Google+

16 de setembro de 2009

PAMPAS, PORCOS E PORSCHES


Talvez seja o fato de que finalmente estou ficando mais lento que o tempo, e ele estar inexoravelmente me alcançando, reduzindo minha velocidade como uma bola acorrentada aos meus pés, mas a realidade é que ando extremamente cínico e desinteressado pelo estado atual de todas as coisas automotivas.

Vejam por exemplo a contínua e inexorável fixação da indústria por peruas off-road altas, que hoje atendem pelo pomposo e ridiculamente incompreensível nome de Sport Utility Vehicles, ou SUVs. Hoje em dia esta moda se expandiu a tal ponto que se pode comprar uma dúzia dessas peruas com motores de mais de 400 cv, e que prometem ser excelentes também em asfalto. Existem até algumas delas misturadas com cupês e hatches, em uma aberração genética que seria repelida como grotesca demais até pelo famoso Dr. Moreau.


Nunca tive a vida "ativa" apregoada pelos marketeiros que tentam vender estes carros. Nunca pulei de paraquedas de um penhasco, nunca fiz bungee jump, não ando em trilhas de bicicleta desde que saí da adolescência, e também parei de ir a praia com pranchas e/ou equipamento de mergulho quando fiz 18 anos. Mas já fui fazendeiro, tipo de pessoa que supostamente originou o gênero quando pediu à Willys americana uma perua baseada no Jeep que conhecemos como Rural, no pós-guerra americano. E desta bucólica aventura rural do MAO vem uma história automotiva bem interessante e reveladora, que gostaria de dividir com vocês.

Minha família produziu leite com vacas holandesas "breeded" lá mesmo em nossa fazenda perto de Juiz de Fora, por 15 anos. Meu pai na realidade ainda mora lá, mas a fazenda não produz mais e foi arrendada, já faz alguns anos, restando apenas os troféus de produção de leite expostos com orgulho pelo velho na sala. Durante o tempo que ela estava ativa, utilizávamos para trabalhos gerais uma Pampa 1,8-litro a álcool, produzida em 1992 e comprada zero-km para este fim. A Pampa foi na realidade meu único carro por alguns anos, quando estava às voltas com aquele empreendimento.

Em todo esse tempo, mesmo estando então a fazenda a 40 km do asfalto mais próximo, e em uma região montanhosa e molhada, nunca precisei de nada mais do que aquela picape de tração dianteira e radiais Pirelli M+S. Carregando de tudo em estradas frequentemente enlameadas, ou com grossa camada de areia, subindo morros sem estrada, atravessando córregos e subindo terrenos pedregosos de algumas propriedades próximas, aquela Pampa nunca me deixou parado. É impressionante a capacidade de tração de um motor bem em cima das rodas motrizes, sejam elas dianteiras como a Pampa, ou traseiras nos leves Fuscas que dominavam a região. Picapes de tração traseira como F-1000 e D-20 atoladas eram cena comum e corriqueira, e por vezes ajudei-as a sair de seus imbróglios. Nelas, tração total devia ser item de série...

Uma vez, no Natal, fui até um chiqueiro no fundo de um morro enlameado para buscar nossa ceia (dois leitões e um porco adulto de mais de 100 kg), em que pensei não fosse possível sair novamente, mas consegui. Meu primo, homem de cidade, ficou impressionado com a valentia da picape e com o fato de que não foi necessária tração total para entrar e sair dali. Uma coisa me deixava tranquilo ao ir naquele chiqueiro: o dono dele tinha um Fusca, com o qual fazia entregas de porcos na região. Not a pretty sight...

Houve situações em que sabia que a Pampa não poderia se safar. Eram raras, mas existiram. Nessas situações, em que de qualquer forma nenhuma pessoa normal entraria com um automóvel, apelava para aquele acessório indispensável em toda propriedade rural: nosso velho trator Massey-Ferguson. Mas só para coisa braba, como ajudar vaca atolada a sair da lama ou coisa assim.


Como posso eu então levar a sério toda esta horda de aventureiros do asfalto, de adoradores de falsos ídolos, que rodam por aí aboletados em suas peruas sobre o asfalto liso? Para mim simplesmente não existe utilidade alguma para um SUV moderno. Meu pai neste tempo morava no Rio e ia todo fim de semana para o sítio. No início usou uma Blazer, mas estupefato com o desconforto dela nas estradas ruins (principalmente se comparada à minha genial Pampinha) acabou por trocá-la por uma Scénic, e ficar infinitamente mais satisfeito. A Scénic era mais confortável, econômica, veloz, espaçosa, durável...

Estas grandes peruas são apenas promessa. São a venda de uma ideia de mobilidade e liberdade que na realidade tem muito pouca utilidade, se não nula. Talvez se você quiser atravessar o Saara, ou as florestas da Papua-Nova Guiné com sua mulher e seus filhos, elas sejam úteis. Como se isso fosse acontecer de verdade... De novo, acho que é a idade, mas as coisas costumavam ser deliciosamente mais simples, e as pessoas não costumavam a sentir a necessidade repentina de andar por aí carregando 4 toneladas de perua preparada para situações que nunca irá enfrentar.

Existe gente para quem tração 4x4 tem utilidade, mas por necessidade profissional, coisa como busca e salvamento, militares, mineradores. E existe gente que, por esporte e diversão, se embrenha em caminhos impossíveis com seus jipes, e então precisam de sua extrema capacidade para tal coisa. São como meus amigos que participam de track-days: esportistas, gente com um hobby movido a motor. Nada contra eles, mas seus carros são como track-weapons: muito bons para a função que se destinam, mas quase sempre tem seu uso reservado aos tais eventos de fim de semana.

A Pampa, ainda por cima, se comportava muito bem no asfalto. O AP 1,8 a álcool era forte, e ela era extremamente rápida para a sua época, me dando alegria por ter escolhido esta versão porque, como já expliquei, nunca precisei do 4x4 (que era oferecido como opcional na época, com motor CHT 1,6-litro). Os excepcionais pneus Pirelli M+S eram realmente de uso misto, e faziam o máximo para dar aderência suficiente no asfalto, algo surpreendente mesmo. Certa vez, descendo para o Rio pela BR 040, tive um embate memorável com um XR3, seu piloto incrédulo que aquela picape toda suja de barro pudesse acompanhá-lo. Dentro da Pampa o jovem MAO, faca entre os dentes, se divertia horrores apesar da horrível posição de dirigir, muito próxima do volante.

E hoje penso, lembrando disso: quem precisa de um Cayenne? O enorme Porsche é infinitamente melhor no asfalto, mas duvido que mais divertido que aquela Pampinha. E não seria a melhor escolha para carregar enormes porcos abatidos para fora de chiqueiros de difícil acesso...

MAO

28 comentários:

  1. Mister Fórmula Finesse16/09/09 11:16

    Não duvido que tenha conseguido um desempenho inesperado no asfalto MAO, JLV na motor 3 descrevia o comportamento da pampa tracionada com esse tipo de pneus como algo simplesmente sensacional, muito em parte pela tração mas muito crédito também em relação aos pneus que alcançavam um compromisso de ótimo nível; e isso fica bem evidente na ótima redação dele.

    Interessante é que nas suas antigas lidas rurais, a Pampa dava conta do serviço mesmo com muito peso atrás, isso me surpreende mais na verdade quando sabemos que em condições de carroceria com peso, uma Chevy 500 em tese deverá se sair bem melhor.

    Já tive (mos), uma Belina GLX 1.8 à álcool e o motor ap 1800 de 98 cavalos realmente dava um tipo de ânimo inesperado para um carro com suspensão tão mole, era deliciosa de guiar e imagino que em uma pampa fique melhor ainda, e com o comando G49 do motor "S" então...

    Sobre SUV'S e Cayennes, por concidência, eu vi um embate bem interessante ontem entre uma Carrera e uma Santa Fé em um trajeto bem sinuoso que percorri, com o Little Bastard eu conseguir seguir as duas sem nenhuma dramaticidade apenas vendo onde o condutor da Cayenne freiava bem no meio da curva (motorista padrão SUV?) apesar do carro simplesmente não rolar nada nos eixos, inclinação quase nula....realmente sem sentido para este propósito e para outros.

    Ótimo Post e não deixe as correntes do tempo te limitarem a velocidade, volte a pedalar nas trilhas pois para isso não existe idade...

    ResponderExcluir
  2. Perfeito MAO!

    SUV é um embuste. Não andam direito fora do asfalto e são dinamicamente inferiores a peruas dentro dele.
    Todos estamos carecas de saber que pesquisas comprovam que a esmagadora maioria das pessoas que compram SUV não os usam fora do asfalto.

    ResponderExcluir
  3. Contra fatos não há argumentos...
    Me veio à mente o fato de a Ford talvez não se preocupar em fazer caminhonetes (Pampa e Courier) voltadas ao mercado de "carro de passeio", como seus concorrentes (Montana, Strada, etc.). Isso explica o porque dos desenhos não-atualizados e que quando vemos uma dessas nas ruas, são sempre de alguma empresa e/ou com a caçamba cheia.
    Novamente, menos é mais: para se ir a lugares mais hostis, uma caminhonete de tração dianteira e motor de menos de 2l chega onde muitos pesos pesados não vão... sem falar do Fusca...
    Meu pai tinha um Corsa Wind 1995 58CV e ele trabalhou "como pick-up" enquanto fazíamos uma casa. Carregou tábuas, sacos de cimento, peão, passou por muita terra e buracos, lama era bem pouca. Com o fim da obra, foi trocado molas e amortecedores e o bicho ficou normal de novo, sendo usado por mais alguns anos.
    O problema não é andar de SUV, o problema é andar de SUV porque o vizinho tem uma igual, porque a propaganda diz que é bom, porque "eu sou jovem", etc. Isso vale pra qualquer modelo de carro.

    ResponderExcluir
  4. Arnaldo Keller16/09/09 11:43

    Show, MAO!!

    Estou de pleno acordo, nunca precisei de 4x4 e quando tive um Bandeirante lá na fazenda eu saía caçando lama pra testar aquilo e nunca precisei de verdade.
    E se uma Pampinha dessas tem dificuldade pra subir rampa muito íngrime, basta botá-la de ré que aí não há o que não suba.

    Valeu!

    ResponderExcluir
  5. Perfeito ! Se acrescentar alguma palavra, estraga. Ótimo texto.

    ResponderExcluir
  6. MAO

    Digo com total propriedade que a tração 4x4 dá uma falsa sensação de segurança.

    Meu pai não é fazendeiro, mas tem umas terrinhas no interior de São Paulo. Uma vez construímos uma pequena represa e utilizávamos a Bandeirante pra tudo. Sempre em 4x2.

    Um belo dia choveu muito. Muito mesmo. Choveu demais. Prato cheio para acionar as rodas livres e puxar a alavanca do 4x4, acendendo aquela luzinha bonitinha no painel.

    Pois bem, 5 pessoas a bordo (eu, meu pai e 3 peões), caçamba carregada, fully loaded. 4x4 acionado, cheio de confiança. A Bandeirante inclinou para o lado direito e simplesmente afundou, deixando as duas rodas do lado esquerdo livres.

    Simplesmente não havia bloqueio dos diferenciais... O jeito apelar para o "véio Massey Férgo".

    FB

    ResponderExcluir
  7. Gostei do texto. Gostei da história. SUVs são para quem quer aparecer e/ou mostrar para o vizinho que está "podendo". Ridículo.
    Aberoni: Corsa Wind 95 1,0l EFi tinha 50cv. E tinha um escalonamento de marchas para fazer inveja em qualquer 1,0l de hoje.

    ResponderExcluir
  8. FB,

    4x4 não revoga as leis da física.

    Mas... sem bloqueio de diferencial? É ruim, hein?

    MM

    ResponderExcluir
  9. Carlos Galto16/09/09 15:11

    Sensacional!!

    Como já disse aqui, eu ia muito para o interior com o meu pai, 11km de estrada de chão, choveu, fu@#$eu!
    Na época do Fuca e das Brasas era só diversão, os carros sentavam nas bandejas do chassi e escorregavam lama afora. Depois um Passat pointer que dava uns estresses por conta da lama colada nos pneus mais grossos. Nada que uma ré não resolvesse.
    Meu pai já passado da idade em que tudo é confortável, me compra uma Blazer 96, primeira série, DLX top de linha. Primeiro tiro pra roça, verãozão, chuvarada e a bandida fica no meio do caminho escorregando de um lado pro outro até ficar colada no barranco... No seco era uma puladeira só, fora os inúmeros problemas elétricos. Trocou por uma Marajó com mais de 10 anos no lombo que aguentou com bravura até o falecimento do meu pai em 99.
    Até hoje, quando vou pra roça os Fuscas dominam. Bandeirantes, Rural, Kombi, alguns poucos Chevettes e vários Gol quadrados também aguentam.
    Os mais abonados rodam de L200 ou Pajero. Nenhuma S10, Ranger ou SUV's de qualquer espécie roda por lá e não é nenhuma Patagónia não, fica bem perto de Friburgo mas a galera local não arrisca.

    PS:. Em tempo, provavelmente a Pampa 4x2 era mais útil em locais assim do que a 4x4, que não ficava menos de 2 meses sem apresentar algum problema de transmissão...

    ResponderExcluir
  10. MM

    Difícil ver um 4x4 "da gema" com bloqueio do diferencial nos eixos. isso é falha comum em praticamente todos.

    FB

    ResponderExcluir
  11. Nesse quesito Fuscão e Opalas são imbativeis mesmo.
    Fuscas e Pampas são os legitimos crossovers! Compromisso entre a lama e o asfalto.

    E abaixo as SUV!

    ResponderExcluir
  12. Um dia o meu tio deixou o dono de uma S10 babando. Ela subiu uma estradinha lisa (tinha acabado de chover forte)como seu Mille Way, usando só algumas manhas aprendidas nos seus 40 anos motorista.

    O detalhe interessante é que o outro cara mal conseguiu levar sua picape "traçada" até o alto...

    ResponderExcluir
  13. Incrível a capacidade da indústria automotiva em projetar algo que a "galera" quer, só para vender. Não importa o quão alto e estreito seja o veículo, eles são tidos como "sinônimo de segurança" pela
    "visão da via".

    Onde veículos com centro de gravidade alto como por exemplo Crossfox e Ecosport, podem ser mais seguros em estabilidade??? Parece que os marketeiros não estão nem aí para isso. Afinal, se o "bicho" tombar, a culpa será do motorista que estava abusando e não da fábrica que desenvolveu um veículo alto e enalteceu uma aparente vantagem (posição mais alta dos ocupantes)como sendo algo realmente seguro...

    O pior é que vejo que provavelmente muitos de nós não estaremos aqui para ver uma indústria automotiva "séria" o suficiente para entregar BONS produtos e não só marketing...

    "Ferramenta certa, na hora certa" como diria meu pai. Acredito que a indústria poderia entregar uma ou outra opção de veículo pequeno 4x4, como foram Belinas e Pampas até 20 anos atrás.

    No final da década passada, conheci um pessoal de perto de Aquidauna-MS, que moravam em sítio e tinham uma velha Belina 4x4 1986 como o "carro do dia de chuva", porque onde eles moravam tinha uma rampa que só era possível sair "traçado", se chovesse, além de uns areiões na estrada, até chegar em um ponto onde a tração não se fazia mais necesária.

    Ter algo assim para alguma eventual necessidade/utilidade, como este pessoal, acredito ser interessante. Mas dizer que tem só por ter, é algo não muito lógico ao menos para mim.

    Quanto à Pampa, sou suspeito em falar, já que possuo um Belina.

    ResponderExcluir
  14. Correto Francisco, 50cv, não 58. O escalonamento do câmbio era muito melhor que os atuais, não era curto em demasia, e a rotação em estrada era menor, melhorando consumo e ruido, em que pese o motor mais fraco em relação ao atual. As fábricas estão desaprendendo a fazer carros!

    ResponderExcluir
  15. Diego, conta essas manhas aí

    ResponderExcluir
  16. Ha alguns anos eu tinha um escort 1.6 cht e quando ia pra chacrinha do meu sogro e chovia sempre era complicado, mas uma vez tinha uma subida brava e como tinha chovido tentei subir umas 3 vezes e o escortinho voltava...meu sogro ja queria ir apé ai eu desci e esvaziei os pneus dianteiros até ficarem bem gordinhos (depois medi deu 13 libras) ai subi na boa a ladeira com lama e cinco pessoas no escort, fiz isso varias vezes,nada como conhecer uns macetes !

    ResponderExcluir
  17. Tiozinho da marreta16/09/09 20:51

    Belo texto MAO!

    Meu pai é agricultor desde os 15 anos de idade! Antes de casar com minha mãe teve um Fiat 147 e uma Pampa 86 1.6 a álcool. Fazia de tudo com esses carros e as estradas do interior do Goiás na década de 80 não era nada amistosas. A Pampa 86 ficou com a gente até 1996, quando meu pai comprou uma outra Pampa 1.6, ano 93, também a álcool. Dessa eu tenho muitas recordações, quando meu pai a comprou eu tinha 7 anos. Aprendi a dirigir nessa Pampinha. Pra ir para nossa fazenda pegamos 22 km de terra, que nunca foram bem cuidados, apesar do intenso trânsito de caminhões devido a região ser forte produtora de grãos. Sinceramente, não me lembro se ela alguma vez já ficou atolada, acho que sim, mas não me recordo. Realmente ela era muito boa na terra e a não ser que a coisa ficasse realmente muito feia, uma tração 4x4 não se fazia necessária. Meu pai ficou com essa Pampa 93 até o ano 2000, quando comprou uma Peugeot 504, "o amor da vida dele", rsrsrs. Em 2002 ele trocou essa 504 por outra 504 que temos até hoje, beliscando os 300 mil km. Outra que não fica no barro fácil, apesar da traseira ser bastante leve e não oferecer muita tração. Mas a experiência do motorista é fundamental e é nessas que vemos que realmente uma tração 4x4 quase nunca precisa ser usada. Hoje,além da 504 temos uma Kia Sportage Diesel, 2001. Já andou meio mundo, na terra, no asfalto, na areia, mas ligar a tração que é bom, só em raras e necessárias excessões.

    Um abraço!

    ResponderExcluir
  18. Como são as coisas! Hoje mesmo estava voltando de Ribeirao Preto e vi uma Pampa, muito bem conservada. Lembrei de uma que meu tio tinha e que ele fala bem dela até hoje.


    Abraços

    ResponderExcluir
  19. Belo texto!

    Mas o problema não é nem se um SUV é necessário ou não para encarar estradas de terra e lama. A pior parte de tudo é cerca de 90% dos proprietários desse tipo de veículo terem ojeriza a tudo que não seja asfaltado.

    Eu, colocar meu SUV novinho, que foi comprado só para impressionar a galera, na terra?! Nem podendo...

    Simplesmente ridícula essa postura.

    ResponderExcluir
  20. mao, belas colocações. entretanto lamentavelmente restritas ao pequeno grupo que se entende com o mito automóvel. talvez 1% do universo. o restante compra e paga pelo que não sabe para que serve, e se precisar utilizar, sequer saberá como faze-lo.
    outro ponto que me assusta, é a velocidade final dos picapes de hoje, "limitada ... " a 180 km/h.
    180 km/h sobre tonelada e meia, com eixo traseiro rígido e suspensão com os feixes longitudinais de molas semi-elípticas ?
    e não há regulamentação para isto. é confortável para o governo e agradabilíssimo para montadoras.
    ah,de picape endosso todas as manifestações pró-pampa, e me atrevo a dizer que o courier tem o mesmo espírito. embora o pampa fosse mais agradável de estilo para a moda da época.
    mas não me esqueço de um fiat 147 picape com motor 1.050. nunca respeitei a capacidade de carga e subia pelas breubas do goiás achando caminho nas valetas para evitar a perda de tração. ia e voltava. aliás, iam e voltavam. quando comprei um d10, atolou na poça de bosta da porteira do vizinho. utilizava pneus de cidade, não tinha ganchos de reboque - que foram incorporados depois que reclamei ao engenheiro -chefe da gm. mas no momento, o que interessava era eu ali, com o d10 novo, passando vergonha, tirado do problema pela kombi do vizinho, sorrindo ...
    automóveis estão virando fugazes objetos utilitários com as limitações de emissões e ganhos em segurança em função de ordens governamentais. e cada vez mais enfeitados e com equipamentos ociosos e desnecessários, por exigencia dos consumidores, interessados em desafiar o trânsito urbano e mostrar-se aptos a enfrentar a disputa de vagas no shopping.

    ResponderExcluir
  21. A questão é que os SUVs são artigos de decoração, para mostrar aos vizinhos e amigos...

    Outra coisa que não entendo o por quê são os pneus absurdamente largos dos picapes 4x4 voltados ao fora de estrada. Será que o pessoal da fábrica nunca assistiu as provas em lama e neve do WRC?

    O Courier é um dos picapes de melhor conjunto mecânico do mercado (incluisive o entre-eixos longo resaltado pelo mestre Bob num post passado), mas as pessoas o preterem por estar visualmente ultrapassado. Legítimo herdeiro do Ford Pampa...

    ResponderExcluir
  22. Alguém me esclareça uma dúvida:

    O Veraneio pode ser considerado um SUV (ou um precursor dos SUVs)?
    Se for, é o único que me atrai...

    ResponderExcluir
  23. Marlos Dantas

    Pneu largo = estética. Dentro ou fora da estrada.

    Como eu já disse no post do Juvenal (http://autoentusiastas.blogspot.com/2009/07/slick-na-lama.html) pneu bom de lama não é mais largo do que 7.50.

    Inclua nessa lista Maggion Militar, Pirelli Candango, Firestone AT, Fate Super Agarre "argentino" e o Michelin O/R XZL.

    FB

    ResponderExcluir
  24. Eu tive uma Courier. Carro sensacional. Deu dor no coração qdo tive q vender (estava mudando pros EUA).


    O carro era muito gostoso de dirigir e andava pra cacete.

    ResponderExcluir
  25. Bitu,
    Realmente essa é a única explicação cabível.
    Tem uma Hilux branca (modelo antigo) por aqui com pneus lameiros com quase a metade da largura do carro. O triste é que o carro não sai do asfalto, está sempre no centro urbano todo limpinho, um peixe fora d’água.
    Essa turma não deve ter conhecimento das façanhas do Jeep Willys com os pneuzinhos finos originais...

    ResponderExcluir
  26. Tente dirigir na Africa sem 4x4...

    ResponderExcluir
  27. offroad e 4x4 não são só para lama...em trilhas com erosões e pedras, os pneus largos são mais vantajosos....mas isso não justifica o imenso número de pessoas que os instalam em seus carros pela questão estética. abs

    ResponderExcluir
  28. Meu tio tinha uma fazenda em Barretos. Na época eram 25 quilometros de pó infernal no inverno e 25 quilometros de lamaceira por tudo quanto é lado da estrada. Ele comprava um fusquinha novo todo ano. A gente ia pra fazenda com tudo que era tempo e o fusquinha passava numa boa naqueles rios em que a estrada se transformava, o chassis raspando no facão, e o único trabalho do motorista era dar um ligeiro ziguezague na direção. Dez anos atrás fui lá com meu primo depois de uma chuva, de F1000 não traçada. No que entramos no trecho de tabatinga a caminhonete foi escorrendo feito macarrão pro meio da plantação de soja, 10 por hora, uma coisa rídícula em câmera lenta, até ficar literalmente plantada - lá veio o Valmet tirar a gente. Pouco depois, de Pajero, com tração nas quatro, no mesmo trecho de tabatinga, a coisa se repetiu ridiculamente e não havia combinação de marcha que desse conta pro diabo do carro andar pra frente em linha reta. Se tivesse 40rodas e tração nas 40, ficaria do mesmo jeito. Saímos de lá rebocados no velho e bom Valmet. É por isso que eu sempre digo: a melhor tração nas quatro que eu conheço é carro de boi. Abraços. Fred.

    ResponderExcluir

Olá AUTOentusiasta, seu comentário é sempre bem-vindo! De preferência, identifique-se ao comentar.
Atenção: comentários contendo ofensas pessoais, a marcas, a fabricantes isoladamente e/ou em conjunto, a nacionalidade de veículos, bem como questionando práticas comerciais lícitas e margens de lucro aceitáveis nas quais este blog não interfere, bem como o uso de palavras de baixo calão e a exposição de outros leitores ao ridículo, não serão publicados. O AUTOentusiastas se reserva o direito de editar os comentários sem declinar motivo.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...