23 de julho de 2011

O RATÃO ESCANDALOSO

Foto: www.renaultdoce.com.arAo ler o último post do Milton Belli, não pude deixar de me recordar de uma história um tanto interessante envolvendo o folclórico Oreste Berta e uma de suas mais notáveis criações: o "Ratón Escandaloso".

Na década de 60, a tradicional categoria argentina Turismo Carretera ainda era disputada por traquitanas derivadas de modelos americanos dos anos 30 e 40, como Chevrolets, Fords e outros menos votados. Não havia muito segredo: basicamente eram "cadeiras elétricas" construídas em fundo de quintal, o mínimo de carros velhos com o máximo de rendimento extraído de motores mais atuais.

O destaque ficava por conta de um ou outro refinamento técnico em freios e suspensões, mas a grande maioria corria mesmo era na raça. Os mais ousados arriscavam apostar em modelos mais recentes e modernos, como os Ford Falcon e Chevrolet 400, muito superiores por conta da estrutura monobloco.

Mas em março de 1966 um competidor decidiu ir além: o jovem Oreste Berta inscreveu um Renault Gordini em uma prova de Buenos Aires, devidamente aliviado (cerca de 600 kg) e acertado, muito mais leve que os demais competidores. Para impulsioná-lo, um motor de Renault R-8 quatro-cilindros de 1.108 cm³, - já de cinco mancais - alimentado por dois carburadores horizontais Weber, que rendia impressionantes 98 cv.

Os dados impressionam: a potência específica era quase 90 cv/litro e uma relação peso-potência em torno de 6,5 kg/cv. A velocidade máxima era de 190 km/h, inferior à dos mostrengos da escola americana (com quase o triplo de potência), mas o baixo peso do Gordini proporcionava retomadas mais rápidas, freadas mais tardias e maior velocidade nas curvas, fazendo com que seu tempo de volta fosse bem inferior.

Ao volante, o igualmente brilhante piloto argentino Eduardo Copello, cuja competência aliada aos dotes dinâmicos do pequeno Renault foram suficientes para liderar a prova por duas voltas, até o momento em que uma mangueira do sistema de arrefecimento abriu o bico, terminando com o massacre. Berta tentou continuar com o projeto, mas os "cartolas" argentinos trataram logo de acabar com seus planos, estipulando um peso mínimo de 1 tonelada para os carros da categoria.

Era mesmo um Davi francês aniquilando inúmeros Golias americanos.

El ratón na frente de um Chevrolet (foto revista Automundo)

FB

11 comentários:

  1. Eduardo Costa23/07/11 09:39

    Tem sempre que ter um chatonildo para acabar com a festa.


    90cv/l naquela época! O cara é um gênio mesmo.

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  2. Este episódio me fez lembrar da incrível História do Fusca Fittipaldi.
    Grandes homens e suas fantásticas criações!

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  3. Sempre os cartolas...mas no resumo da ópera, sabemos quem são os maiores culpados, certo?

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  4. Épico!

    Guilherme Costa

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  5. Que história legal!!
    Sempre tem gente querendo acabar com uma boa idéia no automobilismo. Não pode carro abaixo de x quilos, não pode motor rotativo, não pode não sei o que... mas enfim, que legal!

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  6. Notaram que num blog cujo nome é "AUTOentusiastas", os posts que falam sobre carros, corrida, tecnica ou qualquer outra coisa que envolva carros/mecânica são os menos comentados? Estranho isso...

    Só espero que não chegue ao ponto de não haver mais esse tipo de postagem aqui!!

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  7. A maior prova do sucesso acontece quando fazem uma regra para proibir aquilo que você criou.

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  8. El Raton, era uma "facção" sulamericana dos Renault Race Rats americana que o piloto frances Renée Puig criou após chegar em 5 lugar na geral numa Daytono Beach em 1958

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  9. Velho, mas limpinho24/07/11 17:14

    Muito bom!!!!

    Já tinha ouvido falar deste caso, mas nunca fui atrás para saber detalhes.
    E que vontade de comprar um motorzinho do Berta que aparece no site dele...

    Valeu FB pelo excelente post.

    VmL

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  10. bela história
    legal saber mais sobre o início do Berta !

    os grandões tinham então coisa de 300cv? quanto será que pesavam?

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  11. Pois é...os gênios são sempre tolhidos. Vide o projetista da RBR; a cada genialidade que ele implementa, é logo depois censurado.

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