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29 de julho de 2009

FULL-SIZES

Semana passada falei aqui a respeito do Chevrolet Caprice de quarta geração (1991-1996) e seu derivado, o Chevrolet Impala SS (1994-1996). Como não poderia deixar de acontecer, o mestre Mahar (como bom chevymaníaco) nos lembrou que David E. Davis (antigo diretor da revista Car and Driver, hoje responsável pela Automobile Magazine) tinha um desses equipado com motor Chevy big block e transmissão manual.

O AG concordou com ele, disse que seria fenomenal ver o full-size com uma alavanca espetada no assoalho, mesmo com o small block. É óbvio que o Mahar não iria sossegar enquanto não encontrasse um exemplar do bichão equipado com a tal transmissão manual. Foi pesquisar no Ebay e acabou encontrando o brinquedão:


Eu torci o nariz: para mim, um carro desses tem que ter transmissão automática. Não é carro para descer a lenha e sim um carro familiar para andar com calma e só "socar a bota" de vez em quando.

Falei pro Mahar que o único full-size com transmissão manual que entraria na minha garagem seria o Bel Air ou Impala do começo dos anos 60, com o famigerado motor big block 409 e quatro marchas no assoalho. É claro que fui espinafrado (e quase defenestrado do grupo), mas acabei me lembrando que havia outro full-size americano de transmissão manual que desde criança faz parte dos meus sonhos.

O carro é um Ford Galaxie Custom 500 1971, estrela do filme norte americano "White Lightning" (no Brasil "Sob o Signo da Vingança"), lançado em 1973 e estrelado por Burt Reynolds, no papel do transportador de uísque ilegal Gator McKlusky. Na prisão, McKlusky descobre que seu irmão fora assassinado por um xerife corrupto do Arkansas.

O FBI (ciente do desejo de vingança de McKlusky) acaba fazendo um acordo com o presidiário: em troca da ajuda para prender o xerife corrupto os federais o colocam em liberdade e ainda o presenteiam com o possante Ford, equipado com um motor big-block de 7 litros e transmissão manual com trambulador Hurst, no assoalho.

O Ford 500 do filme é a antítese dos carros que até então dominavam o cenário cinematográfico da época: não tinha a esportividade do Mustang do tenente Frank Bullitt nem a pose de malvado do Charger guiado pelos malfeitores no mesmo filme. Também não desperta desejos de liberdade como o Dodge Challenger de Kowalski, nem lembra a juventude irresponsável do Ford 1932 de John Milner ou do Chevrolet 1955 de Bob Falfa.

Nada disso: o Ford lembra mais aquele Landau mal cuidado que todos nós já vimos um dia, largado em qualquer rua perto de nossas casas. Um velho sedã americano de 4 portas que poderia muito bem ser o último carro da sua vizinha de 90 anos de idade. Ou mesmo o carro do seu avô, já bem ao norte de sua fase áurea. Não é um carro de imagem, mas de substância, como pode ser visto no trecho do filme abaixo:



O fato é que essas perseguições policiais de fato existiram. Os transportadores de uísque ilegal (moonshine), fabricado em destilarias clandestinas tornaram-se famosos pelas habilidades ao volante, sendo logo chamados de "moonrunners". Em pouco tempo os moonrunners começaram a fazer apostas entre si, para ver quem era mais rápido, acabaram pegando gosto pela brincadeira e as primeiras competições foram organizadas. Não demorou muito e uma nova categoria automobilística seria criada, a Nascar.

"White Lightning" é hoje considerado um cult movie, um clássico dos anos 70 e é reprisado com certa frequência no canal TCM (Turner Classic Movies). Foi o primeiro filme a retratar o estilo de vida dos moonrunners e chegou a ter uma continuação em 1976, "Gator", primeira aparição da dupla composta pelo ator Burt Reynolds e pelo cantor country Jerry Reed, que fizeram ainda mais sucesso com a trilogia de filmes "Agarra-me se puderes".

O que poucos sabem é que o filme inspirou um filme pouco conhecido do público, "Moonrunners", de 1975. Prestem bem atenção na sinopse: a história é narrada pelo cantor country Waylon Jennings, que fala sobre o cotidiano de dois primos, Grady e Bobby Lee Hagg, que transportam uísque ilegal destilado pelo Tio Jesse no condado de Shiloh, governado pelo chefe Jake Rainey, cujo principal subordinado é o xerife Rosco Coltrane.



Roteiro e direção do filme são de autoria de Gy Waldron, baseado em fatos reais da vida de Jerry Rushing, um transportador de uísque ilegal que fazia suas entregas a bordo de um Chrysler 300D 1958 capaz de alcançar 225 km/h. O Chrysler foi batizado de "Traveler", que era o nome do cavalo favorito do General Robert E. Lee.

Para quem já sacou do que se trata, saibam que é isso mesmo: "Moonrunners" foi o precursor do seriado "The Dukes of Hazzard", também obra de Gy Waldron e igualmente narrado por Waylon Jennings. O astro principal do seriado é o "General Lee", um Dodge Charger 1969 inspirado no Chrysler 300D de Jerry Rushing.


Se vocês me perguntarem qual dos carros eu gosto mais, ficarei em dúvida: durante muitos anos fui fâ incondicional do General Lee com o Mopar 440 e transmissão automática com trambulador B&M. Mas é um carro que todo mundo quer ter, ainda mais depois que o seriado virou filme em 2005.

Como sou um cara avesso a unanimidades, vou dar o braço a torcer e concordar com o velho Mahar: viva o câmbio manual, com a alavanca espetada no assoalho. E se algum de vocês encontrar um Ford Galaxie americano 1971 de 4 portas por aí, por favor me avisem. Ele é meu!

FB

10 comentários:

  1. Saudações,

    Passei a acompanhar recentemente o blog, e gosto cada vez mais do que vejo: me identifico em muitas coisas por aqui escritas, e esse tópico sobre "moonshine runners" me motivou a corresponder.
    Gostaria de apontar uma observação quanto aos filmes retratando esse capítulo da história sobre rodas: "Thunder Road", de 1958, com Robert Mitchum (que cantou a música-tema, "Ballad of Thunder Road"). Análogo a "White Lightning", mas com modelos mais antigos (Ford Sedan 1950, coupé 1957)e em preto e branco.
    Parabéns pelo blog, sucesso e grande abraço!

    Rodrigo.

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  2. Rodrigo Laranjo29/07/09 09:45

    Uma pena que não encontramos esses full-sizes jogados na rua por aqui, e um V-8 em mau estado querem 10.000 reais...

    Como é duro viver no país dos carros biodegradáveis...

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  3. Silvio Santos29/07/09 15:21

    cadê o Eric Estrada?

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  4. Todo dia na hora do almoço antes de ir para a escola assistia aos Dukes no Warner channel. Além disso durante as férias não perdia um filme da sessão da tarde que mostrasse ao menos um full size americano, coisa que adoro. Mas ainda preferia ter um Charger R/T 69 com 426 e câmbio manual de 4. Mas sinceramente não fico triste se conseguir um 70 com um belo 440.

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  5. Clésio Luiz29/07/09 19:30

    Vocês tem que admitir: era preciso peito pra correr com essas barcaças. Imagine andar de pé embaixo num carro de comportamento dinâmico avesso a curvas e em estradas rodeadas de arvores. Deus me livre...

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  6. Parabéns, post muito bacana!

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  7. O Chip´s 99 ( filme feito em 1999) passou hoje na TV do SS, com o Erik Estrada revendo a turma do seriado.

    O seriado Dukes era muito bom mesmo, e ela era muito boa mesmo,

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  8. Silvio Saintz30/07/09 11:07

    só faltou o Hector Bonilha

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  9. Silvio Saintz30/07/09 11:07

    só faltou o Hector Bonilha

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  10. Não sou muito chegado a esses sedans.
    Mas tenho que admitir que o cara ali dirige (pilota) muito bem.

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