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27 de março de 2009

Cinco grandes tapetadas

No mundo do automobilismo, as regras são constantemente mudadas para que, de acordo com os organizadores, haja competitividade entre todos. Também a redução de custos é constantemente lembrada como motivo para mudanças, assim como segurança. Mas diversos carros e ideias foram banidos das pistas por serem muito inovadores e, por que não dizer, melhores que os concorrentes? É uma reação já conhecida: se alguma coisa nova está dando muito certo, acabe com ela.
Abaixo segue uma lista com cinco exemplos disso.

1- Porsche 917 Mk1 e 908L

Em 1969, o regulamento do Campeonato Mundial de Carros Esporte foi alterado, proibindo o uso de asas móveis. A Porsche havia desenvolvido, por meio de um engenhoso sistema de alavancas ligadas às rodas traseiras, uma forma de variar o ângulo de ataque da asa traseira independentemente de cada lado do carro, aplicados no 908L e no novo 917, o que proporcionava uma vantagem nítida sobre os demais carros. Neste mesmo ano, a Porsche pode correr na 24 Horas de Le Mans com as asas móveis após muita discussão. Resultado 1: Porsches com os melhores tempos. Resultado 2: asas móveis banidas do regulamento.

Porsche 908L

Porsche 917 Mk1

2- Williams FW15C

Em 1993 a Williams dominou o Campeonato de Fórmula 1 com um dos mais avançados carros de corrida de todos os tempos. O FW15C tinha tudo o que se podia imaginar de tecnologias disponíveis para melhorar o desempenho do carro. Transmissão semi-automática, ABS, controle de tração, telemetria ativa e o mais criticado de todos, a suspensão ativa. O grande segredo não era somente a possibilidade de calibrar instantaneamente a rigidez de molas (pneumáticas) e amortecedores em função do piso para melhorar o contato do pneu com o solo, mas sim de manter o nivelamento do carro em relação ao piso. Com o carro estável, o FW15C podia controlar a distância livre em relação ao solo, otimizando o efeito aerodinâmico e maximizando o downforce em todas as situações da pista. Resultado: suspensão ativa banida da F1.



3- Brabham BT46B

A criação de Gordon Murray de 1978 também não passou ilesa pelos cortes da Federação. Com o propósito de criar baixa pressão sob o carro e aumentar o downforce, a grande turbina foi montada em dois carros por um complexo sistema de embreagens de acionamento, mas sua eficiência e legalidade foram questionadas a ponto de serem proibidas. Em 1970, Jim Hall já havia utilizado o conceito do "sucker car" no Chaparral 2J, que também foi banido do campeonato norte-americano CanAm.



4- Mazda 787B

O único carro japonês a vencer a 24 Horas de Le Mans também não escapou dos cortes. Em 1991, o 787B equipado com motor Wankel 26B de quatro rotores e mais de 700 cv aspirado foi o grande vencedor da prova, e no final do ano, proibido pela Federação, para que os desenvolvimentos fossem direcionados aos motores similares aos da Fórmula 1, com pistões convencionais e deslocamento de 3,5 litros. Curiosidade: o brasileiro Maurizio Sala correu em 1991 no segundo 787B da equipe oficial e terminou a prova em sexto. Raul Boesel, de Jaguar V-12 terminou em segundo, melhor posição de um brasileiro na corrida.



5- Lotus 56 e STP-Granatelli

Depois da grande inovação apresentada por Andy Granatelli em 1967 com o STP-Turbine, a Lotus aprimorou o projeto e inscreveu o Lotus 56 para a 500 Milhas de Indianápolis de 1968. Assim como o STP, o 56 era equipado com turbina Pratt & Whitney e tração integral. Após diversas tentativas quase bem-sucedidas se não fossem por falhas mecânicas simples e acidentes, os carros movidos a turbina teriam sido grandes vitoriosos. Emerson Fittipaldi correu algumas provas com o 56, mas sem sucesso. Como os outros quatro exemplos anteriores, as turbinas foram banidas, assim como a tração integral, do regulamento de Indianápolis e da Fórmula 1.


STP-Granatelli


Lotus 56

8 comentários:

  1. Adoro Wankels, sugiro um post/topico só para eles, acho muito vantajosos, apesar de nunca ter visto um carro propriamente dito andando com ele.

    Quando mais moleque, pilotava meus aeromodelos com muito mais frequencia do que hoje. Ví um Wankel Glow da marca OS. Fiquei bobo.

    O mais legal dos wankels é que apesar de não parecer eles são um motor de 4 tempos/ ciclo Otto.

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  2. Leonardo,

    Sugestão aceita e registrada.

    Não é muita novidade não motores Wankel para r/c, a OS os fabrica há anos.

    Até kart anda com Wankel hoje.

    abs.

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  3. Teve uma história da proibição do CVT que na época botou segundos sobre um modelo em uso, e foi proibida. Mas os "puristas" não falam muito disso porque acham que a idéia também iria exigir menos do piloto.

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  4. Oloco, kart é novidade para mim, ví uma vez uma moto suzuky(acho) com wankel no mercado livre uma vez.

    Mas é pena mesmo que só a Mazda continua com essa técnologia.


    Não é essa Williams que mantinha o carro sempre a 6mm do solo ? Me lembro de ver algo assim em um AutoEsporte

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  5. Anonimo, era nesse mesmo carro que testaram CVT.

    Leonardo, era esse Williams que ficava com altura estável e constante do solo. Assim, o fluxo de ar era constante e o downforce, máximo.

    abs

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  6. Mas o Mazda tmb se aproveitou de um "furo" no regulamento, que agora me falha a memória(não era bem um furo, eles deram uma forçada).

    Ninguém protestou(afinal o que a Mazda pode fazer ne?).

    Mesmo que mantivessem os motores, provavelmente não repetiria o feito assim...

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  7. Milton,
    Por essas e outras, é que se espera que os difusores da Brawn GP sejam banidos, na próxima reunião da FIA.
    É patente a vantagem que esses carros demonstraram sobre as demais equipes. E eles ainda não tem KERS...

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  8. Do jeito que vai, o Ross Brawn vai ser ser proibido de projetar carro de Formula 1!
    Abraço, Milton!
    Beto Dutra

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