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17 de junho de 2011

FALTOU FREIO

FOTO: Reprodução internet/Globo News



Semana passada todo mundo viu o acidente do ônibus que caiu do viaduto em cima da linha férrea e foi atingido pelo trem, felizmente sem vítimas fatais. Em um dos noticiários a que assisti, a apresentadora mostrava o piso de paralelepípedos do viaduto molhado e levantava a hipótese dele ter sido o causador do acidente.

Coitado do piso, estava quietinho lá no lugar dele, tomando chuva, e ainda leva a culpa? Ah, o piso estava escorregadio demais. Sim, paralelepípedo molhado é escorregadio demais. Em qualquer lugar, com qualquer veículo. O que faltou foi preparo da motorista, que deveria ter redobrado os cuidados ao trafegar em cima de um viaduto de mão-dupla e com piso de baixo atrito. Mas será que ela sabe o que é atrito ?

Eu já cansei de ver ônibus freando em dia de chuva e a roda dianteira travada arrastando no asfalto molhado. Os condutores simplesmente ignoram a redução da aderência ao chover, guiam no limite do mesmo jeito que o fazem em piso seco. Batem e ainda tem a coragem de dizer que faltou freio. Aliás, essa desculpa é usada sempre, mesmo em batidas no seco.

Andam a 80 km/h onde deveriam andar a 50 km/h, mas mantêm distância de frenagem compatível com 50 km/h. Não há freio que dê jeito. Não é ele que falta, falta é juízo de quem conduz desse jeito. Eu sou habilitado categoria D, o que me permite conduzir ônibus de grande porte. E digo, o exame foi uma piada, tirar o ônibus do acostamento, pegar a pista, passar umas 3 marchas, frear e parar no acostamento de novo, na mesma reta.

Se um avião se acidenta e morrem 20 pessoas, aparece em cadeia nacional, todo mundo se comove. Só que deve morrer muito mais gente por conta da maneira irresponsável que alguns motoristas conduzem veículos pesados, mas como é "a conta-gotas", ninguém liga muito.

Sou a favor que a carteira B permita furgões de passageiros até 15 lugares, como os Ducatos e Sprinters, e carteira D daí para cima, só que com exame muito mais rigoroso. Só assim deixaríamos de escutar a mesma desculpa esfarrapada de semrpre: "Faltou freio!"

AC

24 comentários:

  1. AC, já fui vitima desses motoristas que acham que um ônibus velho com 15 anos tem o mesmo poder de frenagem que um carro comum.

    Meu pai quando foi tirar a CNH D para dirigir a F250 cabine dupla disse que o exame no micro-ônibus foi exatamente isso, só uma voltinha no estacionamento.

    Quanto à repercussão de acidentes aéreos vs. Acidentes rodoviários, só nos EUA o número de mortes anual no trânsito equivale a dois boeing 747 lotados caindo todas as semanas...

    Danniel

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  2. Antonio Pacheco17/06/11 16:28

    Post perfeito, Alexandre. O que mais acontece é culparem o pobre do freio ou o piso, esquecendo que o motorista é que foi imprudente. E isso não é restrito aos motoristas de ônibus não. A maioria dos acidentes, principalmente em dias de chuva, a desculpa é sempre a mesma, de que "perderam o controle do veículo", ou o carro derrapou de repente. Tudo balela. O que mais vejo são irresponsáveis andando em velocidade alta com pista molhada. Carros, ônibus, caminhões e etc.
    Como já disseram anteriormente, falta mesmo é educação.

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  3. Realmente, oq eu falta nessas horas ñ é o freio e sim o juizo do condutor

    fugindo um pouco do tópico:
    hj fui numa loja e vi um gol gts quadrado com 480cv,todo preparado talz..pá
    e com freios originais.....

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  4. Muitos acidentes nas empresas são evitados através de diálogos de segurança, sobre como tomar cuidado quando andar em pisos com mudança de textura ou superfície.

    Quando estamos andando de carro e ocorre mudança no tipo de superficie de rolamento, ocorre o mesmo que nem quando, em um dia de chuva, saímos de um piso de concreto para um piso cerâmico. Um belo escorregão.

    Portanto, caros amigos, devemos tomar cuidado SEMPRE QUE sairmos de um piso liso para um àspero e vice-versa. Quando estivermos andando no molhado, o cuidado é redobrado!!!

    Concordo com todos que, colocar a culpa no paralelepípedo é uma idiotice sem tamanho, pois faz com que a responsabilidade pelo ocorrido deixe de ser do motorista.

    Muitos acidentes semelhantes ocorrem com motos que andam no corredor, pois a faixa pintada em chuva é extremamente lisa, provocando escorregões, desequilíbrio e.... tristes estatísticas(!)

    O governo ou a iniciativa privada deveriam de investir mais em campanhas para o motorista tomar cuidado ao trafegar em superfícies com diferente coeficiente de atrito, pois a transição de forma insegura entre uma e outra pode causar acidentes muito mais sérios que o do ônibus que despencou sobre a ferrovia.

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  5. Outra desculpa clássica e famosa é: "Fui fechado", mas ninguém sabe qual era o outro veiculo, muito menos anotaram a placa.

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  6. Esse é o tipo de motorista que assassina ciclistas e pedestres, bate em carros propositalmente e ainda é protegido pela imprensa.

    Anote aí.

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  7. TODAS as modalidades de CNH tem provas ridículas que não agregam nada ao motorista enquanto cidadão.
    Ao mesmo tempo, as empresas de viação não contratam gente qualificada nem dão treinamento, tudo para economizar e poder lucrar ainda mais.
    O governo lava as mãos e não fiscaliza, e quem se ferra no fim é a população silenciosa, que engole a balela de "faltou freio" etc etc...
    Alguma novidade? rs

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  8. pois é alexandre entao assistimos a noticia no mesmo canal, e ninguem nunca lembra de dizer que se você tiver atenção redobrada esse tipo de coisa nao acontece e pelo que me lembro ninguem falou que amotorista teve atenção redobrada pois trafegava em piso de pouca aderencia

    Dimitrius

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  9. Tem outra coisa que fica aparente na foto e que ninguém noticiou: o Maquinista do trem conseguiu parar a composição bem a tempo de evitar um desastre maior, pois, como sabemos, um trem precisa de uma distância muito grande para parar toda a massa que ele carrega. Se o maquinista não tivesse visto o ocorrido, teriamos tido um belo strike, com direito a muitas vítimas fatais, tanto do ônibus, quanto do trem, que com certeza descarrilaria, tamanha violência do impacto.

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  10. Esse é o tipo de motorista que assassina ciclistas e pedestres, bate em carros propositalmente e ainda é protegido pela imprensa.

    Anote aí. [2]

    PS: derrapar e sair da pista em uma curva dentro do perímetro urbano, seja com qualquer clima, com qualquer piso, com qualquer veículo e em qualquer situação é uma coisa que não acontece de maneira nenhuma com um motorista com o mínimo de prudência e inteligência. Digo em qualquer situação, porque, mesmo que tenha faltado freio no ônibus no momento que outro carro lhe fechou num piso escorregadio, por instinto qualquer motorista jogaria o veículo para cima do outro que lhe fechou, e não para um vazio que poderia lhe causar morte instantânea. Quer dizer, esta motorista não teve nem senso de sobrevivência!!!

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  11. Aqui em pirituba, numa alça nova da ponte da anhanguera um condutor da empresa Santa Brigida fez a curva rápido como se estivesse num carro de passeio. Todos gritaram para o motorista, sabe o que ele respondeu em voz alta? "Relaxa minha gente, aqui tem piloto..." Liguei para Santa Brigida de dentro do onibus mesmo e sugeri que o motorista fosse brincar de piloto com a família dele dentro do ônibus...
    Isso porque todos os carros desta empresa são limitados em 60km/h.

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  12. ônibus é complicado, além disso que já falaram acima, eles ainda se comportam como os donos da rua.

    Vai sair ?

    Dá seta e azar o seu se estiver quase passando.

    Mas uma coisa me impressiona quando pego ônibus em SP, é que me sinto exatamente como uma vaca sendo transportada junto com outras tantas dentro daqueles caminhões.

    Imagino quantas semanas dura uma embreagem destes coletivos..

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  13. AC, vc escreve "morre mais gente que ALGUNS motoristas conduzem veículos pesados". Infelizmente (e entendo que vc deve ter sido polido) não são ALGUNS; é a maioria, mesmo. Motorista de ônibus urbano (principalmente micro-ônibus) é rachador, irresponsável e inconsequente. ALGUNS são mais ajustados, mas é exceção.

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  14. Na minha última renovação de CNH, aproveitei e optei pela cat.D, com o objetivo de chegar à E e poder rebocar uma carreta p/autos sem problemas. Fiquei impressionado com a facilidade de se passar no exame; ridìculamente fácil, para quem terá a responsabilidade de carregar até mesmo mais de 50 pessoas num veículo enorme e rápido, nas mais variadas circunstancias. Na minha frente havia uma mulher completamente sem noção, ainda bem que foi reprovada.

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  15. Paulo Ferreira18/06/11 13:59

    Perfeito o comentário, bons condutores de coletivos são um grupo em extinção. Guiam sempre no limite do veículo, no seco, no molhado, no que for... fazem curvas à velocidades alucinadas.. Não é raro ver um coletivo capotado, isso é inaceitável.

    Meses atrás fui atropelado por um quando atravessava uma faixa de pedestres com trânsito parado, foi uma situação inacreditável. Era ainda uma faixa do tipo "almofadão", o transito parou o onibus vinha lentamente comecei a travessia e o condutor simplesmente ignorou a minha presença e a faixa, subiu nela e me atingiu com o onibus, por sorte lento o suficiente pra não me machucar.

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  16. Anote aí(3)
    Agora só falta culpar o maquinista do trem por bater no micro-ônibus com a composição.

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  17. Este comentário foi removido pelo autor.

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  18. Nesta semana estive no Rio de Janeiro, e do pouco que andei de ônibus urbano eu fiquei impressionado com o "estilo radical de direção"! Os ônibus fazem curvas no limite, para ficar em pé realmente tem que segurar firme, tamanha a aceleração lateral. Sem falar nas "finas" que eles tiram com outros ônibus, caminhões, etc.

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  19. Sou de Sao Caetano e conheço bem o malfadado viaduto. Ele é estreito, de paralelepipedos e inclinado pro lado errado pra ajudar. Demorou muito para acontecer um acidente destes la, porque os onibus passam com o pe embaixo. Alias, eles andam com o pe na tabua na cidade inteira

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  20. Fico pensando se esses caras andam com seus carros igual dirigem seus onibus, esticando até o "corte" fazendo curvas o limite, e sem dar distancia tb.

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  21. Disseram que constantemente tem óleo nesta pista... é vero?

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  22. É AC, dessa vez eu terei que discordar (ao menos parcialmente).

    Se todo mundo sabe que piso de paralelepípedo molhado é extremamente escorregadio, então porque tal tipo de piso ainda existe?

    Porque os municípios não trataram de exterminar esse dejeto?

    O Bob sempre reclama das curvas absurdamente mal feitas, principalmente daquelas com sobrelevação negativa (como a famosa curva da ferradura sobre a Av. 23 de maio, em SP), reclama das lombadas (sempre com toda razão) e agora me sinto no dever de acrescentar à lista dele os pisos de paralelepípedos. Eles são extremamente inseguros mesmo.

    Segurança veicular não é só dirigir prudentemente, é termos pisos seguros também. E neste quesito, estamos muito mal, muito mal mesmo.

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  23. Bussoranga,
    Paralelepípedo é escorregadio, da mesma maneira o asfalto o é. Esse tipo de piso piso tem suas vantagens e devia era ser mais utilizado, não exterminado.
    O problema é que aqui no Lizarb o asfalto ganhou uma conotação mítica, como se fosse um símbolo do desenvolvimento, mas é um tipo de pavimentação que tem seus sérios problemas e restrições.

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  24. Verdade... pelo menos com paralelepípedo é necessário muito mais abuso para surgir um buraco.

    Mas o fato é que em algumas ruas ele precisa ser mantido, e não é apenas no caso de ruas históricas, mas também no caso de ruas que não possuam galeria de chuva (pois o asfalto é totalmente impermeável, enquanto o paralelepípedo deixa a terra absorver um pouco de água).

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