22 de outubro de 2010

O QUE SINTO SOBRE OS CARROS


Por cinco anos escrevi na Quatro Rodas Clássicos. Não falhei em nenhuma edição, sempre com uma ou mais avaliações, todas elas de carros esportivos. Por dois anos escrevi na Car and Driver Brasil. Por sete anos e meio escrevi semanalmente no Jornal Superauto, do Primeiramão.

Nessas, já dá pra ter uma ideia da quantidade de carros esportivos que guiei. Foram dezenas, e talvez passe da centena de esportivos, já que não dou muita bola para carros que não o sejam. Tanto antigos como novos, só me agradam os esportivos e só a eles direciono minhas avaliações. Corvette, Porsche, Ferrari, Maserati, Mustang, Camaro etc, etc... Conheço-os dos avós aos netinhos, e observei suas evoluções e involuções.


Se não é esportivo, nem estico a conversa sobre o carro e não faço questão de guiar, a não ser que seja bem antigo mesmo, para trás da década de 30, pela curiosidade de sentir o que nossos antepassados sentiam quando os guiavam, de imaginar facetas de suas vidas.

Para rodar em São Paulo, analisando friamente, pouco se me dá qual carro me transporta pra lá e pra cá, se tem câmbio automático ou manual, se é novo ou velhinho etc. Para mim, basta que tenha ar-condicionado – não tanto para escapa r do calor, mas mais para poder fechar os vidros e escapar da barulheira infernal que esta cidade produz. Se for carro barato para consertar raladas, melhor, já que barbeiros e motoboys malucos tornam dirigir aqui uma coisa chata.

Mas se for para me divertir, se eu estiver a fim de acelerar, me divirto com qualquer carro, de motor fraquinho a canhão; basta que eu chegue ao seu limite.

Para viajar para a fazenda e para a praia com a família, a 120 km/h, ainda não guiei carro melhor que a velha perua Mondeo de minha esposa. O porta–malas é enorme, há realmente espaço confortável para cinco adultos, ela é absolutamente estável, o motor é suficiente, tem controle automático de velocidade, faz ao redor de 13 km/l de gasolina na estrada, viaja em silêncio e a ergonomia é excelente, a melhor – o banco do motorista é uma “poltrona do vovô”. Ah!, e tem teto solar, coisa que adoro. Essa perua fica mais para viajar, já que minha mulher a usa pouco.

Na fazenda tenho um Lada Laika, tração traseira, que é meu burro de carga, e quando vou pra praia nem quero ver carro na minha frente. Lá é só "bicicréta" e surfe Na praia é mais fácil socar um gato numa banheira com água gelada do me enfiar num carro.

Já tive bons esportivos, boas motos fortes, mas no momento estou sem nenhuma fera em casa. Logo voltarei a ter, mas não tenho pressa, já que ainda os estou estudando minuciosamente. Por enquanto, o Lotus Exige é o meu sonho, pois ainda não guiei nenhum outro que me fizesse guiar tão perfeitamente bem, nenhum outro que obedecesse tão exatamente aos meus comandos e me desse tanto prazer.

Números de desempenho – 0 a 100 km/h, velocidade máxima – são ilusórios. É o mesmo que avaliar um cavalo que corre no Jockey Club e dizer que ele é o máximo. Correr, corre, mas e daí? Tê-lo, usá-lo, é outra coisa. O cavalo é bom de índole? É bom de rédea? É inteligente? É tropicão? Tem saúde? Tem resistência? É amigão, companheirão, gosta do dono? Tem espírito ou é um idiota? É valente? É dócil?

São tantas as qualidades e defeitos de um carro, são tantas as suas características, que simplesmente esses números de desempenho, para mim, têm pouco peso no prazer de dirigir.

A condição básica, pra mim, é que tenha tração traseira.

Apesar de meus esforços, ainda não consegui ter tesão por carro com tração dianteira, por melhor que ele seja, e olha que já guiei Mini Cooper forte e Alfa 156, que são os primores da tração dianteira. Não deito na cama e penso neles, sorry.

O esportivos de tração nas 4 rodas, sorry também, mas têm um comportamento meio abrutalhado, apesar de eficiente. Um com tração nas 4 não faria este maravilhoso power slide (derrapagem de potência) que o Bob provocou no seu Maverick, só para divertir seu irmão, que o fotografava durante a corrida -- só para fazê-lo lembrar do que viram, quando moleques, o Fangio fazer no seu Maserati 300 S (foto há pouco publicada no blog).

E tanto falam aqui de Ferrari, uns criticam e outros elogiam. Já guiei alguns, antigos e novos, e todos são espetaculares. Fora o Lotus Exige, não há nada mais bem acertado, nada que entre e saia de uma curva como se o próprio carro já não soubesse como fazê-lo, já não soubesse o caminho certo. Nunca vi nada que se encaixe melhor e gostoso no trilho e nos transmita mais obediência ao traçado planejado.

E esqueça o papo furado de que os Ferrari com motor central-traseiro são traiçoeiros. Não é a posição do motor no carro que determina isso, mas sim o seu acerto geral. Traiçoeira é a nossa ignorância. Portanto, quando leio críticas aos Ferrari, tenho críticas a quem as faz, pois tenho certeza de que o sujeito nunca os guiou, ou se os guiou não o soube fazer. Se guiar, e souber guiar, gama.

Bom, já falei bastante sobre o que penso dos carros. Cada um tem seu jeito e dele não escapa; e esse é o meu.

AK

30 comentários:

  1. AK,
    Concordo plenamente com relação à referência que faz à importância dos números. A tocada e as percepções contam mais.

    Sobre o Exige parece que o fim da linha está próximo. A própria Lotus no último Salão de Paris afirma que o baixo peso já não é tanta prioridade daqui pra frente...

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  2. Grande Arnaldo Keller!

    Se não me engano, na minha adolescência, eu lí em um texto do José Luiz Vieira na saudosa Motor 3 que o importante não é tanto O QUE o carro faz, mas COMO ele faz. E eis que você tocou novamente no mesmo ponto. O pessoal que não entende patavinas de carro fica se preocupando com questiúnculas como os dados de desempenho mas não presta atenção no que deve prestar, que é o comportamento do carro.
    Em numeros frios, o Prisma oferece 5 cavalos a mais que o meu velho Monza 2.0 1990. Só que na estrada a 120 km/h eu estou confortável a cerca de 3200rpm e o Prisma vai estar esgoelando a 4 mil e alguma coisa, com um isolamento acústico pior. Chegarei ao meu destino mais descansado que o cidadão do Prisma. Aí vou explicar isso para o cidadão que não entende sobre carros e o pateta acha que estou inventando. Bullshit.
    Parabéns pelo texto, ótimo como de hábito.
    Abraço

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  3. É isso aí Arnaldo! Quem te acompanha há tempos percebe no seu texto a emoção e paixão pelos esportivos, mas avalia carros "normais" de igual maneira. Idem seu livro de contos! Percebi tua ausência há algum tempo da Car and Driver, está fazendo falta! Destaco lá as avaliações do Alfa Romeo Giulia Sprint e do VW SP2, com as belissímas fotos do primo!Você voltará a escrever na Car and Driver ou rompeu definitivamente?
    Abraço!

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  4. Taí um texto escrito por entusiasta para entusiastas! Nada de firulas, modismos, direto ao ponto.

    Também sou daqueles que se diverte com qualquer coisa de quatro rodas. Não tenho muita experiência e variedade de modelos, mas cada carro tem uma característica que dá para ser explorada e divertir bastante o motorista-piloto.

    Tenho preferência total para carros de tração traseira, justamente por podermos provocar a traseira com uma simples acelerada e ter diversão pura! Muitos carros de tração dianteira mexem comigo, mas se fossem tração traseira, seriam casos de paixão absoluta...

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  5. Arnaldo Keller22/10/10 19:25

    Thiago,

    Esse Alfa que vc falou... acabo de guiã-lo de novo, faz 15 minutos, e numa estrada. Não me pergunte como, pois não é hora de dizer, mas é apaixonante mesmo.
    Sobre a C&D, saí e não saí. Só dando um tempo, sei lá, mas tudo tranquilo.

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  6. Edu Novelletto22/10/10 19:45

    Ótimo post, Arnaldo! Ultimamente estou viciado nisso aqui, entro várias vezes ao dia em busca de novas leituras.

    Realmente, como você comentou: -tração traseira é o que há
    -quando é para se divertir, não importa a potência!

    Por isso sou feliz com a Suprema GLS daqui de casa(ou melhor, lá de casa pois estou estudando em outra cidade)
    Ainda hoje li isso http://www2.uol.com.br/bestcars/colunas2/c179.htm em sua antiga coluna no BSW! Mera coincidência...

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  7. Bacana, Arnaldo. Este texto de certa maneira me lembrou aquele em vocë diz que o homem deve ter dois carros: um garanhão e uma mulinha...
    Penso diferente, Arnaldo, sobre o carro do dia-a-dia. Ora, se é para passarmos um bom tempo nele, que seja divertido. Acho que dá pra unir o útil ao agradável. Outro dia, guiei bastante em Celta VHCE e um Prisma 1.4. Achei o celtinha especialmente divertido, subindo de giro legal e com um escalonamento de cambio impecável. Talvez o problema seja que o meu parametro esteja muito baixo...
    Pode ser que, quando eu dirija algum esportivo de verdade, todas essas conduções percam todo brilho.
    Por outro lado, ainda não gosto dos automáticos. Talvez seja porque transito em BSB ainda seja bom, pelo menos por onde ando. Mas, por enquanto, minha perna esquerda ainda não reclamou!

    Abraço

    Lucas

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  8. Arthur Jacon22/10/10 22:24

    Que texto!!! Arnaldo, acompanho seu trabalho desde Quatro Rodas Clássicos. Lia meio desconfiado. Quem é esse cara, que escreve de maneira descompromissada mas, ao mesmo tempo, tão instigante? E os carros que ela testa? Vai ser bem enturmado assim lá na casa do chapéu! Como consegue transmitir com tanta fidedignidade e descontração suas impressões a respeito dos carros que testa? Esse texto seu é antológico. Parabéns.

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  9. Este comentário foi removido pelo autor.

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  10. Caro Arnaldo,
    Voce se superou neste post quando falou em tração trazeira ! Eu penso assim e o Mondeo é o máximo assim como outros comportados. O Bob ajudou-me a acertar as rodas do meu Puma, tração traseira. Mas só resta o estilo, o baixo custo e as saudades. O carro é bem ruim e uso no meu dia a dia, apesar de a cada dia uso mais a bike. (Já tive Hondas 550, 750, Yamahas RD350 tb.)
    Mas a velhice é isso. Tenho que cuidar do corpo p/conseguir entrar e sair do Puma rs.... !
    Abração

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  11. E quem disse que Lada tem de ficar relegado a um simples "burro de carga"?

    http://www.youtube.com/watch?v=pM7NJiiiGdw

    http://www.youtube.com/watch?v=IEk5yPRMj60

    http://www.youtube.com/watch?v=sO8hfc5I8Qg

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  12. Arnaldo,

    Não sei se já te falei, mas sou seu fã de carteirinha!

    Nunca guiei carro nenhum a não ser a gloriosa Fiat Panorama da mama por uns poucos quarteirões, e foi a sensação... E os meus supertorpedos em sonho (dizem que é o melhor simulador que existe!)...

    Mas mesmo assim, lendo os seus textos é como se tivesse guiado todos!

    Me aguarde, ainda vou guiar um por um! Só para depois te mandar um e-mail te dizendo q tinhas razão!!!

    Força aí! Animação! Empolgação! Bola pra frente! Espero que vc consiga escrever sobre o q realmente gosta e curte, só assim vc se realiza, sem stress nem cansaço!

    Ps1: O Tiff Needle, co-fundador do TopGear com o Clarkson e atualmente no FifthGear concorda com você! Ele testou o CaymanS contra o Lotus semana passada e deu a vitória ao Lotus! Sinceramente achei a condução do Porsche muito menos agressiva... De qualquer maneira a expressão facial dele guiando o Lotus entregou qual carro ele gostou mais sem ser necessária a exibição de qualquer estatística!
    Quem tiver twitter, recomendo pq é outra figuraça! @tiff_tv

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  13. Arnaldo


    Quem sabe,sabe.Quem nao sabe,so critica.
    Mais um otimo post pra nos fazer pensar e rever nossos conceitos.

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  14. Perfeito,AK, a percepção às vezes suplanta os numeros frios , ontem eu avaliei para um amigo que quer comprar uma 323 compact 1998,carro muito inteiro,ao andar com aquele BMW curtinho com o 6 cilindros vomitando pela descarga o sorriso resplandeceu a minha face,hehehehe,abraços.

    Obs:Autoclássica é realmente incrível ,vi carros que só tinha visto em fotos, e tá muito difícil comer um bife igual ao que os hermanos fazem lá.....

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  15. Bera Silva23/10/10 16:49

    Arnaldo, faz tempo que leio esse nome. Acho que a primeira vez que te li foi numa QR Clássicos. Acho que conheci o BCWS procurando o teu nome. Lembro do Superauto, com os venenos para Chevettes e Fuscas.
    Uma vez tu se descrevestes como um caipira, pois bem, a verdadeira cultura brasileira é guardada por estas valentes e sensíveis pessoas. Valentes porque lidam diretamente com a força da natureza, tem de ter mãos calejadas e corpos robustos. E sensíveis porque sabem prever a chuva e a seca, tem forte noção de moral e sabem o significado dos costumes, cantam o amor e a dor em rodas e fogueiras.

    Saudações Caiçaras

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  16. Ehehehe...
    Acho que torcemos pro mesmo time...
    Concordo com tudo que minha limitada experiência permite conhecer, frente à sua vastíssima experiência...
    Ando de Alfa GTV no dia-a-dia... E acho o máximo, mesmo sendo absolutamente pouco prática.
    Mas a relaçao custo/prazer, prá mim, ainda é das melhores.
    Ou, como eu já li em algum lugar:
    "o carro mais divertido que o dinheiro de um simples mortal pode comprar".

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  17. Arnaldo,

    Ótimo post.
    Vc. é um cara de sorte e na profissão certa para quem curte carros. Eu, por exemplo, sou um Autoentusiasta, mas só guio meus carros e os de poucos amigos.
    Como quase todos Autoentusiastas também me divirto com qualquer carro que dirijo, pois cada um tem suas características e é sempre legal explorá-las.
    De esportivos, já dirigi Eclipse, Porsche Targa 73, Porsche 911 95, e no passado Puma e Berlineta, mas sem levá-los ao limite.
    Atualmente, dirijo um novo Focus Sedan Ghia, um 206 1.4, um MP Lafer TI 79 e um Fusca Itamar 94, com um motorzinho apimentado.
    Desses carros, o que curto mais é o Fusca, com o qual participo do Torneio de Regularidade em Interlagos e, de vez em quando, dou umas aceleradas na Castelo pedagiada e na Anhanguera.

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  18. Sou um cara de sorte mesmo. Tenho muitos amigos.
    É de coçar a cabeça. Fico emocionado, agradecido.
    Obrigado.

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  19. "...Mas olha, quer saber? Não troco um dia de surf por pilotar uma Ferrari ou um Porsche ou qualquer outro carro até mais doido numa pista das mais loucas. Isso está longe do prazer que o surf dá."

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  20. A Car´Driver anda meio manca sem os comentários do Arnaldo, o Thiago tem toda a razão. Quem leu aquele texto da Dino na falecida 4R Clássicos sabe o que estou falando. Aliás, o texto pra mim virou um clássico. Abs, Fred.

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  21. Uma coisa que a imprensa deve tomar cuidado na hora de avaliar um carro é isso: a que se destina.

    Lê-se muitas avaliações tratando um carro qualquer como veículo esporte, ou pior, carro de corrida.

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  22. Anõnimo,

    Vc tem toda a razão. Todo carro tem o seu objetivo de uso e assim deve ser avaliado, porém todos têm que atender aos requisitos de segurança, tanto passiva quanto ativa. Para isso têm que frear bem, curvar bem, reagir com presteza etc, e nisso os esportivos são campeões.
    Hoje a tecnologia está fantástica e muitos carros estão conseguindo aliar conforto e bom comportamento. Carro hoje que não consegue isso está defasado.

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  23. Arnaldo, o teu sonho é um Jaguar E-type na cor verde.

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  24. Arnaldo,

    saudade imensa dos seus textos que tanto me ensinaram enquanto eu "fingia" ser o editor da Quatro Rodas NITRO. Concordo com suas palavras: se a moçada do "xuning" gastasse seus trocados procurando bons carros de tração traseira, disponíveis em classificados como Webmotors, poderiam entrar em um mundo apaixonante que é guiar vestindo o carro, fazendo parte dele. Seriam motoristas melhores e menos perigosos, mais conscientes dos limites de uma boa condução esportiva.

    Espero que possamos conversar novamente.

    Um forte abraço,
    Felipe Barcellos

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  25. EEE AK... Que maravilha de texto! Ainda vou ter um carro tração traseira, já guiei algumas vezes, mas quero ter o meu!
    E esta foto do Bob! Caramba bicho! Foto pra ter num quadro!

    Abs

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  26. Como criado em opala, tração traseira é tudo, mas tive um voyage 1.8 e dpois d ter colocado um volante d passat TS e d ter pego a manhã tb era legal, embora ñ comparável. Mas a razão do comentário é bela "entortada" do tradicional capacete branco. Parece q o volante é original.

    VALEU!

    Tazio Nuvolari

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  27. Carro com tração dianteira é para mulher ou garoto recém habilitado. Quem gosta e sabe dirigir prefere tração traseira.

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    Respostas
    1. A. 21/03/14 08:43
      Não diga bobagem. Uma coisa não tem nada a ver com a outra.

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    2. Bob, eu disse " para quem sabe e gosta " de dirigir . OK !!!

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    3. A. 21/03/14 11:33
      Como muitos, eu sei e gosto de dirigir, por isso eu disse que uma coisa não tem nada a ver com a outra.

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