30 de outubro de 2010

ONDE FOI PARAR A PONTEIRA?

Essa semana um dos nossos amigos nos mostrou fotos de um Brasinca 4200 GT que ele deseja adquirir e uma breve discussão se iniciou. Aquela conversa típica entusiasta, com o amigo interessado mencionando o quanto gosta do carro e o alguns amigos tentando dissuadi-lo da idéia, por "n" motivos.

Conversa vai, conversa vem, lembrei que foi o primeiro automóvel no Brasil a ser submetido a testes de análise aerodinâmica no túnel de vento do Instituto Tecnológico de Aeronáutica, o ITA, em São José dos Campos, SP. O teste apontou, entre outras alterações, a necessidade de alongar o cano do escapamento em 30 cm, para fugir da zona de turbulência que se formava atrás do carro e não haver risco de entrada de gases no interior do veículo.


Parece um detalhe bobo, mas não é: no Carnaval de 2005 viajei para Florianópolis, viagem que durou cerca de 10 horas, saindo de São Bernardo do Campo. Pouco depois de chegar à Barra da Lagoa (meu destino favorito na capital catarinense) iniciei a retirada da bagagem do porta-malas e levei-a para dentro da casa que havia alugado.

Logo percebi que tudo estava com um terrível e nauseabundo cheiro de queimado A alça de nylon de uma das bolsas estava partida, sem qualquer motivo aparente. E um travesseiro que estava acondicionado dentro de um saco plástico ficou completamente inutilizado, pois o material derreteu e grudou na malha de algodão.

Como eu estava cansado da viagem e a garagem estava escura, achei melhor me deitar para dormir um pouco. Os dias de folga se passaram e, de praia em praia, acabei esquecendo do ocorrido, até a Quarta-feira de Cinzas.

Manhã de sol, garagem iluminada. Ao colocar a bagagem no porta-malas me deparo com o carpete todo queimado, a soleira da porta-traseira derretida e o forro do assoalho todo enrugado. Eis o cenário da destruição:


Sem entender nada, tentei interpretar o que havia ocorrido ali. Não havia sinais de curto-circuito, nem princípio de incêndio, nada que justificasse os danos. Mas percebi que foi ali que perdi o travesseiro e a alça de nylon de uma das bolsas.

Nada por dentro, resolvi olhar por fora. Me deitei embaixo do carro e percebi que eu ainda tinha um abafador traseiro, mas a ponteira havia caído em algum lugar do passado:


Matei a charada: a ponteira (que originalmente é voltada para baixo) caiu e os gases do escapamento concentraram-se entre o assoalho e o pára-choque traseiro. Pelo pouco que entendo de aerodinâmica, chego à conclusão de que a tal zona de turbulência os impediu de seguir seu caminho natural e eles ali ficaram, cozinhando tudo o que estava naquela região durante as 10 horas de viagem.

O problema maior foi voltar para casa: onde é que eu iria encontrar um abafador novo em plena Quarta-feira de Cinzas? A solução mais fácil e rápida foi pegar uma toalha de banho bem grossa e encharcá-la de água, parando no meio do caminho para torcer a água quente e colocar água fria.

Foram duas paradas: uma em Curitiba e outra em Registro. Era abrir a tampa do porta-malas e sentir os vapores fumegando no algodão, talvez dez vezes mais quente que uma toalha de barbeiro. Tudo por causa de um detalhe bobo: uma simples ponteira de abafador que sumiu.

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22 comentários:

  1. Puxa Felipe, realmente, eu fico pasmo na quantidade de detalhes que um carro tem que ter para dar certo. E fico mais indignado ainda com os carros sofridos pelo Tunning. Postagem das mais interessantes até hoje.

    Renan Veronezzi

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  2. Ressalva: "Tuning"
    Ressalva: Me referi ao mal gosto e falta de técnica que a maioria tem ao tentar incrementar um automóvel, pois tuning de verdade se vê, por exemplo, em um Mitsubishi Lancer Evolution X MR.

    Renan

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  3. Ressalva: "mau gosto".

    Paulo

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  4. Perdi um parachoque tarseiro de um astra que eu tive, pois a ponteira caiu em uma viagem longa e a hora que parei o carro ficou um buraco no parachoque.

    FElipe

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  5. Deve haver algum tipo de praga contra os escapamentos dos carros de paulistas que vão passar o carnaval em Santa Catarina.

    Aconteceu comigo há muitos anos na chegada a Joinvile, altas horas, quando o cano do motor do Chevette se partiu logo abaixo da junção com o coletor de escape, fazendo despencar o sistema todo daí para trás. Só consegui chegar ao hotel graças a uma gambiarra à base de tiras elásticas.

    Moral da história, fiquei sem poder usar o carro durante todo o feriado. E só consegui voltar em tempo a São Paulo porque encontrei uma alma caridosa que se dispôs a soldar o cano quebrado na manhã da quarta feira de cinzas.

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  6. Paulo Levi,

    Existe uma praga sim. Praga que não ataca somente os paulistas.
    Água. Com a quantidade de água que temos nos combustiveis é impressionante um motor ainda ser capaz de ligar.

    Abs,

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  7. Pedro Navalha30/10/10 15:50

    Bitu,
    Você não chegou a sentir o fedor de queimado dentro do carro durante a viagem??
    Sempre que percebo algo estranho no carro (inclusive cheiro) procuro parar em algum lugar seguro e dou uma verificada em tudo.

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  8. Obrigado Paulo.

    Renan

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  9. Pedro Navalha

    Pior que não. Mesmo tendo ar-condicionado, gosto de viajar com as janelas abertas.

    FB

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  10. Francisco V.G.30/10/10 18:44

    Bitu
    Antes de mais nada, quero parabenizá-lo pelo post do Santana branco, um verdadeiro estouro. Acabei esquecendo de fazer comentário lá, achando que, depois de tantos posts após, ficasse esquecido, daí, então, faço-o aqui. Queria também uma tabela com todas as caixas de marchas da linha GM igual àquela da VW que o Bob publicou no texto. Pelo que pude ver, aquela tabela deve ter sido publicada antes de 1995. Digo isso pois, de memória, ficou faltando o código PG (Gol e Parati bolinha 1,6L) que consistia nas mesmas relações da caixa PX só que com diferencial 3,89:1. A relação final de 5a.marcha era quase igual à da caixa PS. Quanto à sua Quantum sem ponteira de escape, você não notou a diferença (grande) de ruído sem ela? Quando isso acontece é porque o miolo daquele abafador já era, falo por ter sentido isso na pele, tanto em Gols como em Corsas. De vêz em quando vejo alguns carros por aí desse jeito com a parte traseira toda impregnada de fuligem, Dá a impressão que o sujeito está há anos sem trocar o escapamento e a dar uma lavadinha no "possante".
    Pedro Navalha
    Lendo o seu comentário me lembrei de um caso que aconteceu bem no começo dos anos 70 que um conhecido do meu pai nos contou. Tratou-se de uma viagem que uma família amiga fêz em uma Variant e um dos filhos veio à falecer pois, segundo ele, asfixiado pelos gases de escapamento. Ele dormia justamente lá na parte de trás, no porta-malas cujo motor está bem logo abaixo.

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  11. Francisco V.G.

    O pessoal do clube do Calibra tinha essa tabela de relações dos câmbios GM, acredito que ela tenha se disseminado por outras agremiações semelhantes, como Vectra Clube ou Astra Clube.

    Essa Quantum nunca foi um carro silencioso, mesmo com o escapamento 100% original. Daí te falar que não senti diferença alguma no som.

    A única coisa que me lembro é que o ritmo da viagem foi forte, demorei 10 horas por causa de inúmeras paradas e por causa daquela ponte que caiu no Km 44 da Régis Bittencourt.

    A única solução para o trânsito naquele local era intercalar os dois sentidos do tráfego na ponte que ainda estava inteira, o que resultou em um belo congestionamento nos dois sentidos.

    FB

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  12. Manézinho da Ilha30/10/10 23:18

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  13. Daniel Shimomoto31/10/10 00:54

    Felipe Bitu;

    Sua historia fez lembrar uma viagem quando era pequeno: Meu pai pegou nossa então perua Marajó e levou a todos de São Paulo para Monte Verde (MG). Ao sair de casa, percebeu que o escapamento da perua estava furado mas até ai....E daí?

    Quase chegando ao nosso destino, o ruido ia aumentando (imagina um Chevette sem silencioso...é a visão ou melhor a audição do inferno na Terra) mas....nada demais até que...surpresa!!!! O escapamento caiu de uma vez e descobrimos que a GM só havia fixado o escapamento da Marajó no motor e em dois pontos próximos a ponteira externa, SOBRE o eixo. O rsto ficava tudo pendurado.

    A importancia disso é que o escapamento da Marajó se rompeu na altura do silencioso intermediário que fica exatamente no meio do carro, dobrou sobre o eixo traseiro e fez uma alavanca no carro.

    Um abraço

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  14. Um grande defeito da Simca Jangada era exatamente o problema de direcionar os gases das saidas de escapamento para dentro da cabine, tornando percursos longos com chuva ou frio desconfortáveis e "perfumados", além de perigosos, no caso da manutenção dos vidros fechados. A solução era alongar as ponteiras tornando-as
    excessivamente salientes em relação ao para-choques, de praticidade e estética duvidosas, ou direciona-las para baixo.
    Irapuã

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  15. É mesmo impressionante o quanto um escapamento defeituoso pode superaquecer a região próxima à saída dos gases de escape.

    Em meu Caravan 4,1-litro certa vez perdi o escapamento logo após o abafador intermediário, que na verdade havia sido substituído anos antes por um abafador de lã de vidro, tipo "JK". Como o ronco ficou simplesmente ensurdecedor, tipo de competição, até o reparo aproveitava para esticar as marchas onde dava, só para ouvir o ronco dos 6 cilindros trabalhando. Resultado: como o carro tinha a árvore cardan bipartida, com rolamento intermediário, a borracha de fixação do rolamento deteriorou completamente, além de chamuscar a lateral esquerda do diferencial.

    Também pudera, se os gases queimados avermelham o coletor de escape andando forte, imagina-se a temperatura que ainda chegam na saída...

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  16. André Andrews31/10/10 22:09

    Meu escapamento não esquenta tanto assim, o carro de vocês que deve ter algum problema.

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  17. Pedro Navalha31/10/10 22:32

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  18. FB,
    Muito interessante esses pneus que voce usa no seu carro.
    Seria Toyo Proxes T1-S? Quais as medidas?

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  19. Estou usando um coletor 4X2X1 e mais nada, visto que está difícil achar alguém aqui em Brasília que faça escape sem esmagar os canos (ninguém aceita dobrar com areia). O odor típico dos gases não aumentou no interior, continua o misto de fumaça e gasolina, assim como ainda não derreti nenhum componente do câmbio, como buchas e coifa, já que a saída do coletor é praticamente sobre o semi-eixo. Já fui e voltei de Goiânia assim e não tive problemas com gases, aquecimento do assoalho ou a PRF, creio que apenas minha capacidade auditiva sentirá os efeitos daqui uns anos, mas o som do escape direto vale a pena, incluindo os pipocos nas reduzidas.
    Continuarei minha busca por quem faça esse escape direito ou comprarei umas dobras prontas e eu mesmo farei, porém antes preciso resolver mais algumas coisas nele (como freios melhores e cornetas para a carburação).

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  20. Bussoranga

    Sim, Toyo Proxes T1S, 205/50 R15, montados em rodas 15x7.

    Fora uma direção mais sensível a irregularidades no asfalto, o carro ficava sobre trilhos, sem que a suspensão ficasse "dançando" sobre pneuzões.

    FB

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  21. Manezinho da Ilha05/11/10 07:49

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  22. Bitu, se acontecer de novo de perder o escape aqui em Santa Catarina, me procura, manda um SMS, uma mensagem no ORKUT, sinal de fumaça, qualquer coisa. Eu soldo ele pra voce, mesmo em final de semana ou feriado.

    []s
    Gustavo.

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