6 de dezembro de 2012

FERRARI RAINBOW

Parece carro japonês, mas veja o cavalinho na grade

Com a maioria dos carros que abusaram das linhas de caráter angulosas, esse Ferrari 308 GT Rainbow poderia fazer sucesso na década de 1980, alguns anos à frente de quando foi apresentado, 1976. Veio um pouco antes da hora, portanto. O Rainbow foi mostrado quando a Ferrari estava prestes a encerrar produção do Dino, lançado em 1968, um carro de linhas curvilíneas que se tornou um dos verdadeiros clássicos da história, tanto da Ferrari quanto da indústria como um todo.

Ao olharmos para o Rainbow (arco-íris), um outro carro  vem à memória imediatamente, e não sem motivo. O Fiat X1/9, também um desenho do Studio Bertone, lançado em 1972, sob o comando do mesmo estilista-chefe, o lendário Marcello Gandini.

Com para-choques de especificação americana. Terrível


Mas o Rainbow foi além do que o Fiat apresentou, sendo mais radical nas linhas retas, que estão no carro todo,  interior inclusive. Notem a forma do painel de instrumentos, um retângulo, puro e simples. Eu também desenhava carros assim, com a régua, quando tinha oito ou nove anos. Nenhum talento era necessário, e era normal para quem gostava de imaginar como seria o futuro. É dessa forma que nasce a simpatia por determinados carros. Se eles foram de alguma forma parte de nossas vidas, seremos sempre atraídos por eles, quer sejam considerados feios ou bonitos, adjetivos que escritores inteligentes evitam utilizar, já que o ditado diz que o lixo de um é o ouro de outro. 

Simplicidade plena, trazendo sensação de espaço

Mesmo parecendo retas, um desenhista de automóveis não pode utilizar de verdade uma régua,  pois no conjunto parecerão linhas côncavas, curvadas para dentro das superfícies.

Isso é fácil de ver em carros como o fora-de-série brasileiro Farus ML929. A linha de união do teto com o quadro do vidro da porta e com o pára-brisa são retas, que quando vistas no veículo parecem uma curva para baixo. Não muito agradável à visão da maioria das pessoas.


Notem a junção porta com teto. Ignorem a dianteira modificada para parecer Ferrari.

O Rainbow foi inspiração para muitos carros japoneses, na época em que eles ainda eram bem iniciantes na arte do estilo automobilístico. Sem dúvida tomando uma marca como a Ferrari de referência, imaginaram que o Rainbow mostrava o caminho que os italianos seguiriam. E sempre foi mais fácil pegar a régua e fazer coincidir linhas retas do que acertar raios entre si, claro. Essa praticidade levou os japoneses a fazerem vários modelos dessa maneira, linhas retas, áreas quase planas e achatadas. Subaru XT é um deles.

Subaru XT (Alcyone no Japão), de 1985

Gandini já havia sido o responsável por trazer o desenho do Countach ao mundo, dois anos antes. Como eu já havia escrito, deve ter sido por inspiração divina ou extraterrestre. Este é provavelmente  o carro mais chocante de todos os tempos, falando-se não só em desenho de carroceria. Como não poderia deixar de ser, já falamos do Countach em outras ocasiões, uma delas aqui, num texto de José Luiz Vieira, e nesse comparativo nada técnico porém divertido com o MAO.

No Rainbow, o estilista pretendeu algo bastante chamativo para a outra marca italiana mais famosa do mundo, e conseguiu em grande parte.

O Ferrari 308 GT4, conhecido como Dino de quatro lugares, magnífico, é a mecânica por baixo da carroceria do Rainbow, com motor central-traseiro de 3 litros, o primeiro motor Ferrari de configuração V-8 produzido para venda ao público. Com cerca de 250 cv, seria quase uma piada hoje, mas era plenamente potente para a década de 1970. A linha histórica desses carros está bem explicada nesse texto do MAO .

No Rainbow o entreeixos era 100 mm menor que no GT4, proporcionando dimensões mais compactas para esse estudo. Aliás, dimensões contidas chamam a atenção, principalmente comparando com os Ferraris da atualidade, largos a ponto de não caberem em vagas de carros normais. Vejam essa foto a seguir, como o carro é pequeno ao lado de uma pessoa.

Não seria bom ver Ferraris novos desse tamanho ?
Incrivelmente, o Rainbow não aparece na linha do tempo dentro do site do Studio Bertone. Talvez tenha sido negligenciado em meio a tantas criações magníficas, como o Miura e o Countach.  Esse fato é interessante, já que o carro, exemplar único, pertence à coleção particular do estúdio, o Museo Stile Bertone, não aberto à visitação pública, infelizmente.
Uma pena não ter seguido como modelo de produção.





JJ

49 comentários:

  1. Que coisa... ironicamente o arco-íris é curvo.

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    1. O Mercedes SL da segunda série foi além,ao apresentar um teto côncavo de fato,criando a polêmica q. acabou beneficiando a imagem do modelo

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  2. Fiat X1/9 versão brasileira...Fiat Dardo.

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    1. Meu amigo Mr.Car e seu Dacia!

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    2. Meu amigo Mr.Car e seu Polara!

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    3. Já que lembrou dele, aproveito para lhes comunicar o lançamento do livro "Dodge 1800/Polara - O Pequeno Guerreiro" (Marcos Faria Martins Filho & Luciano Jafet), pela Editora Otto7. O livro pode ser adqüirido pelo site da própria (www.otto7editora.com.br).

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    4. Dizem que esse pequeno Dodge andava mais que os poderosos Passats da VW. E dava pau em muito carro maior e mais potente.
      Valeu pela dica do livro.
      Mr.car tambem é cultura

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    5. andava sim. não fazia vergonha à época. se for comparar com hj, é covardia mas o doginho funcionava bem.o que me chamou a atenção é que bebia demais para a proposta de carro médio pequeno. e aquelle carbura que ninguém, quase, sabia regular.

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    6. Mr. Car, conheço dois Polaras à venda. E com ar-condicionado!

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    7. Doginho nunca andou mais que Passat 1.6. E era 1.8.

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    8. 1800 e Polara eram bons de retomada, mas os Passats tinham mais estabilidade. Tive 3 Dodges e 1 Passat. Bom mesmo foi o Passat Pointer 1.8 AP.

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    9. Os hermanos argentinos tiveram, sem dúvida, mais sorte(ou competência...)para explorar o potencial do Dodginho,q. lá usava o motorzinho 1500 e nem por isso passava vergonha.E,ainda tinha a piruinha tetéia...

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    10. Joao Guilherme
      Nada como saber a opniao de quem ja guiou esses carros..
      Passat Pointer é um sonho de consumo meu!
      Quem sabe um dia cheo lá

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  3. JJ, números de desempenho, por favor!

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    1. Bussoranga,

      juro que procurei, mas não há nada divulgado com exatidão.
      O GT4, mecanicamente igual, ia de 0 a 100 km/h em 6,5 segundos, e atingia 240 km/h. O Rainbow era mais leve, mas sem sabermos valores exatos, e aerodinamicamente, uma incógnita. Devia acelerar um pouco mais rápido.

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    2. É um belissimo desempenho!
      Números muito bons ate nos dias atuais...

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  4. Carros meio exóticos estes do post hein? e Juvenal ,cade os retrovisores de alguns modelos ? abraço.

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  5. Farus ML929, carro estilizado por engenheiros.
    Um designer/estilista ou sei lá o nome jamais faria isso...

    Mas isso não tem importância. Beleza, harmonia, bom desenho, identidade, tema atraente, boa execução, saber a hora de mostrar ou ocultar parafusos, cor, acabamentos internos e externos, postura com a qual o carro se assenta no piso, relação de sombra/luz/volumes... nada disso importa. Não é Bob?

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    1. Analfa
      Pouco trabalho, pouco estudo e muuuito tempo para ficar com brincadeira na internet.

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    2. Daí o nome Analfa.

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    3. Caros,
      No que o Analfa comentou de errado?
      Sobre estilo ele tem razão - até na referência que fez ao Bob.

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    4. Bob não sei de nada08/12/12 18:28

      Acabamento, desing e segurança eu não sei de nada. Só sei de motor 1.0 e coisas que dão lucro

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  6. Analfa 06/12/12 13:41,

    Você precisa urgentemente de um psiquiatra, cara...

    Se tua mulher te deixou, é porque ela tinha mesmo motivos.

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    1. Ele tá precisando mesmo é de uma mulher!

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    2. Ou uma toba.

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    3. Todo mundo que rebateu com argumentos no mínimo "esdrúxulos" o meu comentário cometeu erros de português.

      Depois eu é quem preciso estudar, preciso de psiquiatra.

      Voltem para as aulas de interpretação de texto e depois dirijam o "teclado" contra mim.

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    4. E o Sr. volte para o noticias automotivas.

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    5. Girafor Ratonares07/12/12 14:32

      Quem diria? O analfa querendo dar aula de portugues!!!

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  7. Eduardo Vieira06/12/12 14:38

    Um belo brinquedo, Juvenal... Devia ter uma dinâmica muito interessante por ter um tamanho contido, e ótimos 240cv? Sei que estamos acostumados a ouvir números cada vez mais mirabolantes de potência, mas o negligenciado Lotus Elise entrega algo nessa faixa, e é um foguete...
    Provavelmente a Ferrari nem pensou em desenvolver o estilo desse carro por suas similaridades com o compatriota... Como corte das caixas de roda,vincos no capô, etc... Uma pena...

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  8. Tivemos aqui no Brasil um belo exemplar dessa corrente de linhas angulosas.
    Talvez ate mais bonito e harmonioso que esse Ferrari.
    O fora de serie Hofsteter era um sonho de qq moleque que gostasse de carro.
    Producao artesanal, baseado no protótipo Alfa Romeo Carabo , utilizava mecanica do Gol GTS com adocao de um kit turbop da Larus.
    A producao foi pequena e alguns poucos exemplares sairam do país.
    Dizem que o projetista e construtor era um genio e tinha vinte e poucos anos quando montou a fabrica!
    Há um tempo atras havia um à venda em SP. Tive a oportunidade de entrar a apreciar os detalhes desse carro. Branco estava totalmente original , como 0km . Um carro incrivel até hoje...

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    1. Eu tambem gostava muito desse carro.
      Fiquei alucinado quando o vi no Salao do Automovel ....

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    2. Idem anonimo 16:06. e pouca gente sabia o que, como e de onde vinha. Outro dia no Templo um preto estava desfilando com as portas abertas, descendo a rua do túnel para o posto de abastecimento. Devagarzinho; parei e fiquei olhando. o motorista estava com um sorrizão daqueles, como quem está fazendo uma traquinagem...

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    3. Sem duvidas foi de longe o fora de serie mais incrível fabricado no Brasil'
      E talvez no mundo a seu tempo..

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    4. Eu nunca vi esse carro, mas já ouvi falar
      Será que você nao esta fazendo confusão com o Diabolo da Lamborghuini?

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    5. Não, aquele é o Testa Rosa da Ferrauri.

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  9. Aquele X1/9 com as rodas iguais às do 147 é um "must".

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    1. No salão dos antigos, tinha esse Fiat X1/9 com as mesmas rodas.

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  10. Sempre gostei de carros quadrados, mas esses aí... São muito feios.

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  11. O Fiat X1/9 até que é bonitinho, mas aqueles para-choques eram de muito mau gosto.

    Acredito que ficaria bonito com os para-choques de hoje.

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    1. O Dardo tinha os párachoques da versão européia do X1/9,bem mais elegantes e discretos que os do modelo USA

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  12. Alguém sabe a razão do nome X 1/9?
    lauro

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    1. Eu e que nao sei!

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    2. Nos nomes comerciais a FIAT usava uma código número, dai 128, 147 e etc... Porém o código interno de projeto era X#. Ou seja, X0 para motores, X1 para carros de passeio e X2 para automóveis comerciais. Sendo assim o X1/9 foi o nono carro de passeio depois da adoção da nomenclatura. Agora, pq usaram a designação de protótipo eu não sei...

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  13. Esse Ferrari Rainbow eu não conhecia. Linhas bem radicais para a época, ainda mais em se tratando de Ferrari.

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  14. É porque ele eram necessários nove deles para formar um carro inteiro.

    Pedro

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  15. Que carro feio. O Comendador deve ter feito uma bolinha com o projeto, jogado no Gandini, dado uns tapinhas bem de leve no rosto dele e falado "de volta para a prancheta, capice?"

    McQueen

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  16. Mas um estilo que nos passa despercebido. Ainda bem que há sites como o AE para nos lembrar do que passou e apresentar o que não vimos.

    KzR

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  17. Excelente blog, adorei o post, parabéns. http://www.segurodevidaempresarial.com.br

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  18. Parabéns pelo Blog, sempre acompanho seus post. Obrigado. www.segurodevidaindividual.com.br

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Um abraço!
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