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27 de abril de 2010

A FELICIDADE E A ESTRADA

Este ano, por conflito de agendas, não pude ir a Lindoia com o Bill Egan, como sempre faço. Sempre fazemos um bate-e-volta, saindo de madrugada de São Paulo, para chegar ainda antes das 7 da manhã na cidade, ótimo para acharmos lugar para parar, e com tempo para um café da manhã antes do evento.

Fui no sábado com o JJ e o PK, como já contei aqui, um passeio sensacional com dois velhos amigos também. O Egan foi no domingo. Mas o que não esperava era receber as fotos que ilustram este post: ele foi com o Chevrolet Bel Air 1957 azul! Adoro este carro, um seis-cilindros "stovebolt" com três marchas na coluna e quatro portas. Já andei nele certa vez, e sei que é capaz de manter velocidades "modernas" com o maior conforto. Mas uma hora dessas faço um post só sobre isso. Não é a intenção dar detalhes do carro aqui, o que quero agora é apenas falar sobre essas fotos.
As fotos me moveram profundamente, porque evocam o que há de mais fascinante nos automóveis. Uma madrugada de clima agradável, um dia claro, uma estrada vazia. Um capô longo e icônico apontando para o horizonte e para mil aventuras ainda desconhecidas, um para-brisa clássico emoldurando a paisagem. O asfalto liso passando por baixo de nós rápido, como se estivéssemos em um tapete mágico. O som tocando baixinho no rádio, o sol se levantando, a paisagem lateral borrada pela velocidade. Dois adornos de capô do Chevrolet '57 apontando para frente, tal qual lanças cromadas olhando para destino final da viagem, que está lá na frente, longe, invisível ainda, mas mais perto a cada segundo, a cada instante.

É uma oportunidade para acertar e organizar os pensamentos na cabeça, de relaxar sem nenhum compromisso a não ser chegar a algum lugar. É onde tudo fica claro, onde as preocupações ficam para trás, cuspidas para longe pelo escapamento junto o que restou da mais pura, cheirosa e volátil gasolina que colocamos no tanque antes de sair. Ah, gasolina, ó doce elixir da velocidade... Não existe nada como ela! Óleo diesel é viscoso, pegajoso, fedido, e se cair no chão, ali fica emplastrando tudo. A gasolina é tão etérea e suave que desaparece no ar como um sonho...E num carro como este ’57, sente-se a presença dela sempre.

A cada marco de quilometragem, algum fardo que carrego cai pelas beiradas da estrada, e, em pouco tempo, já me sinto leve e livre de todo o peso do dia a dia. É onde me sinto completo e calmo, é onde o mundo se resume apenas ao movimento, ao ir a algum lugar, onde sou capitão de meu navio e senhor do meu próprio destino.
A felicidade está mais próxima do que imaginam os que a perseguem cegamente. A felicidade completa e tranquila que estas fotos nos mostram está me esperando neste instante em que paro para escrever estas linhas, e também o espera agora, no momento em que você as lê. Ela está lá fora. Esperando por nós. Na Estrada.
MAO
Fotos: Fernando Chinelli
P.S.: Minha antiga coluna no BCWS se chamava “Na Estrada”, e sempre quis explicar o por quê, mas nunca o fiz. Bom, acabei de fazê-lo, oito anos depois do encerramento da dita cuja. Antes tarde do que nunca...

31 comentários:

  1. MAO & Bill,

    Que maravilha!

    Belo Chevy!

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  2. MAO

    Eu ainda acho que você plagiou o "On The Road" de Jack Kerouac...

    brincadeirinha...

    FB

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  3. Faltou apenas disponibilizar as fotos em maior resolução. A terceira seria um ótimo wallpaper!

    Independente do carro, pegar estrada de madrugada faz vc pensar em diversos pontos da sua vida que vc não conseguiria fazer em qlq outro momento do dia.

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  4. Na minha opinião, um carro que, numa viagem tranquila e agradável, traz a felicidade absoluta, é o Maverick GT V8. Primeiro porque é V8, segundo porque o capô, também apontando para o horizonte, é longo e icônico, e terceiro porque tem diferencial bem longo, mantendo o motor apenas ronronando em velocidades civilizadas, mas com um câmbio sempre pronto para a guerra!

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  5. Francisco Neto27/04/10 07:12

    Melhor horário para curtir uma viagem.

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  6. É mestre MAO, como eu já havia dito certa vez ao Paulo Keller, os seus posts são dificeis de resistir, independente do horário.
    Tenho uma prova em questão de minutos e ainda estou aqui lendo vorazmente os posts desse blog que tanto me inspira. Esse Chevy me faz lembrar do meu avô, que todo domingo em que discutimos algo sobre automobilismo, insiste em repetir na história do Bel-Air vermelho "goiaba" e branco (rsrsrs), e seus namoros de época. Realmente não há nada melhor do que o nascer do dia, com um cheiro peculiar que todos nós sabemos qual é, mas nenhum de nós ousa definir, não em palavras.
    Por fim, é dentro do meu carro, onde me sinto completo, calmo, união homem-máquina, onde não me sento no banco do motorista, mas sim "visto" o carro, como uma roupa que se ajusta perfeitamente. Obrigado por esta clara definição, que só nós entusiastas entendemos, e mais ninguém.

    Grande Abraço.

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  7. Leandro Silveira27/04/10 08:26

    a estrada é o melhor lugar para se estar (excetuando algumas mulheres, claro) independente do horário ou carro... d preferência com uma distância considerável a ser percorrida!!!

    o bill egan parou d escrever aqui no AE?!?

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  8. Me lembrei de algumas "loucuras" que já fiz com o Chevette e com o Omega.

    Várias vezes, quando eu apenas quero deslizar pelo tapete mágico, encho o tanque e saio sem rumo por algumas das rodovias que passam por BH.

    Só volto quando o tanque se aproxima da metade, o suficiente para chegar de volta em casa.

    Mas a poesia do seu texto, aliado ao não menos poético Chevrolet Bel-Air, foi fantástico. Obrigado por nos fazer lembrar do quanto é bom esses momentos ao volante.

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  9. Prezado MAO,

    Grato por brindar minha manhã com tão belo texto.

    Sua narrativa é belíssima.

    Creio que todo autoentusiasta sinta de alguma forma particular uma pitada do que você descreveu aqui.

    Pelo menos pra mim, "pegar" uma estrada dentro do automóvel ao raiar do dia funciona melhor que visitar o analista...

    Abraço
    MRA

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  10. Poesia.

    Estrada p/ mim sempre foi um local para relaxar.

    Tive um problema a 1 ano atrás, fiquei "brigado" com a estrada devido a um acidente que vitimou um amigo meu e eu estava presente, mas com calma eu entendi e aceitei.

    Fiz as pases com a estrada e hoje gosto de curtir a estrada. De preferência vendo o sol nascer ou se pôr no meio do caminho.

    Infelizmente existem muitos motoristas despreparados na estrada.

    Só preciso de um carro compatível com o sonho. Hj ando de 1.0 chorão (sim, em 5a a 120km/h fica chorando e bebe mais que eu...).

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  11. Mister Fórmula Finesse27/04/10 09:16

    Uma verdadeira ode à estrada, um texto maravilhoso que toca no coração de cada autoentusiasta e que - para mim - desencerra as cortinas sobre outros preciosos escritos na forma da coluna no BCWS que eu desconhecia.

    Ah..pegar a estrada, dirigir por apenas dirigir, encher um tanque seja de carro, de moto - ou até pedalar pelas sendas mais agrestes - e apenas fluir, compactar distâncias, acumular estímulos visuais e sentir a vida mais ativa e pulsante.

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  12. MAO,

    impecável. como você (e muitos outros entusiastas, pelo que vejo), também sinto essa coisa pela estrada, especialmente nessas condições.

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  13. BelAir é BelAir,sem comentários,ainda mais um '57,porém se fosse meu eu dava um "upgrade" na mecânica,substituindo o Stove por um também clássico 4100/250 e dava uma alargadinha leve nas rodas hehe

    Abçs!

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  14. Grande MAO, obrigado por mais esse belo texto e explicar o nome de sua saudosa coluna no BCWS. Confesso que ja li todas e na época fiquei triste com o fim da mesma, assim como também fiquei quando o Bob lá encerrou sua coluna. Felizmente temos esse espaço para nos fartar com uma boa leitura sobre carros.
    Falando no Bob, tem duas fotos ali que me lembram o termo que ele diz de "comprar a pista da esquerda"... mas sei que não é o caso!
    Abraço!

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  15. Bel Air foi o mais confortável carro que já andei na minha vida até hoje.
    E não tem como não curtir uma estrada tranquila, com sol rasgando no horizonte, a bordo de um delicioso automóvel. Pra completar só ótimas e queridas companhias.

    Tb sou apaixonado por dirigir em estradas. Sem trânsito é claro.

    Marcio

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  16. MAO,
    Ler o seu texto foi como viajar a bordo desse Chevy: bom demais!

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  17. Belíssimo e poético texto.
    Define muito bem aquilo que o autoentusiasta mais venera: O prazer de dirigir.
    Aí voce junta uma boa estrada, um bom clima, um automóvel verdadeiro como um Bel Air 57, só pode dar nisso.
    Muito lindo!
    Romeu

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  18. Belo texto que leio no dia do meu aniversário. Minhas memórias mais remotas, nestes 31 anos, remetem para eu sentado em um balanço, esperando passar um Gol verde... Palavras fascinantes para quem é AUTOentusiasta mesmo!

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  19. Que post maravilhoso! Parabéns.

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  20. http://www.youtube.com/watch?v=ywJ2VdSX09o
    http://www.youtube.com/watch?v=serpIMHkSzs
    http://www.youtube.com/watch?v=AhwKSbKchS0
    http://www.youtube.com/watch?v=vUgNWQqb0vk
    http://www.youtube.com/watch?v=I_9Kd3VDgvQ
    http://www.youtube.com/watch?v=GsWq7dmOH6Q

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  21. MAO,

    És um poeta! O texto ficou perfeito.

    Abraço!

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  22. Algo interessante deve ser falado a respeito do Bel Air: a qualidade da visibilidade para a frente. O para-brisa panorâmico permite uma visão excelente do que está por vir.
    Quando se compara isso com certos carros de hoje com para-brisa avançado, mas reto, e colunas grossas bem na área de visão (fora vidros retos laterais que pouco ou nada acrescentam à visibilidade), nota-se o quão comodistas andam os fabricantes de carros de hoje, quando deveriam viabilizar com a muita tecnologia de hoje a construção de carros que tivessem para-brisas panorâmicos, mas colunas que resistissem sem problema a colisões frontais e também a capotamentos.

    Se o para-brisa do Bel Air é muito radical e datado, pode se olhar para 1957 e de lá ver o para-brisa do Plymouth Fury, igualmente de alta visibilidade, mas com colunas ligeiramente inclinadas e desenho geral mais contemporâneo.
    Outra coisa que é preciso falar dos carros atuais é a quantidade de pontos cegos para trás que apresentam atualmente. Até peruas, que sempre costumam ter visibilidade melhor que a de sedãs, estão ficando cada vez mais chapa e menos vidro na traseira.

    É preciso avisar aos fabricantes que carro com construção forte não precisa ficar sugerindo isso em seu desenho, mas mostrar na prática que o é.

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  23. B2,

    Foi não, nem li esse livro, rsrsrsrsr

    MAO

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  24. Brenno,

    Feliz por agradar! Grato pelos elogios.

    MAO

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  25. Leandro Silveira,

    O Egan deu um tempo, sem tempo para escrever...

    MAO

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  26. santacruz,

    Grato, que bom que gostou!

    MAO

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  27. Fla3D,

    Então era você o leitor da coluna? (rsrsrsrsr)

    MAO

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  28. PietroCF, palandi, Mister finesse,

    Que bom que gostaram, grato!

    MAO

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