24 de agosto de 2009

CONVIDADO: JOSÉ LUIZ VIEIRA

O ENTUSIASMO

Por José Luiz Vieira

Quando eu tinha meus três, quatro anos de idade, costumava sentar na cama girando uma bandeja como se fosse um volante de direção e imitando barulhos de ônibus, fazendo de conta que estava parando para receber passageiros, minha mãe entre eles. Dona Eurydice tinha de ficar sentada atrás de mim por tempos absurdamente longos. Aos oito anos, deixava meu pai na dúvida se eu estava sendo sincero ou não, ao dizer qual era a marca e o ano dos carros que passavam em frente de casa, na Vila Clementino.

Não tínhamos carro naquela época, meu pai não sabia dirigir e não se interessava por automóveis, mas um dia meu tio Mário, que tinha um Buick 1940 a gasogênio e um Lincoln Zephyr V-12 a gasolina (racionadíssima) que saía uma vez por mês só para não ficar permanentemente parado, garantiu a meu pai que eu ia ser motorista.

Como esquecer aquele Zephyr verde, de estofamento caramelo e imenso rádio a válvulas no centro do painel? Como esquecer a primeira vez que o dirigi, com imensos trancos de embreagem na primeira marcha? Como esquecer depois dele um Chevrolet 1941 de câmbio a vácuo, um Ford 1936 conversível, um Mercury 1942 sem para-choques cromados, um Opel Käpitan 1937 e finalmente um Buick 1941 cupê Super de dupla carburação?

Com o fim da Guerra e a volta da gasolina, dirigir com um certo medo um Ford Prefect, alto e estreitíssimo, que parecia que ia tombar em qualquer curva um pouco mais rápida, um Chevrolet 1946 da repartição em que meu pai trabalhava e que seu motorista saia comigo para ajudar a me treinar ao volante, depois um Mercury 1948e um Buick Super do mesmo ano. Finalmente, um Buick Roadmaster Dynaflow, com que rodei bem mais de 20 mil quilômetros.

Daí para diante, em muitos países, tive a imensa sorte de não parar mais de dirigir carros velhos (às vezes são ótimos), antigos (museus, coleções), usados e novos, alguns deles mulas de engenharia que somente seriam lançados bem mais tarde (e que aí, sim, seriam ótimos). Sem dúvida, a vida tem sido deliciosa – em boa parte por causa deles.

Entusiasmo, como tantas outras faces da psique de cada um, não se explica – sente-se. Ter entusiasmo pelo automóvel não é nada estranho – acontece com quase qualquer jovem, muito antes mesmo dele ter idade para dirigir. Manter esse entusiasmo, pela vida afora, pelo carro ou por qualquer outra coisa, já não é assim tão comum, mas quem o faz leva uma enorme vantagem sobre aqueles que, ao se tornarem maiores de idade, maduros, interessados apenas em 'coisas mais sérias', perdem esta beleza de muleta psicológica.

46 comentários:

  1. Aprendeu a dirigir em grande estilo: com um Lincoln Zephyr V12!

    Também "brincava de carro" por volta dos meus 7 ou 8 anos. Usava tampas de panela como volante e chinelos Havaianas como pedais de acelerador, freio e embreagem (desde pequeno já gostava de transmissão manual...)

    De lá para cá, a paixão pelos automóveis só aumentou. É ótimo naqueles dias em que parece tudo dar errado, quando você chega em casa com vontade de "chutar o cachorro", e poder voltar à serenidade com uma boa leitura sobre automóveis, uma terapia e tanto.

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  2. E...quantas corridas participamos simulando com um prato ou uma tampa de panela!

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  3. Belo texto, estou recuperando um opala, alguns me chamam de doido, mas pra mim é uma tremenda terapia.
    Como o amigo Road Runner falou, é bom voltar a serenidade com um texto tão brilhante assim...

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  4. JLV,

    Talvez pelo De Lorean que você testou na Irlanda,ali estacionado junto ao colégio e cercado de olhares de jovenzinhos autoentusiastas,

    a verdade é que seus textos guardaram a capacidade de voarmos pelo tempo, para passado e para futuro,

    talvez ali mesmo, na saída de Paris rumo à Costa Francesa,onde Você, Eu , o Gabriel Rochet e o Renault 5-Turbo vivenciaremos os limites da relação homem máquina

    Obrigado por ao longo de todos esses anos, nos atender sempre, com a humildade que vocês, sábios , possuem em profusão.

    Abraço,

    Alexei Silveira

    PS : Vai ter AQUI aquele tal teste do Countach ?

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  5. Meu Mestre! Como escrevi no reminiscências um cara fantástico que me ensinou valores nobres, importantíssimos. Muito obrigado, JLV!

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  6. Excelente texto!

    Me fez recordar da época que, com 5 ou 6 anos, meu pai me punha no colo dele e eu "dirigia" o carro do portão para dentro da garagem... *rs*

    Com uns 8 ou 10 anos, já comprava a 4 Rodas e punha em prática as dicas de conservação que tinha na revista. A que melhor me recordo, foi a da limpeza do sistema de arrefecimento...

    Nesta mesma época, um vizinho ensinou que um simples fio do negativo da bobina até algum terra, já seria suficiente para impedir o funcionamento do motor... Fiz e quase não deixei meu pai trabalhar aquele dia. Mas o velho gostou, não deixou eu desmontar e vendeu o carro com aquele interruptor debaixo da coifa de acabamento da manopla do câmbio...

    Aí, uns dias antes de completar 12 anos de idade, meu pai deixou eu guiar a F1000 dentro do sítio do sítio do meu tio. Primeira vez que eu pegaria um veículo automotor para dirigir.

    Nostalgia pura... :)

    Pena não ter tido muitas oportunidades de encarar clássicos. Adoraria poder ter testado/testar outros veículos. Dos populares aos supercarros.

    Mas como a família nunca entendeu muito esta questão do entusiasmo, sempre fui boicotado/desiludido para trabalhar com o mundo automotivo.

    Mas muito bacana MESMO poder começar com CLÁSSICOS, JLV! Congrats!

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  7. Me lembro que qdo pequeno eu usava um suporte de vaso de planta como volante e o meu pai tinha uma Chambord, então amarrei alguma coisa que eu não lembro mais simulando a alavanca de marchas ,o acelerador era aquele furador de papéis para fichário....as nossas idéias são sempre as mesmas, só muda um pouco os meios,hehehehe, caro JLV, é um prazer ter acesso a vossa escrita , que os nossos monstros sagrados do jornalismo automotivo sejam eternos!

    Obs: Convido os amigos a verificarem o lançamento de um clube de antigomobilismo na Ilha do Governador/RJ, http://www.autoclassic.com.br/autoclassic2/?p=3599&cpage=1#comment-1374

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  8. É sempre fantástico ler os artigos do JLV!

    Sds,

    Der Wolff

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  9. Que texto maravilhoso.

    Conheci o JLV (ele não me conhece) na Fenavinho de Bento Gonçalves em 1974, eu ainda com 17 anos, não podendo dirigir oficialmente, iria tirar minha carteira de habilitação no final daquele ano.
    Ele estava la fazendo algum trabalho para a vinicula para a qual meu pai trabalhava na epoca, não sei que tipo de trabalho era, mas o que me interessou foi o Dodge Automatico que ele estava testando.
    Como um entusista que ja era na epoca, falei com ele e pedi para ver o carro.
    Tive uma aula sobre o carro, como funcionava, me mostrou como usar a transmissão automática, etc.
    Foi um encontro inesquecível.

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  10. Quando eu tinha uns 13, 14 anos de idade tomei conhecimento de uma coisa chamada "MOTOR3". Moleque, morando no interior, me lembro de ir na banca do centro da cidade diversas vezes só para ver se "a nova" já tinha chegado.
    Quantas matérias - e colunas - memoráveis. O teste do Renault R5 Turbo comentado acima é uma delas. Camaro Z28 foi outra que me marcou. Lembro de um Chevette preto com motor V6, o Pocket Rocket..... quantos sonhos de moleque gerados com aquele incentivo comprado na banca todos os meses.
    JLV, Tem muito manicaca por aí que deve a paixão pelo automóvel a aquilo que vocês e demais responsáveis pela MOTOR3 criaram com seu trabalho.
    parabéns e obrigado

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  11. Acabei de folhear uma revista chamada Motor 3, de julho de 1985. Na capa, um Corvette vermelho do mesmo ano. Me lembro quando li essa revista, há mais de vinte anos, e primeiramente babei de quanse encharcar a revista nas fotos desse Corvette vermelho que está na capa. Depois, mesmo tendo só 14 anos na época, me deliciei com mais um texto dessa revista que, até hoje, não encontrei igual. Texto e fotos de autoria de um certo José Luiz Vieira. Eu pura e simplesmente devorava cada texto que lia nessa revista. Aguardo ansioso por outras participações.

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  12. Chiavaloni

    Também cresci lendo a Motor 3. E olha que eu era pirralho (tenho "apenas" 29 anos).

    Lembro de uma vez que o carro da esposa chata (chatíssima) de um primo meu voltou do lava-rápido falhando. Eu, do alto da sabedoria dos meus 8 anos, com meus ensinamentos de Motor3, na mesma hora falei:

    "Entrou água no distribuidor. Solte as travinhas, passe um pano com gasolina por dentro e monte de novo."

    Na mesma hora ouvi um "ah, fala sério moleque (ela era realmente MUITO chata). E voltou para casa com o carro pipocando.

    Minha tia ficou horrorizada com o comportamento da nora, chegou até a comentar com o meu pai. A semana passou e no almoço dominical de família ela veio me pedir desculpas. Disse que o problema era aquele mesmo. Meu pai ouviu o pedido de desculpas e falou:

    "Ele nunca viu um distribuidor, mas lê a Motor 3..."

    FB

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  13. Marlos Dantas25/08/09 00:11

    Marvilhosa história! Me identifiquei muito pois "dirigi" muito ônibus por volta dos 5-6 anos de idade. Porém, minhas primeiras trocas de marcha de verdade foram por volta dos 12 anos, num Fusca ano 74, infelizmente roubado 5 anos depois...

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  14. JLV,

    Vc é a fonte de inspiração da maioria dos AUTOentusiastas.

    Não é a toa que assinamos com nossas iniciais, como faziam vcs nna saudosa MOTOR3.

    MAO

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  15. Sr Viera,

    Muito bacana o texto em especial a parte do Lincoln Zephyr, belissimo carro! Aquelas saias nas rodas traseira, as portas suicidas trazeiras e o radiador que inspirou varios hot-rodders.

    Parabens!

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  16. Meninos, babem: EU TRABALHEI dom São JLV na M3! Foi ele que me deu credibilidade como jornalista e se tenho algum reconhecimento de meus pares devo isso a ele, um Santo Homem. Proponho sua canonização como patrono da Igreja de n. Sra. da Combustão Interna!
    m

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  17. Prezado São JLV,
    Quando comprei o número um da Motor 3 ( o nr. zero já deixava antever o que seria aquele fenômeno ) vaticinei que minha vida nunca mais voltaria à noemalidade. Anos depois de cumprida essa profecia, vim a me tornar amigo do Seu Zé Mahar, coisa impensável naqueles tempos de pouca grana e muita distância dos centros onde aconteciam "as coisas". Antes de morrer, falta ainda, um dia, apertar a sua mão e agradecer por você ter, também, aparecido na minha vida.
    Forte abraço,

    Welco

    Seu Zé, até amanhã.

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  18. José Luiz,
    os comentários provam aquilo que sempre senti e que sempre dividi com os amigos que escrevem nesse blog: para a maioria, seu trabalho com a Motor 3 foi a grande força impulsionadora que colocou muitos de nós no negócio automóvel. Seja na indústria relacionada ou como terapia.
    Que você escreva sempre, todos precisamos de suas palavras.

    Muito obrigado.

    p.s. O teste do Countach precisa ser publicado em algum lugar. Me lembro apenas de um texto pequeno, no Tech Talk há alguns anos. Que tal aproveitar a não limitação de espaço do Autoentusiastas ?

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  19. Mister Fórmula Finesse25/08/09 08:46

    Falou simplesmente o Mestre! Nos últimos anos consegui recuperar grande parte do legado da Motor 3 - ainda falta algumas edições - mesmo assim sinto-me contente em ter um respaldo cultural automobilistico muito forte para sempre renovar a eterna fome sobre o tema. Motor 3 era um bicho raro por aqui, feita com algo mais em relação a outras revistas que ficam sob a responsabilidade de editores muitas vezes oriundos de outras áreas....(a tal questão do que sabe "vender" mais).

    Qual entusiasta pode ler testes como o do 911, do SL300, do Z28, do Rolls e tantos e muitos outros escritos pelo mestre e não os trazerem para sempre na memória?

    Era um tipo de redação com forma e peso, dava quase para sentir e tocar, era o segundo melhor modo possível de interagir com o carro testado....o primeiro - óbvio - era dirigir.

    Seja bem vindo JLV, é verdadeiramente uma honra partilhar do mesmo espaço.

    P.s: O Countach não seria o final perfeito - mesmo que muitos anos depois - do ciclo irretocável da Motor 3?

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  20. Eu tinha 12 anos quando a Motor 3 foi lançada. Uma excelente revista, com uma linha editorial que nenhuma outra conseguiu (ousou?) imitar. Guardo todas as que comprei (incluindo uma Status Motor que me parece ser um número zero da revista, e 1) até hoje. Algumas se estragaram com o tempo e foram devidamente repostas.

    A Motor 3 me fez ver o que havia além dos carros em si. Vários de seus artigos e colunas fizeram parte de minha formação como automobilista e, mais importante, como cidadão.

    Lindo texto, Zé. Não poderia ser diferente. Um forte abraço. (Luiz Alberto Pandini)

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  21. E eu pensando que era o único que achava o JLV o máximo!!! Que bom ter lido esses textos.
    Minha vida foi como a de voces. Ainda criança diriji a fubuca do meu tio, no colo dele ainda. Lembro que batemos de leve numa árvore. Foi estranho e divertido, mas os pedais não eram comigo...rsrsrs
    Durante os anos de chumbo eu era assíduo da Road And Track e outras. Nossa realidade era dificil com as importações proibidas. Babávamos em ver o que tinha no mundo lá fora e a dura realidade daqui. A diferença era enorme.
    Aí descobri(mos) a saudosa Motor3. Eu lembro que ia a banca de jornais na noite anterior para saber se já havia chegado e caso estivesse, só dormia depois de tê-la lido até a exaustão.
    Com o tempo, conheci mais dessa turma maravilhosa e enfim o Mahar, que se incorporou a minha vida de forma rápida, pois tinha alguma coisa nele que me era tão familiar... voces sabem o que, não é, a vida colocou voz em um de meus heróis.
    Tenho perguntado a ele pelo JLV e ele sempre me responde com um sorriso, tipo eu sei onde ele está e voce não sabe.
    Mas mal sabe ele que só o fato dele saber já me satisfaz.
    Mas gostaria(mos) muito que o JLV aparecesse. Apareça Zé! Nós, uma geração inteira te ama muito e quer te ver em pessoa.
    Se é por falta de convite, aproveite o feriado de 7 de setembro e venha ao Rio no encontro. Verás que um filho seu não foge a luta e estaremos te esperando, todos com lágrimas nos olhos.
    Obrigado meu querido, por voce simplesmente existir e ter-nos dado tanta alegria. Fique certo que escrever para voce e desabafar um pouco disso já me fez muito bem a minha alma.
    Apareça!
    Um beijo no seu coração!
    Peixoto

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  22. Meus olhos se encheram de água ao ler a menção do Buick Roadmaster Dynaflow. Meu avô materno, Veraldo, teve um, e me conta, desde meus 2 anos, histórias que embalam minhas noites e meus sonhos. Parabéns José Luiz! É delicioso ler um texto cheio de história e emoção.

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  23. E assim disse o mestre, pai de todos nós!

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  24. Pedro Watson25/08/09 14:40

    E o Peixoto tem razão: não somos só nós, há uma legião incontável de igual a nós que venera aquelas reportagens da Motor 3, que ainda habitam nossas mentes.
    Como aquele teste do VW 1950, lá na Alemanha, em que você, JLV, descreve com tanta perfeição que parecia que era eu dirigindo o VW 1951 de meu pai, o primeiro carro de câmbio manual que guiei.
    E o convite está feito: 4, 5, 6 e 7 de setembro, no Forte de Copacabana, no Rio, para matar a vontade de quem quer vê-lo.

    Grande abraço,

    PW

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  25. Difícil escolher uma entre as várias obras de arte que nosso mestre JLV escreveu na nossa amada Motor3. Todas inebriavam a mente de um 'carrólatra' incurável.

    A frase que mudou minha forma de entender o automóvel e que li pela primeira vez nas páginas da M3: Não importa o que o carro faz e sim COMO ele faz.

    Obrigado, JLV !

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  26. Que beleza poder ler mais um texto impecavel do JLV, que todos aprendemos a apreciar com as materias de Motor 3.
    A inesquecível revista, que muitos guardam e até hoje são consultadas e relembradas.
    Na época já era diferenciada na abordagem dos assuntos e no modo de apresentar as matérias, com um jeito simples, mas eficiente ao explicar as coisas e apresentar os resultados de testes.
    Naquelas linhas já aparecia a caracteristica principal do JLV:
    A enorme paciencia e boa vontade ao explicar e nos ensinar os segredinhos da mecanica e espalhar o seu vasto conhecimento.
    Recentemente tive o prazer de conhecê-lo pessoalmente e o considero meu cliente em Cotia.
    Tambem "dirigi" muitas tampas de panelas quando pequeno e pelos comentários aqui no blog, esse foi o início automobilistico da grande maioria.
    Ou seja, o entusiasta já nasce estusiasta.
    Valeu JLV!

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  27. Caraaaaaaaaaacas, meu ídAlo desde as primeiras leituras. Saiba que tem uma enorme pilha de Motor3 pra você autografar aqui, hein. Falando sério, apesar dos meus poucos (?!) 34 anos de estrada, os textos/matérias/conceitos dos anos 80 e (parte) dos 90 fazem MUITA falta hoje em dia. Parabéns pelo dom e obrigado por colocá-lo em prática por tanto tempo e com tanta competência. André Stein

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  28. Caro

    JLV já comentei com o Bob Sharp o que acho da sua competência como jornalista especializado. Pena que são muitos poucos os que chegam ao seu nível. Que saudade da Motor 3. Tenho todas.
    Tudo que poderia ser falado a seu respeito, já falaram aí em cima.
    Só vou adicionar o seguinte: sua história se parece em muitos detalhes com a minha.
    Você me trouxe à lembrança muitas coisas de minha infância e juventude. Meus brinquedos sempre foram muito variados. Automóveis de diversas marcas. Para não dizer que só brincava com "carrinhos", havia um volante de brinquedo que ganhei de meu pai, o qual eu complementava com uma alavanca de cambio, montada numa caixa de madeira, que era um toco com um pomo de alavanca de cambio, preso por um prego embaixo, e com uma guia de marchas como existe nas Ferrari. Servia de alavanca no assoalho e de alavanca na coluna dependendo do carro. Painel de instrumentos, havia vários desenhados e pintados em placas de papelão. Eu passava dias inteiros dirigindo por ruas, estradas e pistas. Era um perfeito simulador, cujos hardware e software estavam montados na minha cabeça. Aquela "traquitana" foi de fórmula 1 a ônibus urbano. Quanta imaginação!! Tudo movido a paixão por automóveis. Nossa vida tem automóveis, automóveis, automóveis e para variar um pouco, mais automóveis.
    Excelente o seu relato. Para variar também !!!!
    Parabéns !!!!

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  29. Fico imaginando se tivessemos uma tv publica, com um programa como o top gear inglês, se o Jeremy Clarkson reinaria sózinho em matéria de conhecimento ,bom humor e paixão pelo que faz.
    Vida longa ao bom homem!

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  30. Acho que tudo já foi dito sobre o grande JLV aí em cima, então só me resta ser mais um a agradecer o tanto de conhecimento e diversão proporcionados pelos escritos deste senhor através dos anos.

    Obrigado, Mestre JLV!

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  31. Parabéns. Tenho até hoje guardadas várias edições da MOTOR 3. Aquela do Duessenberg é uma das minhas favoritas. Também já fui Fittipaldi, Peterson,
    Cevèrt, Moco lá nos distantes primeiros anos da vida.Louco já nasce louco.

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  32. Rayffles,

    A Motor 3 com o Duesenberg é ótima. Mas a que não sai da minha cabeça é a com a Mercedes Gullwing. Eu me lembro até hoje da relação apaixonada entre carro e motorista (ou piloto ?) que transparece no texto. Acho que vou percorrer uns sebos por aí procurando por esta e tantas outras edições.

    Abraços,

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  33. Mario Henrique27/08/09 01:33

    Motor 3 é um fenômeno interessante no mercado de revistas: Tanto tempo e ainda idolatrada!
    Saudades JLV!
    E o koizastraña?
    Abs,

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  34. A saudosa M3 (que feliz coincidência de nome com um carro que nasceu quando ela estava saindo das bancas e que é ícone do entusiasmo nos dias de hoje) nunca será esquecida pelos que realmente gostam de carro. Que ótimo seria ter uma revista impressa hoje com a mesma qualidade, o mesmo fascínio pelos automóveis. JLV, parabéns por ter criado esse mito entre as revistas.

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  35. bom o que eu posso escrever é que sem o JLV saber eu aprendi a dirigir com ele , e isso não é brincadeira ou trocadilho realmente aprendi a dirigir lendo relendo e gastando minha coleção da MOTOR 3 , tanto que ao sentar para minha primeira aula de direção , numa brasilia sai dirigindo como se ja tivesse alguns anos de pratica , ainda tomei uma carcada do instrutor , pois segundo ele nõa podia perder tempo comigo.
    abraços e agradeço pela leitura que tive nesses anos

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  36. JLV, sempre adorei carros desde minha infância. Mas educação sobre o assunto eu tive na M3. Brilhante a proposta da revista de falar não apenas sobre automóveis. A equipe, excelente: você, o Facin, o Nasser, o Mahar, o saudoso Fernando Almeida, tantos outros.
    De suas matérias, lembro da minha favorita: o teste da Mercedes asa-de-gaivota. Já li de tudo na imprensa automobilística, mas nada tão emocionante quanto o relato de seu primeiro encontro (anos 50, você na boléia de um caminhão) e do reencontro (30 anos depois, desta vez um exemplar de museu). Obrigado por tudo, JLV!
    (a) Ricardo Montero

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  37. Com tantos comentários sobre a saudosa Motor3, não resisti a comentar também. Ô revista que deixou saudades...
    Do teste da réplica do Jaguar XK120, do Chepala mostrado passo a passo, como instalar um motor Opala 2.5 num Chevette, utilizando só componentes originais, etc...
    JLV, meus parabéns e continue na ativa por muito tempo. QUem gosta de carro gosta de vc!!

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  38. Edimor Vielgosz

    JLV, tenho uma dívida de gratidão com você. Se hoje me antecipo as situações de trânsito, uso os preceitos da direção defensiva e recebo elogios de que dirijo muito bem, devo tudo isso a você, que através das suas matérias, passava além de informação técnica, verdadeiras lições de vida e sabedoria. Como ja disse, recebo elogios, aos quais respondo que aprendi a dirigir com os mestres JLV e Paulo Celso Facin, através das enciclopédia Motor 3... Obrigado por tudo!

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  39. Estava eu procurando por outros posts do JLV e cheguei aqui, só posso pensar que é um enorme privilégio ter acesso aos seus textos.
    JLV, Muito Obrigado!!! pelo tanto que agregou direta e indiretamente.
    Sou de 78, então não tive acesso a Motor3, na verdade poderia ter tido, mas na época (até 87) a minha vida estava tomada pelo skate, aliás outra paixão que mantenho acesa até hoje.
    Não me contenho em contar, que aos 2~3 anos saí da casa da minha avó com uma tampa de panela e só fui parado 4 quarteirões de sua casa pelo dono da avícola, que me reconheceu... rs*... acho que já nascemos com este "distúrbio", esta maravilha de muleta psicológica hehehe...
    Forte Abraço!

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  40. Fantasticos os textos do JLV.
    Graaande Motor 3.

    Mas... "de boa"... ficou devendo o teste/analise/drive do Ford GT40.
    (Cobrado no pposto de gasolina em Diadema, não espero que lembre).

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  41. O José Luiz Vieira é o Armando Nogueira do mundo automobilistico.Que textos !Um mestre!

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  42. Certa vez o Mestre JLV mencionou que dirigir em país com mão de direção à esquerda, com volante à direita, parecia ser melhor.

    Hoje ,aos 49 anos, dirijo há 6 anos em um país que tem direção do "lado errado" e me parece ser bem confortável.

    Grande M3, saudades!


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  43. Como todos que escreveram aqui, tambem fui fortemente influenciado pelas idéias do nossp Grande Mestre. A voce meu amigo JLV todo o meu respeito, e muitos agradecimentos. Pelos conhecimento stecnicos, pela humildade e pelo desapego de passar adainte os conhecimentos que a gente adquire sem limites ou restrições. Felizmente pude te conhecer ao vivo por intermédio de nosso amigo comum José Roberto Nasser que nos apresentouna casa dele, aqui em Brasilia. Do mesmo jeito que voce nos contagiou com o chepala tive a grande alegria de te apresentar minha caraveoito e ver voce dirigindo ela foi um momento do qual não vou me esquecer. Um forte abraço e de novo, muito obrigado!

    Alexandre Garcia

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  44. Minha mãe costuma dizer que "não importa o que você vai fazer nesta vida, o que importa realmente é fazer aquilo que se gosta". Ao ler os textos do JLV, o nosso querido Mestre José Luiz Vieira, confirmo a veracidade da frase materna.

    Nem tem muito o que dizer da Motor-3: é sensacional!
    Recentemente comprei a edição com o teste do Dusemberg J 1932 (11/1982), e levei a edição para o meu trabalho, para lê-la durante o meu horário de almoço. Esperava um texto bom, mas me surpreendi: o teste é excelente, escrito com paixão, essa coisa que move os que gostam de automóvel a enxergarem nele algo mais do que um simples meio de transporte.

    Penso que esta é a maior lição que aprendi com a Motor-3: paixão pelo que se faz. Texto apurado, muito correto, primoroso, de forma a fazer com que a leitura seja um exercício de imaginação. Naquele dia, ao ler pela primeira vez a avaliação do Dusemberg, me senti como se estivesse ao volante daquele automóvel deslumbrante, andando firme, pé-no-porão, mas com o carinho e respeito devidos ao carrão de 1932. Só quem gosta muito de automóvel consegue se expressar com tanta maestria. E que nem se fale do conhecimento enciclopédico do JLV: um dia nós chegaremos perto disso.

    No mais, fica o meu abraço virtual ao Mestre JLV, a quem, infelizmente, não tive a oportunidade de conhecer. E deixo meus parabéns ao AE por nos proporcionar este novo encontro com o nosso Mestre. Aliás, em minha opinião, o Autoentusiastas é a Motor-3 dos tempos atuais.

    Obrigado por tudo, Mestre JLV!

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Um abraço!
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