11 de agosto de 2011

UM CARRO DIVERTIDO

Foto: Automotive.com


Hot rod definitivamente não é a minha praia. Até entendo o espírito hot rod, garotos americanos pegando seus Fords da década de 1930 e modificando seus V-8 flatheads para se divertirem muito nas ruas ou em provas de arrancada. Ironicamente, fui convidado pela Chrysler para andar no Plymouth Prowler na Califórnia, isso em 1996 quando editor técnico e de testes da revista Autoesporte. Ainda bem que fui convidado.

A Chrysler dizia, com razão, que era o primeiro hot rod de fábrica da história. E por ser de fábrica, o Prowler encerrava engenharia de ponta.

Sob a aparência de um hot rod estava um verdadeiro carro esporte. Motor V-6 de 3,5 litros 24-vávulas  dianteiro de 214 cv a 5.850 rpm,  30,6 mkgf a 3.100 rpm. e transeixo traseiro. Todo o trem rodante era de alumínio, suspensão independente por triângulos superpostos na dianteira e multibraço atrás. Até os discos de freio traseiros e o cardã eram de alumínio!

A suspensão dianteira tinha as molas helicoidais dentro do cone dianteiro da carroceria, num arranjo similar ao usado pelo piloto-construtor Antônio Carlos Avallone na suprema réplica do MG TF. E tinha é borracha no chão: 225/45-17 na dianteira e 295/40-20 atrás.

Andava muito. Pesava 1.285 kg e ia de 0 a 100 em pouco mais de 7 segundos. Mas....o câmbio era automático de 4 marchas com trocas manuais AutoStick, aquele em que movendo a alavanca para fora sobe marcha, para dentro, reduz. Como tinham lhe colocado um escapamento para dar som encorpado, ouvir as trocas automáticas destoava do carro, era um suplício. Imagino ele com um bom transeixo de cinco marchas...

Como fazia curva! Que precisão e que resposta de direção tinha o Prowler! Mesmo sendo conversível não tinha nenhuma "dança de painel", era bem rígido. Divertido de guiar mesmo. O entreeeixos era enorme, 2.878 mm, mas não atrapalhava a agilidade.

Eu estava na freeway próximo a San Diego quando emparelha um policial da CHiP, a Patrulha Rodoviária da Califórnia em sua Kawasaki 1000 e pergunta, rindo, me olhando de cima "Que diabo é isso?". Andando mesmo expliquei-lhe rapidamente o que era o Prowler e ele disse "That's cool" , disse até logo e desapareceu adiante.

Cool mesmo!

BS




21 comentários:

  1. Bob
    A primeira vêz que vi esse carro pensei quem seria tão excêntrico em tê-lo. Acho que o ator Val Kilmer era um deles...

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  2. Tem um à venda na Private Collections, na Av. Europa. Vi essa semana, nunca tinha visto ao vivo. Nem sabia que existia um no Brasil. Realmente, um carro muito diferente.

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  3. Sempre gostei desse carro, desde jovem. Engraçado é que eu tenho uma miniatura dele igualzinha à da foto de abertura. Só que já está meio surrado, graças ao meu irmão mais novo rs.
    Renan

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  4. Aléssio Marinho11/08/11 17:17

    Um carro com espírito alegre e divertido, como poucos na história do automóvel. A Crysler o construiu para mudar a sua imagem conservadora.
    Pena que o Prowler foi um incompreendido pelo mercado. Eu teria um sem titubear!

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  5. Sinto muito, mas 214CV e 7s para chegar a 60MPH deixa muito a desejar em se tratando de um hot-rod. Pense bem: o Chrysler Concorde, um seda full-size com o mesmo motor, chegava a 60MPH em 8s, e o pequeno Acura Integra, com um mero 1.8 I4, em 6.4s, com acabamento e confiabilidade tipicos da marca.

    Infelizmente, o Prowler sofreu da engenharia de terceira da Chrysler que nem o Bob Lutz, quem patrocinou o porjeto, podia consertar.

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  6. Marcelo Augusto11/08/11 18:13

    Também houve uma demonstração em interlagos, acho.

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  7. Se bem me lembro esse Prowler era uma espécie de show car bem no ano em que a Chrysler voltou oficialmente ao Brasil, com Vision, Caravan, Cherokee, etc.

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  8. Por mais estranho que pareça, o Prowler é ligeiramente aparentado com os sedãs de plataforma LH da Chrysler (Dodge Intrepid, Chryslers Concorde, LHS e 300M, Eagle Vision), plataforma essa que por sinal havia sido desenvolvida para permitir carros tanto com tração dianteira quanto traseira e integral.
    No caso, essa flexibilidade foi adotada no Prowler, mandando-se a transmissão de quatro marchas da plataforma LH para trás, espaçando-a do motor com um tubo de torque. Obviamente alguns aqui ficaram pensando como teriam sido interessantes sedãs da Chrysler com essa solução, mas ela não foi usada justamente porque a Daimler comprou a empresa e a obrigou a reciclar componentes da geração retrasada do Mercedes Classe E, obrigando a empresa a fazer uma nova plataforma (a LX, que conhecemos nas formas de Chrysler 300C e Dodges Charger e Magnum, bem como na forma de Dodge Challenger quando usa entre-eixos curto). Em todo caso, circulam rumores de que a próxima plataforma de carros grandes da Chrysler e da Fiat retomará a flexibilidade que a LH previa (http://www.allpar.com/news/index.php/2011/06/e-evo-coming-to-replace-lx-rt), o que em tese permitiria que um Challenger e uma minivan fossem feitos sobre a mesma base.

    Sobre um Prowler com transmissão manual, ele existiu, mas na forma de protótipo e sob o nome Howler, protótipo feito para o SEMA Show.
    Além da transmissão de cinco marchas, o Howler tinha mais porta-malas, graças ao formato quadrado da traseira e o motor era o mesmo 4.7 V8 SOHC de 250 cv que equipou as segunda e terceira gerações do Jeep Grand Cherokee e as segundas gerações dos Dodges Durango e Dakota. Realmente não era grandes coisas, ainda mais quando vemos que o V6 Pentastar, com seus 3,6 l, é 30 cv mais potente. Claro que alguns ficariam aqui pensando em como ficaria um Prowler com motor Hemi.

    Algumas fontes sobre o protótipo:

    http://www.prowlerexcitement.com/Howler/Howler.html

    http://www.fantasycars.com/derek/cars/howler.html

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  9. Que tal um Prowler com o motor que ele deveria ter tido desde sempre? Pois é, alguém adaptou um Hemi 6.1 nele, usando os pontos de montagem originais, o que significa que não há qualquer alteração estrutural. A coisa é tão bem feita que parece que o Prowler saiu da fábrica assim:

    http://www.per4manceinnovations.com/garage.php?id=3

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  10. Um carro de visual e propostas bem interessantes.

    Mas assim como a picape Chevrolet SSR, o Prowler foi alvo de sua própria excentricidade. Duas revoluções que o mercado não entendeu muito bem.

    Acho que um motor mais potente ajudaria o Prowler.

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  11. Esses carros (Chevrolet SSR, Plymouth Prowler, BMW X6, Chrysler PT Cruiser, etc.) são carros excêntricos, são como que carros-conceito que acabaram indo às ruas. Vendem pouco, dão prejuízo, mas agregam valor à marca, por isso são produzidos.

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  12. Sempre achei um carro muito bonito, porém, sendo V6 é um "belo Antonio". Se tivesse um V8 de pelo menos 300 cv aí sim era de respeito.

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  13. Esse é o carro pra quem tem sindrome do pavão.

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  14. Bob, no final do texto você escreveu "entreeeixos". Isso é devido às novas normas ortográficas?

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  15. Esse carro tem o motor do 300 M, se não me engano.
    No Salão de 98 tinha um exposto, e uma fila tão grande pra entrar no carro que desisti (entrei no 300 M, que baita carro!).

    McQueen

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  16. Bob, ainda bem que o policial curtia este tipo de carro. Lá nos esteites, aquela "carteirada" em que o policial da Via Dutra quase fez escolta pra você, não iria colar.

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  17. Imagina isso com cambio manual e um motor V8 Hemi...

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  18. Esse foi o fim dos anos 90, onde a Chrysler tentava repetir o reinado dos anos 70 criando dois carros bem legais, o Viper e o Prowler.

    Acredito que o Prowler só foi oferecido com esse câmbio chato por uma questão de mercado mesmo - pra quem queria brutalidade eles já ofereciam o Viper.

    De lá pra cá infelizmente foram ladeira abaixo, uma pena..

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  19. Tempos de Bob Lutz na Chrysler.

    McQueen

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  20. Transeunte, a coisa era mais simples para oferecerem só o Autostick no Prowler: usava-se a mesma transmissão que equipava a plataforma LH (300M, Dodge Intrepid, LHS, Concorde), bastando apenas espaçá-la com um tubo de torque para que a tração ficasse traseira.
    Vale lembrar, inclusive, que o Prowler foi o único veículo da Chrysler a aproveitar a potencialidade que a plataforma LH tinha para gerar carros de tração dianteira ou traseira, e isso porque sua plataforma não era a LH, mas apenas o conjunto motriz o era.

    Plataforma LH com tração traseira só existiu mesmo na forma de conceito (aquele Charger de 1999), mas aí veio a Daimler e botou tudo a perder.

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