colocando tudo quanto é combustível que aparecer pelo caminho, exceto diesel, por outro, como já disse, ele me pareceu que se entusiasma demais quando vê álcool pela frente. Seria melhor que deixassem de tentar ganhar com economia de escala e que fizessem um motor com a taxa mais adequada para os flex e outro direcionado ao mercado externo -- cada um com diferentes taxas de compressão, sendo que se a versão flex brasileira ficasse acima dos 12:1 ele seria mais econômico e ainda mais potente. O ideal mesmo seria que fizessem também um só para o álcool, agora chamado etanol, com taxa acima de 14 ou 15:1, que esse motor certamente renderia mais de 130 cv (em vez dos 112 cv que tem) e seria certamente muito, mas muito, mais econômico.

Não é frescura, não, mas bem que eu gostaria que o volante tivesse regulagem de altura e distância para que tivesse o volante mais próximo, na posição certa de guiada, sem que minhas pernas ficassem encolhidas e meu joelho direito ficasse roçando no bordo inferior do painel. Em tempo, sou uma pessoa de proporções normais. Como prova, digo que de pé, com os braços pendendo, as pontas dos dedos ficam sete centímetros acima das rótulas, e meus antepassados há muito desceram das árvores.

De qualquer modo, gostei bastante dos Sandero, de ambas as versões. Carro honesto, confortável, espaçoso, robusto, esperto e prazeroso de dirigir. Minha mulher adorou e também preferiu o normal -- o que vai de encontro ao que muitos apregoam, que mulher gosta de carro alto.

Resumindo: quem precisa de um carro com maior vão livre, tudo bem, que sacrifique a dirigibilidade e pegue um Stepway. Quem não precisa disso, que pegue um normal, que estará mais bem servido em tudo.

O normal tem mais a cara dos entusiastas.
AK

15 comentários:

  1. Clésio Luiz08/06/09 21:57

    Olhando a ficha técnica do Pandero, ops, Sandero, nota-se que ele é do mesmo porte do Punto e curiosamente do velho Tipo da Fiat. Ele chega a ser tão espaçoso quanto o antigo Fiat, pois melhor que o Pinto, digo, Punto, eu sei que é. Andei no banco de trás deste último e foi decepcionante, mais apertado que um Palio.

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  2. Clésio Luiz08/06/09 21:59

    Faltou a interrogação no final da primeira frase do post acima. É o Sandero tão espaçoso quanto o Fiat Tipo?

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  3. eu não gostei do limpador de para-brisa dessa dupla Logan/Sandero. achei um tanto lento em ambas velocidades e o braço do lado do passageiro pára no meio do caminho, deixando uma área do vidro na região do retrovisor, que eu pelo menos uso para visualizar coisas como semáforos, sem varredura.

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  4. Particularmente não gosto do visual do Sandero. Não é um carro que me desperta curiosidades. A versão "erguida" então, prefiro me abster de comentários.

    Mas o que me surpreendeu também é o motor 1.6 16V.

    No Clio ao menos, pude notar que é um motor bastante suave em baixa e bastante empolgante de alta.

    Acredito também que se fosse à álcool, ele seria um bom candidato à motor para fazer um swap ou uma "ogrice com gaiola", por exemplo.

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  5. André Andrews09/06/09 01:21

    Um motor que também tem está característica de "dar um tapa" como diz o Bob lá pelas 2500/3000 rpm é o 1,6 atual da Ford. Para um 8V é surpreendente como ele não tem aquela lineariedade previsível de desempenho no subir das rotações, parece um multiválvulas mesmo. Outro 8V que consideradas as proporções ficou com essa cara é o 1-litro da GM. Torque máximo a 5200 com 95% já a 2800 rpm, com sensação de ganho no subir de giros e não aquela "brochada" tradicional dos concorrentes (exceto o 1 litro 16V da Renault, óbvio).

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  6. mes passado fiz test drive no sandero stepway e
    realmente os 16V da renault surpreendem, 4-5 mil rpm e nem se nota.
    nao fica ''pedindo agua'' nem berrando

    o consumo em um trecho misto estrada-cidade ficou na casa de 8,5 a 9 km/l rodando com alcool
    oque achei muito bom levando em consideração 100% do tempo com AC ligado e algumas puxadas fortes

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  7. AK,
    ótimo post. Gostei de saber que o carro é bom mesmo, pois o acho bem simpático desde que foi lançado. Menos feio que o Logan e com carroceria hatch, minha preferida para a vida normal.
    O problema é sempre o maledeto do preço.
    ô paisinho de impostos e impostores !

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  8. Só corrigindo a informação da Relação de Compressão Volumétrica: o valor correto é 9,8:1.
    A Renault é a mais "conservadora" do mercado em relação à RCV, ainda não aderiu a onda dos motores preparados para álcool.
    Espero que faça isso logo, de prefência começando neste ótimo 1.6 16v.

    abraços a todos

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  9. Rodrigo Laranjo09/06/09 13:23

    "Projeto de baixo custo para países emergentes".

    Resumindo: Carro barato para gente pobre. Só isso já me desanima a comprar esse carro.

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  10. Mister Fórmula Finesse09/06/09 13:46

    Sem falar que o pneu do stepway é mais largo e pior para enfrentar estradas com lama ou de terra, ele só é mais alto para passar nos facões. Esse motor faz as delícias na condução do Clio e empurra bem o mégane sempre sendo discreto em voz e vibração....já andei no Logan top com esse motor, e me pareceu um carro bastante honesto, ótima matéria!!

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  11. Marlos Dantas09/06/09 19:21

    Tive a oportunidade de guiar um Sandero “normal” 1,6 16V por um breve trajeto. Não sei com qual combustível o carro estava abastecido, mas o motor se mostrou muito bem disposto e, realmente, em rotações mais elevadas (por volta de 4.000 rpm) chega a empolgar. O comportamento dinâmico do carro também me pareceu muito bom, apesar de não ter trafegado por trechos com lombadas e/ou asfalto irregular. O carro passou tanta confiança que deu pra abusar um pouco num acesso sinuoso à Linha Vermelha sentido Rio de Janeiro a partir de D. Caxias. O carro encarou as curvas numa boa, foi bem divertido (menos para a dona do carro que estava ao lado socando minha perna).
    Gostei muito do espaço interno do carro e qualidade dos materiais não é esse horror que dizem por aí. O que realmente me incomodou foram os comandos dos vidros fora das portas (por várias vezes apertei o puxador de porta procurando os botões!), mas, de repente, com o uso o motorista venha a se acostumar. Também não gostei do rádio; um aparelho mais amplo integrado ao painel seria muito interessante.

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  12. A.K, ótima matéria.

    Sobre carros levantados e de pneuzões,, o sucesso estrondoso do Mille Way diz tudo sobre o gosto Brasileiro

    Aqui na minha cidade, Way vende igual pão quente...

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  13. Marlos Dantas09/06/09 19:53

    Caro R. Laranjo,
    Respeito muito sua opinião, mas acho que não é legal esse tipo de estereotipação e estigmatização de carros só por causa da classe social a que se destinam. Aliás, esse tipo de associação se torna bem mais complicada quando se trata de países em desenvolvimento (outrora denominados “Terceiro Mundo”), como o Brasil, onde predominam as classes mais baixas e a classe média tende a (tentar) “copiar” os hábitos da classe AA, ou seja, poucos são os realmente ricos neste país.
    Aqui o automóvel ainda é um bem muito carro e inacessível à boa parte da população. Alto preço devido às politicas “usurpadoras” dos fabricantes e à nossa medonha política tributária. Diante desse cenário acho que cabe a pergunta: “Existe carro de (ou para) “pobre” no Brasil?”. Aliás, acho que também não existe carro realmente de luxo (ou “de rico”, como preferir) fabricado no Brasil...
    Contrariando todas as expectativas, muitos carros “de pobre” podem proporcionar boas doses de diversão e, na maioria das vezes (por serem destinados às classes menos abastadas), têm custo de manutenção mais contido. Exemplos? O próprio Sandero (“normal”), Ford Ka (mesmo na versão Zetec Rocam 1 litro), Uno Mille, Chevette, etc.
    Um abraço.

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  14. Robert
    Tenho um Expression 1.6 8V com 3500 km rodados após 2 meses de uso. Consumo em cerca de 7,5 km/lt no álcool (espero que melhore após rodar mais). A isolação acústica é o principal ponto negativo do carro (minha opinião). Aprecio o carro: espaço interno (não há concorrentes nesta categoria), estabilidade, custo/benefício (tbém. não há concorrentes nesta categoria).

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  15. Engraçado falar que os carros da Dacia são de gente pobre, de país de terceiro mundo, emergente, etc. Em qual país você mora?

    Outra. Quando é que você vai ver Celta, Gol, Palio, Ka andando na Europa? Os da Dacia sim, hehehe

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